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sábado, 6 de maio de 2017

Sem grilos com Cuca.

Cuca está de volta ao Palmeiras, após uma breve permanência de Eduardo Baptista. Algumas polêmicas, alguns resultados, seriam a justificativa para sua demissão. Fato é que ele foi mais um daqueles treinadores que chegaram com data de validade marcada, independentemente de sua competência.

Baptista não estava fazendo um trabalho ruim. Boa campanha na Libertadores, e  conseguiu uma virada histórica diante do Peñarol, clube de muita tradição, mordido e empolgado com seu novo estádio. Deixou o time na liderança do grupo. E eliminado num campeonato que dão pouco valor (pelo menos é o que dizem), mas quando perde é motivo de crise. O que derrubou Eduardo Baptista não foi a eliminação contra a Ponte Preta nem muito menos a derrota para o glorioso Jorge Wilstermann na última quarta-feira. O que derrubou Baptista foi a ainda disponibilidade de Cuca no mercado e as condições financeiras do clube em poder recontratá-lo. Aquela sensação de “se fosse com Cuca seria diferente”, acabou perseguindo Baptista. Claro que se o alviverde estivesse na final juntamente com seu arquirrival não haveria justificativa para demissão de Eduardo. Talvez uma possível derrota na final ou mais um revés na Libertadores seriam o motivo. Quem procura acha, era uma questão de tempo. Mas numa equipe que tem um TNT chamado Felipe Melo, nunca se sabe quando ocorrerá a próxima explosão.

Corinthians

Apesar de viver à sombra de Tite, (o que deve acontecer com os próximos 150 treinadores que passarem pelo clube), Fabio Carille não padeceu da mesma pressão que seu colega de trabalho demitido do Verdão. Com um elenco considerado mais modesto, sem tantas estrelas, a torcida sabe que não pode exigir que ele tire leite de pedra em todos os jogos. A eliminação para o Colorado em casa na Copa do Brasil também não foi motivo para sua queda, apesar de algumas críticas. A desconfiança foi amenizada pela vitória sobre a Ponte no Moisés Lucarelli, com um placar que poucos esperavam, assegurando praticamente mais um título estadual. O fato de ter sido auxiliar de Tite também dá certa credibilidade ao jovem treinador.

São Paulo

Com uma campanha regular no campeonato paulista e eliminação na Copa do Brasil, Rogério Ceni não passou pela mesma pressão de seus coetâneos da capital. Internamente ele possui quase um status de dirigente, cargo que ele poderá ocupar oficialmente em breve no Tricolor. Se um simples mortal tivesse a mesma inexperiência e resultados de Rogério, já estariam pedindo sua cabeça. Mas neste caso, a idolatria veio junto com a paciência. Pode ser que isto seja um fator positivo num futebol tão imediato. Afinal, um mito precisa de tempo pra trabalhar. Ceni fica no São Paulo, cargos para ele não faltarão no Morumbi.

Santos

Se permanecer até julho, Dorival Júnior completará 2 anos no comando do clube. Algo raro no futebol brasileiro. Eduardo Baptista por exemplo, ficou 5 meses no Palmeiras, apesar de ganhar do mesmo time de Dorival em plena Vila Belmiro em circunstâncias não muito comuns para um clássico como este. E a temporada de queda dos técnicos ainda nem chegou, que se intensifica junto com o Brasileirão. Dorival já suplantou sua primeira passagem pelo Peixe em 2010, na qual não completou um ano, saindo por causa de uma polêmica com Neymar. Naquela época, um time mais técnico, mas também com algumas vaidades, abreviou a permanência do técnico. Dorival também tem respaldo, mas também não é unanimidade. Acumulou dois vice campeonatos nacionais, venceu um estadual, mas não conseguiu fazer com que a equipe se interessasse pelo campeonato paulista deste ano na busca de um 4º tricampeonato, feito inédito na história dos clubes paulistas. Não deu, fica pra próxima. O foco passa a ser a Libertadores, e sua permanência irá depender da campanha que o time fizer nesta competição ou mesmo na Copa do Brasil.



Cada clube com suas necessidades, suas resiliências, e sabendo onde o calo ou investimento podem apertar.



segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

A quem interessar possa


Caros leitores, a bola de 2017 começou a rolar nesse final de semana com a rodada de abertura dos torneios estaduais espalhados pelo país. Mas, foi um comunicado da Fifa, entidade organizadora do futebol internacional, que causou os debates mais acalorados nas Rádios Peão e Balcão, de onde esse blogueiro, orgulhosamente, tira a inspiração para os seus textos.
Pra quem não está atualizado sobre o ocorrido, a Fifa, organização que tem alguns de seus dirigentes presos e investigados por tudo quanto é picaretagem na organização de eventos esportivos, afirmou que reconhece como campeões mundiais interclubes somente aqueles que venceram o seu torneio, disputado a partir do ano 2000.
Pronto. Foi o que bastou para uma onda de gozações e agressões entre torcedores ganhasse corpo. Foi um tal de colorado tirando sarro de gremista, de corintiano tirando sarro de palmeirense e de anti-flamenguistas tirarem sarro dos rubro-negros. A gozação, como tem sido frequente, virou bate boca, que logo virou agressão, xingamento e bloqueio nas redes sociais.
Mais uma vez, amigos, brigamos pelos motivos errados. A Fifa está correta ao valorizar o seu torneio interclubes. Afinal, esse é o seu produto. Justíssimo. Pessoalmente, acho um torneio grandioso demais, enfadonho e não vejo, sequer, o mérito esportivo em reunir clubes campeões intercontinentais, como se um título do torneio da Oceania pudesse valer a mesma coisa que um título de Liga dos Campeões ou de uma Libertadores. Mas, enfim, essa é apenas uma opinião.

Alguns dirão que os torneios intercontinentais disputados entre Europa e América do Sul não valem como mundial, pois, as outras confederações continentais não estavam representadas. Ora, meu amigo, se o argumento fosse válido, as Copas do Mundo de 1958 e 1962, ganhas pela Seleção Brasileira, não poderiam ser consideradas como títulos mundiais, na medida em que só existiam representantes da Europa e das Américas, que eram os dois continentes com o futebol mais competitivo e organizado.
Outros sustentarão que somente a Fifa, organizadora do futebol mundial, poderia conferir o título mundial aos clubes. Eu até aceito o argumento, mas, obviamente, não concordo. A Fifa foi fundada no início do século XX e, mesmo sediada na Europa, e podendo acompanhar de camarote as turnês vitoriosas que clubes tradicionais sul-americanos, como o Santos, o Botafogo, o River Plate e o Peñarol realizaram no Velho Continente, nunca se interessou por realizar um torneio mundial.
Pra falar a verdade, no pós guerra, a ideia de um Mundial interclubes ganhou força entre sul-americanos e europeus. Vários torneios foram criados com o propósito de medir forças entre as duas maiores escolas de futebol, com fórmulas bem parecidas; sempre com metade de clubes europeus e metade de sul-americanos. Como exemplo, tivemos a “Pequeña Copa del Mundo de Clubes”, o “Tournoi de Paris” e, lógico, a “Copa Rio”. Entretanto, nem europeus, nem sulamericanos realizavam torneios continentais que pudessem credenciar equipes para a disputa de um torneio mundial. O mérito esportivo daqueles torneios restava comprometido, pois, os clubes participantes eram meramente convidados.
Com a criação da Copa dos Clubes Campeões da Europa (atual Liga dos Campeões), em 1955, o Velho Continente já tinha condições de apresentar ao mundo o seu melhor time. Faltava a América do Sul. Para se ter uma idéia da dificuldade de se criar uma competição intercontinental definitiva, o Brasil, então campeão do mundo em 1958, não tinha sequer um campeonato nacional. A solução foi dada num ajuste da cartolagem para a criação da Taça Brasil, em 1959, meramente classificatória para a Taça Libertadores e Taça Intercontinental, ambas criadas no ano seguinte, em 1960, que tinham como objetivo titular a melhor equipe do continente sul-americano e a melhor equipe do mundo, respectivamente.
Inicialmente, entre os anos de 1960 a 1979 os confrontos intercontinentais eram realizados em jogos de ida e volta. Entretanto, os países sul-americanos, socialmente conturbados e, politicamente, comandados por governos militares, ditatoriais e que insuflavam o nacionalismo na sua forma mais cafajeste, abusaram da violência nos jogos disputados em seus domínios, motivando a desistência de vários campeões europeus e o esvaziamento da competição, a ponto de o torneio de 1979 ser disputado entre o paraguaio Olímpia e o Malmöe, da Suécia, num estádio sueco às moscas.

A solução foi realizar a disputa em campo neutro. O local escolhido foi o Japão. Desta forma, desde 1980 a Copa Intercontinental passou a ser disputada em jogo único, com o apoio financeiro de uma multinacional de origem japonesa; a Toyota. Com segurança, estrutura e, principalmente, dinheiro, a competição sobreviveu por mais duas décadas. E, todos os anos o campeão levava duas taças pra casa; a da Copa Intercontinental, concedida pela Uefa e Conmebol e a da Copa Toyota, concedida pelo patrocinador, além de um veículo zero para o melhor jogador em campo.
Assim, independente do que diz o comunicado da Fifa, a Copa Intercontinental foi, desde 1960 o
único torneio capaz de medir forças entre as duas maiores escolas do futebol mundial; a Europa, onde o jogo foi criado e organizado e a América do Sul, onde o jogo ganhou em improviso, criatividade e espontaneidade. A junção dessas duas formas diferentes de ver e viver o futebol, tornaram esse jogo uma paixão mundial, inspirando a criação e o crescimento de clubes de futebol na África, na Ásia, nas Américas Central e do Norte e na Oceania. Reconhecer a importância mundial desses torneios seria o mínimo a fazer, mas, infelizmente, a Fifa optou por privilegiar a sua marca e coloca-la acima dos interesses do próprio esporte.

Após o infame comunicado da Fifa e de sua repercussão nas redes sociais, tomei a iniciativa de consultar os sites do Peñarol, do River Plate e do Feyenoord Roterdã, clubes que ganharam a Copa Intercontinental. Nenhuma linha, nenhum comentário. Em minha opinião, esse comunicado só interessa aos brasileiros mesmo, principalmente aos dirigentes, que de uns anos para cá tentam sobrelevar a importância de algumas taças empoeiradas da sala de troféus. Ao invés de investir na formação de jogadores, na qualidade do jogo, a cartolagem brasileira investe dinheiro (e muito!) na elaboração de dossiês assinados por historiadores, pesquisadores e jornalistas, com o único propósito de conseguir um carimbo, um selo de importância num título ganho no passado.

Em suma, todo título é parte da história do clube e cada título tem a sua importância, de acordo com o seu momento histórico. Duvido, sinceramente, que para um corintiano de seus 60 ou 70 anos, o Mundial da Fifa, em 2000, seja mais importante que o título paulista de 1977. Ou então que um torcedor do Palmeiras da mesma idade considere o título da Copa do Rio de 1951 mais importante que qualquer título estadual conquistado pela Academia nos anos 1960 e 1970 sobre o Santos. Duvido! O momento histórico faz toda a diferença.
Sou são paulino! E, a despeito de qualquer comunicado da Fifa, em minha opinião, o título mais importante da história do São Paulo foi o MUNDIAL de 1992, no Japão, contra o Barcelona, com direito à entrega das chaves do carro ao Raí. Até ganhamos um Mundial da Fifa, em 2005, foi muito legal, comemorei bastante, também, mas, nada se compara a ganhar aquele MUNDIAL de 1992, com o time que tínhamos naquela época, vencendo o Barcelona, comandado pelo Cruyiff. Enfim, não é o carimbo dessa ou daquela entidade que faz a importância do título. A importância da conquista pode ser medida num sorriso espontâneo que nós, torcedores, damos sem querer, quando as memórias daquele título invadem a nossa mente, exatamente, como esse meu sorriso ao lembrar daquele gol de falta do Raí, em 1992... Que golaço!!

terça-feira, 18 de outubro de 2016

Na corda bamba.

Cristóvão Borges foi daqueles técnicos que chegou com prazo de validade para expirar. Embora ele não tenha vindo com o objetivo de substituir Tite (este já fazendo parte da galeria dos imortais do clube) parecia que ele estava na corda bamba quando seu nome foi anunciado. Apesar do cenário bem diferente enfrentado pelo ídolo corintiano (como um elenco bem mais limitado), a torcida, diretoria e parte da crônica esportiva não teriam ou tiveram a mesma paciência com o ex-jogador da mesma forma que Tite teve na ocasião da eliminação da pré-Libertadores.

Chega Oswaldo de Oliveira, com as mesmas condições que seu antecessor Cristóvão Borges. Também não possui a mesma idolatria de Tite, talvez nem ídolo no clube seja,  apesar de ter vencido o primeiro mundial de clubes com a chancela da Fifa. Poderia ser marcante, épico, mas parece que o torcedor corintiano não põe no mesmo caderninho esta conquista com a da  Libertadores e  Mundial de Clubes vencidos em 2012. Voltando ao momento atual, a missão de Oswaldo é colocar o time no clube do G-6, missão menos pretensiosa que sua última passagem.

Outro que chegou com o caldeirão borbulhando foi Ricardo Gomes. Tinha respaldo no Botafogo, mas preferiu mergulhar na piscina fervente do Morumbi. “O tipo do cara bacana”, como muitos dizem, mas sem a devida grife para dirigir um clube como o São Paulo (nas palavras dos torcedores e cronistas), apesar de uma passagem anterior. O tricolor do Morumbi  foi o maior laboratório de técnicos este ano, experimentando argentinos que tinham certo respaldo internacional, e que também dividiram opiniões no clube. Com relação a Ricardo Gomes, seu prazo de validade irá até o final de 2016 (palavra da imprensa esportiva).

Já Palmeiras e Santos, satisfeitos em certa medida com seus treinadores, não passaram pelo mesmo “mimimi” dos rivais. Cuca e Dorival já possuíam mais respaldo; o primeiro abafou qualquer indício de incêndio e Dorival alavancou o time peixeiro no Brasileiro do ano passado, após este perambular próximo da zona de rebaixamento. Cuca faz parte hoje do restrito grupo dos técnicos “Top”, Dorival foi cobiçado pelo Corinthians, mas o estilo deste treinador está mais identificado com o clube do litoral atualmente. E Dorival ganhou respaldo principalmente com os mais jovens na Vila, o que resultou nas titularidades de Zeca, Tiago Maia e Victor Bueno, que passaram de promessas, a revelações, diminuindo a distância entre amadores e profissionais no clube.


Apesar do velho discurso principalmente por parte da imprensa de que “o clube tem que dar tempo ao seu treinador”, em contradição estes também são os primeiros a colocarem o tempero no caldeirão fervente. O próprio Tite já foi alvo, e o maior exemplo esta semana foi Ricardo Gomes, com muitos anunciando que o técnico cairia depois da partida contra o Fluminense. Com pouca atração dentro de campo, os treinadores passam a ser protagonistas e ao mesmo tempo vítimas desta falta de talentos e constante instabilidade. Parecem já entrarem na corda bamba. E tem que segurar firme o guarda-chuvinha para não caírem.





quarta-feira, 23 de março de 2016

Expectativa X Realidade



E foi complicado parar alguns minutos para falar de futebol. Não que não tenha tido tempo para isso. Faltou-me mesmo é motivação. Já vi começo de temporada piores dos times grandes paulistas, mas, mesmo assim, eram casos isolados. Os times considerados grandes, mesmo remodelando suas equipes, sempre apareciam com uma sequência de trabalho do ano anterior, ou com uma perspectiva para que isso acontecesse. Desta vez não aconteceu. Equipes parecem ter começado do nada, zero. Jogos terríveis para os torcedores, mesmo quando há vitória. Derrotas em jogos fáceis, empates técnicos na ruindade dos jogos. Não tem sido o melhor ano dos quatro grandes de São Paulo.

Dentro de um comparativo, Corinthians é a melhor equipe atualmente. Não que haja uma grande diferença entre eles. Acontece que a equipe campeã brasileira, que não existe mais, foi reformulada num trabalho de pouco mais de dois meses. Novos jogadores, a mesma disposição tática. Trabalho de início o coloca na segunda fase da Libertadores e classificado a largos passos no Paulista. Nem o mais otimista torcedor esperaria uma coisa dessas. Muito disso se deve a comissão técnica, estrutura de trabalho e uma filosofia construída há cinco anos.

Na contramão disso, Palmeiras parece não se acertar. Vieram muitos jogadores, e quase todos medianos para bons. Nenhum fora de série, é verdade; mas um conjunto forte dentro dos padrões brasileiros. É perceptível que para algumas funções não acertaram, mas isso não é fundamental na campanha. Há elemento que, críticos, torcedores e diretores (descobriram tardiamente); veem na equipe: a falta de conjunto. Mesmo com meses e meses de trabalho de Marcelo Oliveira, Palmeiras começa o ano de 2016 como se os jogadores tivessem se conhecido há pouco. A chegada do Cuca já alterou a questão da posse de bola, mas os resultados não vieram. O grande problema é: se não vierem? Cuca pode ter um tempo encurtado, como não aconteceu com Marcelo Oliveira, saindo antecipadamente antes de montar uma equipe. O que significa mais uns meses de trabalho perdido.

A situação do São Paulo é um tanto pior. Se o Palmeira não tem conjunto, embora tenha uma equipe, o Tricolor não tem ambos. Não dá para saber quem está pior, mas dá para criar uma expectativa para o Palmeiras, coisa que ninguém envolvido com o São Paulo é capaz de fazer. Péssima fase administrativa, péssima fase de alguns jogadores; só não dá para culpar ainda a comissão técnica. São Paulo é um conjunto de jogadores que, não tendo conjunto dentro dele, parece ter também fora de campo várias questões de falta de sincronia. É muito difícil Palmeiras e São Paulo ficarem fora do Paulista, mas ambos correm risco na Liberadores. 

Não dá para colocar nesse bolo a equipe do Santos. Não participando da Libertadores, era evidente que a diretoria não gastaria um centavo para grandes contratações. Os únicos jogos do Santos são contra equipes do interior de São Paulo. Ganhou, é verdade, do Corinthians em casa. Em condições não igualitárias, visto a prioridade do time da Capital. Assim, não há como compará-lo aos times que participam da Libertadores. Aquilo que vi até agora é o resumo do Santos dos últimos anos: seleiro de jogadores no ataque, um sofrimento para manter ordenada a defesa. 





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terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

Paulistinha virando menos que paulistinha



E começam os preparativos para 2016. O Campeonato Paulista, que tinha lá seu glamour até o final da década de 90, passou a ser um campeonato preparatório, quase sem importância. É péssimo pensar desse modo, principalmente para quem é saudosista como eu. Um campeonato que abria a temporada como um cartão de visita, hoje parece mais uma temporada de treino para disputas maiores. Times deixam claramente aberto a expectativa em relação ao Paulista: preparar a equipe para a Libertadores. Embora Santos não participe da competição continental, também não mostrou grande esforço para fortalecer a equipe para esse começo de temporada.

Mas podemos pensar numa melhora nos próximos anos, já que teremos um enxugamento de equipes em 2017. Esse ano seis cairão. É um número expressivo, se considerarmos vinte participantes. Diminuindo o número de equipes, aumenta-se a qualidade técnica da competição. Bom, em partes. É um assunto que eu ainda não analisei direito. De uma forma grosseira, a lógica diz que uma disputa entre mais fortes forma uma competição mais forte. No papel, na ideia; quem sabe na prática. Pode ser uma forma simples da federação resolver o problema, inibindo o assédio aos clubes paulistas da recém competição Sul-Minas-Rio.

Mas estamos falando de 2016, e no presente temos que entre os quatro grandes apenas Corinthians e Palmeiras ganharam na estreia. São Paulo e Santos empataram. Dos quatros jogos, nenhuma novidade. Palmeiras e São Paulo saem na frente se olharmos o primeiro desempenho. Não que tenha sido um primor de futebol, mas mostraram mais qualidades que os outros dois. Corinthians com um time completamente desfigurado, mostrou que está muito inferior aos considerados grandes; trazendo um arrepio na espinha dos torcedores para a ano. O fantasma de uma temporada pífia não sai da cabeça dos torcedores.

Palmeiras apresentou problemas de todos os clubes em começo de temporada. Embora com uma equipe recheada de contratações, parece departamos com os mesmos problemas apresentados no final do ano passado. Mas, de longe, ainda com problemas, é a melhor equipe paulista; e consequentemente favorita no regional. Não sei ainda se consegue estabelecer um padrão de qualidade para enfrentar a competição continental; por isso não cravo a equipe como favorita.

Se o São Paulo não melhorou em nada tecnicamente, pelo menos já demonstrou uma disposição muito diferente em campo. Não sei se a euforia da comemoração no primeiro gol foi algo para inglês ver; ou se realmente houve uma mudança de postura. Há um certo otimismo nos torcedores, principalmente pela chegado do Lugano; que representará aquilo que os torcedores tanto estão pedindo: a garra. Garra que não faltou ao Corinthians, por exemplo; mas que não resolveu o problema do seu futebol tão sofrível.


No geral, acho que São Paulo e Palmeiras vão melhorar em muito aquilo que apresentaram o ano passado. Corinthians, com a chegada de reforços, pode sim tornar-se competitivo; só precisa de tempo. O Santos com os velhos problemas e as velhas soluções: até quando resolverá seus problemas dessa forma, nós não sabemos.




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terça-feira, 8 de dezembro de 2015

A tal vaga

 

É final do ano futebolístico. Nesse exato momento os torcedores passam a régua e fazem a conta: foi um bom ano? Evidente que Corinthians e Palmeiras saem mais satisfeitos. Ambos torcedores conseguiram mais ou menos aquilo que se esperava. São Paulo, entre baixos e baixas, conseguiu salvar 2015 com uma vaga para Libertadores. Sim, salvou o ano. Dizem os torcedores, jornalistas e os próprios jogadores. O ídolo que vai embora, Rogério Ceni, quase deu volta olímpica por causa do feito. Todos sabem e não escondem que a verdadeira vitória de uma equipe parece ser a tal vaga para a Libertadores.

Meio que sem querer, acabamos entrando nesse embalo. Acabamos por valorizar um torneio que, às vezes, deixa o título em segundo plano. Qual a diferença entre São Paulo, que capengou o campeonato inteiro; e o Corinthians, que se mostrou uma das melhores equipes do Brasil? Quase nenhuma. Na boca cheia da mídia, ambos na Libertadores. Até mesmo os programas esportivos, que deveriam vender a competição por ela mesma, acabam criando uma libertadependência. Foi campeão? Que bom. Mas vai para a Libertadores? Puxa, isso sim é sucesso garantido.

Vejam o exemplo do Santos. Time que estava com o pé na Libertadores, por uma campanha muito boa no segundo turno do Brasileirão; e por ser finalista na Copa do Brasil. Ficou sem a vaga. Não conseguiu o título diante do Palmeiras, ainda que fosse favorito; e não conseguiu a pontuação para a Libertadores. Choro pelo vice-campeonato ou pelo sétimo lugar? Não. Choro por não estar na Libertadores. Aliás, Libertadores que também manipula o planejamento do time. Clube que está fora parece ter o direito de fazer o “mais ou menos”. Santos começa a se desfazer de alguns jogadores, pois agora não será tão cobrado. Não está na vitrine do futebol. Regionais, brasileiro e a própria Copa do Brasil são meros coadjuvantes para uma competição maior, melhor e mais lucrativa: a Libertadores.

Mas como dizem os jovens, só que não.

A Libertadores passou a ter uma importância no Brasil na década de 90, pois soma-se ao bom desempenho nessa competição a chance de disputar o Mundial Interclubes; ou seja, colocar em pé de guerra no futebol do terceiro mundo com o do primeiro mundo. A única maneira de equiparar o futebol, ou definitivamente “saber como nós estamos diante do mundo”. Essa necessidade absurda é justificada, mas poderia ser evitada. Evitada se no calendário do futebol houvesse maior possibilidade de um intercâmbio entre os clubes. Torneios, amistosos e etecetara. Existe uma grande vontade de torcedores, jogadores e a própria mídia em colocar times brasileiros contra europeus. A única chance é a Libertadores.

Realmente a competição é importante. Dará oportunidade de um Mundial. Mas, considerando a supervalorização que damos a ela, é quase que certo que nos próximos anos não haverá taça nem volta olímpica do campeão, de tal forma que estamos deixando transparecer que a vaga pela Libertadores é a grande missão de um clube de futebol no ano. E se for assim, Corinthians, Palmeiras e São Paulo podem comemorar, ainda que por situações diferentes.




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quarta-feira, 26 de agosto de 2015

Nem só de bola vive o homem

Caros leitores! Recentemente, numa “reunião de pauta” do blog, optamos por diversificar as postagens, sair um pouco do futebol. Concordei com essa inovação do Patativa e espero que os nossos fiéis leitores apreciem essa novidade . Entretanto, como membro da Velha Guarda, seguirei falando apenas sobre futebol, dentro das quatro linhas. Acredito que o nobre esporte bretão ainda é capaz de render bons textos e boas histórias.
E, por falar em história, acabo de lembrar de um conhecido que reencontrei semana passada, lá no Ibotirama, da Rua Augusta. Sabe aquele tipo de parceiro de mesa/balcão que sempre preenche algumas horas da noite com uma conversa animada sobre futebol? Que conhece a história do futebol e é capaz de dar uma aula sobre o Esquadrão Tricolor de 1992, sobre o porquê o Telê Santana é o maior treinador de todos os tempos e, claro, sabe explicar para corintianos, palmeirenses e santistas que o São Paulo não foi rebaixado em 1990, com direito a desenhos no guardanapo para os mais lerdos das ideias? Pois bem, é exatamente esse o cara que estou falando. E o melhor; um são paulino da mais pura cepa.
Devo confessar que alguns dos melhores textos que escrevi aqui no Patativa contaram com a consultoria técnica, histórica e etílica desse meu conhecido. Encontrar esse homem, após tanto tempo sem escrever sobre futebol, era uma oportunidade única. Fiquei até tentado a pegar um caderninho de anotações. Acenei da entrada do bar, que já estava apinhadíssimo e, logo, o amigo fez um convite acenando com a cabeça. Estava encostado no balcão. Como tem sido nos últimos anos ele aponta pra garrafa de cerveja e pergunta se aceito um copo. Agradeço, mas, recuso a cortesia. E, pela enésima vez ele pergunta se eu parei mesmo de beber. Respondo, pela enésima vez, que sim e já me apresso a pedir um suco de limão batido no liquidificador com gelo, o meu novo aperitivo de botequim.
Pergunto ao amigo sobre o Tricolor, o time, o Osório, as chances de título, a virada histórica contra o Ceará, no jogo de volta da Copa do Brasil. Ele responde com um lacônico “Estou por fora”. Como assim? O maior são paulino em atividade que eu conheço não tinha disposição pra falar sobre futebol? Esse sim é o fim, caro Marcelo Nova. Pedi mais uma cerveja para o amigo, essa na minha despesa. Ele resolveu desabafar. Disse que estava “meio a fim de uma mina lá do trampo”, que a coisa não ia bem, que não tinha certeza disso ou daquilo, que estava confuso. Enfim, esse meu conhecido padecia de um amor não correspondido no local de trabalho. Um osso duríssimo de roer e que nem sempre acaba bem. Vide os barracos e mal entendidos nas festinhas de confraternização das empresas.
Tentei ajudar, explicando que a conquista amorosa é como ganhar um Brasileirão, tem que marcar pontos em todas as rodadas e, mesmo assim, é possível que algum concorrente da parte de baixo da tabela, atropele todo mundo e ganhe o título, ou melhor, o amor da moça. Ele perguntou, ainda desanimado: - “Tipo o São Paulo, em 2008?”. Sim, claro! Agora bastava saber se esse meu amigo estava no G4, na zona da Libertadores ou na zona da degola da conquista amorosa. Bastava que ele respondesse às seguintes perguntas que foram desenvolvidas por mim, durante anos de pesquisa nesse assunto. Eis:
1 – Já esteve em contato com a moça fora do ambiente de trabalho?
2 – A moça já te chamou para conversar no Whatsapp? (veja bem, leitor, chamar para conversar não é a mesma coisa que responder ao chamado, mesmo que seja um dia depois)
3 – E nas conversas de Whatsapp, quem manda mais emoticons, você ou ela? (sim, isso tem base científica)
4 – A moça já ligou para falar de qualquer assunto que não seja relacionado ao trabalho? (se o leitor respondeu negativamente à pergunta nº 2, nem precisa se dar ao trabalho de responder essa)
5 – Vocês já conversaram sobre assuntos que não dizem respeito à rotina ou ao ambiente de trabalho? Se sim, vocês têm alguma coisa em comum?
Bom o teste é simples, mas, pelas minhas contas o amigo entrou na zona do rebaixamento. Acredito que a moça em questão não sabe nem o nome dele. Lamentável. Expliquei que o teste era tiro e queda e que o melhor a fazer era esquecer aquela paixonite adolescente e se concentrar no que era realmente importante; o jogo de volta contra o Ceará. O Tricolor precisava dele.
Amigos, o homem inflou o peito e se encheu de energia. Foi quase que uma ressurreição ali na minha frente e com o garçom do Ibotirama por testemunha. Tomou o último gole de cerveja, bateu o copo no balcão, num dramaticidade sem propósito e disse: “Você esqueceu de fazer a pergunta mais importante”. Tentei ainda sorver o último gole do suco de limão, mas, só tinha a espuma, bati o copo no balcão atraindo um olhar de reprimenda do garçom e emendei: “Qual pergunta?”. Esse meu amigo sorriu como se tivesse descoberto o final da temporada do Game of Thrones e disse: “Ainda hoje eu perguntei para qual time ela torcia. E sabe o que ela respondeu?”. Nem me preocupei em responder aquela bobagem. Ele prosseguiu: “Ela é são paulina, são paulina, bicho!” E esse meu amigo saiu do Ibotirama, em direção à Paulista, como se fosse comemorar um título, me deixando ali, sozinho, no balcão com uma despesa de 01 suco de limão, 02 Stellas e 01 Steinhaeger que eu nem vi ele bebendo, mas, que o garçom e o gerente do Ibotirama juraram de pés juntos que ele bebeu, sim.
Fiquei ali naquele balcão apinhado de gente por mais alguns minutos tentando entender o que tinha acontecido. Da onde veio aquela demonstração de perseverança? Após alguns minutos, já descendo a Rua Augusta, foi que compreendi o raciocínio daquele “Zé Doidim”. Lembrei que em alguns textos aqui no Patativa ressaltei o quão ilógica e irracional era a paixão clubística, capaz de aglutinar pessoas tão diferentes sob a mesma bandeira, a mesma camisa. No mínimo ele deve ter interpretado que a paixão clubística era capaz, por si só, de enlaçar pessoas diferentes, sem afinidades e sem atração mútua. Que viagem! Enfim, acho que preciso tomar um pouco mais de cuidado com as coisas que escrevo nesse blog.

terça-feira, 28 de julho de 2015

Esperança do futebol brasileiro: Palmeiras e Atlético Mineiro

 

Chegada décima quinta rodada do campeonato brasileiro. Diferente dos outros anos, dos quais o Cruzeiro surgiu como o grande favorito, este ano estamos com uma tabela embolada e cheia de enigmas. Cruzeiro está longe das primeiras posições, mas outro time mineiro aponta como favorito: Atlético Mineiro é hoje a equipe que melhor joga o futebol brasileiro. Longe de ser uma equipe brilhante, o Galo tem mostrado um futebol ofensivo, com alguma criatividade e alguns atalhos próximo ao gol. Nada de grandioso, mas com certeza um oásis impossível em equipes que ainda pensam na defesa como o melhor ataque.

Outra equipe que decidiu priorizar os gols, Palmeiras vem surgindo nas primeiras colocações. A chegada do técnico campeão dos últimos anos fez com que a equipe tivesse uma postura diferente daquela de Oswaldo de Oliveira. Resumindo: Marcelo Oliveira surgiu para definir um padrão, uma forma; Oswaldo saiu depois de catalogar todos os jogadores. O torcedor palmeirense descobriu os jogadores disponíveis para a campanha 2015 com Oswaldo, mas só descobriu o time com Marcelo. Duas propostas diferentes, mas que se complementaram. Palmeiras, assim como Atlético, priorizam o gol, trabalham pelo gol. Não por acaso são as duas melhores equipes na atualidade.

Por fora brigam Corinthians, Grêmio, Sport e São Paulo. Dois deles tem nitidamente a escola pragmática que ensina que não perder já é uma vitória. Corinthians e Grêmio marcam muito bem, sofrem poucos gols, possuem um meio de campo muito forte, mas que são pouco criativos. Jadson pelo Corinthians e Douglas pelo Grêmio ainda são vestígios dos meias brasileiros. O bom desempenho dos dois jogadores é o termômetro criativo da equipe. Corinthians ainda tem Renato Augusto, que mesmo nos altos e baixos, é um dos melhores da equipe. O grande problema é a mentalidade: não sofrer gols é mais importante.

São Paulo cresceu muito com a chegada de um treinador estrangeiro; ainda assim sofre com a inconstância técnica de algum dos principais nomes. Ganso, a eterna promessa, seria o nome correto na criação, inteligência e desempenho do meio de campo. Ele perde espaço entre os titulares exatamente por não existir dentro do campo. Não apenas joga menos do que sabe, como constantemente joga menos do que quem não sabe. Relembro um texto que escrevi sobre o Ganso (quando ainda estava no Santos), dizendo que ele estava pronto para ser um ídolo, assim como jogadores clássicos como Raí e Zidane. Fui longe demais, ele sumiu na história do futebol, e possivelmente não volte enquanto estiver no Morumbi.

Sport é um time de jogadores experientes, que tiveram passagem em grandes clubes, mas que por algum motivo caíram em zonas intermediárias do futebol brasileiro (Zona fora da cruz São Paulo-Rio de Janeiro, Minas Gerais e Rio Grande do Sul). Sport pode conseguir uma ótima classificação no brasileirão, mas é minha última aposta para o título.

É claro que ainda é muito cedo para dizer quem pode ser campeão. Principalmente num campeonato de tão baixo nível técnico. Mas, pelo que vi até agora, Atlético Mineiro e Palmeiras são os dois principais concorrentes. Corinthians (se mudar a postura) pode dar algum trabalho. São Paulo (se entender seu treinador e se motivar para tal, também é nome muito forte). Qualquer outra equipe hoje é azarão, assim como é improvável que o campeonato brasileiro melhore com o passar dos meses.



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segunda-feira, 15 de junho de 2015

Eu, Didi e o futebol.

Hoje faz uma semana que meu pai se foi. Nem preciso dizer o quão difícil têm sido esses últimos dias. Ainda estou tentando digerir tudo o que está acontecendo. Mas, mais do que escrever sobre a ausência, a perda, quero utilizar esse espaço do Patativa pra falar sobre futebol e sobre a relação da minha família, do meu pai com o futebol.

Inicialmente, esclareço que meu pai cresceu nos anos 1940. Antes do Maracanaço, antes de Pelé brilhar nos campos da Suécia, antes de o futebol brasileiro, definitivamente, conquistar o mundo. Mas, mesmo assim, o Brasil já era o país do futebol. Sem tanta grana, sem arenas multiuso, sem transmissão de tevê. Ao invés disso, existia um amor inexplicável pelo futebol, que era jogado nos campos de terra batida e assistido por um séquito de fanáticos pelo nobre esporte bretão. Sem novela ou Netflix, o futebol era o verdadeiro passatempo nacional e Leônidas da Silva era o seu maior astro.

Ser reconhecido como grande jogador naqueles tempos era algo um pouco mais difícil do que nos dias de hoje. Não existia videotape ou DVD editado por empresários. Aliás, acho que nem empresário tinha. Numa época em que praticamente todos os garotos nesse país jogavam futebol, os craques somente eram reconhecidos por quem testemunhava in loco as suas habilidades. A fama vinha no boca a boca mesmo.

Meu pai jogou futebol nos anos 1950 e 1960. E, tenho que acreditar que jogou muito bem. Um craque, na opinião de quem o assistiu em campo, comandando o meio de campo das equipes por onde jogou. Ganhou o apelido de Didi. Aquele mesmo da “folha seca”. Mas, nunca foi profissional. Chegou até os juniores do São Paulo FC. Após, foi servir o exército e nunca mais tentou lugar num grande clube. Afinal, os tempos eram outros. Não existia tanto dinheiro no futebol como nos dias de hoje. Não dava pra alimentar o sonho de ser jogador de futebol por muito tempo. Era preciso arrumar um emprego, sustentar a casa, etc... e tal. Mas, isso não impediu que ele jogasse, como amador, por diversos times da várzea, pela Seleção da Federação Paulista de Futebol e, dizem até que jogou no Maracanã.

Eu nunca vi meu pai jogar futebol. Na verdade, acho que assisti, ainda criança, um jogo de futebol de salão, numa quadra perto de casa. Não lembro ao certo. Sei que, naquela época, meu pai já sofria com dores nas articulações do joelho, o que, provavelmente, tornavam o futebol uma experiência mais dolorosa do que prazeirosa.

Quando criança, lembro mais de meu pai me levando à escola ou saindo pra trabalhar e voltando do trabalho já de noitinha. Depois, já aposentado, lembro que era eu quem saía para o trabalho enquanto ele ficava em casa, mas, a sua carreira de jogador parecia algo tão longínquo, tão distante quanto a descoberta do fogo. E, para falar a verdade, meu pai só falava dessa época quando perguntado. Esse passado aparecia, ocasionalmente, sob a forma de uma pergunta dirigida a mim, por quem, em algum momento, viu meu pai jogar: “Você também joga bola?” - talvez tentassem encontrar em mim um novo craque. Logo após, talvez um pouco desapontados com a minha resposta negativa emendavam: “Seu pai jogava muita bola, era craque”! Tem sido assim, e foi assim até no dia do velório de meu pai.

Mas, amigos, por uma dessas ironias da genética nunca joguei futebol na minha vida. No máximo, corri atrás da bola e da canela dos adversários. Sou um cabeça de bagre assumido. O talento com a bola não foi herdado. Atualmente, fujo de qualquer situação que possa me colocar num mesmo espaço físico que um campo e uma bola de futebol. Fiquei, sim, com a paixão pelo São Paulo FC que, na minha família, tem passado de pai pra filho(a) e é quase proporcional à aversão que sinto pelo Corinthians. Aprendi a ser são paulino com o meu pai. Isso mesmo. Ninguém nasce torcedor, a gente aprende a curtir as alegrias e tristezas que um time de futebol proporciona, com o tempo, com a vontade de compartilhar até mesmo o sofrimento. Acho que foi assim com meus irmãos também.

Engraçado. Lembro agora que o último jogo que assisti com meu pai foi já nesses tempos difíceis de hospital, internação, medicação etc. Foi um São Paulo e Corinthians pela Libertadores, transmitido pela televisão do quarto do hospital. Ganhamos o jogo. Meu pai, mesmo acamado, vibrou com a vitória. Foi o nosso último jogo do Tricolor, um clássico contra o Corinthians. E, vencemos. Fico feliz que tenha sido assim. Nenhum corintiano vai tirar sarro no dia seguinte. Você riu por último.

Missão cumprida, Sêo Didi!

quinta-feira, 7 de maio de 2015

O bem intencionado


Futebol é escola, aprendizado para a vida. E quem diria que no jogo de ontem a noite eu receberia uma lição tão preciosa a ponto de desmentir a sabedoria popular.


De boa intenção o inferno tá cheio.

Repito essa frase há quarenta anos e, até ontem, no final do jogo entre São Paulo e Cruzeiro esse ditado era a expressão máxima do pragmatismo popular. Afinal, caros leitores, a frase do autor desconhecido faz todo o sentido. Não basta que as intenções sejam boas, é fundamental que o resultado seja igualmente bom. Na noite de ontem, um Morumbi apinhado de gente pôde testemunhar que a frase é uma bobagem e que o seu autor, esse sim, merecia ir pro inferno. Explico.

O São Paulo é um time de jogadores bem intencionados. Não digo aqui do caráter dos futebolistas, mesmo porque não conheço nenhum deles. O jogador bem intencionado é aquele que cumpre o plano de jogo do treinador, mas, executa mal quase todas as funções com a bola nos pés. A boa intenção não é traduzida em gols ou em jogadas de efeito. A boa intenção, no campo de jogo, é só suor. E sua porque não domina a técnica do jogo, não conhece os atalhos do campo. O Messi não sua. O Cristiano Ronaldo também não. Mas, o jogador bem intencionado está sempre suando, ofegante, esparramado no chão, gritando de dor ou de desespero e com o uniforme sujo.

Na noite de ontem, tínhamos um time de onze homens bem intencionados, comandados por um treinador interino, igualmente bem intencionado, enfrentando onze camisas azuis do Cruzeiro. Não vi jogador algum do time mineiro, apenas as camisas. Acredito que o time ficou em Belo Horizonte mesmo, assistindo o jogo em algum telão na Savassi. Mandaram pra São Paulo somente o varal de roupas. Bom, isso não é um grande problema, afinal, recentemente, assisti derrotas terríveis do São Paulo para onze baldes, onze cones de sinalização e até mesmo para onze fogos buscapé.

O time Tricolor dominou a posse de bola e a marcação no meio campo, desde o primeiro minuto de jogo. Infelizmente, os nossos meio campistas eram bem intencionados demais para acertar aquele último passe, a chamada assistência e, mesmo quando acertavam, os nossos atacantes eram bem intencionados demais para anotar os gols que poderiam decretar uma derrota de Scolari às camisas do Cruzeiro. Mas, nada feito. A bola só podia estar com má intenção, porque até o árbitro do jogo, um conhecido gatuno sulamericano, parecia que estava bem intencionado também. Mas, aí acho que num outro sentido.

Quando o desespero já tomava conta das arquibancadas do Morumbi e a saliva já escorria do canto da boca desse blogueiro, eis que um dos jogadores mais bem intencionados em campo, o argentino Centurión, aproveitando um cruzamento que veio da direita, anotou de cabeça, num mergulho daqueles que poderia ilustrar a capa do jornal no dia seguinte, se ainda existisse jornal impresso. O mergulho só não foi mais acrobático que o salto que esse blogueiro deu da poltrona, assustado, no despertar de um sono já bem prazeiroso. Mais importante que isso, foi a queda do mito.

Após o apito final do árbitro, ninguém mais poderia gritar num campo de futebol que de boa intenção o inferno tá cheio. O inferno mencionado na frase, seria a derrota ou até mesmo um empate em casa, mas, às vezes, num campo de futebol, a boa intenção é suficiente pra garantir o resultado. E foi exatamente isso que aconteceu. O gol do argentino bem intencionado, de um time bem intencionado, comandado por um técnico igualmente bem intencionado levou o São Paulo e a sua torcida aos céus.










segunda-feira, 13 de abril de 2015

Netflix 4 X 1 Globo: Globo torcendo para chegar à semifinal.

 

Depois de idas e vindas, meses de uma competição medonha, estamos onde realmente importa: semifinal do Paulista. Embora não acreditasse que os quatro grandes ficassem fora dessa fase, sempre valia pensar que algum time considerado pequeno pudesse estragar a festa de alguém. Não teve jeito: Corinthians, Santos, Palmeiras e São Paulo farão jogos emocionantes, cheios de alternativas; valendo o começo da tabela do futebol em 2015.

Mais ou menos isso.

Corinthians enfrentou o pior adversário dos classificados, tirando, evidentemente, os outros três grandes. Ponte Preta sempre é um adversário complicado. Mostra, nas entrelinhas, o quanto o regulamento é pífio. Pior: aceito por todos os participantes. Corinthians com a melhor campanha corria o risco de ficar fora da próxima fase, pois não existia qualquer vantagem (exceto jogar no seu próprio campo) depois de meses de competição. Por sorte dele, azar do adversário, um gol legítimo fora anulado na primeira etapa, o que complicaria ainda mais a sua vida. Lance difícil, mas indiscutível.

Palmeiras que também se classificou contra o Botafogo foi outro “beneficiado” pelo regulamento. Jogou contra um time fechado, que sabia que a única vantagem era suportar os noventa minutos de ataque maciço do adversário, e quem sabe num lance qualquer, chegar até um gol salvador. Botafogo jogou com as armas que possuía, e quase deu certo. Apesar do Palmeiras jogar melhor, Botafogo parecia mais perto de uma loteria (decisão por pênalti), que o colocaria em pé de igualdade. Palmeiras venceu no sufoco, mas venceu jogando bem; diferente do Corinthians; que fez uma das suas piores partidas do ano.

Santos e São Paulo treinaram no final de semana. São Paulo precisando afastar a crise não teve qualquer problema ao ver seu ídolo maior, e recentemente discutido, abrir o placar. Um gol de falta como há tempos não fazia. Por problemas mercadológicos, midiáticos e afins, não pude saber do Santos. Na questão estratégica da Globo, detentora dos direitos de transmissão; o jogo não foi transmitido. Assim, não posso fazer qualquer comentário sobre aquele que poderá ser o finalista do Paulistão (Globo nos agraciou com um filme visto dezenas de vezes pelos assinantes do Netflix). Aliás, vídeo sobre demanda (aportuguesado por quem vos fala) é a salvação da programação esportiva: podemos ficar longe dele.

Enfim, o Campeonato Paulista começa agora. Embora com uma cara de torneio preparatório, com um certo romantismo nostálgico; o campeonato mostra aos torcedores realmente como estão suas equipes e o que esperar deles em competições um tanto equilibradas. Palmeiras e Corinthians deram um passo maior, poderiam ser os finalistas. Santos mostrando a força de sua base. São Paulo desconcertado, desorganizado; mas não morto.

E vamos acabar logo com isso, pois tenho mais uma série para acompanhar.




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quinta-feira, 2 de abril de 2015

Mais uma ciência humana: o futebol


Futebol tem lá suas particularidades. Mas, em algumas oportunidades, só conseguimos entendê-lo de fato fazendo determinadas comparações. O futebol da Libertadores, especificamente para São Paulo e Corinthians; tem pesos e medidas completamente diferentes. Parece que estamos tratando de apresentações opostas, na grandeza, na forma e na história. Um desavisado qualquer do futebol, trataria o São Paulo como aquele time médio, pequeno; mal em todos os aspectos. Corinthians grande, espetacular; invencível. Mas vamos com calma, que nem tudo parece tão óbvio.

Um dos esportes em que o aspecto psicológico arregaça as mangas e vai para o campo é o futebol. Lá dentro do campo, quando começa a disputa, cada individualidade age no emaranhado de situações, fazendo com que o coletivo reaja às diversas partes do jogo, como um passe, um chute e um cabeceio. A técnica, a habilidade; são fatores importantes numa equipe, mas a maneira em que essa habilidade é imposta, cabe uma enorme diferença. Por isso que temos ao longo da história equipes habilidosas que não conseguem nenhum título e equipes medíocres campeãs.

São Paulo e Corinthians agem e reagem de forma diferente. Ainda que não haja uma gritante diferença técnica, existe uma visível diferença prática. Corinthians se posta em campo como quem quer ganhar, quem sabe que pode ganhar; quem é exigido por todos (inclusive internamente) para ganhar. Mostra em cada uma de suas passagens, seja no passe ou numa jogada ensaiada; que aquilo faz parte da vitória. Não estão ali para decidir, mas pare definir. O objetivo principal, imposto pela motivação regular do técnico Tite, é que a vitória será melhor se justa; se merecida; batalhada.

Enquanto isso, no São Paulo, há uma tendência ao derrotismo; a acomodação de que é possível perder. Não há culpa, nem dor na consciência ao não conseguir fazer um gol. Existe uma vontade enorme em ganhar; em acertar, em fazer bem o papel dentro de campo; mas mesmo assim, ainda que a vitória seja um objetivo, ela é apenas decidida, mas não definida. Sair derrotado, ainda que doloroso, parece fazer parte do jogo. Não há, pelo menos visivelmente, aquele semblante construtivo; ganancioso. Falta no São Paulo a motivação vitoriosa que hoje podemos encontrar no Corinthians.

Talvez por isso os jornais de hoje coloquem o Corinthians como invencível e o São Paulo como o derrotado. A expectativa de um viés vitorioso do alvinegro foi vista e testada das mais diversas formas: com jogador a menos, fora de casa; jogando mal; jogando contra os grandes; jogando quando a adversidade parecia ser um grande inimigo. Em todos esses momentos a expectativa trouxe elementos para a vitória. Do outro lado, do São Paulo, a adversidade, mesmo quando não existia; era criada como um boato qualquer que derruba as melhores e mais lucrativas ações.

Mas creio, mesmo que a lógica e as estatísticas mostrem isso com certa clareza; que o futebol não é assunto tão fácil; que nele não se pode enumerar argumentos tão nítidos; uma hipótese tão certeira. Não pode catalogar São Paulo tão pessimamente, oposto ao Corinthians. As grandezas são conceitos que podem se enquadrar em qualquer clube de futebol: podemos diminuí-los ou aumentá-los quando acharmos conveniente. E parte dessa grandeza só acontece com os resultados: São Paulo e Corinthians iguais seriam manchetes parecidas e expectativas de grandes jogos.


segunda-feira, 9 de março de 2015

Vâmo bate panela, vê se o gigante acorda!

Vâmo bate panela, que a dispensa tá vazia!
Vâmo bate panela, vê se o gigante acorda
Vâmo bate panela, amanhã é outro dia!
Vâmo bate panela, que eu já num “güento” a freguesia!

Estou aqui de panela em punho pronto pra engrossar, junto com outros tantos milhões, o Bloco dos Descontentes. É claro que não falo do “panelito” que dizem ter ocorrido, ontem, durante o pronunciamento presidencial, mas sim, à derrota do São Paulo FC, no clássico Majestoso, contra um desinteressado Corinthians, em pleno Morumbi.

Não é só pela derrota, em casa, contra o rival. Não é só porque foi a segunda derrota no ano para o mesmo rival. Não é só porque o time não joga bem. Não é só porque o adversário nem precisa jogar bem pra ganhar. É por tudo isso e muito mais, porra!

É chegada a hora de o gigante acordar. E nem precisa ser tão gigante assim. Basta o Paulo Henrique Ganso, o Luis Fabiano, o Rogério Ceni e o técnico Muricy Ramalho acordarem para a coisa toda melhorar um pouco. Sim, hoje, vou “panelar” somente contra os medalhões.

O PH Ganso, que em outras temporadas tinha lá seus lampejos de genialidade, nesse ano de 2015 optou por um estilo “ph neutro”. Nem ácido nem alcalino, nem craque nem cabeça de bagre. Entra em campo e ninguém percebe. Se sair de campo, ninguém sentirá falta, tal a sua prostração criativa. Assistir o PH Ganso jogar, para mim, é quase como ouvir um disco da Adele. Eu sei que tem talento ali, sei que a produção é caprichosa, sei que a crítica aplaude, mas, é chato pra cacete!

Tenho saudades do Luis Fabiano que ameaçava largar tudo, abandonar o clube, assinar com o Corinthians. Se for por falta de adeus, não se faça de rogado. Não quero ser injusto com aquele que é um dos maiores goleadores da história do São Paulo, mas, convenhamos, o Luis Fabiano atual produz muito pouco em campo e, se ele não suporta o fato de amargar um banco de reservas, talvez, esteja na hora de marcar o seu jogo de despedida.

Eu prometi, dentre as minhas resoluções para o ano de 2015, não criticar de maneira muito dura o Rogério Ceni. Entendo o significado do ídolo para as novas gerações de são paulinos, respeito a sua trajetória no clube, mas, sinceramente não sei se aguentarei por muito tempo essa turnê de despedida do Rogério Ceni. Se fosse apenas pelo gol defensável que tomou, vá lá, tudo bem. Mas, perder um pênalti (de novo) num jogo como o de ontem é um crime inafiançável. E nem me venha com essa história de que “só perde pênalti quem bate”. Bom batedor de pênalti nem fala isso.

E, por fim, Muricy! Poucas pessoas no futebol brasileiro atual merecem tanto o meu respeito quanto Muricy Ramalho. Como torcedor, reconheço o tricampeonato brasileiro como o maior feito esportivo que um clube futebol brasileiro já conquistou, dadas as dificuldades que envolvem ganhar três campeonatos seguidos, mas, já de algum tempo, o time vem jogando mal, sem padrão de jogo e, durante as partidas, o treinador não tem conseguido reverter a situação. Eu sei que um técnico como o Muricy sempre vai ter algumas rodadas de crédito, mas, se o time não ganhar o Paulista e não avançar, pelo menos, até às quartas de final da Libertadores, acho que a página Muricy precisa ser virada da história do São Paulo.

E nem é só por isto tudo, mas, também por todo o resto que o São Paulo FC não tem feito nos últimos anos e que parece que não vai fazer nessa temporada.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Verdadeira Libertadores: Primeiro jogo de verdade

Começou ontem a Libertadores para o Brasil. Este ano com cinco clubes brasileiros, todos com pelo menos um título no curriculum. Corinthians e São Paulo no grupo da morte. Hoje um jogo que dirá muito sobre o restante da temporada.


Libertadores começou ontem para o Brasil. Embora o Corinthians já tenha participado de dois jogos decisivos, ainda não era Libertadores. Tinha todo o tempero de uma decisão, todos os elementos dramáticos de um torneiro sul-americano, mas não era Libertadores. Libertadores começou ontem com a derrota do Internacional; começará hoje com um Majestoso. E para o bem do campeonato, ele deveria começar sempre com clássicos, não importando brasileiro, argentino e uruguaio.

Corinthians e São Paulo precisam da vitória. É o primeiro jogo ainda, coisa e tal. Mas a vitória é essencial quando se está num grupo de dois grandes times nacionais e o atual campeão da Libertadores: San Lorenzo. Uma vitória não representará muito para a classificação, mas será decisivo no comportamento em outros jogos. A vitória do Corinthians trará uma esperança maior para quem terá dois jogos fora de casa: San Lorenzo na Argentina, num estádio vazio por causa da punição e contra o Danúbio no Uruguai.

Bom, fiquemos, por enquanto, com o clássico: palpite? O chavão “tudo pode acontecer” é evidente, mas um tanto menos quando olhamos para os dois clubes. Futebol não tem lógica, mas é lógico muitas vezes. Favoritismo do Corinthians por dois motivos simples, mas essenciais: Já está no clima da competição, pois teve enfrentamentos mais complicados na temporada; um conjunto melhor adaptado ao estilo Tite. São Paulo tem um dos melhores treinadores, jogadores individuais de grande talento; mas ainda não sofreu um grande embate na temporada. Das vezes que foi exigido sofreu para manter a regularidade nos noventa minutos.

Dessa oscilação do São Paulo nasce o favoritismo do Corinthians.

Então o Corinthians irá golear o São Paulo? Não. Não existe qualquer prognóstico nos clássicos além de saber quem está melhor preparado. Qualquer resultado é extremamente normal, exceto 7 X 1. São Paulo ganhar por dois gols de diferença depois de um sufoco do Corinthians, Corinthians ganhar de um gol de diferença depois de uma retranca são-paulina; e por ai vai. Os números estatísticos ao final da partida talvez não revelem nem um terço do que será o jogo: a emoção de não querer perder a primeira partida da Libertadores num grupo difícil e contra o pior inimigo.

Não acredito que a derrota de um dos dois clubes, ou um empate terrível, seja o fim da linha para as equipes. Até espero que dois clubes se classifiquem para a segunda fase, retomando uma supremacia brasileira pelo menos no terreno sul-americano. Agora, imaginar qualquer um dos dois enfrentando clubes europeus, o frio da barriga é enorme. O que mostra que estamos nos contentando com pouco na Libertadores que, quando surge um jogo como este de hoje; torna-se um evento tão grandioso como a final do campeonato.


sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

Um museu de grandes novidades


Depois da avalanche Copa São Paulo de Futebol Júniores, com suas dezenas de equipes, e em alguns casos, um tanto bizarros, chegamos ao Campeonato Paulista. Segunda etapa na agenda dos clubes, o regional continua com a cara de preparação para o restante da temporada. As grandes equipes cada vez mais desinteressadas e federações cada vez mais ricas. O Paulista apenas com um atrativo romântico: seu lado histórico e de tradição inibindo o lado crítico e do entretenimento. E como dizem: é legal ganhar o Paulista, embora não seja tão importante.

É bem provável que uma surpresa aconteça, como por exemplo uma equipe do interior consiga o título – Ainda que não seja mais uma novidade, visto o título do Ituano o ano passado. Afinal de contas, parece que a continuidade da competição seja a solução menos dolorosa para equipes menores, que enxergam a oportunidade de bons contratos publicitários com jogos de maior visibilidade. Enfrentar um time grande é a chave de sucesso para equipe menores, com arquibancadas cheias em pelo menos quatro jogos por ano.

Dos grandes paulistas, Palmeiras parece mais sedento em relação a competição; pois a vê como grande chance de retomar o caminho vitorioso, e quem sabe, menos problemático das últimas temporadas. Seria o grande começo de Nova Era para o clube voltar a ser campeão. Embora tenha conseguido o título nacional com Felipão, a verdade é que a equipe há muito não brilha como um time verdadeiramente grande Uma coisa é o discurso dos torcedores, outra é o pragmatismo das competições. É claro que nenhum torcedor irá renegar a história, falar sobre o “manto”; a tradição e assim por diante. Mas nada disso ganha títulos.

Corinthians e São Paulo voltados para a Libertadores. Evidente que não deixarão de lado o Paulistão; mas esse interesse é apenas relativo, pois vai diminuindo a medida que etapas no torneiro continental vão sendo ultrapassadas. Entre uma semifinal da Libertadores e a final do Paulista, o segundo terá apenas um mistão, ou seja, cheio dos jogadores considerados “não-titulares” – De um tempo para cá a palavra reserva tem sido substituída por termos menos pejorativo. 

Santos numa completa renovação de diretoria, jogadores e crises financeiras. Nem quem acompanha a equipe sabe exatamente o que pode esperar dela.

Pois é, acabou a Copa São Paulo de Futebol Júnior com mais um título do Corinthians. Aperitivo na programação do futebol profissional, a competição sempre se vangloriou por ser o celeiro ideal de craques do futuro não revelará nada para o Paulista. Temos grandes velhas novidades nos clubes. Um museu de grandes novidades, como já cantou Cazuza. Zé Roberto, Dracena, Ricardo Oliveira e afins. Jogadores que já mostraram seu valor são menos arriscados e mais baratos que os novos pseudos-craques surgidos no futebol júnior. A maturação de um profissional é algo impossível nos tempos atuais. Jogadores, muitos deles grandes jogadores, só poderão ser vistos em times de menor expressão ou expressão nenhuma. Somente ali podem crescer, se tornarem opção para os clubes; não apenas promessas. 

Neste aspecto, a Copa São Paulo de Futebol Júnior parece valer muito mais que o preenchimento de tabela do Paulistão. Pelo menos na competição amadora podemos ver o futuro do nosso futebol, não apenas torcer por uma nostálgica sensação de que um dia fomos os melhores no esporte.



quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

2015: Começos e recomeços

Em primeiro lugar, desejo um feliz 2015 a todos os colaboradores e leitores desse espaço. O ano não parece ser muito promissor para o nobre esporte bretão. O futebol brasileiro ainda está em negação, termo muito usado na psicologia, quando o paciente se recusa a aceitar uma verdade. O 7 a 1 não foi  digerido da forma devida, não tivemos o nosso merecido luto, não tivemos tempo de homenagear o nosso morto, refletir sobre os erros cometidos, encontrar o equilíbrio necessário para planejarmos o futuro. Não. Nada disso. Fizeram-nos engolir uma dose cavalar de Dunga goela abaixo, abriram as cortinas e prosseguiram o espetáculo. “The show must go on”, como já cantava o Freddy Mercury no Queen.

Por falar em negação, psicologia e outros “offsides” da mente humana, acabo de lembrar do retorno do zagueiro Breno ao elenco titular do São Paulo. Para quem não se lembra da história, o Breno estourou no Tricolor com 17 anos, em 2007, e foi vendido a peso de ouro para o Bayern de Munique. Não se adaptou, não se firmou, não jogou e, num caso, pra lá de bizarro, ateou fogo na própria casa, sendo condenado pela Justiça alemã a permanecer 03 anos no cárcere. Cumpriu a pena e retornou para o Brasil, para a temporada 2015.

Vale dizer que, antes de ir para a Alemanha, considerava que o Breno tinha potencial para ser um grande zagueiro. Jogou muito bem ainda novo e poderia, com a experiência de uma liga forte européia e bons técnicos, ser um jogador melhor que o Thiago Silva, por exemplo. Eu disse potencial. Ele não se tornou nada além de um jogador mediano, regular. Em momento algum mostrou que poderia ser titular do Bayern. Foi emprestado, teve lesões e, para piorar, foi condenado e preso na Alemanha por 03 anos. Durante os últimos 03 anos esse rapaz não teve uma vida de jogador profissional, mas sim, de um preso em recuperação. Ninguém desaprende a jogar bola, mas, perde condicionamento físico e, principalmente, técnico para executar as funções em campo. Futebol é um esporte de habilidades e que exige prática constante. Não acredito que o Breno consiga ter uma carreira profissional como jogador.

Contudo, acho importante falar do homem-jogador, talvez o ser menos importante nessa engrenagem chamada futebol profissional. O episódio do Breno mostra que o homem-jogador tem uma vida fora dos gramados e das fotos nas redes sociais que nem sempre é feliz, colorida. Quando o juiz apita o final do jogo e a torcida esvazia as arquibancadas, alguns homens-jogadores têm que viver uma vida, às vezes, insuportável. A verdade é que, apesar de todo o dinheiro e fama, muitos dos problemas que atormentam a minha e a sua vida, embaralham, também, a cabeça dos grandes astros dos gramados.

Eu nem consigo imaginar o quão duro deve ser, para um jovem de 21 anos, ser privado da sua liberdade como ele foi. Por essa razão, fico feliz que o São Paulo tenha aberto as portas para esse rapaz. Ele cometeu erros, mas, ninguém se machucou, ele pagou o que devia à Justiça e, portanto, merece mais uma chance. Se ele acha que ainda pode ser um jogador profissional, então, que lhe seja dada a oportunidade para treinar e mostra para a comissão técnica que ele pode estar entre os onze. Ele ainda é jovem (25 anos) e espero que consiga lidar com os seus demônios e tenha uma vida produtiva, mesmo que o seu futuro esteja fora dos campos.

Enfim, é muito bom poder contribuir com esse espaço mais um ano. Vamos pro ataque!              

  

segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Bola de Ouro: Dudu e as prioridades



Estamos perto do início da temporada 2015. Clubes tentam se reforçar mesmo com os cofres em frangalhos. São Paulo e Corinthians com poucas mudanças. Palmeiras, até mesmo pela situação da equipe o ano passado; é o que mais contratou. Santos perdendo titulares, apostando em sua base - Base que não pode disputar a Copa São Paulo de Futebol Júnior, pois muitos deles já estão na equipe profissional. Dos quatro grandes, apenas Palmeiras gera uma grande expectativa.

São Paulo e Corinthians de olho na Libertadores não fizeram grandes mudanças. Quer dizer, Corinthians trouxe um novo treinador; que é a antiga cara de um clube campeão. Mas as perguntas que surgem são: Tite superará seus últimos dias de Corinthians antes de ser substituído por Mano Menezes? Corinthians conseguirá manter a ordem, um planejamento ou mesmo ajuste financeiro numa administração parcial (já que o atual presidente está, mas não manda; o próximo eleito não está, mas quer mandar)?

A briga pelo atacante Dudu e a renovação do contrato do Guerreiro são indícios de que Gobbi e Andrade não falam a mesma língua. A decisão de manter as eleições para fevereiro poderá prejudicar a temporada, já que o clube precisa de dinheiro e precisa muito passar pela fase classificatória da Libertadores (não apenas pela pressão pelo título, mas pelo dinheiro que poderá entrar caso continue na competição).

Dudu, aliás, é a bola da vez da discussão. Embora não esteja competido pela Bola de Ouro; parece tratar-se de um fenômeno. É claro que ainda não é, evidente que não podemos dizer que não virá a ser; mas uma coisa é certa: primeiro, a briga dos três clubes grandes mostra quais as intenções para o ano de cada um dos clubes; e segundo, mostrou que estamos numa entressafra gigante de novos craques. Em outra época um jogador não fosse lembrado por metade dos torcedores dos clubes, não era um investimento desejado. Dudu eu ouvi falar depois que começaram a brigar por ele.

Não se ouve falar de crise financeira no Tricolor Paulista; não que não exista. São Paulo sempre deixou muito bem claro que os assuntos internos acabam sendo considerados desse modo. Diferente de Corinthians, Palmeiras e Santos que fazem de suas vidas um livro aberto. Dudu não foi para o Corinthians pois os jogadores estão com salários atrasados; e era melhor resolver primeiro esse problema que trazer um outro desconforto. São Paulo não comprou Dudu, pois parecia não ser de total interesse. Palmeiras o trouxe porquê precisava e muito.

Embora a mídia queira notícia para fomentar o Paulista (que não vale absolutamente nada, mas todo mundo quer ganhar); a questão do Dudu não foi uma guerra pela melhor administração; quem fez a melhor contratação; ou quem vai ser campeão em 2015. Mostrou, na verdade, que todos os clubes estão numa situação tão tensa que qualquer migalha pode ser o pote de ouro no final do túnel. Ainda que Dudu não seja uma migalha; fizemos muito barulho por uma contratação que, em outras épocas, seria absolutamente normal.