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sábado, 6 de maio de 2017

Sem grilos com Cuca.

Cuca está de volta ao Palmeiras, após uma breve permanência de Eduardo Baptista. Algumas polêmicas, alguns resultados, seriam a justificativa para sua demissão. Fato é que ele foi mais um daqueles treinadores que chegaram com data de validade marcada, independentemente de sua competência.

Baptista não estava fazendo um trabalho ruim. Boa campanha na Libertadores, e  conseguiu uma virada histórica diante do Peñarol, clube de muita tradição, mordido e empolgado com seu novo estádio. Deixou o time na liderança do grupo. E eliminado num campeonato que dão pouco valor (pelo menos é o que dizem), mas quando perde é motivo de crise. O que derrubou Eduardo Baptista não foi a eliminação contra a Ponte Preta nem muito menos a derrota para o glorioso Jorge Wilstermann na última quarta-feira. O que derrubou Baptista foi a ainda disponibilidade de Cuca no mercado e as condições financeiras do clube em poder recontratá-lo. Aquela sensação de “se fosse com Cuca seria diferente”, acabou perseguindo Baptista. Claro que se o alviverde estivesse na final juntamente com seu arquirrival não haveria justificativa para demissão de Eduardo. Talvez uma possível derrota na final ou mais um revés na Libertadores seriam o motivo. Quem procura acha, era uma questão de tempo. Mas numa equipe que tem um TNT chamado Felipe Melo, nunca se sabe quando ocorrerá a próxima explosão.

Corinthians

Apesar de viver à sombra de Tite, (o que deve acontecer com os próximos 150 treinadores que passarem pelo clube), Fabio Carille não padeceu da mesma pressão que seu colega de trabalho demitido do Verdão. Com um elenco considerado mais modesto, sem tantas estrelas, a torcida sabe que não pode exigir que ele tire leite de pedra em todos os jogos. A eliminação para o Colorado em casa na Copa do Brasil também não foi motivo para sua queda, apesar de algumas críticas. A desconfiança foi amenizada pela vitória sobre a Ponte no Moisés Lucarelli, com um placar que poucos esperavam, assegurando praticamente mais um título estadual. O fato de ter sido auxiliar de Tite também dá certa credibilidade ao jovem treinador.

São Paulo

Com uma campanha regular no campeonato paulista e eliminação na Copa do Brasil, Rogério Ceni não passou pela mesma pressão de seus coetâneos da capital. Internamente ele possui quase um status de dirigente, cargo que ele poderá ocupar oficialmente em breve no Tricolor. Se um simples mortal tivesse a mesma inexperiência e resultados de Rogério, já estariam pedindo sua cabeça. Mas neste caso, a idolatria veio junto com a paciência. Pode ser que isto seja um fator positivo num futebol tão imediato. Afinal, um mito precisa de tempo pra trabalhar. Ceni fica no São Paulo, cargos para ele não faltarão no Morumbi.

Santos

Se permanecer até julho, Dorival Júnior completará 2 anos no comando do clube. Algo raro no futebol brasileiro. Eduardo Baptista por exemplo, ficou 5 meses no Palmeiras, apesar de ganhar do mesmo time de Dorival em plena Vila Belmiro em circunstâncias não muito comuns para um clássico como este. E a temporada de queda dos técnicos ainda nem chegou, que se intensifica junto com o Brasileirão. Dorival já suplantou sua primeira passagem pelo Peixe em 2010, na qual não completou um ano, saindo por causa de uma polêmica com Neymar. Naquela época, um time mais técnico, mas também com algumas vaidades, abreviou a permanência do técnico. Dorival também tem respaldo, mas também não é unanimidade. Acumulou dois vice campeonatos nacionais, venceu um estadual, mas não conseguiu fazer com que a equipe se interessasse pelo campeonato paulista deste ano na busca de um 4º tricampeonato, feito inédito na história dos clubes paulistas. Não deu, fica pra próxima. O foco passa a ser a Libertadores, e sua permanência irá depender da campanha que o time fizer nesta competição ou mesmo na Copa do Brasil.



Cada clube com suas necessidades, suas resiliências, e sabendo onde o calo ou investimento podem apertar.



domingo, 8 de maio de 2016

Final do Paulista (Santos x Audax).

Sempre gostei dos campeonatos regionais. Alguns acham que eles deverian ser extintos, para que ficássemos apenas com o campeonato nacional. Mas acho que isso poderia levar a uma elitização ainda maior do futebol e não iria acrescentar em nada o nível técnico. Basta ver quão longo é o campeonato brasileiro, e poucos se lembram de um time que marcou época ou deixou saudades. Além do mais, é nos estaduais que as rivalidades surgiram e se exacerbam. Em ordem de importância, podem estar atrás do nacional, mas são tão tradicionais quanto ou até mais.

Se os regionais fossem extintos, não veríamos surgir um time como o Audax. Uma inovação para o torneio, e também não vi nenhum clube do Brasileirão jogar desta forma. Na verdade um conceito que teve seu início com a Seleção de 1970, foi “aprimorado” com a Holanda de 1974 e o tricampeão europeu Ajax (que até rima com o nosso time de Osasco) também jogava um pouco desta maneira. Veríamos algo parecido com o tic-tac da seleção da Espanha e Barcelona muitos anos depois.

Futebol precisa sim de ousadia, e Fernando Diniz mostrou isto. Não teria o mesmo espaço para implantar isto em uma equipe com mais tradição, que precisa de resultados imediatos e não tem paciência para tal. E o mais surpreendente, conseguiu fazer com que uma equipe mantivesse um bom toque de bola em um gramado ruim, como é o campo de Osasco que prejudicou a futebol das equipes no primeiro jogo.

Audax com sua “audácia” bateu nos grandes do chamado “trio-de-ferro” (um termo alías que tem caído em desuso, pois  já não possuem tanta hegemonia assim). Só não superou o Santos (com a derrota de 2x1 na primeira fase), mas fez com que o Alvinegro Praiano, mudasse sua forma de jogar na final.

Confesso que nunca vi o Santos Futebol Clube correr atrás da bola por tanto tempo no seu alçapão, a Vila Belmiro. Geralmente são os outros que se defendem e são sufocados. Surpreendentes 80% de posse para o Audax, até por volta dos 20 minutos do primeiro tempo. O Audax deu seu primeiro chute com dois minutos de jogo, sem que o alvinegro tocasse na bola.

Pessoalmente gosto mais do jogo vertical, futebol que caracteriza o jeito santista de jogar, mas esta forma digamos “reimplantada” por Fernando Diniz é também eficiente e não deve ser desconsiderada. A seleção de 1970 mesclava isto: tinha paciência em tocar a bola quando tinha a posse, até verticalizar quando tinha alguém em condições de atacar. Poucas equipes na história do futebol fizeram isto com eficiência.

Não que o Audax seja uma seleção de 1970, uma Holanda ou Barcelona; não cabe comparações. Mas a grande virtude de Fernando Diniz foi implantar este estilo “similar” de jogo, só que sem grandes craques. E isto provavelmente tenha sido a chave para o sucesso, igualando taticamente sua suposta inferioridade técnica a equipes com mais "estrelas".


Referindo aos dois times, concluo que a vitória foi do jogo ofensivo, toque de bola, e da ousadia tática que tanto se tem cobrado. Não sei se veremos isto no campeonato nacional, cujo objetivo é colecionar pontos. Santos e Audax forem merecedores em decidir o campeonato.



Parabéns a ambas as equipes.




segunda-feira, 27 de abril de 2015

Apenas um incômodo.

O Brasil virou o “Túmulo da Bola”. Ponto. Esse post poderia terminar assim mesmo, com uma frase de efeito, nada original, mas, que, entre aspas, ganha uma certa eloquência capaz de segurar a atenção e reflexão do leitor por alguns minutos. Lógico que após esse período, o sagaz leitor do Patativa já teria entendido que tudo não passava de um embuste do blogueiro, motivado por uma crise de inspiração. Como não subestimo a perspicácia dos leitores do Patativa seguirei com mais algumas linhas.

Enfim, ontem foi um dia repleto de finais estaduais. Por aqui, o tradicionalíssimo clássico entre Palmeiras e Santos iniciou a disputa do título do futebol paulista. Em outros tempos, a final de ontem teria sido o assunto mais importante na cidade. A expectativa da decisão, as escalações dos times, as declarações polêmicas, a rivalidade histórica e sobretudo a festa e irreverência dos torcedores tornariam a discussão sobre qualquer outro assunto irrelevante, de somenos importância, uma conversa pra boi dormir. A maior cidade do país estaria pulsando ao ritmo das duas torcidas.

Contudo, ontem, dia de final, saí pelas ruas e não vi nada disso. Não vi torcedores com as camisas dos clubes da final, não vi os bares apinhados de torcedores, aos berros, esperando o apito inicial, não vi as Kombis caindo aos pedaços e cheias de torcedores rumo ao estádio. Nem mesmo o ambulante que vendia bandeiras, faixas de campeão e camisas deu as caras. Um velório.

E isso, meus amigos, não tem nada a ver com o tamanho das torcidas de Palmeiras e Santos. O Parque Antártica estava lotado e a renda do jogo foi milionária. Mas, e daí? Não tinha ninguém nas ruas, não tinha cheiro de churrasco vindo da casa do vizinho, não tinha fogos de artifício e nem bandeiras de plástico tremulando nas janelas, não tinha os hinos dos clubes explodindo nos alto falantes dos carros. Muita gente que eu sei que gosta de futebol, sequer assistiu o jogo pela televisão. Uma final de campeonato, meus amigos, não está valendo nem uma aposta no bar da esquina.

Após o dia de ontem cheguei a conclusão de que o futebol, talvez, não esteja, de fato, morto e enterrado nos corações brasileiros, como cheguei a sugerir no início do posto, mas, não é mais algo importante na vida do brasileiro. O futebol não emociona mais o nosso povo. Virou algo menor. Se algum dia o futebol foi o nosso ópio, como teria dito Millôr Fernandes, das duas uma, ou o brasileiro está reabilitado desse vício ou arrumou alguma outra droga mais potente.

segunda-feira, 13 de abril de 2015

Netflix 4 X 1 Globo: Globo torcendo para chegar à semifinal.

 

Depois de idas e vindas, meses de uma competição medonha, estamos onde realmente importa: semifinal do Paulista. Embora não acreditasse que os quatro grandes ficassem fora dessa fase, sempre valia pensar que algum time considerado pequeno pudesse estragar a festa de alguém. Não teve jeito: Corinthians, Santos, Palmeiras e São Paulo farão jogos emocionantes, cheios de alternativas; valendo o começo da tabela do futebol em 2015.

Mais ou menos isso.

Corinthians enfrentou o pior adversário dos classificados, tirando, evidentemente, os outros três grandes. Ponte Preta sempre é um adversário complicado. Mostra, nas entrelinhas, o quanto o regulamento é pífio. Pior: aceito por todos os participantes. Corinthians com a melhor campanha corria o risco de ficar fora da próxima fase, pois não existia qualquer vantagem (exceto jogar no seu próprio campo) depois de meses de competição. Por sorte dele, azar do adversário, um gol legítimo fora anulado na primeira etapa, o que complicaria ainda mais a sua vida. Lance difícil, mas indiscutível.

Palmeiras que também se classificou contra o Botafogo foi outro “beneficiado” pelo regulamento. Jogou contra um time fechado, que sabia que a única vantagem era suportar os noventa minutos de ataque maciço do adversário, e quem sabe num lance qualquer, chegar até um gol salvador. Botafogo jogou com as armas que possuía, e quase deu certo. Apesar do Palmeiras jogar melhor, Botafogo parecia mais perto de uma loteria (decisão por pênalti), que o colocaria em pé de igualdade. Palmeiras venceu no sufoco, mas venceu jogando bem; diferente do Corinthians; que fez uma das suas piores partidas do ano.

Santos e São Paulo treinaram no final de semana. São Paulo precisando afastar a crise não teve qualquer problema ao ver seu ídolo maior, e recentemente discutido, abrir o placar. Um gol de falta como há tempos não fazia. Por problemas mercadológicos, midiáticos e afins, não pude saber do Santos. Na questão estratégica da Globo, detentora dos direitos de transmissão; o jogo não foi transmitido. Assim, não posso fazer qualquer comentário sobre aquele que poderá ser o finalista do Paulistão (Globo nos agraciou com um filme visto dezenas de vezes pelos assinantes do Netflix). Aliás, vídeo sobre demanda (aportuguesado por quem vos fala) é a salvação da programação esportiva: podemos ficar longe dele.

Enfim, o Campeonato Paulista começa agora. Embora com uma cara de torneio preparatório, com um certo romantismo nostálgico; o campeonato mostra aos torcedores realmente como estão suas equipes e o que esperar deles em competições um tanto equilibradas. Palmeiras e Corinthians deram um passo maior, poderiam ser os finalistas. Santos mostrando a força de sua base. São Paulo desconcertado, desorganizado; mas não morto.

E vamos acabar logo com isso, pois tenho mais uma série para acompanhar.




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segunda-feira, 9 de março de 2015

Vâmo bate panela, vê se o gigante acorda!

Vâmo bate panela, que a dispensa tá vazia!
Vâmo bate panela, vê se o gigante acorda
Vâmo bate panela, amanhã é outro dia!
Vâmo bate panela, que eu já num “güento” a freguesia!

Estou aqui de panela em punho pronto pra engrossar, junto com outros tantos milhões, o Bloco dos Descontentes. É claro que não falo do “panelito” que dizem ter ocorrido, ontem, durante o pronunciamento presidencial, mas sim, à derrota do São Paulo FC, no clássico Majestoso, contra um desinteressado Corinthians, em pleno Morumbi.

Não é só pela derrota, em casa, contra o rival. Não é só porque foi a segunda derrota no ano para o mesmo rival. Não é só porque o time não joga bem. Não é só porque o adversário nem precisa jogar bem pra ganhar. É por tudo isso e muito mais, porra!

É chegada a hora de o gigante acordar. E nem precisa ser tão gigante assim. Basta o Paulo Henrique Ganso, o Luis Fabiano, o Rogério Ceni e o técnico Muricy Ramalho acordarem para a coisa toda melhorar um pouco. Sim, hoje, vou “panelar” somente contra os medalhões.

O PH Ganso, que em outras temporadas tinha lá seus lampejos de genialidade, nesse ano de 2015 optou por um estilo “ph neutro”. Nem ácido nem alcalino, nem craque nem cabeça de bagre. Entra em campo e ninguém percebe. Se sair de campo, ninguém sentirá falta, tal a sua prostração criativa. Assistir o PH Ganso jogar, para mim, é quase como ouvir um disco da Adele. Eu sei que tem talento ali, sei que a produção é caprichosa, sei que a crítica aplaude, mas, é chato pra cacete!

Tenho saudades do Luis Fabiano que ameaçava largar tudo, abandonar o clube, assinar com o Corinthians. Se for por falta de adeus, não se faça de rogado. Não quero ser injusto com aquele que é um dos maiores goleadores da história do São Paulo, mas, convenhamos, o Luis Fabiano atual produz muito pouco em campo e, se ele não suporta o fato de amargar um banco de reservas, talvez, esteja na hora de marcar o seu jogo de despedida.

Eu prometi, dentre as minhas resoluções para o ano de 2015, não criticar de maneira muito dura o Rogério Ceni. Entendo o significado do ídolo para as novas gerações de são paulinos, respeito a sua trajetória no clube, mas, sinceramente não sei se aguentarei por muito tempo essa turnê de despedida do Rogério Ceni. Se fosse apenas pelo gol defensável que tomou, vá lá, tudo bem. Mas, perder um pênalti (de novo) num jogo como o de ontem é um crime inafiançável. E nem me venha com essa história de que “só perde pênalti quem bate”. Bom batedor de pênalti nem fala isso.

E, por fim, Muricy! Poucas pessoas no futebol brasileiro atual merecem tanto o meu respeito quanto Muricy Ramalho. Como torcedor, reconheço o tricampeonato brasileiro como o maior feito esportivo que um clube futebol brasileiro já conquistou, dadas as dificuldades que envolvem ganhar três campeonatos seguidos, mas, já de algum tempo, o time vem jogando mal, sem padrão de jogo e, durante as partidas, o treinador não tem conseguido reverter a situação. Eu sei que um técnico como o Muricy sempre vai ter algumas rodadas de crédito, mas, se o time não ganhar o Paulista e não avançar, pelo menos, até às quartas de final da Libertadores, acho que a página Muricy precisa ser virada da história do São Paulo.

E nem é só por isto tudo, mas, também por todo o resto que o São Paulo FC não tem feito nos últimos anos e que parece que não vai fazer nessa temporada.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

Torcida única: Única Saída


Na maioria das vezes escrevo com certa calma, antecipadamente à publicação; sem qualquer pressão. No entanto, o texto a seguir fugirá essa regra. Embora não haja qualquer necessidade em agir dessa maneira, vejo que o tema está pulsando, querendo logo uma resposta; uma proposta. Não somos jornalistas, nenhum de nós, por isso não se trata de uma pressa pela notícia bombástica – vocês já devem ter lido nos cadernos esportivos. A questão é que para o campeonato paulista (que volta a ser grafado com letras minúsculas) acaba de se configurar com torcida única para os clássicos. Sim, Palmeiras e Corinthians, no próximo domingo, terá apenas palmeirenses gritando por seu time. Embora ache a medida sensata, ao mesmo tempo considero a cal que estava faltando na esperança de um futebol civilizado, respeitoso, moderno e consequentemente forte.

Futebol brasileiro que precisava de uma resposta urgente, principalmente depois do choque de realidade que foi a goleada sofrida pela seleção brasileira. Sim, aquilo não foi acaso, fatalidade ou apagão. Aquilo foi comparação. Uma comparação real, sem personagens fictícios, nem teorias conspiratórias. O jogo entre Brasil e Alemanha deveria ser um marco, um a.G. (antes da goleada) e um d.G. (depois da goleada). Alemanha não apenas mostrou qualidade dentro como fora de campo. O comportamento dos torcedores, dos jogadores; a festa que fazem ao ver o futebol exatamente como ele é. Brasileiro vê futebol diferente, vemos como meio. Futebol é sobrevivência; é calmaria na vitória, impulsionando uma segunda-feira de trabalho. Se bebe, se mata; se chora e se ama por causa do futebol. Mas também é rompimento com o normal, com a derrota cotidiana, como se fosse uma pseudomorte.

A goleada deveria nos mostrar mais coisas, mas não mostrou. Ficamos saciados com Felipão ultrapassado taticamente, falta que fez o Neymar em campo e o despreparo emocional. São esses três fatores as grandes hipóteses para nossa derrota. Não, não foi isso. É muito mais que isso. É vermos antigas ideias dominando a Federação Carioca de Futebol. É vermos a negociação de jogadores, sem prestação de contas e responsabilidade financeira. É vermos jogadores, em sua iniciação profissional, ganhando milhões; posando no estrelato dos comerciais e infelizmente arruinando um futuro em meio as drogas, bebidas e jogos sedutores. O futebol brasileiro tem uma lógica que só ele desconhece.

A torcida única é institucionalizar a intolerância. É decidir que, de agora em diante, jamais será possível o convívio pacífico e respeitoso. É determinar que no futuro não haverá menor chance de vermos os estádios como antes, onde a torcida se propunha a torcer pelo seu time, não por si mesma. Jamais veremos gritos de amor pela agremiação esportiva, mas cânticos de guerras pelo próprio escudo. Volto a dizer: a decisão pela torcida única é correta, mas não é sábia. É a saída mais fácil, é a coerência dentro de uma lógica que não queríamos: há ódio entre os torcedores, e cada vez mais uma minoria pode interferir e representar uma maioria.

A defesa pela torcida única é a defesa do patrimônio. As arenas modernas, novas e confortáveis nasceram na hora certa para pessoas erradas. Nasceram para os torcedores comuns, que convivem com seus adversários na sala de estar, no escritório; até mesmo em matrimônio. Nasceu para torcedores que se emocionam a cada lance, que querem ver o jogo. Não nasceu para quem vive e odeia seu adversário. Não nasceu para generalizarmos os torcedores, como acaba de acontecer com essa questão da torcida única. Ficou definido que todo palmeirense, em potencial, poderia agredir um corintiano no estádio; e que todo corintiano, em potencial, iria destruir o estádio palmeirense. Em potencial, a verdade é exatamente essa. E essa realidade é mais desgastante que a goleada sofrida pela Alemanha.

A torcida única veio para ficar. Dentro em breve não lembraremos mais que, pelo menos dentro dos estádios, era preciso que o poder público agisse com violência para deter os baderneiros. Será? A baderna terá outros motivos, muitas vezes por um estranhamento entre os próprios torcedores – como já vimos uma série de vezes. A pancadaria ocorrerá com hora marcada, talvez longe dos estádios; mas por motivos iguais: a defesa do time do coração! Veremos cada vez mais a divisão, não apenas em clássicos. O jeito que vemos o futebol será alterado; e numa visão quase apocalíptica, teremos que definir regras em bares, restaurantes, grupos de whatsaap e até mesmo dentro de casa.

O futebol, que tem no seu patrimônio a torcida, se enfraqueceu um pouco mais agora, quando define que uma parte dos torcedores estão nos estádios por tantos motivos diferentes, mas que nenhum está ligado ao futebol. Quando define que o motivo principal de alguns deles é destruir, acabar; enfraquecer e deteriorar a verdadeira e única motivação do esporte. Embora o futebol não possa se responsabilizar por aquilo que se tornou o torcedor; devemos considerar que o torcedor está alterando aquilo que chamamos futebol.






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segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

Bola rolando e vamos trabalhar um pouquinho.

Largada para os estaduais e o tão “esperado” Paulistão começou. A ironia não é sobre o estadual em si, (do qual sempre gostei e acredito que seja a base do futebol brasileiro), mas em virtude de todas as intempéries e maledicências que andam corroendo nosso futebol.

Já adentramos fevereiro, e finalmente consegui assistir a um primeiro jogo inteiro neste ano: Santos x Ituano, que fizeram a final do último campeonato. O primeiro desgosto daquele ano para os santistas antes do 7x1. Mas nenhuma sede de vingança por parte dos santistas e nenhuma intenção do Ituano em “ratificar” sua condição de atual campeão estadual.

A torcida estava mais preocupada em protestar contra a gestão anterior (colocando faixas perguntando “onde está o dinheiro”, do que infernizar o último algoz peixeiro. Mas a manifestação não durou cinco minutos e “democraticamente” a polícia interveio para que as faixas fossem recolhidas. Sinceramente, não vi nada de mais no manifesto.

Falando sobre o jogo, duas equipes mais fragilizadas em relação ao ano passado. Santos com uma debandada de jogadores, (Aranha, Arouca, Mena, Dracena e Damião, este que não fará nenhuma falta). Em contrapartida, tivemos a volta de Elano, Renato (que fez teste ano passado) e Ricardo Oliveira, só para citar os velhinhos. A aposta santista ainda continua sendo Geuvânio, (que tem talento, mas que sente um pouco em jogos decisivos) e o Gabriel, que se movimenta bem, oportunista e poderá ser útil. Robinho continua sendo a maior referência do time santista, e para nosso padrão nacional, é um excelente jogador. Um pouco apagado ontem, mas ainda é o começo.

Jogo até bem movimentado, Santos até animado por todos os desfalque$ extracampo, e um Ituano que pouco ameaçou a meta santista. O destaque foi Geuvânio, pelo belo gol, e pela movimentação na frente apesar de rifar alguns passes que poderiam dar contra-ataque ao time adversário se este fosse um pouco melhor. Mas vamos apoiar o garoto, é um talento que ainda pode ser lapidado.

Sobre os favoritos ao título, penso que ainda é cedo para usar a bola de cristal. Mas fica entre os grandes para variar nas previsões. Apesar de toda limitação técnica que os acometem, ainda estão bem além com relação às equipes menores.


 Próxima parada do Peixe é em Mogi-Mirim, que venceu o tradicional XV, em Piracicaba. Vamos que vamos...



sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

Um museu de grandes novidades


Depois da avalanche Copa São Paulo de Futebol Júniores, com suas dezenas de equipes, e em alguns casos, um tanto bizarros, chegamos ao Campeonato Paulista. Segunda etapa na agenda dos clubes, o regional continua com a cara de preparação para o restante da temporada. As grandes equipes cada vez mais desinteressadas e federações cada vez mais ricas. O Paulista apenas com um atrativo romântico: seu lado histórico e de tradição inibindo o lado crítico e do entretenimento. E como dizem: é legal ganhar o Paulista, embora não seja tão importante.

É bem provável que uma surpresa aconteça, como por exemplo uma equipe do interior consiga o título – Ainda que não seja mais uma novidade, visto o título do Ituano o ano passado. Afinal de contas, parece que a continuidade da competição seja a solução menos dolorosa para equipes menores, que enxergam a oportunidade de bons contratos publicitários com jogos de maior visibilidade. Enfrentar um time grande é a chave de sucesso para equipe menores, com arquibancadas cheias em pelo menos quatro jogos por ano.

Dos grandes paulistas, Palmeiras parece mais sedento em relação a competição; pois a vê como grande chance de retomar o caminho vitorioso, e quem sabe, menos problemático das últimas temporadas. Seria o grande começo de Nova Era para o clube voltar a ser campeão. Embora tenha conseguido o título nacional com Felipão, a verdade é que a equipe há muito não brilha como um time verdadeiramente grande Uma coisa é o discurso dos torcedores, outra é o pragmatismo das competições. É claro que nenhum torcedor irá renegar a história, falar sobre o “manto”; a tradição e assim por diante. Mas nada disso ganha títulos.

Corinthians e São Paulo voltados para a Libertadores. Evidente que não deixarão de lado o Paulistão; mas esse interesse é apenas relativo, pois vai diminuindo a medida que etapas no torneiro continental vão sendo ultrapassadas. Entre uma semifinal da Libertadores e a final do Paulista, o segundo terá apenas um mistão, ou seja, cheio dos jogadores considerados “não-titulares” – De um tempo para cá a palavra reserva tem sido substituída por termos menos pejorativo. 

Santos numa completa renovação de diretoria, jogadores e crises financeiras. Nem quem acompanha a equipe sabe exatamente o que pode esperar dela.

Pois é, acabou a Copa São Paulo de Futebol Júnior com mais um título do Corinthians. Aperitivo na programação do futebol profissional, a competição sempre se vangloriou por ser o celeiro ideal de craques do futuro não revelará nada para o Paulista. Temos grandes velhas novidades nos clubes. Um museu de grandes novidades, como já cantou Cazuza. Zé Roberto, Dracena, Ricardo Oliveira e afins. Jogadores que já mostraram seu valor são menos arriscados e mais baratos que os novos pseudos-craques surgidos no futebol júnior. A maturação de um profissional é algo impossível nos tempos atuais. Jogadores, muitos deles grandes jogadores, só poderão ser vistos em times de menor expressão ou expressão nenhuma. Somente ali podem crescer, se tornarem opção para os clubes; não apenas promessas. 

Neste aspecto, a Copa São Paulo de Futebol Júnior parece valer muito mais que o preenchimento de tabela do Paulistão. Pelo menos na competição amadora podemos ver o futuro do nosso futebol, não apenas torcer por uma nostálgica sensação de que um dia fomos os melhores no esporte.



segunda-feira, 21 de abril de 2014

Quem deu bola no Paulista.


Estava tudo muito bom, tudo muito bem. Santos vinha de uma excelente campanha no campeonato paulista antes da final: o ataque mais positivo (46 gols), contra 18 sofridos. Praticamente avassalador na Vila, goleando muitos adversários, inclusive a tradicional Ponte Preta, por 4x0 nas quartas de final. Depois um time aguerrido, o Penapolense, que por pouco não elimina o Peixe. 3x2 sofrido. O Ituano, uma espécie de azarão, chegou pelas beiradas, e parou o time santista.

A velha máxima que futebol é imprevisível e uma “caixinha de surpresas”; mas ninguém imaginava que a equipe do interior iria tirar o caneco do Peixe. E reforço esta frase: “tirar o caneco”, pois em mais de 80 anos de profissionalismo, só três equipes interioranas chegaram ao topo: Inter de Limeira (1986), Bragantino (1990), Ituano (2014). Portanto, quando uma equipe grande chega contra uma pequena, a chance desta ganhar é muito remota. (Lembrando que o Bragantino fez a final contra outro time do interior, o Novorizontino, e perdeu para o São Paulo no ano seguinte, na final do campeonato brasileiro).

Portanto uma equipe grande sempre prevalece quando chega, e a história diz isso. Mas não foi o que aconteceu nesta final, mesmo o Santos apresentando um bom futebol e estando 7 pontos à frente do seu concorrente. As diferenças eram gritantes. Mesmo assim, quem deu bola na final foi o Ituano.

Então vai a pergunta: Mas o que aconteceu com o time da Vila?

A resposta mais elementar é que faltou futebol. Foi nítido, e a equipe de Itu chegou a colocar o time santista na roda, principalmente do primeiro jogo da final. E agora vamos “analisar” por que faltou futebol para o time alvinegro:

O futebol paulista, bem como brasileiro, estão cada vez mais “desequilibrados”. Não são mais parâmetros para nada. Santos goleava com números que pareciam dos anos 60, mas quando pegou dois times um pouco mais arrumadinhos (Penapolense e Ituano), se complicou. A volúpia cessou, pois faltou criatividade para sair da marcação e achar espaços.

Outro sinal dos tempos do futebol contemporâneo é que os jogadores de hoje não tem mais personalidade, salvo raríssimas exceções. O único que dá a cara pra bater ali é o Arouca. Ninguém pensa mais por si, não conseguem mudar a situação de uma partida, corroborada pelas frases no final do primeiro jogo: “Vamos ver o que o professor tem para falar para o próximo jogo”. Por que o “professor”? Não sabe porque perdeu?

Jogadores que eram pra chamar a responsabilidade e definir não apareceram. Casos de Thiago Ribeiro, e Leandro Damião. E o primeiro ainda ganhou prêmio, não sei do quê. Só jogou contra o Corinthians. Damião até agora só veio passear de bonde. Já os novos não dá pra jogar a responsabilidade. Geovânio sentiu já contra o Penapolense, e desapareceu nos jogos finais. Teve a oportunidade de fazer o gol do título, mas a perna deve ter bambeado na hora de finalizar e correr para o abraço. Gabriel também não apareceu, mas a bola mal chegava para o jovem atacante.

E Oswaldo? Apostar em um articulador, como poderia ter feito com Lucas Lima, ao invés dos inúmeros balões da defesa para o ataque que o time peixeiro alçava. Parecia festa de São João.

Em suma, faltou competência para o Santos em diversos aspectos, para apenas ratificar a condição de melhor time do campeonato paulista, o que era até então. Mas como parou nos dois últimos jogos, este time suscita agora muitas dúvidas. As falhas já existiam, mas agora emergiram de vez. Desde a final que o time não joga bem, e estreou com um empate contra o mistão do Sport em plena Vila pelo campeonato brasileiro. Mas vamos aguardar, pois ainda há tempo para colocar a casa em ordem, apesar da paciência do torcedor ter diminuído muito.


segunda-feira, 14 de abril de 2014

O campeão de São Paulo nos diz mais sobre os perdedores.

Ituano Campeão Paulista de 2014. De gestão profissional até uma nova visão para o futebol. Nada no clube é novidade, mas com certeza sua vitória diz muito sobre a derrota dos clubes grandes. Alguma coisa anda sendo feita de maneira errada, sorte deles!

 

O jogo foi feio. Pior que a primeira partida, em que o Ituano venceu por um gol de diferença. Sabendo do placar adverso o Santos atacou desde os primeiros momentos. Mas foram poucos lances de perigo. Destruir sempre foi mais fácil que construir, esse é o lema do futebol moderno. Ituano com uma postura ainda mais defensiva foi quase uma barreira para o ataque santista, que num lance perto do final do primeiro tempo, conseguiu abrir o placar. O pênalti existiu, assim como existiu o impedimento do jogador que sofreu a falta. Em determinados momentos a sorte faz a diferença, em outras ocasiões, o árbitro.
 
O gol do Santos no final do primeiro tempo parecia ser um alento para o aquilo que aconteceria no segundo tempo. No entanto, o resultado só serviu para o Ituano: foi ele que percebeu que a grande chance de sua vida estava em risco. Cresceu no segundo tempo de forma inesperada, jogando em iguais condições contra o time santista. Naquele momento, faltando quinze minutos; o empate seria o resultado mais justo. Considerando o lance incorreto do pênalti, a justiça seria a vitória do Ituano. Mas acontece que as coisas do futebol não acontecem desse jeito, justiça não é a palavra preferida no mundo do futebol. De um lado os torcedores santistas, do outro lado os torcedores de todos os outros clubes grandes: Chegamos até a disputa de pênaltis.
 
Faço aqui uma pequena consideração: não sei qual a melhor maneira de definir um campeão, mas a disputa por pênalti continua sendo - e duvido que deixe de ser -uma das coisas mais ridículas do futebol. Portanto não é apenas uma entrevista cheia de chororô, ao final da partida, dada pelo treinador santista. Mas algo com grande teor ideológico. Se o Santos foi o melhor do torneio, qual a vantagem ele teve naquele momento? Bom, todos assinaram o regulamento, e sabiam suas aplicações. Resta saber se ainda há interesse em continuar com um campeonato tão ruim, com regras tão desinteressantes e de certa maneira incoerentes. Deve ser bom para os clubes, apesar de não ser para os torcedores, manter esse comando e essa maneira de administrar o futebol paulista. 
 
Ituano campeão não é um milagre, nem uma revolução do futebol. A trajetória para o clube nós sabemos: uma porção de jogadores serão vendidos para clubes maiores. Uns darão certo, outros não. O treinador será visto como uma promessa, sendo sondado por clubes de fora do estado e coisa e tal. Nada diferente do que acontece todas as vezes que um clube pequeno consegue tal projeção. Mas diferente das outras vezes, parece que agora o título do Ituano colocou uma pulga atrás da orelha de todo mundo: será que o modelo de futebol dos clubes grandes continuará sendo tão vitorioso? Ou teremos mais e mais clubes, como Ituano, ganhando dos clubes maiores? Se o futebol está tão nivelado, qual a resposta que daremos para cifras tão extraordinariamente diferentes? Uma folha de pagamento de um time inteiro sendo comparado ao rendimento de apenas um jogador: não há alguma coisa fora da ordem no futebol?
 
Parabéns ao Ituano, que mostra mais uma vez sua força. Bi-Campeão Paulista. Ituano que já não é nenhuma surpresa, mas que precisa agora pensar cada vez melhor em sua reestruturação para os campeonatos nacionais e quem sabe internacionais. Se teremos surpresa nos próximos anos, ninguém pode dizer. Se o clube vai vingar como uma das forças do futebol paulista, só o tempo pode confirmar. Mas uma coisa é certa: derrotados ou não, os torcedores de São Paulo estão torcendo para você aparecer no mundo e dizer como se faz um futebol tão caipira, como tínhamos em tempos não muito distantes.
 
 
 
 

segunda-feira, 7 de abril de 2014

Semana dos clichês

Uma novela durante a semana: depois do primeiro jogo das finais do paulista, vencido pelo Ituano, teremos um festival de clichês e respostas prontas durante a semana. Dos dois lados a mesma resposta intrigante: Não está nada ganho.


Ituano e Santos fizeram a primeira final do paulista 2014. Como era de se esperar, o time de Itu com uma forte marcação e o Santos buscando o gol desde os primeiros minutos. Todos imaginavam um jogo entre ataque e defesa, e foi mais ou menos isso que vimos durante os primeiros noventa minutos. No entanto, fora dos planos de qualquer torcedor santistas, o time do Ituano não só marcou muito bem, como teve ótimas chances nos contra-ataques. Era mesmo uma final que todos esperavam, com dois times sabendo exatamente aquilo que são capazes. Ituano vence por um a zero, e todos sabem que não está nada ganho.

Do lado santista é plenamente aceitável que ganhe por dois gols de diferença na próxima partida. Afinal de contas, o ataque já fez alguns placares elásticos e convincentes durante o campeonato. Tudo bem, temos aquela história que todos conhecem no futebol: geralmente goleadas são construídas de forma natural, considerando as características do jogo; das equipes e aquilo que está em disputa. Uma goleada do Santos sobre o Ituano não será tão fácil como se espera. O jogo é uma final, uma goleada não será natural. Plenamente possível, mas menos previsível. Por outro lado devemos levar em consideração: não é necessário muitos gols, mas dois de diferença. Aceitável. Tanto que a cara de derrota dos torcedores santistas afirmam em sorrisos discretos: ainda dá para virar.

Os jogadores do Ituano estão eufóricos: a metade do caminho já foi percorrido. Precisam de, no mínimo, um empate para serem os verdadeiros campeões em 2014. Feito dificílimo para times do interior, essa quebra de hegemonia dos times da capital mais o Santos. Mas agora cada vez mais perto. Em Itu continua tudo como está, mas um pouco diferente. Não tem nada ganho e coisa e tal. Mas eles sabem que o passo maior que a perna foi dado. Se eles estariam satisfeitos com um empate no primeiro jogo, imaginem a euforia com uma vitória. Sim, respeito ao time do Santos. Sim, ainda resta uma partida. Sim, vários clichês quando ainda não se tem uma faixa no peito. Mas, para o bem dos torcedores adversários, o título nunca esteve tão perto.

A pimenta que eu coloco na final é que o empate na primeira partida seria muito melhor para o Ituano. Vão me achar louco: como um empate pode ser melhor que uma vitória? Pois bem, a existência do segundo jogo muda tudo. Muda completamente tudo que se pode esperar da final. Muda um fator favorável ao Ituano: a surpresa. Não existirá mais nenhuma surpresa para a segunda partida. Santos sabe agora mais do adversário que supostamente sabia quando entrou em campo no domingo. Se especulava o Ituano ser uma boa equipe, agora ele tem certeza. Agora a equipe santista sabe que precisa entrar muito melhor, jogar muito melhor; fazer a diferença. A vitória do Ituano pode ter despertado uma equipe que não existiu na primeira partida, uma equipe que vai entrar em campo sabendo que precisa um pouco mais do seu limite. Talvez se o gol do Ituano saísse na segunda partida, depois de um empate no primeiro jogo, fosse tarde demais para qualquer recuperação.

Mas isso também é um clichê, do qual não ficamos livres. A mesmice das entrevistas durante a semana será pior que as rodadas medíocres da primeira fase. E vamos ouvir: Nada ganho, sabemos o potencial da equipe, um gol de diferença não é absurda, vamos buscar a vitória, não mudaremos nosso jeito de jogar, vamos ouvir o que o professor tem para dizer, agora temos que ser homens, era a chance que esperávamos, estamos tranquilos, e etecetara e tal.

O melhor mesmo das finais é o último jogo, de resto, nada ganho.

quinta-feira, 27 de março de 2014

Narciso contra todos.



Narciso dos Santos nasceu em 23/12/1974, em Neópolis, Sergipe. Surgiu para o futebol entre 1993/94, e após uma passagem pelo Paraguaçuense, equipe do interior paulista, foi tentar a sorte no Santos Futebol Clube. Uma época difícil para o Alvinegro Praiano: 10 anos sem títulos, o clube não tinha estrutura, e vivia em situação financeira crítica.
Me lembro do surgimento do Narciso no Santos. Um zagueiro, rápido, bom em bolas altas, se arriscava no ataque, mas não tinha a técnica que o santista almejava. Muitas críticas ao jovem Narciso, e eu também não sentia muita firmeza no zagueiro. Mas Narciso se firmou, ganhou personalidade e passou a ser o capitão da equipe. Depois de uns dois anos como zagueiro, Narciso passou a ser volante. Não lembro agora qual treinador o colocou nesta posição, mas seu futebol cresceu muito. Chegou até a ser convocado para a Seleção, apesar das críticas, antes da Copa de 1998.
Disputa do título da Copa Conmebol de 1998, no jogo que ficou conhecido como Batalha de Rosário, contra o Rosário Central da Argentina. Jogo tenso, estádio acanhado e apinhado de gente. Jogo temido pela segurança e integridade dos jogadores. Tudo aquilo que já estamos acostumados: arremesso de objetos no campo, cusparadas, xingamentos. Um empate era suficiente para garantir um título internacional para o Santos, depois de sei lá quanto tempo. Fim de jogo (0x0), e após o apito do árbitro, a primeira atitude de Narciso foi reunir todos os jogadores ao círculo do meio-campo; não para comemorar, mas para garantir a segurança, da mesma forma que uma manada de búfalos se protege dos leões. Foi uma cena que me marcou como torcedor e uma constatação do espírito de liderança daquele jogador.
Na melhor forma e fase se sua carreira, Narciso é diagnosticado com leucemia, e sua luta agora era para manter-se vivo e achar algum doador.  Me impressionou a primeira vez que vi Narciso na TV após sessões de quimioterapia: cara pálida e desfigurada, e um físico que nem lembrava ser de um atleta. Doença terrível essa. Teve um declínio no seu padrão de vida, já que o Santos não pagava o que ele recebia como jogador. Não achava-se doador para Narciso, e se não me engano, houve até rejeição de um transporte que havia feito. Mas por sorte, o doador compatível estava bem próximo a ele: sua irmã.
Mas “apenas” a cura para Narciso não bastava. Queria dar um “chute” de vez nesta doença e voltar a jogar bola. Depois de mais ou menos três anos de tratamento, Narciso volta aos gramados em 2003, no estádio Couto Pereira em Curitiba, mesma cidade em que fizera tratamento. Evidente que não começou jogando, e foi aplaudido de pé quando entrou em substituição. E Narciso teve até chance de gol para o Santos. Mas em virtude de uma doença que mina o sistema imunológico e ser um esporte que exige cada vez mais do físico, o jogador não conseguia ter uma sequência e também ficava mais vulnerável a contusões. Em 2005 pendurou as chuteiras e passou a ser auxiliar técnico no Santos.
E Narciso deu prosseguimento. Foi treinador das categorias de base do Santos e ganhou títulos com a molecada e também faturou uma Copa São Paulo pelo Corinthians. Tem sido a revelação neste atual campeonato paulista com o modesto Penapolense. E a façanha de eliminar o São Paulo no Morumbi e até agora o único time que venceu e goleou o Santos no certame.
O Penapolense não possui nenhum esquema tático revolucionário como tentou o Audax, mas vejo que a equipe encarna este espírito do Narciso, que é o de luta e superação. E o “filho” agora, torna à casa, no duelo contra o clube que o revelou, pela semifinal do estadual. E num cenário que tem sido terrível para os adversários até o momento, a Vila Belmiro. E como nada tem sido impossível para Narciso, vai saber se o time de Penápolis apronta novamente. Mas independente do que ocorra, o ex-jogador e treinador é um vencedor. Por tudo que passou desde os tempos de jogador, passando pela doença, e pela superação espelhada na sua equipe. E acredito que estes jogadores se espelham na história do Narciso.
"Na mitologia grega, Narciso era um herói do território de Téspias, famoso pela sua beleza e orgulho. Filho do deus Cefiso e da ninfa Liríope. O adivinho Tirésias vaticinou que Narciso teria vida longa caso não contemplasse a própria imagem". Será que há alguma semelhança para o nosso Narciso contemporâneo? Tudo bem, pode até parecer um esforço de imaginação, mas mesmo assim deixo para os amigos concluírem...
 

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Sai Zica


Sai Zica, azar, urucubaca ou coisa parecida. Aquela coisa da bola do adversário entrar no gol depois de bater duas vezes na trave. Coisa de azar. Então o Corinthians não ganhava uma partida. Tudo bem, a renovação forçosa da equipe e coisa e tal. Mas tem coisa que não se justifica. Azar é a melhor desculpa para a  fase ruim, mas esperar apenas a sorte não é a solução.

Não acredito em sorte, mas esse tal de azar pega todo mundo de relance. Chega e se instala como um vírus de computador. Foi assim com o Corinthians. Pegou uma febre no Japão e foi perceber a doença três dias antes do clássico contra o Palmeiras. Era muito ruim perder mais um jogo e o rival vinha cheio de esperança. O azar parou, Corinthians jogou melhor, quase venceu. Mas não estava curado. Num lance de azar, o Palmeiras empata no final da partida. Mas alguma coisa tinha mudado, parecia ter mudado.

Então um jogo fora de casa. A tabela diz isso, o mandante era o Oeste. Mas que mando tem torcida adversária maior que os anfitriões? Tem coisa que só se explica no Corinthians. Precisávamos vencer, luta contra o rebaixamento. Pasmem! O azar causa estragos enormes: Corinthians brigando para não cair. Então começa o jogo. Começa para quem? Adversário faz o primeiro gol em menos de quatro minutos. Que fase, que azar!

Zica, azar, urucubaca? A bola rebate em quase todos os jogadores da defesa. Até que nosso zagueiro consegue inexplicavelmente deixar a bola na cara do gol, para o adversário. Digam-me se dá para confiar na sorte? O sábio  Tite, nosso treinador campeão, dizia: acredito apenas em trabalho. Concordo com ele. A sorte também é desculpa de ganhador.

Mais uma derrota? Continuamos na crise? O jogo continua e parece que nada vai dar certo. Falarei o que para o pessoal do escritório? A derrota sempre é pior pela vergonha do outro. Bola na trave, bola fora, passe ruim, cartão amarelo. Sai Zica, fora urucubaca. Mas ai vem o gol de empate. Logo depois o gol da vitória.

O restante do jogo pouco importa. Nada importa numa fase ruim, exceto a vitória. Três pontos. Quase volta olímpica. Sorrisos no vestiário, entrevistas animadas, fora azar. Mais um jogo, mais uma vitória, dessa vez em casa, depois de meses uma vitória em casa contra o Rio Claro. Sai Zica, urucubaca; mais uma vez.

Mas vamos com calma, ainda não da para saber se é o começo ou o fim de tudo. Se há esperança pela classificação para a próxima fase do paulista, também é tempo de temer o rebaixamento. A verdade é que o time já mudou a cara. Olho para dentro de campo e reconheço dois ou três jogadores. A revolta dos torcedores, a invasão e coisa e tal poderiam ter sido evitadas se houvesse uma renovação logo após o campeonato mundial.

Como assim? Estou dando razão para os torcedores que ameaçaram os jogadores? Não. Aquilo foi desnecessário. Estávamos mesmo era precisando um pouco de sorte dentro de campo e trabalho fora dele.








sábado, 15 de fevereiro de 2014

A paz que não queremos.

 

Tudo muito legal, tudo muito bonito. Presidentes de Corinthians e Palmeiras se encontram para promover, digo, para “selar” a paz entre as duas agremiações de maior rivalidade no estado. Bom, não foi desta vez que Juvenal Juvêncio foi chamado. Quem sabe da próxima vez, até porque isto é um outro assunto ou o buraco deve ser mais embaixo.

Deixando um pouco ironias de lado e para falar o português ou paulistanês mais claro, para mim isto não passou de mais um evento marqueteiro. Jogos ruins, campeonato desprestigiado, malfadado, sucateado: audiência do “Plim-Plim” despencando cada vez que a bola aparece rolando ou sendo maltratada na tela. Vamos então aproveitar o momento e promover a “paz”. Ok, beleza, protocolo cumprido.

Mesmo com este “armistício”, a torcida visitante ficará apenas com dois mil ingressos, o que acabará ficando com a uniformizada, impedindo mais uma vez o torcedor comum de prestigiar seu clube no estádio. Isto é coisa do passado, quando o espaço era muito mais democrático e divido igualmente ou conforme as torcidas iam chegando e se acomodando.

Parabéns Corinthians, Palmeiras, Rede Globo, por este momento tão sublime, talvez iniciando uma nova era e demonstrando que a paz também serve para promover um espetáculo. Todavia já me dei por satisfeito. Muito obrigado.


segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Várias faces da crise: Corinthians vivendo o dilema da Fénix

 

Quando a crise chega, não há santo que ajude. Pontuado por muitos torcedores, a saída de Paulinho parece ser um divisor de águas da recente história de conquistas do time alvinegro. Desde a falta da reposição à altura, o time despencou na tabela. Paulinho era essencial, no entanto, o time áureo de Tite sempre transpirou uma coletividade pouco vista em equipes brasileiras. Uma equipe com esquema tático definido, defesa estruturada; jogadores em seu auge da forma técnica (nem tanto parte física). Paulinho mexeu com toda base campeã, mas não é apenas a sua saída o prognóstico da péssima fase.

A crise nasceu de uma conjunção de fatores. Não são fáceis de explicar, nem de resolver. Fatores que estariam ligados ao planejamento. O planejamento tão glorificado nas conquistas; falta nas derrotas. Primeiro item da crise tem haver com a renovação do elenco. Sabiamente os jogadores estavam em seu auge, e a tendência natural era que os jogadores mais experientes sentissem o peso da idade, caindo de rendimento de forma sucessiva. Danilo, Douglas, Émerson, Alessandro e Fábio Santos são heróis das conquistas, mas não podem fazer milagre. Acabou! Um obrigado com todas as glórias, mas passar bem.

A renovação que não foi feita, ou que está sendo feita tardiamente, acabou por enfrentar um problema de quase todos os clubes brasileiros: Falta de recursos e uma categoria de base ineficiente. Se o planejamento era de uma renovação, o mais justo era os jogadores fossem preparados para isso. Danilo ainda é importante para a equipe, mas quem é seu substituto? Émerson idem. Jogadores campeões tratados com um prestígio que dinheiro e renovação de contrato não podem pagar. Émerson não se sentia incomodado com o elenco, por não existir ali ninguém que tivesse conquistado mais que ele. É uma verdade, mas uma  verdade temporária. O prazo venceu, e o tiro saiu pela culatra. Émerson tem que mostrar mais uma vez o seu valor, uma nova motivação.

O time campeão do Corinthians era baseado em motivação satisfatória, dedicação extrema e técnica mediana. O seu esquema tático era simples, mas duramente praticado. Uma defesa que pouco perdia e um ataque que sempre ganhava. E se não era um primor de time, era um time aguerrido, compacto e ajustado. Vencer o Corinthians era muito complicado, mesmo sabendo da movimentação dos jogadores, da entrega e do ajustamento tático muito bem treinado. Mas o time não poderia, nem conseguiria a entrega por muito tempo, era preciso um pouco mais. E isso Tite não conseguiu resolver com as peças disponíveis.

E para azedar mais ainda o quê estava torto, eis que tivemos uma invasão dos “torcedores” fazendo justiça com as próprias mãos. Desde que acompanho futebol, nunca vi nenhuma equipe se tornar campeã depois de vítimas de vandalismo. Vandalismo que anda atrapalhando não apenas o fraco desempenho técnico da equipe, mas agora também incrementando uma dose de nervosismo em cada jogo. Se a renovação não foi aproveitada no período mágico, torna-se ainda mais improvável nos momentos conturbados: que jogador, em sã consciência, quer defender o Corinthians num momento como esse?

A base pode ser utilizada por Mano, mas será de uma maneira irracional. O correto seria um preparo natural, discreto e imperceptível. Jogadores da base fazendo parte dos profissionais, entrando em jogos de menor visibilidade. Assim os jogadores iriam tomando gosto pela coisa. Do jeito que está, não só queimaremos a geração campeã dos veteranos, como não termos condições de pensar no futuro com os novatos. Por isso não queria estar na pele do Mano, nem tampouco torcer pelo Corinthians por esses dias.

A saída fácil foi retardada há pelo menos treze meses e não na saída do Paulinho.





quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Conclusão do dia seguinte: somente o 5 a 1 não admite discussão.



Quem diria? Enquanto o desânimo e a apatia tomavam conta do torcedor de futebol, eis que na noite de ontem, no lendário Estádio Urbano Caldeira, foi escrita mais uma bela e inusitada página do nosso futebol brasileiro. Algo a ser tatuado na memória do torcedor por muitos anos. Uma goleada indiscutível, absoluta do time santista contra os seus rivais corintianos.

Não, não é exagero. Considero o 5 a 1 o placar mais insuspeito do futebol. Todos os outros resultados, sem exceção, admitem, no mínimo, cinco minutos de discussão. Sempre haverá um lance discutível, um erro do bandeira, um minuto a menos de acréscimo ou até mesmo um corpo mole do time pra derrubar o técnico. Tudo isso vale o debate. No 5 a 1, meus amigos, dispensa-se o falatório. Não há argumentos que desabonem ou desqualifiquem o 5 a 1. Fecha a conta, passa e régua e vamos embora. O 5 a 1 é a demonstração numérica da superioridade técnica, tática, física e emocional de um time sobre o outro.

Um revés de 5 a 1 é doloroso demais para o torcedor, independente da importância do jogo em disputa. Quando o vareio, o chocolate, a saraivada, o sapeca iaiá ,ocorre num clássico, então, estamos diante de um tragédia digna da novela do Walcyr Carrasco (Amor à Vida), que se encerra amanhã. A sensação de impotência do torcedor diante da goleada é incompreensível para quem não torce enão ama de verdade o clube do coração. Somente o Dr. César da novela, agora cego, desiludido e mal amado entenderia esse sentimento.

A vontade do torcedor é de invadir o campo, apagar as luzes do estádio, tirar o time de campo. A humilhação nessas horas dá de goleada na razão. O Fair Play do torcedor transborda num copinho plástico atirado violentamente contra o banco de reservas do adversário, contra o árbitro, contra qualquer um que faça pouco de sua dor. 

Só o 5 a 1 causa essa dor, esse aperto no coração. Qualquer goleada maior que essa cheira à entregada, à fritura de técnico e a todo um conjunto de teorias de conspiração que somente o torcedor é capaz de racionalizar. Entendo o sofrimento do torcedor corintiano na data de hoje. Já passei por isso, claro. Aliás, o drama do 5 a 1 acontece somente nas melhores famílias. É do jogo.

O torcedor corintiano, o fiel, esse personagem do imaginário futebolístico, como manda a tradição, saiu do estádio apenas após o último apito do árbitro, atônito, desnorteado, descrente daquilo que seus olhos marejados presenciaram. O torcedor de sofá, por sua vez, que aguardou o final da novela, do BBB, para torcer pelo time, teve pesadelos terríveis protagonizados por Arouca, o craque santista na partida de ontem. Acordou várias vezes durante a noite, sobressaltado, suado, ao som da própria voz, gritando: - Não, Arouca, chega!