terça-feira, 18 de outubro de 2016

Na corda bamba.

Cristóvão Borges foi daqueles técnicos que chegou com prazo de validade para expirar. Embora ele não tenha vindo com o objetivo de substituir Tite (este já fazendo parte da galeria dos imortais do clube) parecia que ele estava na corda bamba quando seu nome foi anunciado. Apesar do cenário bem diferente enfrentado pelo ídolo corintiano (como um elenco bem mais limitado), a torcida, diretoria e parte da crônica esportiva não teriam ou tiveram a mesma paciência com o ex-jogador da mesma forma que Tite teve na ocasião da eliminação da pré-Libertadores.

Chega Oswaldo de Oliveira, com as mesmas condições que seu antecessor Cristóvão Borges. Também não possui a mesma idolatria de Tite, talvez nem ídolo no clube seja,  apesar de ter vencido o primeiro mundial de clubes com a chancela da Fifa. Poderia ser marcante, épico, mas parece que o torcedor corintiano não põe no mesmo caderninho esta conquista com a da  Libertadores e  Mundial de Clubes vencidos em 2012. Voltando ao momento atual, a missão de Oswaldo é colocar o time no clube do G-6, missão menos pretensiosa que sua última passagem.

Outro que chegou com o caldeirão borbulhando foi Ricardo Gomes. Tinha respaldo no Botafogo, mas preferiu mergulhar na piscina fervente do Morumbi. “O tipo do cara bacana”, como muitos dizem, mas sem a devida grife para dirigir um clube como o São Paulo (nas palavras dos torcedores e cronistas), apesar de uma passagem anterior. O tricolor do Morumbi  foi o maior laboratório de técnicos este ano, experimentando argentinos que tinham certo respaldo internacional, e que também dividiram opiniões no clube. Com relação a Ricardo Gomes, seu prazo de validade irá até o final de 2016 (palavra da imprensa esportiva).

Já Palmeiras e Santos, satisfeitos em certa medida com seus treinadores, não passaram pelo mesmo “mimimi” dos rivais. Cuca e Dorival já possuíam mais respaldo; o primeiro abafou qualquer indício de incêndio e Dorival alavancou o time peixeiro no Brasileiro do ano passado, após este perambular próximo da zona de rebaixamento. Cuca faz parte hoje do restrito grupo dos técnicos “Top”, Dorival foi cobiçado pelo Corinthians, mas o estilo deste treinador está mais identificado com o clube do litoral atualmente. E Dorival ganhou respaldo principalmente com os mais jovens na Vila, o que resultou nas titularidades de Zeca, Tiago Maia e Victor Bueno, que passaram de promessas, a revelações, diminuindo a distância entre amadores e profissionais no clube.


Apesar do velho discurso principalmente por parte da imprensa de que “o clube tem que dar tempo ao seu treinador”, em contradição estes também são os primeiros a colocarem o tempero no caldeirão fervente. O próprio Tite já foi alvo, e o maior exemplo esta semana foi Ricardo Gomes, com muitos anunciando que o técnico cairia depois da partida contra o Fluminense. Com pouca atração dentro de campo, os treinadores passam a ser protagonistas e ao mesmo tempo vítimas desta falta de talentos e constante instabilidade. Parecem já entrarem na corda bamba. E tem que segurar firme o guarda-chuvinha para não caírem.





Nenhum comentário: