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terça-feira, 21 de novembro de 2017

Afinal, quem é o bandido?


Alguém já ouviu falar do termo “bandit”? Ou corredor bandido? Não? Então que tal a expressão “pipoca”? Enfim, todas essas denominações são usadas para identificar aquele atleta que comparece nos eventos de corrida, sem estar oficialmente inscrito, em suma, sem pagar nada. No Brasil, o termo “pipoca” conferiu certo quê de gaiatice e bom humor a essa prática que ocorre em todo o lugar do mundo.

Comecei a correr em 2004 e, desde aquela época a pipocagem era um fenômeno comum, principalmente, nas provas mais concorridas, como era o caso da São Silvestre. Afinal, as inscrições acabavam muito rápido, não supriam a demanda de corredores e, um corredor a mais, um a menos não fazia a menor diferença. Mesmo nos eventos menores, a prática era utilizada por corredores sedentos por realizar um treino de corrida num percurso oficial, aferido, e com todo o conteúdo motivacional de uma competição.

Eu fui um praticante assíduo da pipocagem no início da minha carreira de corredor. Queria fazer um treino sabendo, exatamente, o quanto eu havia corrido, sem ter que treinar nos mesmos percursos de sempre (Usp e Ibirapuera). Normalmente, me posicionava no pórtico de largada, vestindo a minha camelbak[i], corria sem parar em nenhum posto de hidratação, afinal sabia que não tinha pago pela água distribuída no evento e, ao final, voltava pra casa. Essa era a minha pipocagem.

A minha defesa e a de outros pipocas era a de que a rua é pública. Se, costumeiramente, treino na rua, ninguém pode me impedir de utilizar a via pública pra correr. O argumento, na verdade, é impreciso. A rua é pública, mas em determinadas situações, o seu uso pode ser limitado ou restringido pelo Poder Público, para atender a um evento privado. É o que acontece com as corridas de rua. O Estado permite ao organizador da corrida utilizar aquela via pública em determinado horário, limitando o acesso de veículos e pedestres. E é uma prerrogativa do organizador impedir que pessoas não inscritas ou autorizadas tenham acesso ao percurso.

Como já mencionei aqui no Patativa fiquei um bom período sem participar de provas, principalmente após 2010. Nesse período, a prática da pipocagem mudou bastante. Ficou mais pro “bandit” ou bandido mesmo. O pipoca, versão 2010, considera todo o valor de inscrição alto, mas, mesmo assim, comparece, religiosamente, em todos os eventos. Sem inscrição oficial, claro. Utilizam, graciosamente, toda a estrutura oferecida pelo organizador durante o percurso aos atletas inscritos (água, isotônico, frutas) e, ainda, em alguns casos, conseguem até pegar a medalha de participação.

O organizador sabe que o pipoca aparecerá em grande número, portanto, é obrigado a oferecer uma estrutura muito maior para atender a todos (inscritos e não inscritos). Isso tudo encarece o evento. Como não há patrocínio direto (capital) da iniciativa privada, mas tão-somente apoio institucional ou permutas que geralmente são aqueles produtos que recheiam os kits dos corredores, o custo do evento é bancado somente pelo valor da inscrição, ou melhor dizendo, pelo corredor inscrito.

Até aí, convenhamos, tudo bem. Nós, corredores, estamos acostumados a pagar caro e gostamos disso. Por outro lado, se o organizador sabe que o pipoca aparecerá, por que não cria condições para coibir essa prática, instruindo os staffs a não entregar os recursos da prova àqueles que não estão oficialmente inscritos? Bom, parece que os organizadores não estão lá muito ocupados com esse “problema”. Preferem receber toda a sorte de críticas pela organização de um evento ruim, porque sabem que o corredor brasileiro, em sua maioria, não está nem aí para a organização de prova, preocupa-se com a camiseta e a sacola do kit, com os brindes, mas com a prova em si, nada.

Exemplo disso aconteceu ontem, na TIMÃO RUN, evento que percorreu as ruas do entorno do Estádio Itaquerão[ii]. Correm nas redes sociais as críticas de corredores inscritos que, pasmem, não receberam a medalha de participação, sob a alegação de que haviam acabado? Como isso é possível? A organização confeccionou menos medalhas que o número de inscritos? Provavelmente não. Em semana de comemoração de título, é possível que alguns pipocas (bandidos) tenham levado, acidentalmente, uma medalha de participação, ou ainda, os próprios staffs tenha resolvido levar para casa alguma recordação para presentear aquele tio corintiano tão querido.

Enfim, parece que a organização da TIMÃO RUN mandará as medalhas pelo correio, aos atletas/consumidores lesados, mas o momento da celebração, da entrega da medalha de finisher, da materialização da superação, do dever cumprido, esse foi roubado dos atletas. A dúvida é identificar o bandido que praticou o roubo.

    




[i] Mochila com um recipiente isolado de hidratação para atividades ao ar livre
[ii] Estádio do Sport Club Corinthians Paulista que, na falta de um contrato de naming rights, adotou o simpático nome dado pelos torcedores rivais.

quinta-feira, 1 de junho de 2017

Esse jogo de corrida.

Correndo e aprendendo a jogar. Não parece, mas a corrida é um jogo. Um tipo de jogo que não começa apenas quando calçamos os tênis e nem termina quando cruzamos o pórtico de chegada. É o jogo do dia a dia! Um bom jogador é aquele que sabe identificar o momento, sabe a hora de forçar nos treinos, sabe a hora certa de descansar antes da lesão, sabe a hora de colocar uma ou outra corrida no calendário e sabe a hora de recalcular as coordenadas para retomar o caminho da vitória. Sem modéstias, acho que estou aprendendo a jogar esse jogo.

Há duas semanas decidi correr o percurso de 21km da Seven Run. Prova bem organizada, praticamente plana, e com largada às 18:00 horas, ou seja, a temperatura estaria bem amena. Enxerguei a possibilidade de realizar um treino de ritmo diferenciado, numa distância que eu adoro correr; os 21 km. Bastava fazer um ajuste nos treinos da maratona e adiantar, em uma semana, um treino longo de 28 Km. Sem problemas.

Enfim, dia 20 de maio, 18:00 horas, lá estava eu pronto pra realizar o meu treino longo antecipado. O local escolhido:  o Elevado João Goulart, vulgo, o Minhocão. Algumas pessoas não entendem o porquê de eu gostar de realizar treinos no Minhocão. A resposta é bem simples; o Minhocão não tem curvas, o asfalto está sempre conservado, sem buracos e é um percurso razoavelmente técnico, com alguns aclives e declives moderados. Além, é claro, do apreço que tenho pelo Centro de São Paulo. Sem nojinho, hein! Como já cantou o Premê: “Não vá se incomodar com a fauna urbana de São Paulo”!

Pois bem, segundo o que imaginava da evolução dos meus treinos, faria esse treino longo “de buenas” num ritmo de 5’35”/km, aproveitando a brisa da noite paulistana, espiando as janelas dos prédios que margeiam o Minhocão, que nos protege como as copas das árvores dos parques mais movimentados. O treino começou bem, correndo naquele retão tive tempo de pensar na vida, colocar algumas situações em perspectiva, fazer planos. Corrida é sessão de terapia, é balcão de bar.

As primeiras duas horas de treino foram bem tranquilas. Mas, de repente, a temperatura esfriou, o asfalto enrijeceu, as pernas começaram a pesar, o meu joelho, na verdade, a patela, começou a reclamar. Eu ainda tentei ponderar com ela: - Condromalácia, sua linda, falta pouco, não me abandone agora! Não teve jeito. Já tinha percorrido 26 km, quando o tal do Muro apareceu em minha frente. E era intransponível. Sentia dores no quadril, nos glúteos, tinha impressão o meu joelho flexionaria do lado errado, não conseguia correr. Não sobrou energia pra nada. Voltei pra casa derrotado, como se tivesse perdido o pênalti decisivo numa final de campeonato.

E ainda tinha os 21 km, da Seven Run, na semana seguinte. Resolvi passar uma semana inteira sem correr. Nem me lembro da última vez que passei por tal abstinência. Aproveitei a semana pra dormir um pouco mais, alongar, aplicar gelo nos joelhos e fazer os treinos de fortalecimento na academia. Bateu uma tensão no sábado, no dia da prova. Já corri a distância (21km) outras tantas vezes, mas, o fiasco da semana anterior acendeu o sinal de alerta. Comecei a questionar os meus treinos, a preparação pra maratona, as minhas condições físicas atuais. Será que deveria estar treinando com um treinador? Será que essa tal de condromalácia patelar ia impedir a minha maratona? Será que vai valer a pena todo o sacrifício? 42 anos e dúvidas.

Quase 18:00 horas. A temperatura, a exemplo  da semana passada, estava amena. Mas eu não. Estava tenso na largada. Não me lembro de ter sentido tamanho arrepio na espinha. O medo do fracasso, pra quem não tem medo de falar em público, é maior que o medo da morte. E pra quem corre, esse medo é traduzido na imagem no corredor sentado no meio fio, chorando de dores e resgate do carro da organização. Não é exagero. Todo corredor tem um pouco de samurai. Toca a sirene. Foi dada a largada. A partir de agora, menos reflexão e mais pulsação.

A Seven Run é uma corrida curiosa. Eram três percursos diferentes; o de 7km,  o de 14 km e o de 21 km. Todo mundo largou junto, em ondas de ritmo. Foi uma boa ideia. Correr ao lado de alguém que faria um terço da minha distância, por exemplo, permitiu que eu mantivesse, desde o início o meu ritmo de corrida. Corredores de longa distância tendem a economizar no início da prova pra não ter prejuízo depois. Resolvi abdicar do monitoramento de cronômetros e aplicativo. Sem toda essa tecnologia, a corrida tende a ficar mais leve, menos compromissada. Corri por 11 km e percebi que ainda estava muito bem. Sem dores, sem desconforto. Resolvi acelerar um bocadinho mais. 15Km, 18km e meu ritmo não diminuía. Faltava pouco. Só iria parar quando cruzasse a linha de chegada.

Cheguei com 01h47min14segs. Meu melhor tempo nos 21 km. Foi muito legal terminar bem a prova, sem dores e com gás no tanque. Mas, além disso, foi importante ter aprendido mais um movimento nesse jogo que é a corrida. Aprendi que o descanso é importante, mesmo quando a planilha diz outra coisa. Aprendi que um treino ruim, desastroso, na maioria das vezes, não é o fim do mundo, é só um treino ruim. Aprendi que a corrida é um jogo de erros e acertos. Ainda cometerei vários erros na minha preparação para maratona. Sei disso. Mas é a forma como supero esses erros que fará toda a diferença na reta final.

Playlist:

Não tenho ouvido muita música durante as corridas, por isso, essa semana não vai ter playlist. Em compensação trago aqui um filme pra qualquer um largar as cobertas, saltar da cama e começar a correr. É o filme “Spirit of the Marathon”, disponível no Youtube e acompanha a preparação de alguns atletas amadores e profissionais para a Maratona de Chicago. De arrepiar. Segue o link:  




   


quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

Zen Corrida

Corro. Não sei se corro muito ou pouco. Sei que, geralmente, corro o suficiente. É suficiente para concluir bem uma competição. É suficiente para manter o meu corpo em atividade. E, acima de tudo, é suficiente para manter a minha mente tranquila, silenciosa, isolada do barulho causado pela tempestade de informações, imagens e preocupações do dia a dia. Essa calmaria proporcionada pela corrida tem início com a respiração, que é constante, vigorosa, enérgica, mas, sem ser forçada. Prossegue com a percepção de meu corpo, da mecânica do movimento, das reações de meus membros após cada passada. Passa pela minha consciência acerca do espaço, o terreno, as distâncias, os odores, as inclinações, os obstáculos, os perigos, as condições climáticas e termina com relação de tudo isso com o tempo, com o ritmo e a frequência cardíaca.
Fonte: Portal Despertar Coletivo - www.despertarcoletivo.com
Parece muita informação, mas, não é. Com a prática constante da corrida, todos estes elementos fluem de forma ordenada, de modo que, durante o exercício, eu sequer penso a respeito. Simplesmente reajo, adapto-me e modifico os parâmetros, de acordo com o tempo, o espaço, o clima ou às respostas de meu corpo. A corrida, em suma, vai muito além dos padrões estabelecidos, das técnicas de treinamento, das planilhas ou manuais. A corrida, amigos, precisa ser sentida, vivida e vivenciada. As planilhas, cronogramas de treinamento e os treinos acompanhados de treinador são excelentes ferramentas. Não me entendam mal. Mas, são apenas ferramentas. O objeto do exercício é o corpo. E o corpo humano, embora seja uma máquina perfeita, não é exata. O que serve para um atleta não serve, necessariamente, para todos. Mesmo um treino pensado pelo treinador para um atleta em específico, pode sofrer adaptações. O meu corpo, hoje, não é necessariamente, o mesmo de ontem, quiçá de amanhã. Tem dia que o corpo não responde bem ao estímulo, fica pesado, travado. E, em outros dias, o nosso corpo parece flutuar na pista. Acontece. Nesse caso, paciência é a chave para a longevidade nesse esporte.

Às vezes corro com música nos fones de ouvido. Outras vezes opto por correr em silêncio. Algumas vezes corro acompanhado, mas, mesmo acompanhado, considero a corrida um esporte solitário por excelência. Cada um tem seu próprio ritmo, cada corpo reage de uma maneira única ao esforço do exercício. Correr devagar ou rápido demais para acompanhar um colega, pode alterar a mecânica de corrida e impor um esforço ao qual não estamos acostumados, tornando a corrida menos prazerosa. Além disso, acredito que somente a corrida solitária permite o autoconhecimento, a consciência de nossa identidade como corredores. Saber lidar com esse silêncio, mesmo que momentâneo, é o que diferencia um corredor de longas distâncias daquele corredor que pratica a atividade apenas para manter o condicionamento físico. Para correr por horas e horas, percorrendo dezenas de quilômetros, é preciso estar com a mente preparada para longos períodos de isolamento. Os medos, as angústias, as dores devem ser enfrentadas individualmente. Somente o corredor, e ninguém mais, saberá a hora exata de superar as dores e seguir em frente ou sentar no meio fio e aguardar o resgate da organização da prova.

Fonte: www.happierdaily.com
Lembro aqui de minha primeira maratona (4.195 metros), em Porto Alegre, no ano de 2007. Do quilometro 28 ao 36 experimentei esse isolamento. Mais de quarenta minutos com dores físicas lancinantes, sem público para incentivar e os poucos corredores que encontrei pelo percurso, estavam em condições físicas muito piores, alguns já padecendo de câimbras.  Nunca tinha desistido de uma prova. Acho que tive medo do que poderia ocorrer caso o fizesse naquele dia. Não sabia se as dores piorariam, se teria alguém para me resgatar do percurso, se teria meios para voltar ao hotel. Enfim, sabia que estava encrencado naquele momento. Preocupava-me o fracasso e a justificativa que eu daria para as pessoas que acompanharam toda a minha preparação. A dor beirava o insuportável. As perguntas começavam a pipocar em minha mente. Foi excesso de treino? Falta de treino? Será que me alonguei pouco? Num determinado momento, simplesmente parei de pensar. Não adiantaria de nada. Eu sabia que estava treinado. Se estava tão sofrido era porque estava fazendo algo de errado. Resolvi me concentrar nos movimentos de meu corpo, na mecânica, nas passadas. Os quilômetros passavam devagar. Então, estabeleci pequenos objetivos, como tentar correr até o próximo poste e o seguinte, assim por diante. A dor diminuiu e consegui concluir a prova. O alívio físico foi alcançado a partir do alívio mental. Tranquilizar a mente, reduzir a quantidade de pensamentos, preocupações e imagens fizeram a diferença na hora de suportar aqueles últimos quilômetros. 

Nos últimos anos, tenho praticado a meditação, regularmente. Não esperem que eu seja aquele indivíduo que passa horas sentado, com as pernas cruzadas, olhando para o vazio e que quando abre a boca para falar transbordam rios de sabedoria e tranquilidade. Nada disso. Desfruto de alguns poucos minutos diários para a prática da meditação. Cinco a dez minutos, no máximo. Não entoo mantras, dedico-me apenas à observação. Observo o meu corpo, a minha respiração e os meus pensamentos. Ou então, visualizo imagens capazes de propiciar contentamento à minha mente, seja a imagem de uma praia paradisíaca numa manhã de verão ou, quem sabe, a imagem da linha de chegada na maratona que correrei esse ano. Vivemos numa sociedade que exige que fiquemos contatados, com amigos, colegas, familiares da hora em que despertamos até a hora de dormir. Estamos sempre online, aguardando algum chamado, alguma informação, alguma resposta. Sair dessa teia a qual estamos conectados e ficarmos realmente off, mesmo que por apenas alguns minutos, é uma experiência que vale ser vivenciada.

Abraços, bons treinos e, quem sabe, boa meditação.

Playlist:

A primeira sugestão da semana é o álbum “The Will to Live”, do Ben Harper, do ano de 1997. Para quem não gosta de nenhum tipo de bate estaca embalando a corrida, esse álbum do Ben Harper, talvez, seja a pedida ideal para aquele treino longo de final de semana. Um álbum que ganha pontos na minha avaliação pelo bom gosto da produção. Destaques para as faixas “Glory and Consequence”, “Roses From My Friends” e, claro, a versão ao vivo do clássico “Sexual Healing”.

A segunda e última sugestão da semana é o álbum “Pânico em SP”,
da banda Inocentes, lançado no ano de 1986. Esse é o álbum pra ouvir antes, durante ou depois daquele treino intervalado, de tiros. O álbum mereceria uma audição por todos aqueles que gostam de um rock cru, sem firula e cantado em português. Punk rock executado com muita competência. Destaque para as faixas “Rotina”, “Expresso Oriente” e “Pânico em SP”. E o que é melhor, o álbum completo tem aproximadamente 20 minutos, ou seja, o tempo exato de sessão de tiros de velocidade.

   

 

 

 

quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

Vamos falar de planejamento


Lição de Raciocínio Lógico: O corredor é um chato. Eu sou corredor. Logo, sou chato. Mesmo que, eventualmente, seja chamado de metódico, formalista ou alguma outra expressão lisonjeira. Sei que, na verdade, estou sendo chamado de chato. E a corrida, apesar de aparentemente simples, tem de tudo que um chato gosta. Tem planilha, calendário, cálculo de tempo, de ritmo, de inclinação acumulada, limiares aeróbicos e anaeróbicos, microciclo, mesociclo, macrociclo, e mais uma infinidade de expressões, índices, fórmulas que permitem ao ser humano realizar a segunda atividade motora mais comum após a caminhada; a corrida.

De todo esse emaranhado de informações, ficarei apenas com o calendário, pois, na minha opinião, é a informação mais importante. Afinal, esse calendário vai determinar quais as provas que eu participarei e, consequentemente, o quanto de treino eu devo fazer para chegar bem, trincando, nesses eventos. Além disso, sabendo quais as provas que participarei, posso estimar os custos, que vão de pares de tênis, inscrições para as corridas, transporte e hospedagem para as provas fora da cidade. "Boring"!!
Não tem jeito, independentemente do seu objetivo, corrida envolve planejamento, cronograma, programação e o corredor deve ser chato o suficiente para cumprir esse planejamento à risca. Por essa razão é importante programar-se previamente, identificar as competições alvo e estabelecer o tempo que terá disponível para realizar os treinamentos, caso contrário, qualquer objetivo na corrida, sem preparação adequada, não passa de “sonho de corredor”. E, eventualmente, esses sonhos acabam com o corredor sentado no meio fio chorando de dor. Deus me livre... “pé de pato magalô  treis veis”!

Assim, todos os anos, logo no início do ano, ou mesmo antes disso, preparo o meu calendário, destacando as corridas da seguinte forma: as provas que preciso correr, as provas que gostaria de correr e as provas que posso correr

As provas que preciso correr são aquelas nas quais eu foco o meu objetivo na temporada. Por exemplo, em 2017, o meu objetivo principal na corrida de rua é concluir a minha segunda maratona. O tempo de conclusão agora não é importante, vou deixar esse número para quando iniciar os treinamentos, de modo que eu tenha uma expectativa realista. Nada de sonho de corredor aqui! Na corrida em trilha, o meu objetivo é voltar Ao XTerra de Ilhabela e realizar os mais de 20 km do Half Trail Run. Dessa vez, com um pouco mais de experiência e conhecimento espero curtir muito mais o evento. Sem tempo definido, o objetivo é cruzar a linha de chegada, cansado, mas, com um sorriso no rosto.

Já as provas que gostaria de correr são aquelas secundárias. São provas que quero correr, seja pelo desafio, seja pela beleza percurso, ou ainda, pela viagem, mas, só correrei se não atrapalharem o meu cronograma de treinamentos para as provas que preciso correr e desde que eu tenha tempo e dinheiro disponível para realiza-las. Sim, vivemos tempos de crise! Estão nesse balaio a Meia Maratona do Rio, a Volta da Pampulha, Xterra de Paraty e, ao menos 02 etapas da Copa Paulista de Corridas de Montanha.

Por fim, o meu calendário tem as provas que eu posso correr. São aquelas corridas que aparecem de última hora na programação, mas, como não dependem de nenhuma preparação específica, podem ser realizadas sem problemas. São aquelas corridas nas quais eu ganho inscrição ou vou acompanhar alguém durante o percurso, ou ainda, vou fazer o percurso da prova como “pipoca”, sem inscrição. Essas provas não envolvem nenhum planejamento prévio, ou treinos específicos. É só chegar e correr mesmo.

Enfim, em outros tempos, logo quando comecei, corria toda e qualquer prova disponível, competia domingo sim, domingo não, mas, acho que meu corpo pagou um preço por isso. Hoje, passados mais de dez anos, com mais experiência, não vejo necessidade nessa caça por competições, não estou tão focado em performance. A corrida assumiu em minha mente um caráter quase que meditativo, no qual deixo os pensamentos surgirem e se afastarem enquanto corro e observo as reações de meu corpo.  Quando quero aproveitar alguma nova experiência em corrida, simplesmente mudo o local do treino, ou mudo o horário, ou mudo o percurso. Quando termina não tem linha de chegada ou medalha, mas, o regozijo, aquele sentimento de dever cumprido, acreditem, é bem parecido.

Por hoje é só, pessoal!
Com ou sem planejamento, tenham uma semana corrida!



Playlist:

A minha playlist de hoje é um pouco diferente. Indico o livro “Do que eu falo quando falo de corrida” do Haruki Murakami. Obviamente, o livro é sobre corrida, mas, no caso não é um desses manuais de treinamento, cheios de termos técnicos, científicos. É apenas a corrida de longa distância observada do ponto de vista do corredor. No caso, esse corredor é próprio Murakami que é adepto da corrida há muitos anos, tem dezenas de maratonas no currículo e, melhor de tudo, é um renomado escritor e começou a correr após os 30 anos, como eu. Identificação imediata com o livro e autor.

Para quem não está acostumado a ler, a boa notícia é que o livro não é extenso. Eu li toda a obra de “uma sentada” só. A quem interessar segue o link da cópia do livro no Google Drive https://drive.google.com/open?id=0B0KnEqKPipLJQzNrN0tFMHg4Q3c

Que esse livro, disponibilizado, gratuitamente, seja o primeiro de muitos que vocês leiam em 2017. As nossas editoras e livrarias estão fechando por falta de consumidores, os presídios estão superlotando e políticos e líderes religiosos estão enriquecendo. Algo de estranho acontece.  






quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

Essa tal de São Silvestre - parte final


Uma festa.
Sim, a Corrida Internacional de São Silvestre é uma grande festa. E, numa cidade como São Paulo, que apenas recentemente, e de forma tímida, começa a sair dos ambientes fechados e climatizados, para viver e curtir as ruas e espaços públicos, a São Silvestre é uma festa para quem corre, mas, também, pra quem assiste. Que me perdoem os telespectadores, mas, acompanhar a São Silvestre da tela de uma televisão é assistir meia dúzia de corredores disputando um prêmio em dinheiro. Nada mais.  Falta a transpiração e a vibração de um cotejo de mais de trinta mil atletas amadores, mais de trinta mil histórias que se esparramam por um percurso de 15km pelo Centro expandido da maior cidade brasileira. A São Silvestre é feita por essa massa, que corre, que caminha, que se fantasia e que comemora quando cruza a linha de chegada.


Uma tradição.
Por ser realizada no dia 31 de dezembro, todos os anos, há quase cem anos, a São Silvestre é também, um ritual de final de ano. Alguns optam por pular ondas na praia, outros por banhar-se em sal grosso, outros tantos vestem-se de roupas brancas. Alguns fazem tudo isso ao mesmo tempo. Eu, caros leitores, corro a São Silvestre. Esse é o meu único ritual de final de ano. Aproveitar o último dia do ano para correr por ruas importantes da minha cidade, na companhia de mais de 30 mil corredores, vindos de toda a parte do mundo,  supera qualquer viagem ao Litoral. Independente, do tempo líquido, do ritmo, da altimetria, enfim dessas preocupações de corredor, concluir a Corrida de São Silvestre  é escrever o seu nome na história da prova. Faça o teste: tente lembrar de algum evento anual que se realize, ininterruptamente, há quase um século. Difícil, não? Por isso, quem cruza a linha de chegada na Avenida Paulista, pode e deve celebrar por fazer parte dessa história.

Um acontecimento.
A Corrida de São Silvestre é um dos grandes eventos da Cidade de São Paulo. E não é grande porque a Prefeitura, o Governo do Estado ou a Rede Globo assim desejam. É grande porque a população da Cidade adota essa prova como uma parte importante dos festejos de final do ano. Não importa o horário da largada ou o percurso, o povão sai de casa pra acompanhar. Quem participa de corridas de rua o ano inteiro percebe essa diferença. Começa com o olhar que as pessoas nas ruas, nos ônibus, no metrô desferem aos corredores nas horas que antecedem a largada. Se numa corrida “normal”, o corredor é visto com estranheza, reconhecido como um excêntrico ou um original por sair de casa de madrugada para correr, na manhã de São Silvestre esse olhar é substituído por um outro, de admiração, de aprovação. Pelo menos naquela única manhã de 31 de dezembro o corredor é reconhecido como um atleta, como alguém que desafia os limites do corpo e encara uma prova que é, para a maioria da população, sinônimo de resistência. Devo reconhecer que esse afago popular faz muito bem.

Uma corrida.
Concordo com a ranzinzice de alguns colegas corredores que costumam chamar a corrida de  “Caminhada de São Silvestre”, ou ainda, “Trote de São Silvestre”. De fato, a prova do último dia do ano não é o melhor local para bater recordes pessoais ou impor um ritmo forte de corrida. São 30 mil corredores inscritos e, talvez, mais uns 20 mil não inscritos que comparecem ao evento. São os chamados “pipocas”. Não há, na prática, largada por ritmo e muito menos uma largada escalonada. Sai todo mundo junto. Quem chegou mais cedo larga na frente e quem chega depois vai largar 1 km pra trás. É muita gente! Corredores rápidos, lentos, caminhantes, passeantes, enfim, é um “só não vai quem já morreu” que deixa o ritmo da prova bem lento, quase que uma procissão de corredores. Nunca consegui correr no meu ritmo, mas, não reclamo disso. A São Silvestre é democrática e deve continuar assim. Deve estar aberta para todos que se propõem ao desafio, sejam aqueles que completam o percurso em menos de uma hora, sejam aqueles que completam os 15 km após 3 horas. Vai correr rápido? Ok, mas, se não der, corra mais lento. Não consegue correr o tempo todo? Vai caminhando. Cansado de caminhar? Ok, compre um picolé, arrume um bom companheiro de prosa e passeie até a Avenida Paulista, oras.

Bom, e eu? A minha relação com a São Silvestre mudou bastante nos últimos dez anos. Na minha primeira vez, tinha como grande objetivo completar o percurso em 1h15min. O que dá uma média de 5 minutos por quilometro. Falhei por 02 minutos. Responsabilizei o excesso de participantes, os caminhantes, a chuva, enfim. Em outras provas esse insucesso teria sido devastador pra mim, mas, vendo aquela festa da chegada na Avenida Paulista, todo mundo celebrando, comemorando, fiquei constrangido por reclamar. E voltei. Continuei voltando ano após ano. Já reclamei da superlotação, da falta de abastecimento de água, dos caminhantes, mas, continuei voltando. Corri até quando a organização da prova alterou o percurso para que a prova fosse concluída no Parque do Ibirapuera. Corri sob protesto e sem inscrição. Odiei a experiência que, felizmente, durou apenas um ano. E continuei voltando. Sempre volto.

Blogueiro que mata a cobra e mostra a danada morta.
Atualmente, não me preocupo com o tempo, com o ritmo, com a superlotação, com a organização ou falta dela. Aproveito o evento, simplesmente isso. Entendo, hoje, que a São Silvestre nada mais é que uma representação da Cidade de São Paulo, que cresce desordenadamente, sem planejamento, de forma asfixiante, superlotada por pessoas diferentes, vindas de lugares diferentes, escrevendo, cada qual, a sua história, no seu ritmo. São Paulo é a cidade que corre, que acelera, mas, se pararmos um pouco para observar, é a cidade que anda pelos parques, que contempla as vitrines e exposições, que para, vez ou outra, pra degustar um pastel na feira ou a criação gourmetizada do mais caro restaurante. São Paulo é a cidade sizuda, séria, compenetrada, mas, também, é a cidade que se fantasia que se traveste, que se diverte sem pudores. São Paulo é a cidade que muda, que se transforma. São Paulo é a São Silvestre. Demora um pouco, mas, quando entendemos isso, passamos a gostar mais e mais da São Silvestre e de fazer parte dela.



Playlist

Não costumo ouvir música durante as corridas. Fico distraído, perco a observação do meu corpo, do meu esforço, perco o barulho ao redor, o barulhinho bom da corrida. Entretanto, excepcionalmente, na São Silvestre 2016, esqueci de deixar o aparelho de som no guarda volumes e corri acompanhado de trilha sonora. Segue a seleção:

Largada: Deixei de lado o “Carruagens de Fogo” do Vangelis que é executada no áudio oficial da prova para ouvir “For Whom The Bells Tolls”, do Metallica. Pra quê aquecimento, se a gente pode ouvir esse som?

Km 03: Confesso! Eu gosto do A-ha e, de todas as músicas dessa banda, “Hunting High and Low” parece ter sido composta para correr pela Avenida Pacaembú, com 30° a sombra.

Km 05: Na minha opinião, a parte mais difícil do percurso, com subidas, pontes, quebra de ritmo. É a hora de ver quem treinou mesmo. Para esse trecho que, nada melhor que “Going the Distance”, da trilha sonora do Rocky. Injeção de adrenalina nas pernas.
s
Kms 07/08: Tudo plano, vale correr rápido, vale correr devagar, vale tudo, você quem sabe. “Vale Tudo” do Tim Maia e “Sarará Miolo” do Gilberto Gil, vindo com tudo nos fones de ouvido. Só não vale ficar dançando no meio da rua. Estamos só na metade do percurso.

Km 11: Nesse momento da prova, oxigênio vale ouro. Cantarolar uma música bacana pode custar caro no final da prova. Aproveita a passagem pelo Teatro Municipal e vai de música instrumental. Na falta de alguma música clássica no MP3 botei “Moby Dick” do Led Zeppelin pra tocar. Não sei se foi a endorfina agindo, mas, esse som foi uma viagem.

Kms 12, 13 e 14: Muita gente cantou pra subir no ano de 2016. Felizmente, eu tinha no meu MP3 alguns tributos pra prestar para os artistas que se foram. Teve “Ziggy Stardust”, do David Bowie, teve “Kiss” do Prince, teve “Let’s Groove” do Earth, Wind and Fire (Maurice White), “Am I BlackEnough for You”, do Billy Paul e, para terminar, “Orgasmatron” do Motorhead (Lemmy Kilmister).

A playlist terminou no Km 14. Dali em diante, concluindo a subida da Brigadeiro Luiz Antonio, é hora de refletir no ano que se passou, nas escolhas que fizemos, nas nossas decepções e realizações, pensar nas pessoas que continuam presentes nas nossas vidas, naquelas que nos deixaram. Aproveitar o fim do sofrimento da subida para reafirmar aquilo que queremos para o ano de 2017 e que o grito do público na Avenida Paulista seja o nosso combustível pelos próximos 365 dias de nossas vidas.   

Um 2017 corrido para todos!!

Abraços!!

   










quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

Essa tal de São Silvestre - 1ª Parte


O meu primeiro contato com a Corrida de São Silvestre veio na noite de 31 de dezembro de um ano que eu já nem me recordo qual. Foi em frente à televisão, assistindo àquela massa de gente correndo por ruas mal iluminadas do Centro de São Paulo. Aquele ano foi especial. Um corredor brasileiro cruzava a linha de chegada na primeira colocação após um longo período de vitórias de atletas estrangeiros. Seu nome: José João da Silva. Nos anos seguintes acompanhei as vitórias de João da Mata, dos campeoníssimos portugueses Rosa Mota e Carlos Lopes, do equatoriano Rolando Vera, entre outros atletas internacionais, que chegavam na Avenida Paulista já com os fogos de artifício iluminando o céu e assustando os cachorros.


Nos anos 1990, resolveram incluir a São Silvestre no calendário de provas internacionais, favorecendo a participação dos melhores corredores de rua profissionais. Primeiro, alteraram o horário da largada da prova para o período vespertino, a fim de permitir uma melhor qualidade na transmissão televisiva. Depois, aumentaram o percurso, que passou de 8 km para 12 km e uns quebrados e, logo após, saltou para 15 km, para atender às regras da Federação Internacional. A premiação também aumentou e atletas da África Oriental, sobretudo quenianos e etíopes, começaram a desembarcar por aqui. Foi a época de Simon Chernwoiywo e do gigante Paul Tergat. Nessa época, também, abandonei a telinha da TV e passei a acompanhar a corrida in loco, num ponto pra lá de estratégico na temida subida da Avenida Brigadeiro Luiz Antonio. Acredito que tenha sido ali, assistindo ao esforço dos atletas amadores, que eu assumi o compromisso de, um dia, correr a Corrida de São Silvestre.


Promessa pode até ser dívida, mas, não precisa ser paga na hora. Corri a minha primeira São Silvestre somente no ano de 2006. Já tinha algumas provas no currículo, entre as quais, uma Meia Maratona do Rio (21km). Assim, naquele primeiro ano nem considerei a São Silvestre um evento tão importante assim. Encarei os 15km, com chuva durante todo o percurso, sem sequer olhar para o lado. Se passei por algum atleta fantasiado, nem me lembro. Eu estava concentrado demais no desempenho, na altimetria do percurso, no ritmo e na localização dos postos de hidratação, para atentar para esses pormenores. Assim, corri a primeira São Silvestre como se tivesse correndo a décima, a vigésima, sem realizar a grandiosidade e a história do evento.

A ficha caiu somente em 2008. Estava lá no meio daquele mar de gente, aguardando a largada da prova, como estive dois anos antes. Preocupado com o forte calor, com o meu posicionamento na largada, com o ritmo que eu iria fazer o primeiro terço de prova, então, me deparo com um rapaz, aos prantos, logo ali ao lado. Ele era um daqueles personagens de histórias de superação que a gente normalmente assiste aos domingos no Esporte Espetacular, sem dar grande importância, seja pela distância que temos do protagonista, seja nítida intenção do programa em arrancar lágrimas de nossos olhos. No caso, o personagem estava bem ali, na minha frente e a ausências de luzes, filtros, edição e trilha sonora deixavam claro que a sua emoção não era desmedida.


O rapaz em questão, após conviver com a obesidade por longos anos, foi obrigado a perder um caminhão de peso para obter o mínimo de qualidade em sua vida e até mesmo para evitar o óbito precoce. Ele perdeu quase que metade do seu peso corporal e, como incentivo durante todo o processo de emagrecimento, prometeu a si mesmo que caso alcançasse o seu objetivo correria a Corrida de São Silvestre. Estar ali aguardando a largada da corrida era mais que a realização de um sonho; era a celebração da vida, uma festa de renascimento. As lágrimas inundaram os seus olhos quando o sistema de som do evento começou a executar a música doVangelis
Abraços!



Sprints da semana

Playlist:

A primeira dica musical da semana pra embalar um treino mais “pegado” é uma porrada da Nação Zumbi, chamada “Meu Maracatu Pesa uma Tonelada”, do álbum homônimo da banda, lançado no ano de 2002 que o leitor pode ouvir aqui.


A segunda dica pra rechear a seleção musical daquele treino longo de final de semana não é apenas uma música, mas, um álbum inteiro. Vale a pena baixar e ouvir a trilha sonora do filme “Into the Wild”, composta pelo Eddie Vedder (Pearl Jam). Músicas simples, bonitas e com letras inspiradoras. Fica aqui uma pequena mostra.





   

sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

Um museu de grandes novidades


Depois da avalanche Copa São Paulo de Futebol Júniores, com suas dezenas de equipes, e em alguns casos, um tanto bizarros, chegamos ao Campeonato Paulista. Segunda etapa na agenda dos clubes, o regional continua com a cara de preparação para o restante da temporada. As grandes equipes cada vez mais desinteressadas e federações cada vez mais ricas. O Paulista apenas com um atrativo romântico: seu lado histórico e de tradição inibindo o lado crítico e do entretenimento. E como dizem: é legal ganhar o Paulista, embora não seja tão importante.

É bem provável que uma surpresa aconteça, como por exemplo uma equipe do interior consiga o título – Ainda que não seja mais uma novidade, visto o título do Ituano o ano passado. Afinal de contas, parece que a continuidade da competição seja a solução menos dolorosa para equipes menores, que enxergam a oportunidade de bons contratos publicitários com jogos de maior visibilidade. Enfrentar um time grande é a chave de sucesso para equipe menores, com arquibancadas cheias em pelo menos quatro jogos por ano.

Dos grandes paulistas, Palmeiras parece mais sedento em relação a competição; pois a vê como grande chance de retomar o caminho vitorioso, e quem sabe, menos problemático das últimas temporadas. Seria o grande começo de Nova Era para o clube voltar a ser campeão. Embora tenha conseguido o título nacional com Felipão, a verdade é que a equipe há muito não brilha como um time verdadeiramente grande Uma coisa é o discurso dos torcedores, outra é o pragmatismo das competições. É claro que nenhum torcedor irá renegar a história, falar sobre o “manto”; a tradição e assim por diante. Mas nada disso ganha títulos.

Corinthians e São Paulo voltados para a Libertadores. Evidente que não deixarão de lado o Paulistão; mas esse interesse é apenas relativo, pois vai diminuindo a medida que etapas no torneiro continental vão sendo ultrapassadas. Entre uma semifinal da Libertadores e a final do Paulista, o segundo terá apenas um mistão, ou seja, cheio dos jogadores considerados “não-titulares” – De um tempo para cá a palavra reserva tem sido substituída por termos menos pejorativo. 

Santos numa completa renovação de diretoria, jogadores e crises financeiras. Nem quem acompanha a equipe sabe exatamente o que pode esperar dela.

Pois é, acabou a Copa São Paulo de Futebol Júnior com mais um título do Corinthians. Aperitivo na programação do futebol profissional, a competição sempre se vangloriou por ser o celeiro ideal de craques do futuro não revelará nada para o Paulista. Temos grandes velhas novidades nos clubes. Um museu de grandes novidades, como já cantou Cazuza. Zé Roberto, Dracena, Ricardo Oliveira e afins. Jogadores que já mostraram seu valor são menos arriscados e mais baratos que os novos pseudos-craques surgidos no futebol júnior. A maturação de um profissional é algo impossível nos tempos atuais. Jogadores, muitos deles grandes jogadores, só poderão ser vistos em times de menor expressão ou expressão nenhuma. Somente ali podem crescer, se tornarem opção para os clubes; não apenas promessas. 

Neste aspecto, a Copa São Paulo de Futebol Júnior parece valer muito mais que o preenchimento de tabela do Paulistão. Pelo menos na competição amadora podemos ver o futuro do nosso futebol, não apenas torcer por uma nostálgica sensação de que um dia fomos os melhores no esporte.



quinta-feira, 1 de maio de 2014

O último grande herói.




Era pra ser um domingo como outro qualquer. Um dia ensolarado de 1º de maio, dia do trabalho, data que aqui é comemorada, e com manifestações em outros países. Não entendo o que os trabalhadores aqui comemoram, mas em todo caso, todo ano é assim.
 
Como de costume, acordei com a largada já dada. Ás vezes acordava mais cedo para ver a largada. Nunca fui assíduo expectador de Fórmula-1, meus tios e meu pai eram mais ligados. Mas com um piloto excepcional como Ayrton Senna, mesmo para quem não era muito fã do esporte, acabava se entretendo.
 
Como aos domingos  muita gente em casa parava pra assistir Fórmula-1, me lembro do surgimento do Ayrton, e os comentários a respeito daquele “jovem piloto”.  "Este cara parece mesmo ser bom”, eram os comentários que ouvi quando Senna venceu sua primeira corrida no GP de Portugal, com muita chuva e com um carro bastante limitado. Dali em diante, ele passou a ser o alvo das atenções, tanto nos comentários em casa, quanto para o público em geral.
Diria que ainda era uma época romântica da F-1, ou pelo menos, o final desta fase. Os pilotos ainda eram mais importantes que as máquinas. E que pilotos: Mansel, Proust, Lauda, Piquet, e...Senna. Grandes duelos e muita rivalidade. Ultrapassagens e corridas incríveis nesta época.
O Brasil estava passando por um processo de redemocratização, ou uma democracia que ainda não havíamos experimentado. Um abismo social no nosso país, inflação galopante, e ganhávamos muito pouco no esporte, ou quase nada. No esporte mais popular, o futebol, não ganhávamos nada desde 1970. E foi neste período que Senna começou a virar herói. E tudo surgiu de uma brincadeira: o Brasil era eliminado da Copa de 1986 pela França, nos pênaltis. Desclassificação doída, na qual tenho “trauma” até hoje. Mecânicos e pilotos franceses (dentre eles Proust) tiraram uma casquinha do Senna, o que não poderia ser diferente. E no domingo após a desclassificação do Brasil, eis que Senna ganha a corrida. Não me lembro que GP foi, ( já disse que nunca fui um “expert” em F-1), mas isto não importa. O que importa é que ele parou, e pediu para um cidadão que estava perto da pista uma bandeirinha do Brasil. “Chupa Proust!”, é que o diriam nas redes sociais, caso houvesse naquela época. De certa forma, Senna “vingou” aquela derrota para os franceses. Era mesmo o nosso herói.

A partir de então, aquele ato de levar a bandeira - feito de certa forma despropositadamente - acabou virando uma marca do nosso campeão. Esperávamos o domingo, para ouvir o tema da vitória, e Ayrton, dar mais uma volta com nossa bandeira. Muito longe de ser uma coisa nacionalista, pois como salientei acima, estávamos saindo da ditadura e reaprendendo a democracia. Senna não era um patriota do tipo "nacionalista"; era muito mais que isto. Pois de certa maneira, este ato elevava a autoestima de uma nação tão judiada e subjulgada. Significava que a segunda-feira poderia ser melhor, a semana poderia ser melhor, e poderíamos conquistar nossos objetivos. Bastaríamos fazer a nossa parte, como fazia Ayrton aos domingos, e era esta imagem que nosso campeão passava.
“Ayrton Senna do Brasil!!!”, gritava Galvão Bueno a cada vitória. E nosso narrador nunca foi tão feliz em criar este jargão. O único que deu certo, pra dizer a verdade. E apesar de achar o Galvão um chato de galocha, posso dizer que narrava as corridas de Ayrton Senna com muita maestria. Mas naquele 1º de maio a narração do Galvão estava diferente: Um tom preocupante e melancólico tomava conta da transmissão. Senna havia batido, e apesar de outros pilotos terem sofrido um acidente semelhante naquela curva do tamborello (dentre eles Nélson Piquet em outra ocasião), seu estado era gravíssimo.  

Pela tarde a notícia que todos de certa forma, esperavam. O acidente de Ayrton Senna havia sido mesmo fatal. Perdíamos nosso grande herói.
A segunda-feira e o resto da semana, não foi de otimismo como em outras ocasiões. Foi uma das mais tristes que uma nação já pôde ter vivido. Feições tristes e muita gente de cabeça baixa. E agora? Em quem iríamos nos inspirar? E a nossa referência?
Ayrton Senna transcendeu seu próprio esporte. Condição que só os gênios, os “foras-de-série”, conquistam. Fazer pessoas como eu, se entreterem no automobilismo, mesmo não sendo muito fã e não entendendo quase nada. E também fazer sentir sua perda. Ele não defendia nenhuma camisa ou clube de futebol, o que fez com que atingisse uma popularidade astronômica, quase unânime. Era "somente" o “Ayrton Senna do Brasil!”, conforme dizia Galvão.
Depois disto, fiquei um bom tempo sem ver aqueles carros dar a volta na pista e meu interesse em F-1 praticamente havia voltado a estaca zero. E há 20 anos perdíamos nosso último grande herói. E como foi  Senna e a magnitude que este atingiu, acredito que não haverá outro.
 
 
 

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

A face perversa do esporte brasileiro.


Sempre acompanho os Jogos Olímpicos. Já afirmei nesse espaço a minha paixão pelos grandes eventos poliesportivos internacionais, contudo, assistir às competições nessa edição dos Jogos tornou-se uma experiência pouco prazerosa e, garanto que não é pelo resultado alcançado pelos atletas brasileiros, nem tampouco pelo quadro de medalhas.

O Brasil é a chamada Pátria de Chuteiras. O futebol é praticamente o único esporte do nosso país. A grande maioria dos brasileiros nunca praticou, assistiu ou leu sobre qualquer outro esporte que não seja aquele trazido pelo Charles Miller. Ao longo da minha vida conheci poucas exceções à essa regra. O futebol é tratado por aqui, quase como uma questão de Estado, onde vencer é a regra e perder uma desonra indesculpável. Uma derrota da Seleção Brasileira numa Copa do Mundo, por exemplo, é sempre atribuída à falta de garra, à venalidade de nossos jogadores e a outros tantos adjetivos desairosos que são utilizados para apontar o jogador de futebol derrotado como o grande vilão. Admitir que o adversário jogou melhor, é mais técnico ou mais habilidoso, jamais. Com brasileiro não há quem possa, não é mesmo?

Entretanto, quando essa nossa cultura futebolística ultrapassa os limites das arquibancadas dos campos de futebol e das mesas redondas de domingo à noite e toma as olimpíadas de assalto, fica nítida a perversidade do brasileiro no trato com o dito esporte amador e com os seus atletas. Não conhecemos praticamente nada dos esportes que estão sendo disputados em Londres e mesmo assim tecemos as críticas mais absurdas sobre o desempenho dos atletas.

As olimpíadas são um evento caro para quem organiza, mas, também, para quem cobre, portanto, meses antes do evento é preciso carregar na tinta ufanista e patriótica para alavancar a audiência num país que praticamente só tem transmissões de futebol. Pois bem, os atletas brasileiros, de olho na exposição única que o evento traz, capaz de captar a atenção de patrocinadores, embarcam nesse “oba oba” da mídia, posando como possíveis medalhistas em campanhas publicitárias. O feitiço vira contra o feiticeiro, meus caros.

Vejam bem os casos do ginasta Diego Hipólito, da saltadora Fabiana Murer e da judoca Rafaela Silva. O ginasta Diego, após cair na sua apresentação nos exercícios de solo, foi duramente criticado de “amarelão”. Lembraram os críticos que o atleta já tinha sofrido uma queda na olimpíada anterior e, nas redes sociais,  não pouparam xingamentos e até comentários vulgares sobre a sua orientação sexual. Os críticos esqueceram de que o rapaz já foi campeão mundial? Não, acho que não esqueceram. Apenas não acompanham o esporte.

O mesmo pode ser dito de Fabiana Murer que fracassou na sua tentativa de chegar à final olímpica após não conseguir superar a marca de 4,55m em duas oportunidades e, sem confiança para prosseguir no evento, abriu mão de sua terceira tentativa. É o caso típico de um dia ruim. Qualquer um que já praticou qualquer esporte individual sabe bem o que é isso. Contudo, abalada pelo insucesso, frustrada e até envergonhada, foi imediatamente chamada para conceder a fatídica entrevista na qual atribuiu à inconstância do vento a desistência da terceira tentativa. Justificativa plausível, em minha opinião de leigo. Pronto. Foi o que bastou para que uma chuva de críticas jorrasse nas redes sociais e nos portais de notícia. No salto com vara, um esporte no qual ainda reinam piadinhas de cunho sexual, ser chamada de apenas “amarelona” ou “pipoqueira” foi até bem suave. Os críticos esqueceram-se de dizer que ela é atual campeã mundial da modalidade.

No caso da judoca Rafaela a situação foi um pouco diferente. Suponho que, cansados de assistir aquelas lutas intermináveis, cheias de expressões em japonês e com um critério de pontuação ininteligível para os analfabetos da arte marcial japonesa (inclusive eu), os oportunistas de rede social resolveram desferir a sua frustração pessoal contra a judoca carioca justo no seu momento mais frágil. A moça, originada no projeto social do Instituto Reação, do também judoca Flávio Canto, foi eliminada precocemente da competição pela utilização de técnica recentemente considerada ilegal. Foi o que bastou para uma saraivada de golpes e críticas desferidas contra a atleta, que na sua experiência de 20 anos de idade não conseguiu reagir. Foi uma lástima. Vale perguntar para os críticos se eles conseguem, por acaso, lembrar o nome da tal técnica ilegal.

Enfim, amigos, quando se trata de esporte, o brasileiro expõe a sua face mais perversa. Desde o crítico de twitter e facebook até mesmo o mais experiente cronista esportivo, mais cedo ou mais tarde, levantam sua tese de botequim sobre o descontrole emocional dos nossos atletas, a falta de determinação e até mesmo, pasmem, a nossa predisposição genética para o esporte. Bobagens que, repetidas diariamente, acabam virando uma confortável realidade, até mesmo para os nossos atletas que, ao saírem derrotados, caem em prantos, desculpando-se perante o grande público por um delito que jamais cometeram. Pôxa, bateu agora uma lembrança do Barbosa , o nosso goleiro na Copa perdida de 1950. Sábio e triste em suas palavras resumiu:  “A pena máxima no Brasil é de 30 anos, mas pago há 50 por um crime que não cometi”.  E, assim, morreu Barbosa, sem ser perdoado ou indultado pela derrota no Maracanaço.

No Brasil, perder uma disputa esportiva talvez seja o único crime imprescritível, imperdoável e inafiançável. Pobres, então, dos nossos moços e moças que acordam de madrugada, treinam, estudam, trabalham, que têm apenas a santa mãezinha como nutricionista, nem sempre têm condições adequadas de treinamento, são maltratados pelas autoridades e dirigentes e, mesmo assim, têm o sonho de disputar os Jogos Olímpicos e sentem orgulho de vestir as nossas cores.
 

domingo, 29 de julho de 2012

De verdade!

Pela primeira vez na história o judô feminino brasileiro conquista uma medalha de ouro em uma olimpíada. Feito conquistado por Sarah Menezes, uma piauiense de 22 anos e 48 kg, derrotando a romena Alina Dumitru nesta categoria por waza-ari.

Nossa homenagem do Patativa a esta atleta que atinge um feito histórico para o esporte brasileiro. Merece mesmo um desfile em sua cidade, Teresina. Parabéns!!! 

quarta-feira, 25 de julho de 2012

* Contra tudo e contra todos.

As olimpíadas começaram para o Brasil nesta quarta-feira. A seleção feminina de futebol goleou a seleção camaronesa por 5x0. Uma seleção que já vem perseguindo o ouro há um bom tempo e não deixa de ser uma esperança de medalha, apesar do pouco incentivo que esta seleção recebe no "país do futebol" e da abonada CBF.

Mas isto não é exclusivo ao futebol feminino. Sabemos quão difícil é ganhar uma medalhinha em qualquer modalidade enquanto assistimos algumas potências esportivas dispararem na frente assim como se simulássemos uma corrida entre este blogueiro e o Usain Bolt. Comemoramos uma medalha como gol em final de Copa do Mundo. Legal, não é mesmo?

Quando a presidente Dilma disse recentemente que o PIB não serve como parâmetro ou único indicador social, confesso que para mim não foi nenhuma novidade. Se quisermos saber se um país está indo mesmo bem, o esporte é um excelente pré-requisito. Até porque esporte e educação são dois fatores que caminham juntos quando levados a sério. E num país como Brasil com vícios seculares, esporte e educação ajudam pouco na campanha eleitoral. Apesar do nosso professor de Educação Física ser um grande camarada, aprendemos no colégio muito pouco sobre outros esportes, muito menos a praticar algum especificamente.

Mas também não nos eximiremos aqui sobre este fato e jogar a culpa exclusivamente no governo. Também temos nossa contribuição sim. Até porque, guiados principalmente por nossas paixões clubísticas, respiramos, almoçamos e jantamos o tal do futebol. Praticamente somos dotados de uma monocultura esportiva. E a Globo já convocou um "bando de loucos", para detonar a audiência da Record que comprou os direitos dos jogos olímpicos. Nada contra o Corinthians que não tem culpa alguma nisto, mas que serve de exemplo para mostrar que o interesse econômico está em primeiro plano ao invés de despertar em algum jovem um interesse de conhecer ou praticar determinado esporte. 

Só para lembrar, em 2016 as olimpíadas serão no Brasil. Quem sabe o incentivo e interesse migre para outros esportes. Um país que reuniria condições para ser uma potência, pois tem população suficiente e uma  miscigenação que reúne vários biotipos para se destacar em todas as modalidades esportivas. Só resta saber qual será o verdadeiro intuito dos jogos no Brasil. Se é o de apenas mostrar para o "mundo" que temos condições de fazer uma "excelente" olimpíada, já começamos mal. Mas enquanto 2016 não vem, torcemos para que nesta olimpíada avancemos no quadro de medalhas em relação à olimpíada anterior.


* O título é em referência aos atletas olímpicos brasileiros e também ao futebol feminino do Brasil.



quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

O fim das Sereias.



Ontem, o presidente Luis Álvaro Ribeiro anunciou o fim do departamento de futebol feminino do Santos. Na verdade, não foi um fim absoluto, pois ele disse poder voltar em 2013. Mas não deixa de ser um retrocesso para o futebol feminino no Brasil. O Santos chegou a ter oito jogadoras convocadas para a seleção ano passado. Há cinco anos o Santos vinha mantendo o futebol feminino com a ajuda de patrocinadores.


Um ano olímpico, e jogadoras de seleção brasileira sem clube e emprego. E ainda vão se preparar para as olimpíadas nestas condições. Não é culpa exclusiva do Santos (um dos poucos clubes que tiveram a iniciativa de criar um departamento de futebol feminino), mas sim de um contexto um pouco maior. O Banco do Brasil por exemplo, patrocina o volei, nas duas modalidades, e se transformou no segundo esporte mais popular do Brasil. E não se vê uma iniciativa por parte da CBF para alavancar o futebol feminino.


Ainda temos que continuar torcendo para surgirem "Martas", "Cielos", "Fabianas Murer", ou "Maureen Maggis" e vibrar com uma, ou duas medalhas a mais que a olimpíada anterior. E eu que já havia me acostumado e criado o hábito de torcer e acompanhar as Sereias da Vila, e já estava até ensaiando a ir no estádio ver um jogo, caso jogassem aqui no Pacaembu. Resta acompanhar agora a seleção feminina e torcer para que este futebol, bem como os demais esportes, tenham mais incentivo e interesse aqui no Brasil.