Corinthians fez
uma péssima partida contra o Guarani do Paraguai. Mas não é de hoje: já disse
em outras oportunidades que o time tinha caído de rendimento pois tinha que
usar muito da sua condição física. Pois é, na Libertadores, estava descansado.
O melhor time do Brasil não é o melhor time do Brasil. O elenco mais
qualificado, não é o elenco mais qualificado. Todo o sonho corintiano por água
abaixo. Por partes, mas é bem por aí mesmo.
Disse que a zaga
do Corinthians era pior que a zaga dos anos anteriores. O sistema defensivo
sofre com gols que normalmente não tomaria. Foi assim contra o Palmeiras, por
exemplo. Foi assim contra a Ponte Preta, que por azar, não conseguiu
desclassificar o rival. Foi assim contra o São Paulo na derrota pela
Libertadores (que inclusive facilitou as coisas, deixando o Corinthians contra
o Guarani). Este Guarani desacreditado que fez dois gols e dificultou e muito a
vida da equipe para a próxima fase. Se jogar como jogou contra o São Paulo pela
primeira fase, logo nos primeiros jogos, ganha de goleada. Se jogar o que
ultimamente está jogando, está fora.
*
* *
Como ando
desacreditado no futebol, achando que tudo é mais do mesmo; fico com a segunda
opção. Acho que o Corinthians ganha, mas não se classifica. Pode até ser por
pênalti, mas é loteria. Futebol mesmo, de brilhos nos olhos, infelizmente só o
europeu. Eu que sempre defendi o futebol nacional, patriota e cheio de
ufanismo; devo confessar que ando pensando muito sobre o que é realmente o país
do futebol. País que tem o seu campeonato começando na próxima semana, mas que,
tirando alguns jogos mais acirrados, como os clássicos; não fará a menor
diferença para a maioria dos torcedores. Creio que para a maioria o campeonato
brasileiro (minúsculo mesmo) começará em outubro.
Talvez uma coisa
minha, que não deveria expor assim tão diretamente. Sei que ainda muitas
pessoas gostam e acompanham o futebol. Como pode uma pessoa, que escreve sobre
o esporte; pode odiar a competição? Não sei, pode ser uma crise de meia idade
de torcedor. Estou há mais de trinta anos neste meio. Vi coisas legais, vi
coisas que até duvido. Vi situações em que parei para pensar: será que vale a
pena brigar e sofrer por causa do futebol.
Percebi que não
vale.
E não valendo
uma briga, tem que valer por alguma coisa. Entretenimento? Uma diversão? Sim.
Mas surge uma dúvida ainda mais cruel: o futebol brasileiro consegue divertir?
Estamos tão engessados em declarações, brincadeiras e comentários; que percebo
a cada ano que o futebol faz parte dos torcedores que vão aos estádios, gritam
nome de guerra, se atracam nos metrôs e avenidas. Mas não mais de torcedores
que acreditam, conhecem e torcem pelo futebol. Esses novos torcedores torcem
por eles mesmos. Alguns brigam pelas redes sociais, outros humilham, outros e
tantos outros saem literalmente na porrada.
O futebol
brasileiro que eu queria ver está longe de ser o futebol que começará amanhã.
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