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segunda-feira, 3 de julho de 2017

Doente do pé.

Dois jogos já sem vencer e dois tropeços em times na zona de rebaixamento. Com todo respeito as tradições destes clubes (Sport com títulos nacionais, Copas do Nordeste, etc, e o Atlético Goianiense tradicional clube do Planalto Central), são pontos perdidos que não estavam na conta do Alvinegro Praiano. Ao final da partida contra o Dragão goiano, na qual o Santos jogou praticamente todo o segundo tempo com um jogador a mais, Levir Culpi disse o que boa parte dos torcedores queriam ouvir: “Está faltando vibração para este time”.

O primeiro tempo, num “animado” sábado à noite, foi um dos mais horríveis que já vi no futebol. Fiquei com dó até, do bom número de santistas que resolveram prestigiar o time do litoral paulista, chegando inclusive até a rivalizar com a torcida local no simpático Estádio Olímpico de Goiânia. Torcedores com poucas oportunidades de prestigiar seu clube do coração, assistindo um insosso espetáculo.

Não sendo por demais  injusto, fato é que no segundo tempo o jogo deu uma animada, dando até pra deixar o celular de lado, graças as entradas de Thiago Maia e Lucas Lima. Mas o Santos continuou sendo horroroso nas finalizações, quer dizer, quando seu "tique-taque" deixava finalizar. Vladimir Hernández, colombiano que é uma espécie de xodozinho da torcida pelo pouco tamanho e muita vontade, desperdiçou por duas vezes a chance de virar o placar.

A baixa foi Vitor Bueno, jogador que elogiei tantas vezes nas redes sociais ano passado, chamando-o carinhosamente de Vitor"Beckembauer" Bueno, pelas brilhantes atuações, mas que teve uma queda abrupta no seu futebol este ano. E como inferno astral é pouco, num lance besta e bisonho com um jogador do Dragão num lance já concluído e com a bola já saindo pela lateral do campo, rompeu os ligamentos do joelho e só volta aos gramados ano que vem.

O fato é que o Santos  tem muitos problemas, tanto dentro quanto fora de campo, e Levir não irá conseguir resolver tudo sozinho.  Grande contingente de jogadores na enfermaria: Thiago Maia com virose, ficou dois jogos fora, Ricardo Oliveira, com pneumonia (!?!?) , Rodrigão, com amigdalite, Caju retornou ao departamento médico, além do Zeca também contundido, Gustavo Henrique, sem citar aqueles que não me vem agora nesta memória peixeira.

A falta de entusiasmo de muitos santistas também se deve pelo término de contrato no final do ano, o que permite assinar um pré-contrato com qualquer clube no meio do ano. Claro que todo mundo quer jogar uma Champions League, mesmo que seja num Zenit ou Besiktas da vida.

Ano de eleições no clube, e indefinições que estão atrapalhando no desenvolvimento dentro das quatro linhas, o que parece ser evidente pra mim. Segundo semestre de poucas perspectivas, tanto na Copa do Brasil, na Libertadores e na principal competição nacional.


...E como diria Dorival, não o ex-técnico mas o grande compositor Dorival Caymmi: “O samba da minha terra, deixa todo mundo mole, quando se canta todo mundo bole”(...), desculpem, não sou especialista em samba, mas posso dizer que o Santos está ruim da cabeça, e por consequência, doente do pé. 




domingo, 4 de junho de 2017

Na bronca.

Já estamos em junho (pasmem!) e o torcedor santista (inclusive este) ainda está na espera por um bom futebol do time praiano. “O tempo passa...” dizia Fiori Gigliotti e o time que até então devia ser entrosado pelo tempo que vem jogando junto não está dando mais liga. Poucos se lembram que a equipe é vice-campeã brasileira e não fosse alguns tropeços em casa e derrotas para times na zona de rebaixamento, o time brigaria na ponta até o fim do campeonato.

O ano virou, e ao invés da equipe apresentar evolução, aconteceu o contrário. Era praticamente evidente o desinteresse que o time demonstrou pelo campeonato paulista; Jogou bem na derrota para o Palmeiras por 2x1 na Vila e contra a Ponte no Pacaembu. Mesmo assim, faltando competência nas finalizações. O começo do campeonato brasileiro tem sido desastroso: 3 derrotas em 4 partidas, e 4 derrotas em clássicos contanto com o paulista. Não tem como um torcedor se conformar com isto.

Quando nada dá liga é hora de mudar antes que seja tarde, antes que o tempo comece a jogar contra também. Sempre gostei do Dorival, acho um técnico competente, mas parece que seu segundo ciclo na Vila já está terminando. E o mesmo vale para alguns jogadores que estão lá com cadeira cativa. Hora de renovar, de dar chance para quem está a fim de mostrar algo. Quem estiver a fim de ir embora, pegue o seu banquinho, e aproveite a janela do meio do ano.

Levir Culpi, Marcelo Oliveira e Ney Franco talvez sejam os mais cotados para tentar dar um novo ânimo ao clube da baixada. Fernando Diniz até pode ser cogitado, mas ainda continua sendo uma aposta. Ainda precisa se firmar em uma equipe com pouco mais de expressão. 
  
Mais seis meses para o time tentar mostrar algum futebol e terminar o ano de forma digna. A expectativa atual é essa.





terça-feira, 18 de outubro de 2016

Na corda bamba.

Cristóvão Borges foi daqueles técnicos que chegou com prazo de validade para expirar. Embora ele não tenha vindo com o objetivo de substituir Tite (este já fazendo parte da galeria dos imortais do clube) parecia que ele estava na corda bamba quando seu nome foi anunciado. Apesar do cenário bem diferente enfrentado pelo ídolo corintiano (como um elenco bem mais limitado), a torcida, diretoria e parte da crônica esportiva não teriam ou tiveram a mesma paciência com o ex-jogador da mesma forma que Tite teve na ocasião da eliminação da pré-Libertadores.

Chega Oswaldo de Oliveira, com as mesmas condições que seu antecessor Cristóvão Borges. Também não possui a mesma idolatria de Tite, talvez nem ídolo no clube seja,  apesar de ter vencido o primeiro mundial de clubes com a chancela da Fifa. Poderia ser marcante, épico, mas parece que o torcedor corintiano não põe no mesmo caderninho esta conquista com a da  Libertadores e  Mundial de Clubes vencidos em 2012. Voltando ao momento atual, a missão de Oswaldo é colocar o time no clube do G-6, missão menos pretensiosa que sua última passagem.

Outro que chegou com o caldeirão borbulhando foi Ricardo Gomes. Tinha respaldo no Botafogo, mas preferiu mergulhar na piscina fervente do Morumbi. “O tipo do cara bacana”, como muitos dizem, mas sem a devida grife para dirigir um clube como o São Paulo (nas palavras dos torcedores e cronistas), apesar de uma passagem anterior. O tricolor do Morumbi  foi o maior laboratório de técnicos este ano, experimentando argentinos que tinham certo respaldo internacional, e que também dividiram opiniões no clube. Com relação a Ricardo Gomes, seu prazo de validade irá até o final de 2016 (palavra da imprensa esportiva).

Já Palmeiras e Santos, satisfeitos em certa medida com seus treinadores, não passaram pelo mesmo “mimimi” dos rivais. Cuca e Dorival já possuíam mais respaldo; o primeiro abafou qualquer indício de incêndio e Dorival alavancou o time peixeiro no Brasileiro do ano passado, após este perambular próximo da zona de rebaixamento. Cuca faz parte hoje do restrito grupo dos técnicos “Top”, Dorival foi cobiçado pelo Corinthians, mas o estilo deste treinador está mais identificado com o clube do litoral atualmente. E Dorival ganhou respaldo principalmente com os mais jovens na Vila, o que resultou nas titularidades de Zeca, Tiago Maia e Victor Bueno, que passaram de promessas, a revelações, diminuindo a distância entre amadores e profissionais no clube.


Apesar do velho discurso principalmente por parte da imprensa de que “o clube tem que dar tempo ao seu treinador”, em contradição estes também são os primeiros a colocarem o tempero no caldeirão fervente. O próprio Tite já foi alvo, e o maior exemplo esta semana foi Ricardo Gomes, com muitos anunciando que o técnico cairia depois da partida contra o Fluminense. Com pouca atração dentro de campo, os treinadores passam a ser protagonistas e ao mesmo tempo vítimas desta falta de talentos e constante instabilidade. Parecem já entrarem na corda bamba. E tem que segurar firme o guarda-chuvinha para não caírem.





domingo, 19 de junho de 2016

Pra frente, Dorival!

Tido como time caseiro, Santos fez duas boas partidas jogando fora de casa: Contra o Santa Cruz, com vitória e ontem contra o Atlético Paranaense com derrota no final da partida. Em ambas, o Peixe dominou o jogo, permanecendo com a posse da bola na maior parte do tempo. Um conceito que já discutimos aqui e pelo que ando percebendo o técnico Dorival está querendo adotar, se espelhando na filosofia de Fernando Diniz.

Jogadores pra implantar esta filosofia o Santos tem, pois ao meu ver tecnicamente não fica devendo pra nenhuma equipe do campeonato nacional. Pode ter suas falhas, com algumas ainda visíveis, mas poucas equipes podem contar com jogadores versáteis como Lucas Lima (que está em recuperação), Tiago Maia, Renato, e um que está me agradando muito, que é o Vitor Bueno; Este vem ganhando personalidade e evoluindo a cada partida. Yuri contratado junto ao Audax parece ter se adaptado bem à jovem equipe peixeira.Também gosto dos laterais Zeca e Vitor Ferraz. Na frente, Gabriel ainda precisa achar um bom parceiro, já que Joel e Paulinho, contratados junto ao Cruzeiro e Flamengo respectivamente, ainda não se firmaram como titulares e oscilam muito. Ricardo Oliveira parece ainda não ter previsão de retorno por causa do joelho.

Ontem o Santos sofreu um castigo ao levar o gol do Atlético/PR, aos 44’ do segundo tempo, gol do ex-corintiano Paulo André, que continua sendo um ótimo jogador.  Digo “castigo” porque é aquela mentalidade de achar que o jogo já está “decidido” e o treinador sempre resolve trocar um atacante por um jogador mais defensivo. No Santos, isto ocorre quando o volante Alisson entra nos minutos finais. Aconteceu na semifinal do Paulista diante do Palmeiras, e ontem a mesma coisa. O jogador não tem nenhuma culpa nisto, quero salientar para não ser mal interpretado. Mais uma vez este tipo de substituição não surtiu efeito algum, e o Santos mais uma vez levou o revés, por não querer ficar com a bola lá na frente.

Por isso Dorival, sem essa de segurar o resultado. E serei obrigado a usar este clichê: “O jogo só termina quando o juiz apita”.

Próxima partida contra o Fluminense em Volta Redonda, estádio que virou o “Maracanã” dos cariocas. Com cautela, mas jogando pra frente, pois o retrospecto do Peixe não é bom contra o time das Laranjeiras jogando fora.





sexta-feira, 27 de novembro de 2015

Onde terminará minha desconfiança (Parte 3) ?

 

Evidente que o título do campeonato brasileiro é uma credencial mais que respeitável no mundo do futebol. Evidente também que os números mostrados pelo Corinthians demonstram uma maturidade da equipe formada por Tite, tanto no aspecto tático, técnico como emocional. É também verdade que a casa nova conquista a desconfiança vai se calando e o time vai tomando formato de equipe tal qual qualquer torcedor sonha.

Nos sonhos mais distantes nunca se pensaria numa vitória contra o arquirrival São Paulo com tamanha expressão. Ainda que elementos conhecidos por todos tenham envolvido o clássico paulista, não dava para se imaginar um Corinthians tão ganancioso e um São Paulo tão entregue. A goleada não mostrou a real condição do clássico. A goleada seria maior. Conto no imaginário, desinibindo o “quase” no argumento, pelo menos mais três gols alvinegros, defendidos pelo ótimo goleiro tricolor.

Mas não é sobre o São Paulo que eu quero falar, mas sobre o Corinthians. E o Corinthians de exemplos brilhantes, a serem seguidos pelos outros clubes, como de exemplos antiquados, que já deveriam ser abolidos do futebol. Um exemplo foi na entrega da Taça, o presidente do clube erguê-la antes de entregar ao Ralf, capitão da ocasião nobre. Presidente tem que aparecer nos bastidores, na política, nas negociações econômicas. Quando ele aparece mais que os jogadores, fica parecendo uma coisa amadora, no sentido primário. Vejam o exemplo do São Paulo, onde o presidente foi quem mais apareceu nos últimos meses. Bom, feito, a volta olímpica; merecida com números impressionantes.

A mídia, que adora aparecer na hora inoportuna; já adianta o Corinthians como o único rival imediato, pronto e definido para competir com Barcelona. Parece brincadeira, mas não é. É uma piada infame, desproposital. Piada que infelizmente não partiu apenas do noticiário brasileiro; mas de um jornal italiano. Será que apenas eu não consigo ver esse Corinthians tão imbatível como pintam? Não. Creio que o senso comum sabe que esse Corinthians é um time muito superior a média dos times nacionais, mas tem lá seus concorrentes. E tendo concorrentes internos, terá também embates terríveis contra os sulamericanos. E mais ainda, enfrentando europeus.

Corinthians dos meus dois outros textos era definido como um time em formação, que não tinha passado ainda por equipes em formação, com conjuntos mais ou mesmos do mesmo nível, como por exemplo o Palmeiras. Corinthians que teve dificuldade contra o Santos. Contra o Grêmio. Mas que era um Corinthians crescendo, se formando.

O sonho do corintiano cresce cada vez mais, embora a mídia queria atrapalhar o caminho normal de um time vitorioso.













quinta-feira, 5 de novembro de 2015

Onde terminará minha desconfiança (Parte 2)


Há pouco escrevi um texto sobre o Corinthians. Nele fazia uma série de questionamentos em relação ao time e se ele era, de fato, o melhor time do Brasil. Agora, faltando muito pouco para se tornar campeão Brasileiro (e quase um milagre para Atlético Mineiro e Grêmio roubarem a faixa), fico naquela expectativa: onde pode parar esse time montado pelo Tite? Será que o próximo ano ele continuará se destoando das outras equipes? Será que está pronto para Libertadores? Corinthians de hoje é tão campeão quanto aquele time que conquistou tudo na última passagem do treinador?

Evidente que há esperança em dias ainda melhores. O time organizado hoje tem algumas características que são unânimes entre os críticos. Da organização extracampo à distribuição dentro dele. De jogadores medianos jogando no limite, aos craques jogando aquilo que sabem Jadson sabe jogar e teve relances no São Paulo. Mas no Corinthians virou meia. Meia na mais alta e histórica definição. Virou o cara, como se diz por aí. Considerando tudo que envolveu o jogador, e sua troca pelo empréstimo de Pato; o time saiu ganhando, e muito.

Renato Augusto, por intermédio dos departamentos que envolvem o futebol; não se machuca e além disso está no auge de sua forma física. Salvo engano, milagre que só aconteceu com a recuperação do Ronaldo e porquê não do Pato, que chegou em dúvidas físicas e técnicas, e foi para o São Paulo ser um dos melhores em campo nas mãos do Osório. Elias e Ralf voltando a jogar bem. Felipe saindo do patinho feio de sua estreia (quando, com um erro seu, o time perdeu o jogo); a um dos caras mais confiáveis e responsáveis pelo desempenho da defesa.

Aquilo que brincando eu digo: se o Edilson e o Aranda não conseguirem jogar com o Tite, vão jogar com qual treinador? Tite não é um grande estrategista como era, por exemplo o Luxemburgo. Mas aquilo que ele faz de melhor pela equipe tem dado resultado saltando os olhos: a equipe tem uma unidade; pelos valores individuais dentro e fora do campo. A equipe tem um padrão definido, permitindo que um jogador considerado reserva saiba exatamente onde e o que fazer dentro do campo; quando assume a titularidade. E todos os jogadores dizem a mesma coisa sobre ele: não podem reclamar de injustiça, de não terem chance e de não serem aconselhados para se melhorarem.

É claro que existe um lado terrível nesse relógio montado pelo Tite: as peças ficam muito perdidas quando há um elemento estranho dentro do campo. Santos, Palmeiras e Grêmio conseguiram isso. Fizeram com que os passos cronometrados do time tivessem um desajuste, por isso criaram complicações dentro do campo. E pior: O Corinthians não soube sair naquela situação e não saberia sair agora. Considero os três times os maiores vilões para a equipe alvinegra, aqueles que sabem não apenas o ponto forte; mas também como neutralizá-lo.

Mas isso tira o brilho do Corinthians? Evidente que não. O Corinthians nos seus melhores números em todos os quesitos. O Corinthians que volta a ser respeitado pelos adversários. Corinthians que brilha nas questões do futebol teórico, estatístico e prático. O Corinthians é o melhor time do Brasil na atualidade, embora nessa qualificação haja sempre as discrepâncias dos embates diretos, como foi o caso do Grêmio e Palmeiras (não ganhou de nenhum deles). Mas duas equipes podem ser parâmetro em uma campanha tão brilhante? Também não.


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segunda-feira, 14 de setembro de 2015

Onde terminará minha desconfiança?

 

Quais atributos devemos perceber num time para que possamos cravar, com toda euforia e pompa, o favoritismo à um título? Andei pensando muito nisso ao ver os números do Corinthians no Campeonato Brasileiro. Sim, pois chegamos à um pouco mais da metade do campeonato, a equipe tem números impressionantes, mesmo assim, ainda não me sinto confortável em dizer que é a melhor equipe do país. Neste momento, o Corinthians tem o melhor ataque, com 42 gols. Possui a melhor defesa, com 19 gols. São exatos 17 partidas sem saber o que é ser derrotado, com doze vitórias e cinco empates. Favoritismo? Não.

Saindo dos números, frios e exatos; olhando para o lado humano, tático: Cássio, Uendel e Fágner. Gil e Felipe. Dignos de qualquer grande equipe. Uendel numa fase extraordinária, Fágner na melhor de sua carreira. Gil cotado para seleção brasileira. Felipe, depois de altos e baixos, escalado por Tite, sem qualquer dúvida, quando analisado sua estatística: a equipe sofre menos quando ele está em campo. No meio de campo, até outro dia., Bruno Henrique; um volante moderno, com uma saída de bola que o qualquer treinador queria em campo. Machucado, saiu. Substituído por Ralf, que dispensa comentários, ainda que não esteja em boa fase. Elias, Jadson e Renato Augusto são a alma da equipe, quando estão bem, tudo funciona. E no ataque Vágner Love e Malcon.

Sim, é uma equipe muito boa.

Deixando os números de lado, saindo da individualidade dos jogadores, entrando no mérito tático: Tite monta a equipe exatamente como quer. O desenho tático não se altera em nenhum momento: dentro e fora de casa, ganhando ou perdendo. É uma maneira de jogar. Ora tem mais agressividade, ora joga no contra-ataque, ora sufoca o adversário e muitas vezes sufocado. Mas uma coisa ninguém pode criticar: não tem como dizer que o Corinthians não tem padrão de jogo. E ainda mais, considerando as críticas em relação as outras equipes, quando se diz que um técnico foi demitido por não ter dado um “padrão de jogo” à equipe, devemos considerar que Tite está num bom caminho.

Campanha, questão técnica e questão tática. São três itens analisados que foram, a grosso modo, vistos como positivo na equipe do Corinthians. Com tudo isso, deveria ter a certeza que o time é a melhor do campeonato, que o favoritismo é latente e que o título é uma questão de tempo. Mas, afinal de contas, qual a razão de ainda não certeza sobre isso? É certo: certeza no futebol é uma surpresa, muitas vezes indesejada. Mas com os números, com o parecer, eu teria que ter, pelo menos, mais esperança na equipe, não? Quais os atributos que ainda estão faltando? Na verdade; eu não sei.

Pode ser a falta de um jogo realmente maravilhoso. Pode ser a falta de uma sequência de vitórias. Pode ser a falta de jogos sem sofrimento. Pode ser a falta de uma vitória em clássico: é verdade, no campeonato para o Corinthians constam seis clássicos, enquanto para Atlético Mineiro apenas dois. Vencer clássicos é a moral de campeão, é a certeza; cravada. Corinthians precisa ganhar um clássico para efetivar o título, e mais que isso, não apenas na disputa das torcidas, mas pela pontuação. Pode levar a taça sem ganhar clássicos? Evidente, esforçando-se para recompor os pontos perdidos com equipes menores, ou inferior tecnicamente.

Exclusivamente na liderança, Corinthians ganhou os jogos, bem ou mal, daqueles que seriam sua obrigação. Ganhou jogos que foram surpreendentes. Numa linha tênue entre péssimos resultados, escolheu sempre o resultado melhor, ainda que não fosse o seu melhor, ou o esperado. 





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quarta-feira, 26 de agosto de 2015

Nem só de bola vive o homem

Caros leitores! Recentemente, numa “reunião de pauta” do blog, optamos por diversificar as postagens, sair um pouco do futebol. Concordei com essa inovação do Patativa e espero que os nossos fiéis leitores apreciem essa novidade . Entretanto, como membro da Velha Guarda, seguirei falando apenas sobre futebol, dentro das quatro linhas. Acredito que o nobre esporte bretão ainda é capaz de render bons textos e boas histórias.
E, por falar em história, acabo de lembrar de um conhecido que reencontrei semana passada, lá no Ibotirama, da Rua Augusta. Sabe aquele tipo de parceiro de mesa/balcão que sempre preenche algumas horas da noite com uma conversa animada sobre futebol? Que conhece a história do futebol e é capaz de dar uma aula sobre o Esquadrão Tricolor de 1992, sobre o porquê o Telê Santana é o maior treinador de todos os tempos e, claro, sabe explicar para corintianos, palmeirenses e santistas que o São Paulo não foi rebaixado em 1990, com direito a desenhos no guardanapo para os mais lerdos das ideias? Pois bem, é exatamente esse o cara que estou falando. E o melhor; um são paulino da mais pura cepa.
Devo confessar que alguns dos melhores textos que escrevi aqui no Patativa contaram com a consultoria técnica, histórica e etílica desse meu conhecido. Encontrar esse homem, após tanto tempo sem escrever sobre futebol, era uma oportunidade única. Fiquei até tentado a pegar um caderninho de anotações. Acenei da entrada do bar, que já estava apinhadíssimo e, logo, o amigo fez um convite acenando com a cabeça. Estava encostado no balcão. Como tem sido nos últimos anos ele aponta pra garrafa de cerveja e pergunta se aceito um copo. Agradeço, mas, recuso a cortesia. E, pela enésima vez ele pergunta se eu parei mesmo de beber. Respondo, pela enésima vez, que sim e já me apresso a pedir um suco de limão batido no liquidificador com gelo, o meu novo aperitivo de botequim.
Pergunto ao amigo sobre o Tricolor, o time, o Osório, as chances de título, a virada histórica contra o Ceará, no jogo de volta da Copa do Brasil. Ele responde com um lacônico “Estou por fora”. Como assim? O maior são paulino em atividade que eu conheço não tinha disposição pra falar sobre futebol? Esse sim é o fim, caro Marcelo Nova. Pedi mais uma cerveja para o amigo, essa na minha despesa. Ele resolveu desabafar. Disse que estava “meio a fim de uma mina lá do trampo”, que a coisa não ia bem, que não tinha certeza disso ou daquilo, que estava confuso. Enfim, esse meu conhecido padecia de um amor não correspondido no local de trabalho. Um osso duríssimo de roer e que nem sempre acaba bem. Vide os barracos e mal entendidos nas festinhas de confraternização das empresas.
Tentei ajudar, explicando que a conquista amorosa é como ganhar um Brasileirão, tem que marcar pontos em todas as rodadas e, mesmo assim, é possível que algum concorrente da parte de baixo da tabela, atropele todo mundo e ganhe o título, ou melhor, o amor da moça. Ele perguntou, ainda desanimado: - “Tipo o São Paulo, em 2008?”. Sim, claro! Agora bastava saber se esse meu amigo estava no G4, na zona da Libertadores ou na zona da degola da conquista amorosa. Bastava que ele respondesse às seguintes perguntas que foram desenvolvidas por mim, durante anos de pesquisa nesse assunto. Eis:
1 – Já esteve em contato com a moça fora do ambiente de trabalho?
2 – A moça já te chamou para conversar no Whatsapp? (veja bem, leitor, chamar para conversar não é a mesma coisa que responder ao chamado, mesmo que seja um dia depois)
3 – E nas conversas de Whatsapp, quem manda mais emoticons, você ou ela? (sim, isso tem base científica)
4 – A moça já ligou para falar de qualquer assunto que não seja relacionado ao trabalho? (se o leitor respondeu negativamente à pergunta nº 2, nem precisa se dar ao trabalho de responder essa)
5 – Vocês já conversaram sobre assuntos que não dizem respeito à rotina ou ao ambiente de trabalho? Se sim, vocês têm alguma coisa em comum?
Bom o teste é simples, mas, pelas minhas contas o amigo entrou na zona do rebaixamento. Acredito que a moça em questão não sabe nem o nome dele. Lamentável. Expliquei que o teste era tiro e queda e que o melhor a fazer era esquecer aquela paixonite adolescente e se concentrar no que era realmente importante; o jogo de volta contra o Ceará. O Tricolor precisava dele.
Amigos, o homem inflou o peito e se encheu de energia. Foi quase que uma ressurreição ali na minha frente e com o garçom do Ibotirama por testemunha. Tomou o último gole de cerveja, bateu o copo no balcão, num dramaticidade sem propósito e disse: “Você esqueceu de fazer a pergunta mais importante”. Tentei ainda sorver o último gole do suco de limão, mas, só tinha a espuma, bati o copo no balcão atraindo um olhar de reprimenda do garçom e emendei: “Qual pergunta?”. Esse meu amigo sorriu como se tivesse descoberto o final da temporada do Game of Thrones e disse: “Ainda hoje eu perguntei para qual time ela torcia. E sabe o que ela respondeu?”. Nem me preocupei em responder aquela bobagem. Ele prosseguiu: “Ela é são paulina, são paulina, bicho!” E esse meu amigo saiu do Ibotirama, em direção à Paulista, como se fosse comemorar um título, me deixando ali, sozinho, no balcão com uma despesa de 01 suco de limão, 02 Stellas e 01 Steinhaeger que eu nem vi ele bebendo, mas, que o garçom e o gerente do Ibotirama juraram de pés juntos que ele bebeu, sim.
Fiquei ali naquele balcão apinhado de gente por mais alguns minutos tentando entender o que tinha acontecido. Da onde veio aquela demonstração de perseverança? Após alguns minutos, já descendo a Rua Augusta, foi que compreendi o raciocínio daquele “Zé Doidim”. Lembrei que em alguns textos aqui no Patativa ressaltei o quão ilógica e irracional era a paixão clubística, capaz de aglutinar pessoas tão diferentes sob a mesma bandeira, a mesma camisa. No mínimo ele deve ter interpretado que a paixão clubística era capaz, por si só, de enlaçar pessoas diferentes, sem afinidades e sem atração mútua. Que viagem! Enfim, acho que preciso tomar um pouco mais de cuidado com as coisas que escrevo nesse blog.

terça-feira, 28 de julho de 2015

Esperança do futebol brasileiro: Palmeiras e Atlético Mineiro

 

Chegada décima quinta rodada do campeonato brasileiro. Diferente dos outros anos, dos quais o Cruzeiro surgiu como o grande favorito, este ano estamos com uma tabela embolada e cheia de enigmas. Cruzeiro está longe das primeiras posições, mas outro time mineiro aponta como favorito: Atlético Mineiro é hoje a equipe que melhor joga o futebol brasileiro. Longe de ser uma equipe brilhante, o Galo tem mostrado um futebol ofensivo, com alguma criatividade e alguns atalhos próximo ao gol. Nada de grandioso, mas com certeza um oásis impossível em equipes que ainda pensam na defesa como o melhor ataque.

Outra equipe que decidiu priorizar os gols, Palmeiras vem surgindo nas primeiras colocações. A chegada do técnico campeão dos últimos anos fez com que a equipe tivesse uma postura diferente daquela de Oswaldo de Oliveira. Resumindo: Marcelo Oliveira surgiu para definir um padrão, uma forma; Oswaldo saiu depois de catalogar todos os jogadores. O torcedor palmeirense descobriu os jogadores disponíveis para a campanha 2015 com Oswaldo, mas só descobriu o time com Marcelo. Duas propostas diferentes, mas que se complementaram. Palmeiras, assim como Atlético, priorizam o gol, trabalham pelo gol. Não por acaso são as duas melhores equipes na atualidade.

Por fora brigam Corinthians, Grêmio, Sport e São Paulo. Dois deles tem nitidamente a escola pragmática que ensina que não perder já é uma vitória. Corinthians e Grêmio marcam muito bem, sofrem poucos gols, possuem um meio de campo muito forte, mas que são pouco criativos. Jadson pelo Corinthians e Douglas pelo Grêmio ainda são vestígios dos meias brasileiros. O bom desempenho dos dois jogadores é o termômetro criativo da equipe. Corinthians ainda tem Renato Augusto, que mesmo nos altos e baixos, é um dos melhores da equipe. O grande problema é a mentalidade: não sofrer gols é mais importante.

São Paulo cresceu muito com a chegada de um treinador estrangeiro; ainda assim sofre com a inconstância técnica de algum dos principais nomes. Ganso, a eterna promessa, seria o nome correto na criação, inteligência e desempenho do meio de campo. Ele perde espaço entre os titulares exatamente por não existir dentro do campo. Não apenas joga menos do que sabe, como constantemente joga menos do que quem não sabe. Relembro um texto que escrevi sobre o Ganso (quando ainda estava no Santos), dizendo que ele estava pronto para ser um ídolo, assim como jogadores clássicos como Raí e Zidane. Fui longe demais, ele sumiu na história do futebol, e possivelmente não volte enquanto estiver no Morumbi.

Sport é um time de jogadores experientes, que tiveram passagem em grandes clubes, mas que por algum motivo caíram em zonas intermediárias do futebol brasileiro (Zona fora da cruz São Paulo-Rio de Janeiro, Minas Gerais e Rio Grande do Sul). Sport pode conseguir uma ótima classificação no brasileirão, mas é minha última aposta para o título.

É claro que ainda é muito cedo para dizer quem pode ser campeão. Principalmente num campeonato de tão baixo nível técnico. Mas, pelo que vi até agora, Atlético Mineiro e Palmeiras são os dois principais concorrentes. Corinthians (se mudar a postura) pode dar algum trabalho. São Paulo (se entender seu treinador e se motivar para tal, também é nome muito forte). Qualquer outra equipe hoje é azarão, assim como é improvável que o campeonato brasileiro melhore com o passar dos meses.



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sexta-feira, 15 de maio de 2015

A ressaca: o outro dia era da desclassificação



Confesso que ficava mais exposto antigamente: a ressaca da derrota ou de uma desclassificação era terrível. Hoje não mais. Dói como dói perder. Mas além disso, desgaste, brigas e intrigas com a torcida adversária faz parte do passado. Vai ver que é a idade. Com o tempo decidimos pelos bons vinhos, durando a ressaca apenas a quantidade que extrapola. Extrapolar no futebol é se ofender com parente tirando sarro, se ofender com o amigo que propaga essas brincadeiras (às vezes sem qualquer graça) pelas redes sociais da vida. Ficar bravo é só uma questão de idade.

Com o tempo, com as derrotas e com o bom gosto do bom futebol, vamos aprendendo que determinadas coisas não acontecem de véspera. Tirar um time mais fraco é sempre tão complicado quanto ganhar de um grande. Principalmente quando as coisas não caminham bem dentro e fora do campo. Foi mais ou menos isso com o Corinthians. Perder do Guarany do Paraguai não passava pela cabeça de nenhum torcedor, favorável ou não. Seria um vexame, todos pensavam. E foi. Mas o vexame tem lá sua relatividade também no esporte. O adversário valoriza demais uma derrota, o perdedor sofre demais com a chacota. Ambos exageram, como são exageradas nossas críticas. Vamos falar a linguagem do Tite: Teve merecimento? Teve. Bingo!

Corinthians é o melhor time do Brasil, a manchete de fevereiro. Não foi preciso muito para que torcedores rezem agora para evitar um novo rebaixamento. Vamos com calma, embora tudo possa acontecer; é um tanto demais dizer que o Corinthians é o pior time do campeonato. Ainda que fosse verdade, que o elenco fosse terrível; não é bem por aí que se mede um desempenho. É verdade que a situação assusta. Dentro de campo o time está desorganizado, nervoso; perdido. Fora do campo, o time está devendo as calças. Financeiramente a situação é péssima, mas não difere de noventa por cento dos times brasileiros. O dinheiro acaba interferindo dentro do campo, confessem ou não.

O ano não acabou. Já vi equipes renascerem das cinzas. Já vi bêbado chegando em casa são e salvo. Vinho bom, volto a lembrar. Corinthians tem uma bela equipe, jogadores um pouco acima da média. Tudo isso facilita quando temos uma competição tão longa (e chata) como o Brasileirão. Em meio ano tudo acontece: melhores ficam piores, etecetara e tal. Resta saber como a equipe vai se comportar com a trombada. Será que “os pontos corridos” facilitam o trabalho de quem precisa pontuar e ser regular? A regularidade se mede com o desempenho, a vontade e a sabedoria da equipe. Corinthians perdeu aquele futebol do começo do ano e está vivendo apenas uma fase ruim?

Se a resposta for positiva, contem que ele é uma das equipes que estará, ao longo do campeonato, nas primeiras posições. Mas, caso a coisa fique mais estranha ainda, melhor acreditar na reza, na figa e qualquer outro amuleto que espante a má fase; pois o time vai precisar de algo sobrenatural. Embora não acredite na possibilidade do rebaixamento, ele é um fantasma que chega nas horas mais impróprias, mas da maneira mais prevista possível. Falta de dinheiro é um indicio de desclassificação, má fase e consequentemente rebaixamento.




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sábado, 9 de maio de 2015

Alguma novidade?

Fim dos regionais, e começo do torneio mais comprido e “competitivo” que é o campeonato brasileiro. E como primeira atração na TV, já teremos um reservão de Cruzeiro x Corinthians, clubes que estão priorizando a competição continental. Pois é, futebol virou busine$$, e os pontos corridos pela sua extensão atentem bem à grade televisiva, independentemente da qualidade do espetáculo, que é o que pouco importa.

Qualidade, embora ainda restrita a alguns poucos clubes, vemos na Champions League, o primo rico da Libertadores. Barcelona volta a ser temido, e pode levar mais uma vez a Taça. Estão querendo correr atrás do “prejuízo”, deixado com as 10 conquistas do Real Madrid. Messi deixou o zagueiro do Bayer sentado, fez um gol que não vemos há um bom tempo por aqui, e daqueles que o Rei do futebol fazia no “café da manhã”, como diziam. Mas sem comparações à parte, Messi é o único jogador que joga igual ao Playstation, com aquela bola que não desgruda do seu pé. E sem fazer comparações, mais uma vez, Neymar alcançando uma marca emblemática de 50 gols, já começa a entrar na galeria do clube catalão dos brasileiros artilheiros, podendo fazer história dada sua pouca idade e ainda seu pouco tempo de Europa, caso permaneça por mais tempo no clube, evidentemente.

Voltemos ao brasileiro, até porque vamos ouvir falar dele até o fim do ano. Lembrando que mês que vem tem Copa América, o torneio de seleções mais antigo do planeta Terra, e que desfalcará alguns clubes por sete rodadas. Mais baixas num torneio com pouca atração. Mas ainda não terminou. Também tem a janela do meio do ano, e o torneio sulamericano poderá servir de vitrine. Período para os clubes conseguirem mais um dinheirinho, mandando seus “craques” para a Europa, China, ou Major Soccer League, que já exporta seu produto "here, to “Brazil”.

Ainda temos a Copa do Brasil para animar e esquentar o inverno brasileiro (e aqui digo sem nenhum escárnio).

Depois de ficar se arrastando e sabermos o que sobrou dos clubes, aí sim, a principal competição nacional, começa a pegar no breu após este período de hibernação e a definir os (poucos) prováveis campeões e os (muitos) prováveis candidatos ao rebaixamento. E claro, o prêmio de consolação que é a vaga para a Libertadores do ano que vem.



Obs: Nem falei do Santos, recém Campeão Paulista, novo ou velho campeão, chegando a todas as finais desde 2009... Mas conforme o título do post, alguma novidade? Preciso ser redundante? Acho que não...




(Desculpem deixar transparecer um pouco meu lado torcedor, mas não pude deixar de perder a viagem aproveitando o título deste post que escolhi. E pra quem me conhece, posso dizer que melhorei bastante, acho que fiquei bem mais tolerável, não é mesmo?).






sexta-feira, 8 de maio de 2015

O futebol e a sua graça


Corinthians fez uma péssima partida contra o Guarani do Paraguai. Mas não é de hoje: já disse em outras oportunidades que o time tinha caído de rendimento pois tinha que usar muito da sua condição física. Pois é, na Libertadores, estava descansado. O melhor time do Brasil não é o melhor time do Brasil. O elenco mais qualificado, não é o elenco mais qualificado. Todo o sonho corintiano por água abaixo. Por partes, mas é bem por aí mesmo.

Disse que a zaga do Corinthians era pior que a zaga dos anos anteriores. O sistema defensivo sofre com gols que normalmente não tomaria. Foi assim contra o Palmeiras, por exemplo. Foi assim contra a Ponte Preta, que por azar, não conseguiu desclassificar o rival. Foi assim contra o São Paulo na derrota pela Libertadores (que inclusive facilitou as coisas, deixando o Corinthians contra o Guarani). Este Guarani desacreditado que fez dois gols e dificultou e muito a vida da equipe para a próxima fase. Se jogar como jogou contra o São Paulo pela primeira fase, logo nos primeiros jogos, ganha de goleada. Se jogar o que ultimamente está jogando, está fora.

* * *

Como ando desacreditado no futebol, achando que tudo é mais do mesmo; fico com a segunda opção. Acho que o Corinthians ganha, mas não se classifica. Pode até ser por pênalti, mas é loteria. Futebol mesmo, de brilhos nos olhos, infelizmente só o europeu. Eu que sempre defendi o futebol nacional, patriota e cheio de ufanismo; devo confessar que ando pensando muito sobre o que é realmente o país do futebol. País que tem o seu campeonato começando na próxima semana, mas que, tirando alguns jogos mais acirrados, como os clássicos; não fará a menor diferença para a maioria dos torcedores. Creio que para a maioria o campeonato brasileiro (minúsculo mesmo) começará em outubro.

Talvez uma coisa minha, que não deveria expor assim tão diretamente. Sei que ainda muitas pessoas gostam e acompanham o futebol. Como pode uma pessoa, que escreve sobre o esporte; pode odiar a competição? Não sei, pode ser uma crise de meia idade de torcedor. Estou há mais de trinta anos neste meio. Vi coisas legais, vi coisas que até duvido. Vi situações em que parei para pensar: será que vale a pena brigar e sofrer por causa do futebol.

Percebi que não vale.

E não valendo uma briga, tem que valer por alguma coisa. Entretenimento? Uma diversão? Sim. Mas surge uma dúvida ainda mais cruel: o futebol brasileiro consegue divertir? Estamos tão engessados em declarações, brincadeiras e comentários; que percebo a cada ano que o futebol faz parte dos torcedores que vão aos estádios, gritam nome de guerra, se atracam nos metrôs e avenidas. Mas não mais de torcedores que acreditam, conhecem e torcem pelo futebol. Esses novos torcedores torcem por eles mesmos. Alguns brigam pelas redes sociais, outros humilham, outros e tantos outros saem literalmente na porrada.

O futebol brasileiro que eu queria ver está longe de ser o futebol que começará amanhã.


quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

Pontos corridos ou mata-mata? Pontos corridos, claro!

Em primeiro lugar quero deixar claro que todas as opiniões contidas no post são de responsabilidade exclusiva desse blogueiro e, de forma alguma, expressam o pensamento do Patativa da Bola e de seus colaboradores.

Sim, eu assumo. Prefiro o Brasileirão de pontos corridos ao mata-mata e acho que o formato atual, sem decisões eliminatórias e sem finais, é a melhor opção para o futebol brasileiro. Pronto, falei!  Antes que as pedras comecem a voar janela adentro, explico a minha predileção.

Entendo o descontentamento dos torcedores de times que já na virada do turno não tem mais chances de levantar o título. Realmente é desagradável acompanhar um torneio quando o objeto da nossa paixão está fora da disputa. As rodadas que restam parece que se arrastam no calendário. É preferível acompanhar a novela, os seriados do Netflix ou jogar videogame.

Aceito o argumento de que o mata-mata aumenta o número de times na disputa do título, deixando praticamente com as mesmas chances a equipe melhor colocada e aquela que sequer brigaria, no formato atual, por uma vaga de Libertadores. É mais emocionante mesmo, principalmente quando o seu time do coração é a equipe pior colocada na tabela. Uma disputa, em dois jogos, nos quais tudo pode acontecer, principalmente se o Tribunal zerar os cartões é, de fato, eletrizante. Nem a novela do Comendador, ou o Breaking Bad, superam um enredo desses.

Entretanto, é exatamente pensando nestes argumentos que eu defendo o formato de pontos corridos, principalmente no atual futebol brasileiro.

O formato de disputa por pontos corridos premia a melhor equipe, o melhor técnico, o melhor conjunto de jogadores, o clube mais organizado e mais preparado para a disputa. Premiar os melhores é a essência do esporte. Nem sempre o meu time disputa o título e, realmente, quando isso ocorre o campeonato fica bem desinteressante. Por outro lado, quando meu time está na disputa acompanho a todos os jogos, leio a tabela todos os dias, o interesse cresce rodada após rodada. É óbvio.

O interesse do torcedor pelo jogo de futebol está ligado ou à paixão clubística ou à qualidade dos jogadores em campo. No futebol brasileiro não temos mais os grandes jogadores, os craques, os caras que faziam a diferença em campo, preenchiam as páginas dos jornais e, principalmente, tornavam o jogo de futebol algo importante na sociedade brasileira. Restou somente a paixão clubística e essa, mostra-se um pouco mais volátil. Se o clube do coração não faz por onde ser relevante no campeonato, o torcedor abandona o barco mesmo.

Por outro lado, acredito que paixão clubística, por si só, não é o suficiente para alavancar uma bem sucedida disputa eliminatória. Imaginem se, por acaso, Corinthians, Flamengo, São Paulo, Palmeiras e Vasco não se classifiquem para a fase de mata-mata! Quem, dentre nós, na atual conjuntura do futebol brasileiro teria interesse em acompanhar uma disputa de quartas de final entre Atlético PR e Goiás? Ou Grêmio e Figueirense? Eu, provavelmente, não assistiria. Nada contra as equipes citadas, mas, falta um ingrediente nesse tempero; o craque. Essa figura extinta no futebol brasileiro e que faz o torcedor, independente da bandeira, ficar acordado até tarde em frente à televisão ou deixar de ir ao batizado da sobrinha no domingo, porque ele simplesmente precisa assistir àquele jogo, sob pena de perder o grande assunto do dia seguinte.

Alguns torcedores ainda estão presos a uma imagem do futebol brasileiro, com estádios lotados, bandeiras, festa e, frequentemente, associam essa imagem ao mata-mata. É compreensível. Contudo, na minha opinião esta imagem está associada a uma era de ouro do futebol brasileiro, quando o jogo de futebol era importante e os craques estavam em campo conduzindo os seus times às vitórias. A arquibancada cheia era uma platéia justa e fiel ao espetáculo que era encenado em campo. A partir do momento que os craques começaram a abandonar o futebol brasileiro, primeiro atrás de grana e depois atrás de prestígio, o torcedor percebeu que o que era apresentado aqui era um espetáculo de somenos importância e, também, abandonou o seu assento.

Respeito o argumento de quem defende o mata-mata e, também, não acho que o retorno às disputas eliminatórias seja um retrocesso, mas, acredito que a disputa por pontos corridos é a melhor forma, pois, se não é, por vezes, a mais emocionante é, sem dúvida, a mais justa simples. Quem soma mais pontos, ganha.


quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Ano para esquecer!

 

Acho que é raro, mas nunca na história do futebol paulista tivemos tantos dissabores com o chamado quarteto de ferro. O futebol dos grandes de São Paulo, que sucumbiu nos anos anteriores, agora chega ao desfecho ainda mais extraordinário: não conseguiu nenhum título.  Estamos, nos paulistas, no eixo geográfico mais importante do Brasil, mas de fato nos tornamos uma ilha afastada; com algum abandono; sem graça. A Federação Paulista não consegue ajudar a recuperar o prestígio do nosso território. Os clubes esgotados em direitos sem imagem sofrem com seu amadorismo e a politicagem mais rasteira possível. Não existe um projeto de recuperação para nosso futebol.

Dos quatro grandes, dois se contentaram com a classificação para Libertadores; como termo de graduação das mais inflamadas e fantásticas temporadas. Balela! Tivemos um resultado pífio. São Paulo e Corinthians sequer incomodaram o líder Cruzeiro. A irregularidade crônica dos dois times é falta de planejamento; desorganização micro num já desorganizado futebol macro.

Mas dizem: poderia ser pior.

Ponte Preta pela série B do brasileirão poderia ser a chave de ouro, mas não foi. Perdeu quando não poderia perder; e ainda que tenha conseguido a classificação para a Série A, ficou sem o título. Ituano campeão paulista, por mero detalhe, já que é impossível a participação de qualquer time mineiro no campeonato em São Paulo.

Palmeiras comemorou a desgraça alheia como feliz da vida com sua própria incompetência. O alívio de equipes piores no campeonato foi um oásis comparado a um título. Não houve volta olímpica, mas fogos. Fogos tímidos de uma derrocada que poderia ser pior; bem no ano das festividades do seu centenário. Bem no ano que inauguraram um estádio moderníssimo aos moldes europeus. Nem a arena, nem os torcedores mereciam um presente tão cruel como o descenso.

Não temos muito que comemorar. Mas poderia ser pior, volto a repetir. É a desculpa para o sorriso amarelado. São Paulo e Corinthians com vaga na fantástica Libertadores. Palmeiras com o pior time de sua história continua na série principal. Santos? Nem cheirou, nem fedeu; como dizem os antigos; fez o básico para não virar piada aos adversários; mas nada que pudesse entrar para história.

Assim, melancolicamente encerramos o ano. Um ano que poderia ser esquecido. Ou melhor, ano que não será lembrado, pois não existiu para os grandes de São Paulo, como não tem existido para nós, cronistas neste espaço.

Soluções para 2015?





"E eu ainda sou bem moço pra tanta tristeza

E deixemos de coisa, cuidemos da vida
Pois senão chega a morte
Ou coisa parecida
E nos arrasta moço
Sem ter visto a vida...." 

Fágner, Canteiros.




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quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Não quero amanhecer com a sua matemática quando a noite foi de química.



Acabo de ler, surpreso,  aqui, no Portal do Terra que o matemático Tristão Garcia confere ao São Paulo FC apenas 8% de chances de levantar o caneco do Brasileirão. Que me perdoe o matemático, não vou discutir os números, as fórmulas, a estatística, mesmo porque esse blogueiro ainda faz contas simples do dia a dia, nos dedos, feito criança, mas, 8% é muito pouco para o time que assisti jogar na segunda feira a noite.

O time de segunda feira jogou em altíssimo nível, com um futebol solto, de toque de bola. Nada comparado ao já mítico “Muricybol”, como é chamada a forma como o técnico Muricy Ramalho costuma montar as suas equipes, com marcação forte, saída em contra-atraques pelas laterais, cruzamentos na área e um atacante de referência à frente. Não o time da noite de segunda feira jogou como manda a tradição do São Paulo Futebol Clube, o estilo que eu aprendi a torcer e a admirar.

Nada de jogar só no erro do adversário, essa mesquinharia de jogar por uma bola. O São Paulo que enfrentou o Goiás, na segunda feira, jogou, sim, como protagonista. Com o apoio da torcida (em plena segundona pós eleições), dominou o time goiano com trocas de passes rápidos, marcação forte e movimentação intensa no meio de campo e ataque. Michel Bastos fez uma partida irretocável. Denílson, surpreendentemente, jogou em alto nível. Souza não comprometeu e, ainda, marcou muito. Ganso não precisou mostrar muito. Talvez esse seja a problema. Quero um Ganso versão 90 minutos e não somente o Ganso de melhores momentos. O Kardec, que caiu em nosso colo nessa temporada, mostra, jogo após jogo que é um senhor atacante.

Em alguns momentos do jogo, principalmente, no início do segundo tempo tive a ilusão de estar assistindo a um jogo do Bayern de Munique, esse do Guardiola, vestindo a camisa tricolor, tal era a lucidez de nosso ataque. Um time assim, meu caro Tristão, não é time de 8%. Afinal, estamos somente cinco pontos atrás do líder e com sete pelejas pela frente. Dá tempo, pô! E digo mais; se o Tricolor jogar como na segunda a noite e ganhar os próximos três jogos, contra Criciúma (fora), Vitória (fora) e Palmeiras (casa), independentemente dos resultados do Cruzeiro, seremos campeões! Pode anotar!

Em tempo, parabéns ao Rogério Ceni que se tornou o jogador com mais vitórias por um clube em toda história do futebol.Independente do mérito esportivo do recorde, medalha, placa e diploma nunca é demais.  Parabéns, Capitão!


segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Pós-eleitoral.

Fim das eleições, fim do período eleitoral. Vivenciamos as eleições mais disputadas dos últimos anos e com maiores discussões entre as “torcidas” adversárias. Isto mesmo. Houve discussões, entre novos e velhos conceitos, entre o limpo e o sujo, mas poucas ideias e assuntos construtivos. Pouca novidade. Conceitos pouco formulados, se sobrepondo a qualquer debate racional. A conclusão que tiro disto é que, mesmo após 30 anos, nossa democracia ainda está em processo de amadurecimento ou construção. Neste período o futebol ficou em segundo plano. Num Palmeiras x Corinthians o tema vertente foi Dilma x Aécio, PSDB x PT, ou até modos de produção em “debate”. Bom seria, mas contanto se estes temas políticos também fossem desprovidos de “paixões”.

Nosso editor perguntou-me sobre o porquê da escassez de postagens no nosso blog. Respondi que me faltava inspiração para tal. O que move o futebol é a paixão. E como a paixão é volúvel, às vezes “brigamos” com nossos clubes de coração. Ando meio divorciado com o futebol, desquitado com meu time. Como uma moça bonita que perdeu seu encanto e já não desperta tanto interesse. Pensei que apenas eu estava padecendo deste mal, mas um santista do meu serviço me disse que tem acompanhado pouco os jogos do Santos. “Você viu como foi?”  Eu respondi que também não havia visto os gols da última rodada (como não vi até escrever este post).


A paixão continua, mas a libido despencou. E como torcedor de um clube grande (lá vai meu instinto passional novamente), não consigo acompanhar um campeonato em que ainda na metade do ano (apesar de já estar chegando novembro), você sabe que seu time não tem chances de ser campeão. Uma pela fórmula limitadora de disputa – que poda qualquer tipo de esperança -  e outra pela própria condição do seu time. Ficar vendo a festa dos outros, durante dois ou três meses, não dá.

Vaga na Libertadores ou Sulamericana, estes para mim, não são motivos para a conquista da audiência. A vaga para estes torneios não garante nada, nem sequer prestígio, apenas uma receita melhor para os clubes. E para o torcedor, o que importa é o caneco e a chance de poder disputá-lo.

E não sei também se isto incentiva os jogadores. Acredito que não. Muitos nem sabem se vão continuar no clube ano que vem. Um sintoma disto é a própria oscilação do Santos, que quando parece que vai chegar ao G4, acaba dando uma escorregada. O principal objetivo mesmo, não será mais alcançado; não há tanto motivo assim para sujar o calção.

Torço para que este meu desquite termine logo. Vai depender do poder de conquista que o futebol e principalmente o meu clube poderá exercer. Mas com esta fórmula, confesso que fica difícil. Você ama, mas está querendo um pouco de distância, “dar um tempo”. Cansado de disputas por “vagas”. O que vale, é a faixa no peito.


Quarta-feira o Santos enfrenta o “quase virtual campeão brasileiro”, pelas semifinais da Copa do Brasil. Torcida pelo empate e tentar a sorte em casa. Sofrimento à vista pelas limitações e pela dificuldade em se jogar fora. Última esperança para os santistas conquistarem algo este ano. E no final do ano, também tem eleições no clube. Tentaremos fazer um suco para o próximo post com estes temas.