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segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

A quem interessar possa


Caros leitores, a bola de 2017 começou a rolar nesse final de semana com a rodada de abertura dos torneios estaduais espalhados pelo país. Mas, foi um comunicado da Fifa, entidade organizadora do futebol internacional, que causou os debates mais acalorados nas Rádios Peão e Balcão, de onde esse blogueiro, orgulhosamente, tira a inspiração para os seus textos.
Pra quem não está atualizado sobre o ocorrido, a Fifa, organização que tem alguns de seus dirigentes presos e investigados por tudo quanto é picaretagem na organização de eventos esportivos, afirmou que reconhece como campeões mundiais interclubes somente aqueles que venceram o seu torneio, disputado a partir do ano 2000.
Pronto. Foi o que bastou para uma onda de gozações e agressões entre torcedores ganhasse corpo. Foi um tal de colorado tirando sarro de gremista, de corintiano tirando sarro de palmeirense e de anti-flamenguistas tirarem sarro dos rubro-negros. A gozação, como tem sido frequente, virou bate boca, que logo virou agressão, xingamento e bloqueio nas redes sociais.
Mais uma vez, amigos, brigamos pelos motivos errados. A Fifa está correta ao valorizar o seu torneio interclubes. Afinal, esse é o seu produto. Justíssimo. Pessoalmente, acho um torneio grandioso demais, enfadonho e não vejo, sequer, o mérito esportivo em reunir clubes campeões intercontinentais, como se um título do torneio da Oceania pudesse valer a mesma coisa que um título de Liga dos Campeões ou de uma Libertadores. Mas, enfim, essa é apenas uma opinião.

Alguns dirão que os torneios intercontinentais disputados entre Europa e América do Sul não valem como mundial, pois, as outras confederações continentais não estavam representadas. Ora, meu amigo, se o argumento fosse válido, as Copas do Mundo de 1958 e 1962, ganhas pela Seleção Brasileira, não poderiam ser consideradas como títulos mundiais, na medida em que só existiam representantes da Europa e das Américas, que eram os dois continentes com o futebol mais competitivo e organizado.
Outros sustentarão que somente a Fifa, organizadora do futebol mundial, poderia conferir o título mundial aos clubes. Eu até aceito o argumento, mas, obviamente, não concordo. A Fifa foi fundada no início do século XX e, mesmo sediada na Europa, e podendo acompanhar de camarote as turnês vitoriosas que clubes tradicionais sul-americanos, como o Santos, o Botafogo, o River Plate e o Peñarol realizaram no Velho Continente, nunca se interessou por realizar um torneio mundial.
Pra falar a verdade, no pós guerra, a ideia de um Mundial interclubes ganhou força entre sul-americanos e europeus. Vários torneios foram criados com o propósito de medir forças entre as duas maiores escolas de futebol, com fórmulas bem parecidas; sempre com metade de clubes europeus e metade de sul-americanos. Como exemplo, tivemos a “Pequeña Copa del Mundo de Clubes”, o “Tournoi de Paris” e, lógico, a “Copa Rio”. Entretanto, nem europeus, nem sulamericanos realizavam torneios continentais que pudessem credenciar equipes para a disputa de um torneio mundial. O mérito esportivo daqueles torneios restava comprometido, pois, os clubes participantes eram meramente convidados.
Com a criação da Copa dos Clubes Campeões da Europa (atual Liga dos Campeões), em 1955, o Velho Continente já tinha condições de apresentar ao mundo o seu melhor time. Faltava a América do Sul. Para se ter uma idéia da dificuldade de se criar uma competição intercontinental definitiva, o Brasil, então campeão do mundo em 1958, não tinha sequer um campeonato nacional. A solução foi dada num ajuste da cartolagem para a criação da Taça Brasil, em 1959, meramente classificatória para a Taça Libertadores e Taça Intercontinental, ambas criadas no ano seguinte, em 1960, que tinham como objetivo titular a melhor equipe do continente sul-americano e a melhor equipe do mundo, respectivamente.
Inicialmente, entre os anos de 1960 a 1979 os confrontos intercontinentais eram realizados em jogos de ida e volta. Entretanto, os países sul-americanos, socialmente conturbados e, politicamente, comandados por governos militares, ditatoriais e que insuflavam o nacionalismo na sua forma mais cafajeste, abusaram da violência nos jogos disputados em seus domínios, motivando a desistência de vários campeões europeus e o esvaziamento da competição, a ponto de o torneio de 1979 ser disputado entre o paraguaio Olímpia e o Malmöe, da Suécia, num estádio sueco às moscas.

A solução foi realizar a disputa em campo neutro. O local escolhido foi o Japão. Desta forma, desde 1980 a Copa Intercontinental passou a ser disputada em jogo único, com o apoio financeiro de uma multinacional de origem japonesa; a Toyota. Com segurança, estrutura e, principalmente, dinheiro, a competição sobreviveu por mais duas décadas. E, todos os anos o campeão levava duas taças pra casa; a da Copa Intercontinental, concedida pela Uefa e Conmebol e a da Copa Toyota, concedida pelo patrocinador, além de um veículo zero para o melhor jogador em campo.
Assim, independente do que diz o comunicado da Fifa, a Copa Intercontinental foi, desde 1960 o
único torneio capaz de medir forças entre as duas maiores escolas do futebol mundial; a Europa, onde o jogo foi criado e organizado e a América do Sul, onde o jogo ganhou em improviso, criatividade e espontaneidade. A junção dessas duas formas diferentes de ver e viver o futebol, tornaram esse jogo uma paixão mundial, inspirando a criação e o crescimento de clubes de futebol na África, na Ásia, nas Américas Central e do Norte e na Oceania. Reconhecer a importância mundial desses torneios seria o mínimo a fazer, mas, infelizmente, a Fifa optou por privilegiar a sua marca e coloca-la acima dos interesses do próprio esporte.

Após o infame comunicado da Fifa e de sua repercussão nas redes sociais, tomei a iniciativa de consultar os sites do Peñarol, do River Plate e do Feyenoord Roterdã, clubes que ganharam a Copa Intercontinental. Nenhuma linha, nenhum comentário. Em minha opinião, esse comunicado só interessa aos brasileiros mesmo, principalmente aos dirigentes, que de uns anos para cá tentam sobrelevar a importância de algumas taças empoeiradas da sala de troféus. Ao invés de investir na formação de jogadores, na qualidade do jogo, a cartolagem brasileira investe dinheiro (e muito!) na elaboração de dossiês assinados por historiadores, pesquisadores e jornalistas, com o único propósito de conseguir um carimbo, um selo de importância num título ganho no passado.

Em suma, todo título é parte da história do clube e cada título tem a sua importância, de acordo com o seu momento histórico. Duvido, sinceramente, que para um corintiano de seus 60 ou 70 anos, o Mundial da Fifa, em 2000, seja mais importante que o título paulista de 1977. Ou então que um torcedor do Palmeiras da mesma idade considere o título da Copa do Rio de 1951 mais importante que qualquer título estadual conquistado pela Academia nos anos 1960 e 1970 sobre o Santos. Duvido! O momento histórico faz toda a diferença.
Sou são paulino! E, a despeito de qualquer comunicado da Fifa, em minha opinião, o título mais importante da história do São Paulo foi o MUNDIAL de 1992, no Japão, contra o Barcelona, com direito à entrega das chaves do carro ao Raí. Até ganhamos um Mundial da Fifa, em 2005, foi muito legal, comemorei bastante, também, mas, nada se compara a ganhar aquele MUNDIAL de 1992, com o time que tínhamos naquela época, vencendo o Barcelona, comandado pelo Cruyiff. Enfim, não é o carimbo dessa ou daquela entidade que faz a importância do título. A importância da conquista pode ser medida num sorriso espontâneo que nós, torcedores, damos sem querer, quando as memórias daquele título invadem a nossa mente, exatamente, como esse meu sorriso ao lembrar daquele gol de falta do Raí, em 1992... Que golaço!!

terça-feira, 8 de dezembro de 2015

A tal vaga

 

É final do ano futebolístico. Nesse exato momento os torcedores passam a régua e fazem a conta: foi um bom ano? Evidente que Corinthians e Palmeiras saem mais satisfeitos. Ambos torcedores conseguiram mais ou menos aquilo que se esperava. São Paulo, entre baixos e baixas, conseguiu salvar 2015 com uma vaga para Libertadores. Sim, salvou o ano. Dizem os torcedores, jornalistas e os próprios jogadores. O ídolo que vai embora, Rogério Ceni, quase deu volta olímpica por causa do feito. Todos sabem e não escondem que a verdadeira vitória de uma equipe parece ser a tal vaga para a Libertadores.

Meio que sem querer, acabamos entrando nesse embalo. Acabamos por valorizar um torneio que, às vezes, deixa o título em segundo plano. Qual a diferença entre São Paulo, que capengou o campeonato inteiro; e o Corinthians, que se mostrou uma das melhores equipes do Brasil? Quase nenhuma. Na boca cheia da mídia, ambos na Libertadores. Até mesmo os programas esportivos, que deveriam vender a competição por ela mesma, acabam criando uma libertadependência. Foi campeão? Que bom. Mas vai para a Libertadores? Puxa, isso sim é sucesso garantido.

Vejam o exemplo do Santos. Time que estava com o pé na Libertadores, por uma campanha muito boa no segundo turno do Brasileirão; e por ser finalista na Copa do Brasil. Ficou sem a vaga. Não conseguiu o título diante do Palmeiras, ainda que fosse favorito; e não conseguiu a pontuação para a Libertadores. Choro pelo vice-campeonato ou pelo sétimo lugar? Não. Choro por não estar na Libertadores. Aliás, Libertadores que também manipula o planejamento do time. Clube que está fora parece ter o direito de fazer o “mais ou menos”. Santos começa a se desfazer de alguns jogadores, pois agora não será tão cobrado. Não está na vitrine do futebol. Regionais, brasileiro e a própria Copa do Brasil são meros coadjuvantes para uma competição maior, melhor e mais lucrativa: a Libertadores.

Mas como dizem os jovens, só que não.

A Libertadores passou a ter uma importância no Brasil na década de 90, pois soma-se ao bom desempenho nessa competição a chance de disputar o Mundial Interclubes; ou seja, colocar em pé de guerra no futebol do terceiro mundo com o do primeiro mundo. A única maneira de equiparar o futebol, ou definitivamente “saber como nós estamos diante do mundo”. Essa necessidade absurda é justificada, mas poderia ser evitada. Evitada se no calendário do futebol houvesse maior possibilidade de um intercâmbio entre os clubes. Torneios, amistosos e etecetara. Existe uma grande vontade de torcedores, jogadores e a própria mídia em colocar times brasileiros contra europeus. A única chance é a Libertadores.

Realmente a competição é importante. Dará oportunidade de um Mundial. Mas, considerando a supervalorização que damos a ela, é quase que certo que nos próximos anos não haverá taça nem volta olímpica do campeão, de tal forma que estamos deixando transparecer que a vaga pela Libertadores é a grande missão de um clube de futebol no ano. E se for assim, Corinthians, Palmeiras e São Paulo podem comemorar, ainda que por situações diferentes.




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sexta-feira, 15 de maio de 2015

A ressaca: o outro dia era da desclassificação



Confesso que ficava mais exposto antigamente: a ressaca da derrota ou de uma desclassificação era terrível. Hoje não mais. Dói como dói perder. Mas além disso, desgaste, brigas e intrigas com a torcida adversária faz parte do passado. Vai ver que é a idade. Com o tempo decidimos pelos bons vinhos, durando a ressaca apenas a quantidade que extrapola. Extrapolar no futebol é se ofender com parente tirando sarro, se ofender com o amigo que propaga essas brincadeiras (às vezes sem qualquer graça) pelas redes sociais da vida. Ficar bravo é só uma questão de idade.

Com o tempo, com as derrotas e com o bom gosto do bom futebol, vamos aprendendo que determinadas coisas não acontecem de véspera. Tirar um time mais fraco é sempre tão complicado quanto ganhar de um grande. Principalmente quando as coisas não caminham bem dentro e fora do campo. Foi mais ou menos isso com o Corinthians. Perder do Guarany do Paraguai não passava pela cabeça de nenhum torcedor, favorável ou não. Seria um vexame, todos pensavam. E foi. Mas o vexame tem lá sua relatividade também no esporte. O adversário valoriza demais uma derrota, o perdedor sofre demais com a chacota. Ambos exageram, como são exageradas nossas críticas. Vamos falar a linguagem do Tite: Teve merecimento? Teve. Bingo!

Corinthians é o melhor time do Brasil, a manchete de fevereiro. Não foi preciso muito para que torcedores rezem agora para evitar um novo rebaixamento. Vamos com calma, embora tudo possa acontecer; é um tanto demais dizer que o Corinthians é o pior time do campeonato. Ainda que fosse verdade, que o elenco fosse terrível; não é bem por aí que se mede um desempenho. É verdade que a situação assusta. Dentro de campo o time está desorganizado, nervoso; perdido. Fora do campo, o time está devendo as calças. Financeiramente a situação é péssima, mas não difere de noventa por cento dos times brasileiros. O dinheiro acaba interferindo dentro do campo, confessem ou não.

O ano não acabou. Já vi equipes renascerem das cinzas. Já vi bêbado chegando em casa são e salvo. Vinho bom, volto a lembrar. Corinthians tem uma bela equipe, jogadores um pouco acima da média. Tudo isso facilita quando temos uma competição tão longa (e chata) como o Brasileirão. Em meio ano tudo acontece: melhores ficam piores, etecetara e tal. Resta saber como a equipe vai se comportar com a trombada. Será que “os pontos corridos” facilitam o trabalho de quem precisa pontuar e ser regular? A regularidade se mede com o desempenho, a vontade e a sabedoria da equipe. Corinthians perdeu aquele futebol do começo do ano e está vivendo apenas uma fase ruim?

Se a resposta for positiva, contem que ele é uma das equipes que estará, ao longo do campeonato, nas primeiras posições. Mas, caso a coisa fique mais estranha ainda, melhor acreditar na reza, na figa e qualquer outro amuleto que espante a má fase; pois o time vai precisar de algo sobrenatural. Embora não acredite na possibilidade do rebaixamento, ele é um fantasma que chega nas horas mais impróprias, mas da maneira mais prevista possível. Falta de dinheiro é um indicio de desclassificação, má fase e consequentemente rebaixamento.




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quinta-feira, 7 de maio de 2015

O bem intencionado


Futebol é escola, aprendizado para a vida. E quem diria que no jogo de ontem a noite eu receberia uma lição tão preciosa a ponto de desmentir a sabedoria popular.


De boa intenção o inferno tá cheio.

Repito essa frase há quarenta anos e, até ontem, no final do jogo entre São Paulo e Cruzeiro esse ditado era a expressão máxima do pragmatismo popular. Afinal, caros leitores, a frase do autor desconhecido faz todo o sentido. Não basta que as intenções sejam boas, é fundamental que o resultado seja igualmente bom. Na noite de ontem, um Morumbi apinhado de gente pôde testemunhar que a frase é uma bobagem e que o seu autor, esse sim, merecia ir pro inferno. Explico.

O São Paulo é um time de jogadores bem intencionados. Não digo aqui do caráter dos futebolistas, mesmo porque não conheço nenhum deles. O jogador bem intencionado é aquele que cumpre o plano de jogo do treinador, mas, executa mal quase todas as funções com a bola nos pés. A boa intenção não é traduzida em gols ou em jogadas de efeito. A boa intenção, no campo de jogo, é só suor. E sua porque não domina a técnica do jogo, não conhece os atalhos do campo. O Messi não sua. O Cristiano Ronaldo também não. Mas, o jogador bem intencionado está sempre suando, ofegante, esparramado no chão, gritando de dor ou de desespero e com o uniforme sujo.

Na noite de ontem, tínhamos um time de onze homens bem intencionados, comandados por um treinador interino, igualmente bem intencionado, enfrentando onze camisas azuis do Cruzeiro. Não vi jogador algum do time mineiro, apenas as camisas. Acredito que o time ficou em Belo Horizonte mesmo, assistindo o jogo em algum telão na Savassi. Mandaram pra São Paulo somente o varal de roupas. Bom, isso não é um grande problema, afinal, recentemente, assisti derrotas terríveis do São Paulo para onze baldes, onze cones de sinalização e até mesmo para onze fogos buscapé.

O time Tricolor dominou a posse de bola e a marcação no meio campo, desde o primeiro minuto de jogo. Infelizmente, os nossos meio campistas eram bem intencionados demais para acertar aquele último passe, a chamada assistência e, mesmo quando acertavam, os nossos atacantes eram bem intencionados demais para anotar os gols que poderiam decretar uma derrota de Scolari às camisas do Cruzeiro. Mas, nada feito. A bola só podia estar com má intenção, porque até o árbitro do jogo, um conhecido gatuno sulamericano, parecia que estava bem intencionado também. Mas, aí acho que num outro sentido.

Quando o desespero já tomava conta das arquibancadas do Morumbi e a saliva já escorria do canto da boca desse blogueiro, eis que um dos jogadores mais bem intencionados em campo, o argentino Centurión, aproveitando um cruzamento que veio da direita, anotou de cabeça, num mergulho daqueles que poderia ilustrar a capa do jornal no dia seguinte, se ainda existisse jornal impresso. O mergulho só não foi mais acrobático que o salto que esse blogueiro deu da poltrona, assustado, no despertar de um sono já bem prazeiroso. Mais importante que isso, foi a queda do mito.

Após o apito final do árbitro, ninguém mais poderia gritar num campo de futebol que de boa intenção o inferno tá cheio. O inferno mencionado na frase, seria a derrota ou até mesmo um empate em casa, mas, às vezes, num campo de futebol, a boa intenção é suficiente pra garantir o resultado. E foi exatamente isso que aconteceu. O gol do argentino bem intencionado, de um time bem intencionado, comandado por um técnico igualmente bem intencionado levou o São Paulo e a sua torcida aos céus.










quarta-feira, 18 de março de 2015

A observação e seu prisma: Corinthians ganha mais uma



Antes de confabular com os botões qualquer coisa em relação ao jogo de ontem entre Danúbio e Corinthians; fiz questão de ler alguns jornais uruguaios antes de saber a opinião dos brasileiros. Por incrível que possa parecer, tive uma maior aproximação aos estrangeiros que os próprios brasileiros: lá olharam o jogo de maneira isenta. Por curiosidade, alguém vai pegar dois jornais uruguaios e ficar sabendo que os dois foram distintos: um dizendo que o Corinthians fez um belo primeiro turno e outro dizendo que o time é muito inferior ao que encontramos na Libertadores.

Como pude ser mais simpático pelos jornais uruguaios que os brasileiros, sendo que eles acabaram escrevendo e comentando sobre o Corinthians de forma tão distinta? Bom, exatamente por isso; acredito que o Corinthians ainda é uma incógnita. Um modelo que, colocado a prova em alguns jogos; mostra uma eficiência fora do normal (Como no jogo contra o São Paulo) e em outro momento, mostra um time muito conservador, sem brilho e muito mais normal do que se imagina (jogos contra San Lorenzo e Danúbio). Isto como base apenas os jogos pela Libertadores, considerando também o jogo contra o Once Caldas.

O pragmatismo do jogo corintiano irrita até o mais experiente torcedor. Ainda que tenha melhorado desde sua última passagem, pelo menos na questão do ataque; o time sofre muito mais na questão defensiva. Disse em duas postagens anteriores que o time atual é melhor preparado taticamente e tecnicamente que o campeão mundial, em 2012; mas devo confessar que estava eufórico após uma bela apresentação contra o seu pior adversário dentro do grupo, o São Paulo. Quer dizer então que acho o time do Corinthians ruim? Não. Mas não posso dizer que em momentos isto não passa pela minha cabeça.

Vendo o jogo contra o Danúbio, um dos piores times de todo o campeonato; fico imaginando quando o Corinthians, num exercício de futurologia e otimismo, enfrentar algum time espanhol no Campeonato Mundial. Tenho mais confiança no time hoje, que é melhor; do que tinha no time do passado; quando enfrentou o Chelsea? Não tenho. Um jogo como o de ontem era para carimbar o otimismo e a confiança na equipe. Era para reviver aquele passado vitorioso, onde tudo parecia dar certo.

Como diz a dicotomia uruguaia: É um time mediano que não pode usar o apelido de “Timão”; mas é um dos favoritos.

Acho que o time para ser vitorioso deve se encarregar de usar da melhor forma possível as circunstancias que se apresentam durante a campanha. Preparo, relacionamento, vontade e sorte. A sorte esteve ao lado do time em seus dois piores jogos; assim como não deu as caras em sua melhor apresentação. Assim, se o ritmo continuar desse modo, ou ele joga muito bem; ou ele conta com a sorte.

Se as duas coisas acontecerem simultaneamente o time se tornará imbatível.



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terça-feira, 10 de março de 2015

Titebilidade ofensiva

 

Corinthians é outro time. Não é mais aquele time sem falhas, terrivelmente marcador e matador quando possível. Time que ganhou de tudo e de todos. Indiscutivelmente, de toda sua história, uma de suas melhores equipes. Corinthians Campeão da Libertadores e Mundial, em 2012 não tinha grandes valores individuais, ainda que a individualidade aparecesse com certa frequência no pragmático jogo coletivo. Em comum alguns jogadores; mas a peça fundamental é seu treinador, Tite.

Estamos revivendo a mesma história, mas com algo um pouco diferente. Ainda é cedo para afirmar que esta equipe terá o mesmo sucesso que aquela. O futebol é um jogo onde a lógica é uma interferência rasteira, ainda que dela tire proveito. A construção matemática, o modelo, a fórmula; ou popularmente, o “jeitão” do time jogar parece o mesmo; mas com um item superior: o ataque. Tite se reciclou durante a ausência como treinador; não se ausentando do futebol. Viu; estudou e anotou o futebol do mundo. Observou e criou sua própria teoria: o futebol que ele defendia como Campeão Mundial poderia ser aperfeiçoado. Pode dar certo, está dando. No futebol o bom treinador é dito pelos bons resultados.

Mas como notamos a mudança? Exatamente os resultados. Em momentos anteriores era visto como um treinador que priorizava a defesa. Ele continua com a mesma sensibilidade vitoriosa: não tomar gols é mais da metade do caminho. Mas o time montado por ele, por elementos diferentes; tem-se mostrado diferente na questão ofensiva. Se a linha de frente era formada pelo falso centroavante, ora Romarinho, ora Danilo e ora Liedson; hoje Guerrero é titular (fora também no Mundial). Se de um lado tínhamos Paulinho; hoje Elias faz a função mais avançada. Renato Augusto e Jadson formação de meias.

LIBERTADORES
MUNDIAL
ATUAL
Cássio
Cássio
Cássio
Alessandro
Alessandro
Fágner
Chicão
Chicão
Gil
Leandro Castán
Paulo André
Felipe / Dracena
Fábio Santos
Fábio Santos
Fábio Santos
Ralf
Ralf
Ralf
Paulinho
Paulinho
Elias
Alex / Douglas
Douglas / Danilo
Danilo / Jadson
Jorge Henrique
Jorge Henrique / Douglas
Renato Augusto
Emerson / Danilo
Emerson / Danilo
Danilo
Liedson
Romarinho / Danilo
Guerrero


Tite continua moldando sua equipe tirando dos jogadores suas melhores qualidades. Aliando a condição técnica à tática cria uma situação de segurança defensiva e posicionamento ofensivo. É bom? Na maioria das vezes sim. O time atual, ainda que a continue previsível, tem um lado mais criativo que a equipe campeã. Se a rasgo elogio a equipe de 2012, dizendo ser a melhor de todos os tempos; posso afirmar que a equipe atual é superior? Em partes, no papel. Mas não podemos afirmar se os resultados serão iguais.

Nessa parte da lógica, o futebol não se intromete.



quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Parece o caminho do Bi?




O primeiro resultado é essencial para definir o comportamento de uma equipe diante de uma competição tão difícil como a Libertadores. Corinthians entrou de uma forma diferente em sua primeira partida; que até então era chamada apenas de pré-Libertadores. Naquela oportunidade, contra o Once Caldas, Tite e os comandados sabiam que o erro seria crucial: tinham no histórico o péssimo resultado contra o Tolima. Venceram e se classificaram para a Libertadores sem qualquer susto. 

Com a classificação em mãos, surgia ao final do túnel, ou o começo dele; um jogo de extrema importância, embora não fosse eliminatório: o clássico contra o São Paulo. Naqueles noventa minutos; ou durante toda a preparação; estatística, tradição e inúmeras questões envolvendo o clássico surgiram nos quatro cantos da internet. Era importantíssimo vencer o jogo visto os outros dois competidores: o forte San Lorenzo e o campeão Uruguaio: Danubio.

Exatamente por isso, Corinthians entrou em um ritmo muito mais forte que o São Paulo. Se preparou melhor, estava mais focado; já tinha incorporado o ambiente da Libertadores, quando há duas semanas já estava fazendo um jogo decisivo. São Paulo perdeu pois entrou sem vontade? Embora torcedores (e os próprios jogadores), afirmam que faltou “pegada” da equipe, a verdade é que o Corinthians, pelo menos para essa primeira partida; tinha muito mais elementos favoráveis do que problemas para serem resolvidos.

Há uma sensação nos torcedores corintianos de que o técnico Tite tem o time em sua mão. Sabe exatamente aquilo que deve fazer, quando e como fazer. Também afirmam que o técnico consegue fazer o jogador mediano virar craque e o craque ser decisivo. Fez isso com Alessandro e Fábio Santos (regulares no primeiro título Liberadores e Mundial); fez isso com Émerson e Paulinho. Anda fazendo com os discutíveis Fágner, Fábio Santos e Felipe. Tirando mais do que pode de Elias, Renato Augusto, Émerson e Danilo. 

O jogo contra o São Paulo não mostrou uma diferença técnica entre os jogadores, pois essa diferença, se existir; é tão pequena que se torna imponderável. Mas mostrou uma gritante diferença tática. Enquanto o Corinthians ficou com a bola, sabia quais eram suas opções; aquilo que faria. São Paulo com a maior posse de bola, mal conseguiu chutar uma bola contra o Cássio. Foi o resumo do jogo: Corinthians com a bola, pragmático. São Paulo com a bola, perdido. De longe dizer que Muricy é um péssimo treinador; mas não se pode negar que as duas esquipes estão em lados opostos em matéria de preparação.

O primeiro gol do Corinthians surgiu da troca de passes que envolveu Elias, Renato Augusto (no começo de tudo), Danilo e Jadson. Passes rápidos, espaços vazios, movimentação dos jogadores. Tudo que faz os defensores se perderem em campo. Zaga do São Paulo se perdeu e viu o primeiro gol deixar as coisas ainda mais complicadas. Depois do gol São Paulo mandou no jogo, mas era um poder falso e inofensivo. As chances que existiram foram do Corinthians, que cansou de jogar a bola para Danilo fazer o pivô. O segundo gol nasceu no segundo tempo com uma arrancada de Émerson (depois de roubar, com falta, a bola do lateral).

O segundo gol não foi detalhe, embora Muricy diga que São Paulo não conseguiria empatar a partida. Mas é um gol que dá o ar da graça para a discussão adversária; sobre “compra de juiz”, “armação” e “ele tem que sair dentro de um camburão”. Seria tão cruel aos torcedores são-paulinos saírem com uma derrota sem desculpas, que os Deuses do futebol sempre criam uma maneira de amenizar a dor. O segundo gol, “roubado”, foi analgésico para a torcida que viu seu time jogar uma péssima partida.

A primeira partida do Corinthians na “Libertadores” fez com o que o time engrenasse para o clássico contra o São Paulo. Em compensação para o São Paulo, a primeira partida mostrou que o time não está com meio caminho andado em sua preparação, mas que precisa rapidamente começar tudo de novo.


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quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Verdadeira Libertadores: Primeiro jogo de verdade

Começou ontem a Libertadores para o Brasil. Este ano com cinco clubes brasileiros, todos com pelo menos um título no curriculum. Corinthians e São Paulo no grupo da morte. Hoje um jogo que dirá muito sobre o restante da temporada.


Libertadores começou ontem para o Brasil. Embora o Corinthians já tenha participado de dois jogos decisivos, ainda não era Libertadores. Tinha todo o tempero de uma decisão, todos os elementos dramáticos de um torneiro sul-americano, mas não era Libertadores. Libertadores começou ontem com a derrota do Internacional; começará hoje com um Majestoso. E para o bem do campeonato, ele deveria começar sempre com clássicos, não importando brasileiro, argentino e uruguaio.

Corinthians e São Paulo precisam da vitória. É o primeiro jogo ainda, coisa e tal. Mas a vitória é essencial quando se está num grupo de dois grandes times nacionais e o atual campeão da Libertadores: San Lorenzo. Uma vitória não representará muito para a classificação, mas será decisivo no comportamento em outros jogos. A vitória do Corinthians trará uma esperança maior para quem terá dois jogos fora de casa: San Lorenzo na Argentina, num estádio vazio por causa da punição e contra o Danúbio no Uruguai.

Bom, fiquemos, por enquanto, com o clássico: palpite? O chavão “tudo pode acontecer” é evidente, mas um tanto menos quando olhamos para os dois clubes. Futebol não tem lógica, mas é lógico muitas vezes. Favoritismo do Corinthians por dois motivos simples, mas essenciais: Já está no clima da competição, pois teve enfrentamentos mais complicados na temporada; um conjunto melhor adaptado ao estilo Tite. São Paulo tem um dos melhores treinadores, jogadores individuais de grande talento; mas ainda não sofreu um grande embate na temporada. Das vezes que foi exigido sofreu para manter a regularidade nos noventa minutos.

Dessa oscilação do São Paulo nasce o favoritismo do Corinthians.

Então o Corinthians irá golear o São Paulo? Não. Não existe qualquer prognóstico nos clássicos além de saber quem está melhor preparado. Qualquer resultado é extremamente normal, exceto 7 X 1. São Paulo ganhar por dois gols de diferença depois de um sufoco do Corinthians, Corinthians ganhar de um gol de diferença depois de uma retranca são-paulina; e por ai vai. Os números estatísticos ao final da partida talvez não revelem nem um terço do que será o jogo: a emoção de não querer perder a primeira partida da Libertadores num grupo difícil e contra o pior inimigo.

Não acredito que a derrota de um dos dois clubes, ou um empate terrível, seja o fim da linha para as equipes. Até espero que dois clubes se classifiquem para a segunda fase, retomando uma supremacia brasileira pelo menos no terreno sul-americano. Agora, imaginar qualquer um dos dois enfrentando clubes europeus, o frio da barriga é enorme. O que mostra que estamos nos contentando com pouco na Libertadores que, quando surge um jogo como este de hoje; torna-se um evento tão grandioso como a final do campeonato.


terça-feira, 2 de setembro de 2014

Corinthians de Tite: A sombra da Era Mano

 


Mano já está alguns meses no Corinthians. Mesmo depois de tanto tempo o time continua patinando. Precisa vencer de goleada o Bragantino, para não sair de forma antecipada da Copa do Brasil. Precisa ganhar mais jogos em casa. Ganhar jogos fora de casa, pelo menos os considerados mais fáceis. A verdade é que Mano não é unanimidade; e os resultados em campo só reforçam que ele não vive um bom momento. Particularmente não entendi a saída do Tite. Era o cara ideal para a renovação de uma equipe que tinha sido Campeã Mundial. Mas a política, os desajustes; o clima entre o atual presidente e o anterior; atrapalharam o que seria carreira mais longa de um treinador de futebol no Brasil.

O atual Corinthians joga com vários atacantes; e mesmo que no plano vertical pareça uma equipe ofensiva, no plano horizontal isso não funciona. Na prática, o time de Mano pensa na defesa, vive da defesa; projeta vitórias pela defesa. Aquilo que Tite conseguiu romper em alguns anos; mudando até mesmo o seu estilo; foi jogado fora com a nova mentalidade. Você pode até pensar sobre a questão dos empates; que passaram a ser rotinas com o antigo treinador; mas se observarem o contexto, verão que ainda assim Tite continua mais vitorioso de toda história. O time, depois do Mundial, caiu em rendimento. Isso acontece entre nove das dez equipes do mundo. Corinthians estava pronto para entrar num novo ciclo de vitórias, se tivessem coragem para mudar a antiga estrutura.

Em partes Mano fez esse trabalho: Mandou embora jogadores que Tite não teria coragem de mandar. Gente que “fechou com ele” na fase vitoriosa. Emerson continuaria ganhando seu dinheiro, continuaria jogando seu futebol; estaria mais ou menos como Danilo hoje; caso não tivesse saído pelo portão da frente. Pato renderia com Tite?  Não rendeu com Mano, não rende com Muricy. Pato foi mais um erro estratégico dessa diretoria. Pelo mesmo valor, ou quem sabe menos; teríamos hoje o ídolo Tevez no Itaquerão. Elias estaria no lugar certo, não jogando atrás do Ralf. Guerreiro, como centroavante, dentro da área. Ferrugem ganharia oportunidades até se afirmar como titular, no lugar de Fágner (que é bom lateral, mas melhor apoiador).

Corinthians não joga mal, mas faltam gols. Falta uma estrutura ofensiva, pensamento ofensivo; treinamento ofensivo. Muitas vezes uma disposição tática não corrige a falta de pontaria. Duvido que Mano não pegue os jogadores e os faça treinar chutes, cabeceios, escanteios e faltas em todas as oportunidades possíveis do calendário. Mas afinal, qual a diferença do Corinthians não fazendo gols e do Cruzeiro; que tem sede em balançar as redes? Postura. E postura, quem manda e cria, é o treinador.

Falta ao time atual do Corinthians o gosto pela vitória. Mais do que isso: o gosto em comemorar gols. É claro que o jogador se sente feliz quando balança as redes, mas parece que o ápice do atual elenco é o carrinho na beira do campo, uma falta empatando uma jogada adversária; desviar um cruzamento. É bonito um time desarmando; mostra o quando o time está bem armado. Mas e os gols? E o pior: quando a equipe começa a também não se defender direito? Perdoaria Mano se o Corinthians não tomasse tantos gols infantis; mesmo perdendo os gols mais fáceis.

A questão é: onde podemos chegar com o Mano? Poderemos nos classificar para a Liberadores no próximo ano? Conseguiremos um título na Copa do Brasil? Deixaremos de ser essa equipe instável e amedrontada, que perde para o Figueirense em casa; mas ganha do líder Cruzeiro? Mano consegue encarar a possibilidade de ajeitar uma equipe para outro treinador o ano que vêm? A verdade é que a sombra de Tite nunca saiu de suas costas, principalmente se a eleição continuar no rumo de agora, trazendo o fantasma das conquistas de Sanches para o comando do clube.

Mano pode fazer um excelente trabalho, mas nada supera a saudade que os torcedores têm do Tite.




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quinta-feira, 20 de março de 2014

Minhas impressões e descontentamento nos tempos de Copa.


Ando malcontente com futebol. Talvez os amigos tenham percebido a diminuição da minha frequência aqui no Patativa. Parte por falta de tempo, parte por este motivo. Só vemos o futebol daqui piorar, apesar da roupagem “bonita” que estão querendo criar. O futebol está mal das pernas, dentro e fora de campo, apesar de muito dinheiro que anda rolando.
Para mim, pra começar, estes estádios “padrão Fifa” acabam com a alegria do futebol. Encarecem o evento (nem vou chamar de “espetáculo”) e deixam de fora quem trouxe esta paixão e tornou o esporte popular: o povão. Lindos por fora e por dentro, mas melancólicos e cheio de regrinhas. É isto que os estádios da Fifa são.
 
Só que o padrão Fifa não conseguiu acabar com a violência. Evidente que isto não é responsabilidade da entidade, pois é um caso de segurança pública e de quem organiza os eventos. Mas os principais responsáveis por tirar o torcedor comum dos estádios são os próprios clubes. Financiam estas gangues em troca de apoio político. Quando criança, me lembro da festa que era quando ia com meu pai e amigos assistir a um clássico. E o território era demarcado conforme as torcidas iam chegando. Havia até “apostas” sobre qual torcida iria prevalecer naquele dia. Tudo isto sem ninguém matar o outro. Havia brigas sim, muitas até, mas acabavam ficando nas “vias de fato”. O maior prejuízo, era um olho roxo. Acabou o jogo, ônibus da CMTC até o Anhangabaú e volta pra casa. Fim de papo.
 Por estas, que acho ridículo quando há clássico hoje e a torcida visitante fica apenas com dois mil ingressos ou com apenas um “alqueire” de estádio, que acabam sempre destinado para as organizadas. Estamos assinando nosso atestado de incompetência, por não dar civilidade a um evento e com isto acabando com a democracia no futebol.
Outro fator que está minando o futebol e a paciência são estes campeonatos inchados, terríveis, e intermináveis. Todos tem que participar, sim, mas desde que tenham nível para tal. Caso contrário, nivelamos por baixo, e é o que estamos fazendo. Aproveitando o jogo de ontem, quem é que merece assistir um “Bahia de Feira de Santana” (com todo respeito que o clube merece pois sabemos a dificuldade que possuem até em colocar um time em campo) x Corinthians, time campeão mundial (não estou querendo puxar o saco, apenas usando um exemplo). A Copa do Brasil é um torneio que perdeu a razão de ser, não leva mais os representantes de cada estado, com seus campeões e vices; pois seu intuito passou a ser basicamente o de levar a outra competição que está cada vez mais horrorosa: a Copa Libertadores.
O auge do absurdo aconteceu no ano de 1979, com a “V Copa Brasil” (sem o “do”), nome oficial do campeonato brasileiro da época. Governo militar, tempos de ditadura e inúmeros apadrinhamentos. Muitos convidados para a festa. O resultado foi uma competição com 96 clubes. Nem me perguntem como conseguiram. Em 1980, diminuiram a quantidade e mudaram o nome e o formato: Passou a se chamar “Taça de Ouro” com 40 clubes (o que já era muito) e para não tirar o doce da boca do restante das agremiações, criaram uma segunda divisão camuflada, que se chamou “Taça de Prata”, com 64 clubes. Explico: Segunda divisão camuflada porque os 4 melhores times da Taça de Prata, entravam na Taça de Ouro que era dividida em quatro grupos. Sobrava um grupo pra cada. Portanto, se seu clube participou da Taça de Prata, vai ter muita discussão se ele já jogou ou não uma “segunda divisão” do nacional. Olha só a confusão. Obs: Este formato foi até 1983, quando mudou tudo novamente.

Citei a fase áurea da quantidade de clubes do futebol brasileiro para mostrar que estamos recorrendo no mesmo erro do passado. Inchando campeonatos, estendendo o calendário, e bombardeando o espectador com jogos ruins e apenas para encher linguiça e também a programação da TV, utilizando o português bem claro. A diferença é que o futebol de hoje está bem pior que naquela época. E mais triste como citei no início. A Taça Libertadores foi vulgarizada, e está cada vez menos interessante. Clubes que pelo quesito técnico e tradição, quiçá chegariam ou chegarão a uma final, quanto mais a um título deste torneio.
Mais desgosto é quando vemos uma Champions League, só que agora pelo efeito inverso. Times que tratam muito bem a bola, como Bayer, Borussia, Barcelona, Real Madrid. Mas também não são muitos, estes poucos que me vieram à cabeça. Mas já são suficientes para transformar a Champions numa vitrine. Como deveria ser a nossa Libertadores.
Por estas e outras que “dentre as coisas menos importantes” como diz Milton Neves, o futebol para mim está se tornado cada vez menos importante. Acompanho e torço pelo meu clube do mesmo jeito como sempre fiz, mas tenho procurado algo mais interessante pra fazer, principalmente nas noites de quarta-feira e domingos.

 
Temas destacados: Padrão Fifa, Organizadas, Torneios Inchados.

 

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

2013: Ano que deveremos esquecer?

 

Campeonato Brasileiro chega ao seu final. Tecnicamente um dos piores campeonatos que eu vi. Tirando a boa campanha do Cruzeiro, que por merecimento conseguiu o título de forma antecipada; e os classificados para a Libertadores; nada de muito interessante foi notado na competição. Temos sim muitos pontos negativos, que dão a dimensão do título desse texto. O 2013 que deverá ser esquecido pela maioria dos torcedores, pela campanha dentro de campo ou pela bagunça fora dele. Ano de brigas, ano de traições; ano de falta de dinheiro para os clubes, ano do início da rebeldia dos jogadores.

A briga dos torcedores do Atlético Paranaense e do Vasco não foi exclusividade, portanto não devemos condená-los como o único mal do campeonato. Brigas nos estádios acontecem toda hora, em qualquer jogo; de forma violenta e organizada. Não estamos preparados para enfrentar a gangue dentro dos estádios, muito menos fora dele. Existe uma concepção jurídica impedindo que vândalos sejam tratados como criminosos. Existe uma urgência para acabar com a baderna, mas tudo está sendo trata com remédios profiláticos. Governo, clube, federações, torcedores e policia têm papel fundamental na reestruturação do futebol. Mas fiquem tranquilos, não será agora qualquer mudança, pois não existe desejo para a mudança; mas apenas vontade de culpar o próximo. Torcedor culpa policia, policia culpa as leis; governo culpa dos clubes.

Vontade de mudança que não falta a nova organização do futebol: O Bom Senso Futebol Clube. Organização dos jogadores que exige a modernização dos clubes, adaptação do calendário das competições; definir responsabilidades dos dirigentes. A ideia é fantástica, mas mais uma vez devemos entender que sem a mobilização nada será alterado. Da mesma forma que a questão da segurança nos estádios sofre da síndrome de Adão* também temos um problema para organizar nossas competições: a Globo diz que é coisa do clube, o clube da CBF; a CBF dos clubes. A disputa política, a imensidão do território brasileiro e a disparidade financeira das entidades dá o tom dos problemas que o Bom Senso enfrentará para definir sua pauta, e pior ainda, colocar em prática suas metas.

Metas também serão colocadas na mesa pelos clubes do Eixo Rio-São Paulo. Clubes com maior poder financeiro, tiveram um ano de 2013 terrível. Se o susto dos paulistas só fez uma vítima, a Ponte Preta; o Rio de Janeiro acabou perdendo lugar para Santa Catarina para o estado com mais representantes no campeonato brasileiro de 2014. Vasco e Fluminense disputam pela segunda vez a série B. A única coisa boa nisso tudo é que a disputa ocorrerá no ano da Copa do Mundo, ou seja, a vida do clube passará a ser pano de fundo na mídia. Chapecoense, Criciúma e Figueirense se juntam com Grêmio, Internacional, Coritiba e Atlético Paranaense. Sete representantes do Sul, nove do Sudeste: Nova estrutura do futebol Brasileiro é o Eixo São Paulo-Santa Catarina.


Os clubes de São Paulo estão fora da Libertadores, tirando a Ponte Preta com a chance de uma pré-libertadores, caso consiga o título diante do Lanus pela Sul-Americana, nada para se lembrado. A situação fica mais complicada quando percebemos que não há grandes modificações para 2014. São Paulo quer continuar o crescente do brasileiro, com a arrancada que o tirou de qualquer risco de rebaixamento. Para isso renovou com Muricy e fez Ceni adiar a aposentadoria. Corinthians aposta numa renovação, mandando embora o técnico mais vitorioso de sua história, Tite. Santos aposta mais uma vez na juventude; esperado ser contemplado com mais uma joia rara. Palmeiras promete uma completa renovação, mas ainda respira a boa campanha na série B. Portanto, a atenção em 2014 deve ser redobrada para que São Paulo também não perca seu lugar majoritário no eixo do futebol. 




segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Titehabilidade: Ninguém mais será tão grande nas próximas gerações.



Fim da Era Tite no Corinthians mostra um desconforto incomum: Torcedores, críticos e dirigentes sabem que ele foi um dos maiores técnicos com clube; mas sua permanência parece inviável.
 

E chega de títulos, por enquanto. Pelo menos para Tite no Corinthians. Um dos mais vitoriosos treinadores do clube nos mostra quanto é difícil a vida de treinador no Brasil. Parece quase impossível termos um Sir Alex Ferguson por esses lados, nossa cultura não permite. Aqui precisamos de renovação, de uma entrega total; de itens que muitas vezes não são tão exigidos em campeonatos com poucas equipes disputando títulos (como acontece quase sempre na Europa). No Brasil poucos clubes do mundo conseguiriam sobreviver ilesos. Renovação, criatividade e motivação são quesitos de equipes campeãs.

Tite colocou o nome do Corinthians definitivamente no mundo. Montou uma das equipes mais competitivas que eu vi jogar. No auge de sua função, fez com que todas as equipes se preocupassem em enfrentar o Corinthians. E era sensacional, para mim como torcedor, os adversários mostrando tanto respeito em relação ao Corinthians. Mais do que isso, ele um profissional que sai de cabeça erguida, que arranca choro e saudade de torcedores tão exigentes. Ganhou de tudo um pouco. Ainda considero que fez algumas coisas erradas, como todos os treinadores; mas seria o único que poderia colocar o time no caminho vitorioso.

Por isso fico tão desconfortável com sua saída. Não que não seja necessário; a renovação é a “arma” do negócio. Mas ao mesmo tempo parece ser tão pouco qualquer técnico que tome seu lugar. Quem poderá se tornar tão grande? Quem poderá dizer coisas tão indistintamente sérias, filosóficas e por vezes incompreensíveis sem que nenhum torcedor se incomodasse com isso? Seu léxico dramático tomando contornos populares na sua titebilidade. Virou explicação pontual: jogabilidade. Tite falou a linguagem dos boleiros, falou para os torcedores; do modo que queria e sabia. Mais do que isso: ganhou aquilo e mais ainda do quê podia ganhar. Tite foi o cara, foi herói; foi  imagem vitoriosa de um time campeão.

Mas, ao mesmo tempo, saturou: ambos, time e treinador, loucamente apaixonados; cansaram da rotina. A motivacionabildade por água abaixo. Banho-maria do campeonato brasileiro (desculpem-me pelas letras minúsculas) foi crucial para o seu julgamento. Nunca poderemos condenar o seu trabalho, mas devemos sim perceber a dinâmica. Considero Tite o único que poderia reformular uma equipe, montar um grupo campeão; e acho isso mesmo com os tropeços de Maldonado, Ibson e afins que não vingaram. Mas também acho que Tite não conseguiria fazer isso: a limpeza (renovação) traria discussões calorosas com aqueles que foram seus discípulos. Tite não conseguiria dispensar o Émerson e o Romarinho como faz com o Pato, por exemplo.

A questão é essa: Tite sai para deixar saudade. O que parece ser mais interessante do que sair manchando sua passagem. Tite que será comemorado a cada tropeço do novo treinador; e que será idolatrado mesmo com o sucesso do seu sucessor. Tite questionado por ter feito um grupo vitorioso tão mediano, mas também o Tite que fez um grupo tão mediano, vitorioso.

Agora o novo treinador terá de começar do zero. Contando apenas com competições intermediárias (para quem pretendia novamente o seleto grupo de campeões da América). Depois de cinco anos o Corinthians não saberá o que é a Libertadores. Terá que assistir a competição do lado de fora, lamentando-se pelo planejamento; pelos jogadores que contratou esse ano, quem sabe condenando o Tite pela não classificação. Mas ao mesmo tempo terá que se retratar em público: ninguém condena um líder como Tite e sai ileso. A história do treinador o defenderá de todas as injúrias.


quinta-feira, 9 de maio de 2013

Desabafos e confissões de quinta-feira


Começo esse post com um pedido de desculpas ao leitor desse espaço. Sempre defendi que o futebol deve ser discutido em alto nível, com leveza, sem carregar na tinta da paixão clubística, sob pena de cairmos em ofensas gratuitas e, convenhamos, já existem outros foros de discussão com esse propósito. Por essa razão, peço desculpas pelo tom que adotarei nesse texto, mas, isso é o que acontece quando você perde uma noite de sono tentando entender exatamente o que se passa com esse time do São Paulo. Não me entendam mal. Eu não estou preocupado com o resultado do jogo da noite passada, em Belo Horizonte, nem tampouco com a eliminação do Campeonato Paulista, pois, acompanho esse esporte tempo o suficiente para entender vitórias e derrotas com naturalidade. Acontece. Segue o jogo. O que incomoda é forma como elas acontecem e o rumo perigoso que esse time vem trilhando. Bem, desculpas pedidas, vamos ao que interessa.

Os problemas técnicos do São Paulo são conhecidos de todos os torcedores: não temos laterais confiáveis, os volantes são sofríveis, o que coloca a nossa defesa em péssima situação em praticamente todas as partidas e, óbvio, não conseguimos estabilizar uma dupla de zaga. Isso não faz a nossa equipe muito pior do que qualquer outro time desse capenga futebol brasileiro ou da Libertadores. O nosso time é muito pior que Arsenal de Sarandí, The Strongest, Tijuana ou qualquer outro dessa competição? Eu acho que não. Então, o que explicaria essa campanha medíocre do São Paulo na Libertadores e na fase decisiva do Campeonato Paulista? A comissão técnica acerta e erra como qualquer outra no futebol brasileiro. Substituições equivocadas, escolhas questionáveis, mas, não acho que Ney Franco esteja fazendo um mau trabalho. Ele realmente conseguiu mudar a forma de o time jogar e valorizou o toque de bola no meio de campo, com jogadores acima da média como PH Ganso e Jadson. A diretoria continua contratando mal como sempre, continua arrogante como sempre e querendo os créditos somente das vitórias, como sempre. Até aí, nada de mais, nada que justifique uma campanha de 3 vitórias, 1 empate e 6 derrotas. Com dezoito gols a favor e dezoito gols contra. Lembrem-se o São Paulo só jogou com Atlético Mineiro (que não ganha um título relevante há mais de quarenta anos), Arsenal de Sarandí e a dupla boliviana The Strongest e Bolivar. A campanha desse ano foi vergonhosa pro torcedor, pra dizer o mínimo. O que explica isso?

Bem, amigos, na minha opinião esse time sofre de um grave problema de caráter. O que eu vejo, baseado nos últimos jogos do time no Campeonato Paulista e na Libertadores, é um time sem qualquer compromisso com o resultado dentro de campo, um time sem cara, sem alma. A questão não é bem falta de raça ou disposição pra correr. Não é isso. Falta aos jogadores encararem aqueles noventa minutos de jogo como algo realmente importante, no qual cada passe, cada arremate, cada cruzamento, cada marcação é importante. É o time mais relaxado e descompromissado que eu já vi vestindo um uniforme do São Paulo em toda a minha vida. Aliás, se nada for alterado, sugiro que a diretoria adote a utilização daquela camisa vermelha até o final da temporada, pois, eu poderia ter a ilusão de que aquele time medíocre que está em campo não é o meu time do coração, mas, quem sabe o América-RN ou o Juventus. Seria menos doloroso.  

Quem essa gente pensa que é para esculhambar com a história e a tradição do São Paulo Futebol Clube dessa forma? Jogadores como Denilson, Wellington, Douglas, Paulo Miranda, Rafael Tolói são titulares do São Paulo? Não quero ser desrespeitoso com ninguém, mas, esses homens, tempos atrás, não serviriam nem como gandulas no Morumbi e deveriam agradecer todos os dias por terem o privilégio de vestir o uniforme desse time. Deus, tenha piedade de nós, torcedores. O que dizer, então, do “nosso Beckenbauer”, o Lúcio, um dos jogadores mais caros do elenco e que deveria ser um dos líderes desse time, exemplificando o ideal de comprometimento e profissionalismo que se espera de um jogador do São Paulo? Pois bem, esse é o mesmo jogador que se recusa a ser substituído, mesmo estando mal nas partidas, que se acha no direito de deixar o time na mão em dois jogos importantes, porque quis bancar o xerife da zaga? Esse homem, até agora, é um total desperdício de tempo e, principalmente, de dinheiro. Livrem-se dele assim que possível. O Luis Fabiano foi um excepcional atacante, mas, num futebol caro e extremamente profissional dos dias de hoje não é possível manter um jogador no elenco apenas por gratidão. É fato que ele teve problemas físicos, mas, nitidamente ele não é mais um grande atacante. É uma pena, mas, o tempo passa pra todo mundo e acho que é ora de tomar outro rumo.

Por fim, quero falar do Rogério Ceni. As pessoas que acompanham esse espaço sabem que eu não tenho o Rogério Ceni como ídolo e nem tampouco como o melhor arqueiro da história do São Paulo, mas, tenho um profundo respeito por esse homem e pela idolatria que a maioria da torcida, principalmente aqueles na faixa dos vinte anos, tem pelo titular do gol são paulino. Mas, entendo que está mais do que na hora de o São Paulo caminhar em outra direção. A idade avançada e os problemas físicos não deixam outra solução. Falhas fazem parte da vida do goleiro, mas, chega um certo ponto que os erros acontecem acima da conta e principalmente, em jogos decisivos. E o pior, eu começo a questionar essa tal liderança que algumas pessoas creditam ao Rogério. Não dá pra ignorar o tweet da esposa do goleiro reserva Denis durante o jogo contra o The Strongest, em La Paz. O que pode ser apenas um recalque de uma esposa em defesa da titularidade de seu marido pode também significar muito mais que isso. Será que nas internas, outros jogadores do São Paulo não pensam a mesma coisa acerca do goleiro, de que ele é egocêntrico, controlador, que só pensa nos seus números e recordes e, o que é pior, vale-se da idolatria da torcida para passar imune às críticas mesmo quando joga mal? Sinceramente, eu não sei como esse tipo de “liderança” pode ser benéfica para o grupo. É hora de agradecer pelos serviços prestados, realizar tantos e quantos jogos de despedida forem necessários e colocar o Rogério Ceni como uma página bonita da história desse clube. Ponto!

Concluindo, apesar do meu rancor e rabugice, típicas de um dia após o atropelamento, eu acho que bons ventos podem soprar do lado do Morumbi, basta a diretoria ter sapiência nesse momento. Temos algum técnico disponível melhor que o Ney Franco pra conduzir esse time? Eu acho que não. Então, não tem porque mudar. Apesar desse início de temporada catastrófico eu jamais duvidarei completamente de um time que tem PH Ganso e Jadson no meio de campo. Acho que precisamos de mais ajuda na defesa e precisamos desesperadamente de um atacante de qualidade. É lógico que nada disso servirá se continuarmos com a mesma atitude apática, passiva e descompromissada em campo. Mudança já. Perder, como disse no início do post é normal, é do jogo, mas, perder da forma como perdeu em Belo Horizonte, ontem, ou a forma como jogou contra o Corinthians, no domingo, é inadmissível. Nós, torcedores, merecemos e exigimos mais.

sexta-feira, 5 de abril de 2013

Ai, que ressaca!!


Sexta-feira com cara de segundona gorda. Pelo menos essa é a sensação que os torcedores do Tricolor estão tendo no dia de hoje. Tudo por conta da dolorida derrota sofrida na noite de ontem contra o The Strongest, lá no altiplano boliviano. Enfim, jogamos quatro jogos fora de casa nessa competição e perdemos todos. Lamentável sobre todos os aspectos. Isso demonstra que o time não é nem um pouco competitivo e, por essa razão, vamos encontrar ainda muito mais dificuldades no Campeonato Brasileiro. O lado bom é que, pelo menos só temos mais um jogo de Libertadores e olhe lá. Ah, nem me digam que tem gente que ainda conta com essa classificação! Chamem o matemático Oswald de Souza, o dono do armazém ou o "Rain Man" pra explicar essa conta da classificação, porque eu ainda não entendi. Falta ponto, falta vitória, falta gol, falta saldo e pelo visto vamos terminar a nossa participação ainda devendo no Brasileirão. Não via uma desclassificação tão prematura assim, desde a Libertadores de 1987, numa época que somente um time classificava pra outra fase. Ficar em terceiro ou quarto colocado num grupo com o The Strongest, Arsenal de Sarandí e o ainda virgem Atlético Mineiro é motivo de sobra pro torcedor são paulino acordar de cabeça inchada. O time está com uma série de problemas que tentarei postar aos poucos aqui nesse espaço, mas, numa comparação bem grosseira, parecemos a seleção da Colômbia no início dos anos 1990. Tocamos, tocamos, tocamos, mas, estufar a rede que é bom, nada. Enquanto isso, tomamos os gols mais absurdos, com falhas primárias de volantes, laterais, zagueiros e goleiro.Triste, mas, é o que tem. Isento o Ney Franco da maior parte das responsabilidades pelo mau momento. Acho que ele tem escalado bem a equipe e teve competência para lidar com a situação PHGanso. Apesar disso, está, como diz o jargão do dirigente de futebol, “prestigiado”, ou seja, está por um fio no cargo. Vamos aguardar os próximos acontecimentos. Por ora, a única coisa a fazer é tomar um amargo chá de boldo.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

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O futebol perde espaço: As questões esportivas nas páginas policiais.


Alguns anos se passaram e novamente o Corinthians entra nas páginas policiais. Dessa vez a “mea culpa” é por diferente questão, mas mesmo assim tão vexatório quanto. Se da primeira vez os dirigentes estavam envolvidos com questões financeiras fraudulentas e coisas do ramo, dessa vez é por causa da morte do torcedor na Bolívia, vitimado por um sinalizador atirado por torcedores corintianos.

Por causa da morte do jovem boliviano, a torcida corintiana está proibida de freqüentar estádios durante a competição gerenciada e organizada pela Conmebol. Eu sei que para os ouvidos de alguns “gerenciar “ e “organizar” é uma palavra muito forte, mas fica assim mesmo. Então, após a morte do torcedor, a entidade máxima sul-americana decidiu “punir o clube” por causa de um “clamor público” que havia tomado o desastre. Dentro das regras, a punição é justa.

Nesse contexto, devemos considerar que algumas coisas tão comuns e “corriqueiras” dentro da competição serão coibidas. É claro: o bode expiatório servirá de exemplo para as demais torcidas, ou para aquelas mais violentas. A decisão de punir o Corinthians mostrará que a entidade não está mais brincando com esse negócio, e que as coisas vão funcionar desse jeito: tolerância zero. Então, acredito muito que coisas consideras normais na competição, não existirão de nenhuma maneira: chega de ônibus apedrejado, cusparada em jogadores; pedras e afins na hora do escanteio. Chega de todo esse “anti-jogo” na proposta de uma competição cheia de artimanhas e malandragem (ambos no pior sentido da palavra).

Recebi algumas críticas quando fiz esse pequeno comentário: retrucaram-me dizendo que mesmo com tudo isso “nunca havia morrido ninguém”. Bem da verdade, toda violência será castigada. Cedo ou tarde algum jogador ou algum torcedor seria vítima fatal dessa “maneira de ver o futebol”. Infelizmente, por descuido do destino, isso aconteceu com o Corinthians. E pior: acredito que de alguma maneira isso o prejudicará na competição, ainda que não tenha sido nenhum torcedor comum, nem dirigente; nem jogadores os sujeitos da ação.

A discussão em relação às torcidas uniformizadas é bem mais séria e complexa do que isso. Pior ainda quando colocamos no meio desse balaio a questão cultural dos outros países. Será que os torcedores argentinos se comportarão diferentes depois do quê aconteceu com o Corinthians? Será que sinalizadores, fogos e bandeiras serão proibidos nos estádios a partir de agora? Sim, pois é uma questão de tempo para que outro desastre aconteça. Ou acha que os torcedores serão mais cautelosos?

Não entro na questão das torcidas uniformizadas, pois acho que é assunto fora da questão esportiva. A torcida uniformizada não é essencial para o time, mas torcedores sim. Ainda que as torcidas uniformizadas estipulem essa característica, a verdade é que nenhuma torcida pode ser maior do que o clube, nem deve. Exatamente por isso, nunca me ouviram falar sobre torcida uniformizada, nem qualquer opinião contrária a sua existência.

Acontece que dessa vez eles incomodaram. Dessa vez ultrapassaram o limite do tolerável, prejudicando um time que poderia ser campeão da Libertadores. O papel do incentivo no Japão foi deteriorado com o acontecimento na Bolívia. Culpa da torcida uniformizada? Culpa do clube? Culpa dos torcedores comuns? Não sei quem é o culpado, mas sei que no meio de tudo isso não existem inocentes. Talvez, se refletirmos um pouco, nós teremos a noção exata do nosso homicídio: o que andamos fazendo com o futebol não está apenas na esfera das torcidas uniformizadas, mas nessas brigas ridículas nas redes sociais, nas manchetes (que vendem) jornais e tudo mais que deveria envolver o “adversário”, mas acaba fazendo o “inimigo”.

Nos últimos dias o parecer jurídico valeu mais do que os resultados das partidas: alguma coisa está fora da ordem e eu não quero participar mais disso.