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sexta-feira, 8 de fevereiro de 2019

Futebol de Resultado: O poder de uma bola!



Reinauguro minha coluna no Patativa da Bola depois de um show de horror. Corinthians versus Ferroviário do Ceará. Mando de campo invertido na prática para jogo decisivo pela Copa do Brasil. Na teoria Corinthians passaria fácil. Não foi bem assim que aconteceu: de um lado um time jogando a vida, do outro um time com cara de fase preparatória. Assim como acontece em jogos regionais, o fino da bola é algo irregular no aspecto tático, técnico e estético. Um jogo horroroso onde o visitante deveria ter mais sorte. Talvez mais cabeça também, evitando facilitar a vida do Corinthians ao querer mandar o jogo junto à torcida adversária: Money, get away. Resultado foi um empate medonho com cara de derrota.

Cheguei ao tema desse texto exatamente por uma análise crítica do que é ser torcedor nos dias de hoje. Afinal de contas, não é a primeira vez que me vejo olhando para o resultado, placar e regra da competição para me orgulhar do meu time. Passamos para a segunda fase! Não deu zebra. Deu a lógica. Que felicidade a minha passar cada etapa e descobrir que ainda estamos brigando pelo título. Futebol é isso? Passou a ser. Infelizmente. Não sei quando começou essa tendência de futebol por resultado, só sei que é fiel a proposta de jogadores, treinadores e dirigentes. Estamos todos no mesmo barco e todos soltam fogos quando um time se classifica, mesmo por vias tortas. A pergunta que fica na cabeça do torcedor é uma pergunta filosófica, um modelo ético a ser seguido: quer o seu time campeão ou quer o seu time jogando bem? 

Talvez seja a Síndrome de Sarriá. Sofro disso. Minha geração sofre disso. É quase como um torcedor bipolar. Na minha inconsciência queria meu time goleando, tabelas maravilhosas e uma zaga segura. Na minha inconsciência eu olho meu time classificado. Jogos ruins justificam os meios. O inconsciente nunca sabe se o que é bom é realmente certo? Um dos desconfortos da síndrome é exatamente chorar pela eternidade pelo leite derramado. Prefiro sorrir a inconstância que amargurar a segurança. Classificado, sabe o que significa isso? Significa que daqui alguns dias pouco importa o jogo. Sempre será assim, com jogo roubado, com resultado duvidoso e com partidas horrorosas. A estatística e a justiça são cegas no futebol, a razão ainda mais.

Corinthians tem mostrado essa artimanha do futebol desde quando subiu para a primeira divisão e por isso ganhou mais do que devia. De todos os títulos, poucos foram conquistados por jogadores maravilhosos. Somos a cura de 1982! O futebol brasileiro deve se render ao seu próprio amadorismo. Deve se render ao resultado proposto pela equipe alvinegra! É certo que queria meu time como Santos de Pelé. Queria meu time com classe do Corinthians de Sócrates. Queria meu time como a Academia Alviverde. Queria meu time soberano como São Paulo! Mas esse futebol não existe mais, pois ele faliu juntamente com a Seleção Brasileira de Zico, Falão entre outros. 

Esse futebol sonhado pelos torcedores não é mais coisa brasileira, por isso patinamos na Libertadores, Copa e etc.. Qual a seleção brasileira que faz brilhar os olhos? Nenhuma, meus caros! Porque achamos que o nosso futebol é o melhor do mundo. E sabe quando nosso futebol encherá nossos olhos? Quando enfim descobrirmos o poder de uma bola! Um jogo por uma bola! As conquistas amargas por uma bola!


terça-feira, 25 de outubro de 2016

Capita.


“Capita”, passou a ser abreviação de capitão ou, para os íntimos, o forma de se referir a Carlos Alberto Torres. O capitão do Tri, se foi hoje. Dia triste para o futebol mundial, dia triste para o futebol arte. O termo “Capita”, que poderia ter sido patenteado por Carlos Alberto, acabou também se estendendo por tabela a outros capitães.

A imagem de Carlos Alberto Torres erguendo a Jules Rimet é uma das mais significativas do futebol e uma das mais bonitas para mim, mesmo não tendo acompanhado. Até quem tentou torcer contra na época (em virtude do período militar que assolava nosso país), acabou se rendendo ao futebol arte. A conquista definitiva do melhor futebol já praticado na história suplantou qualquer ideologia.

Os lances da Copa de 1970 e o de Carlos Aberto erguendo a taça, já devo ter visto um milhão de vezes. Por que vi tantas vezes? Porque não cansa.  Não se trata de saudosismo, pois nem nascido eu era na época: Vi, vejo e verei porque é uma espécie de colírio para quem gosta de uma conquista honrada e de um futebol bem jogado.

Carlos Alberto do Fluminense, Santos, Botafogo, Flamengo, New York Cosmos, Seleção Brasileira. Mas também pode ser o contrário: Fluminense de Carlos Alberto, Santos de Carlos Alberto, Botafogo de Carlos Alberto, idem, idem. Dimensão que só os grandes craques, só os mitos conquistam.


O futebol perde uma referência. Não vamos mais ouvir os comentários ou críticas do Capita. Mas a imortalidade do ídolo, do feito, permanecerá. Este que foi considerado um dos maiores defensores e laterais da história do futebol. E além de tudo, foi o capitão do Tri, a maior seleção de futebol de todos os tempos.







segunda-feira, 5 de setembro de 2016

Será que tudo mudou?

 

Prestes a entrar em campo depois da estreia pela seleção, Tite mostra que estamos no caminho certo. Pelo menos essa é a euforia causa depois da vitória por 3 X 0 contra a seleção do Equador. Tudo bem que a seleção equatoriana tem lá seus defeitos, mas não era de se esperar uma apresentação tão boa. Também é verdade que essa euforia toda é coisa típica do torcedor brasileiro, que sai do céu e vai para o inferno em pouco mais de duas postagens. Resta saber o quanto Tite tem os pés no chão e quanto a primeira apresentação não irá atrapalhar o resto do trabalho.

Tudo começou uma semana antes do jogo de estreia, quando foi liberara a lista de jogadores. E vamos ser sinceros, se a lista fosse divulgada pelo Dunga como técnico, seria uma enxurrada de críticas, de nariz torcido e uma má vontade daquelas. Não era para menos. Bom, como a relação era do Tite, até mesmo os nomes mais discutíveis vinham com uma observação quase unânime: Se o Tite escolheu, deve ter suas razões. Ou ainda, se Tite escolheu, deve saber tirar o melhor do jogador. Tudo isso é uma verdade, parece que a confiança em Tite lhe dá aval até mesmo quando a coisa parece totalmente incerta e absurda.

Por exemplo, Paulinho. De uma maneira geral todos os jogadores da geração 7 x 1 estão estigmatizados como perdedores, uma vergonha para o futebol brasileiro; coisa do gênero. Paulinho não foi convocado em nenhuma das oportunidades depois da Copa do Mundo. Não era nem lembrado pelos torcedores, cronistas e palpiteiros. Tite achou o jogador escondido na China, onde podemos dizer que temos um futebol que quer se tornar competitivo, mas de longe é um exemplo de preparação. Paulinho, assim, como aqueles que jogam na China, eram nomes improváveis para uma seleção que pretende recuperar o futebol brasileiro. Ele veio, jogou; titular absoluto.  

Com essa ideia, Tite quer montar uma espinha dorsal de sua seleção, e quando estiver seguro disso; preencherá o campo da maneira que ele acha ideal. Esse preenchimento criativo não será difícil, tem a chance de dois ou três nomes que são jogadores excelentes. Gabriel Jesus mostrou isso, Neymar jogou melhor sem a pressão da faixa de capitão; Marcelo mostrou que pode sim ser um lateral indiscutível. Há muito ainda que se trabalhar, mas a verdade é que ali podemos ver uma seleção treinada, coisa que não vimos nem nos bons jogos do Felipão.

Assim, podemos dizer que Tite está o caminho certo, pois venceu o primeiro jogo. Mas, se levarmos em consideração que Felipão e Dunga tiveram boas estreias, temos que pensar na possibilidade de mudança de planos até o final de ano. Embora acredite que, pela correção, capacidade e seriedade; a seleção brasileira tem uma situação muito melhor com o novo treinador. Há esperança de melhora, de um futebol mais seguro; um trabalho mais consistente. Será que tudo mudou? Longe disso, temos ainda problemas sérios na estrutura do futebol brasileiro. Mas uma coisa é certa: é bem melhor um treinador como Tite tomando conta das coisas pertinentes ao futebol de dentro de campo.




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quinta-feira, 4 de agosto de 2016

Ídolo de papel (moeda)

 

Hoje começa a saga do futebol brasileiro em busca do título inédito. É bem verdade que poucos andam interessados pelo futebol do Brasil. Depois de muitos desmandos (dos dirigentes e dos jogadores), a paixão do brasileiro pelo futebol foi minguando, enfraquecendo-se ao ponto de se tornar indiferente. Temos poucos ídolos. Temos poucos heróis. Talvez o Tite tome esse lugar, mas para isso terá de mostrar resultados. Nada é impossível, embora seja difícil.

Para Olimpíadas no Rio de Janeiro não temos Tite, mas temos Neymar. O maior nome do futebol nacional nos últimos anos, ainda não é, nem de longe, um ídolo que devemos nos orgulhar. É claro que ele ainda é um jovem jogador, e mais jovem ainda ser humano; portanto com tempo enorme ainda para provar que merece toda atenção que nos toma diariamente quando o assunto é seleção. Não quero discutir muitas coisas em relação ao Neymar, para não parecer pessimista; quero discutir mesmo as coisas que me incomodam, como torcedor e admirador do futebol brasileiro.

Em recente entrevista, perguntado sobre o comprometimento do jogador em relação ao futebol brasileiro, levando em consideração o comportamento do jogador fora de campo; pareceu aos olhos e ouvidos de muito uma pergunta sem sentido. Mas, se tomarmos no contexto, a pergunta fez um sentido enorme: o jogador na vida privada fez a vida pública se tornar questionável. O que ele faz como jogador expõe propósitos que ele tem na vida privada, simples assim. Vamos pensar o seguinte: até concordo que o dinheiro que ele tem deve mesmo curtir a vida e coisa e tal; mas que jogador se sentiria disposto a fazer uma festa sabendo que o seu time está sendo desclassificado? Que profissional se sente orgulhoso vendo a “empresa” onde ele trabalha indo para o buraco?

Volto a repetir, ele realmente é livre para fazer festa; tem dinheiro, prestígio e uma vontade da liberdade que só pessoas na idade dele podem compreender. Mas a questão principal não é essa, mas o quanto essa liberdade e vontade podem comprometer o desempenho, ou a falta de desempenho dele dentro de campo? Num plágio da famosa frase, “não importa ser comprometido com a seleção, é preciso parecer comprometido”. E nesse quesito, numa solicitação do próprio jogador; deve-se discutir como é o jogador dentro do campo, principalmente com a seleção brasileira.

Ao meu entender valorizamos demais o jogador. Não à-toa. Realmente é um sujeito fora do normal. Mas daí a dizer que ele está sendo essencial à seleção brasileira é um engano enorme. Na verdade, somos dependentes do potencial do Neymar na seleção, não o que ele é para a seleção. A sensação de que, “uma hora o jogador desencanta e salva a fraca geração”, toma a discussão interna, e às vezes, inconsciente; que Neymar é o melhor jogador brasileiro dentro do campo. Quando na verdade nunca foi o melhor, embora tenha mostrado vários momentos essa genialidade.

Enfim, temos um ídolo de papel, que nem dentro de campo nem fora dele poderá ser exemplo das melhores e maiores qualidades de um jogador de futebol. Não que não possa sê-lo, só estou dizendo que ele não é. Quem se orgulha das declarações ensaiadas diante dos jornalistas? Quem se orgulha de vê-lo fretando um avião, onde busca amigos onde quer que estejam para uma festa quando no mesmo instante os “companheiros” ralavam para ganhar uma partida?


Quem, com o dinheiro dele, prestigio dele e desejos faria diferente? Uma porção de gente, Neymar...


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terça-feira, 14 de junho de 2016

A escolha de Tite



Há um clamor para que o Tite, atual treinador do Corinthians, assuma a seleção brasileira. Embora seja considerado um dos maiores treinadores contemporâneos no Brasil, ainda assim não considero o melhor nome. É verdade também que, tirando técnicos estrangeiros, não temos outra opção para o lugar do Dunga. Mas, se Tite é o melhor, qual o motivo de não o achar ideal? Bom, tenho três bons motivos. Considerando os trabalhos feitos no Corinthians, temos: Defensivo, cauteloso e leal. Em alguns aspectos, as três características podem ser excelentes para o desempenho de uma equipe, em outros momentos, não.

O esquema tático do Tite prioriza a questão defensiva. Por esse motivo, as críticas em relação ao desempenho do seu ataque, e consequentemente dos seus atacantes, é contumaz. Tite afirma que o equilíbrio faz os vencedores, portanto sabe da questão ofensiva. Acredita que o sistema ofensivo começa com a posse da bola, que pode acontecer com uma bola roubada no ataque, ou a destruição de uma jogada do adversário na defesa. Assim, a questão ofensiva pode começar com a saída de bola dos zagueiros, laterais e volantes. Por esse motivo, os laterais de Tite quase sempre são os melhores em campo, pois são eles que alimentam o meio de campo e o ataque. Talvez treinos específicos e jogadores melhores salvem a inoperância de Tite no ataque, mas é fato que é o seu tendão de Aquiles.

O segundo aspecto de Tite está em ser cauteloso. Inúmeras vezes os torcedores corintianos se queixaram de ver o time perdendo o jogo e o técnico não movendo uma vírgula sequer do seu esquema tático. Por uma questão pragmática, essa forma estática quase sempre obtém resultados surpreendentes. É visível que o time “não se abala” com resultados adversos. Mas também é o fato da “equipe não conseguir sair de algumas armadilhas táticas dos adversários”. Assim, em alguns momentos, o time treinado por Tite mostra demais sua forma de jogar, pois repete a fórmula independente da competição. Esse esquema inalterado explica os motivos do time ter bons resultados, ser estável, mas mesmo assim não conseguir ganhar clássicos ou jogos eliminatórios. São nesses jogos que a tática deve ser alterada, o comportamento modificado; opções reveladas. Corinthians versus Ituano parece igual Corinthians versus Palmeiras, quando não é.

O terceiro aspecto de Tite tem uma relação com a fidelidade aos nomes que trabalham com ele. Considera que todo jogador tem um potencial que pode não estar sendo explorado, principalmente quando o jogador está em péssima fase. Aconteceu isso recentemente com Vágner Love, quando havia críticas por todos os lados, mas o treinador deixou o jogador em campo, e por inúmeras partidas. Na cabeça do treinador talvez rolasse aquele pensamento: “eu sei que esse cara joga, mostra nos treinamentos, uma hora ele tem que colocar isso em prática”. Essa questão, por exemplo, na seleção brasileira é impossível. Não há tempo para as seguidas chances que Tite dá aos seus comandados.

Os lados negativos apresentados são péssimos para a seleção, embora não seja para os clubes que ele dirigiu, principalmente o Corinthians. Algumas vezes, quando os resultados não acontecem, esse lado defensivo, leal e cauteloso do treinador; são colocados em discussão na boca dos torcedores. Mas, esses mesmos lados negativos, têm suas características positivas, e é por elas que Tite virou unanimidade. Resta saber o quanto o treinador irá mudar quando receber o comando da seleção, e se essas mudanças trarão benefícios a seleção.


segunda-feira, 13 de junho de 2016

A última da seleção brasileira não interessa

A Seleção Brasileira está fora de mais uma competição oficial. Desclassificada pelo Peru, mesmo com um gol irregular; a seleção, mais uma vez, coloca um episódio triste na lista de vexames de sua história. Aliás, já disse, mas repito: “estão destruindo a história da Seleção Brasileira”. Daqui para frente não haverá mais tabus, vergonhas; feito inédito. Tudo será tão normal em sua ruindade, que não teremos mais tempo para reclamar, xingar ou chorar. Acabou também o patriotismo. A seleção brasileira do futebol maravilhoso não me representa. Não se representa. Tem, cada dia mais, não representando nada. O futebol brasileiro morreu. Não está doente, morreu mesmo.

Foi uma morte anunciada. Temos inúmeros motivos que explicam o fim do futebol arte. Do futebol competitivo. Simplesmente do futebol. O fim do futebol que era idolatrado pelo mundo. Alguns motivos são claros e lógicos, outros discutíveis. Passa pelos dirigentes, jogadores, treinadores e quem patrocina o futebol. Tudo que está errado no futebol brasileiro não tem um inimigo externo. Desde a formação, comportamento; cultura e a própria condição dos torcedores, que são os verdadeiros mandatários do negócio futebol. Passa pela própria constituição social, educacional e moral. Temos nos jogadores, assim como nos políticos; a representação fidedigna daquilo que nos, como brasileiro, mais ostentamos. Estamos em situação pior daquele que vivíamos há tempos, não temos mais complexo de vira-latas.

Vivemos sim a soberba. A soberba que carregamos no peito, com estrelas de campeão mundial que nenhuma outra seleção conseguiu chegar. Carregamos no peito a história dos craques do passado, ou simplesmente o maior deles: Pelé. Carregamos a desculpa da derrota num punhado de dólares, negociados momentos antes das partidas, como se nossa queda só fosse possível por meios imorais. Perdemos em 82 pois nós nos vendemos. Perdemos na convulsão do Ronaldo por causa da patrocinadora. E todas essas bobagens de teorias que jamais serão comprovadas. Pois para muitos, até então, o Brasil só perdia em campo para ele mesmo.

A verdade demorou, mas chegou. Hoje sabemos que o futebol tem lá suas particularidades. Perder ou ganhar faz parte do negócio. O mundo do futebol se prepara para isso. Evoluí, planeja e executa. Apenas o país do futebol acreditava que nada precisava ser feito. Que o futebol nasce em cada esquina, em cada moleque descalço; em cada brincadeira no recreio da escola. Acontece que não tem mais esse moleque, não temos mais essa paixão; não somos mais o país do futebol. É duro aceitar, mas o futebol brasileiro começou a morrer na Copa da Espanha, quando decidimos que os resultados eram mais importantes que o próprio jogo. Que o “vencedor” ganha sempre. E com essa mentalidade não encontramos soluções para o nosso futebol “perdedor” de agora, pois não queremos outra coisa senão ganhar.

Já se foram três técnicos, contando com Dunga, que provavelmente não ficará mais nenhum dia. E com esses técnicos, inúmeros jogadores. Mas aquilo que realmente choca quando falamos da seleção, nem é a opção medonha de ter o Dunga como o inovador da seleção; mas de termos um amontoado de jogadores que nada representam o futebol brasileiro. Você pergunta: mas afinal, o quê é o futebol brasileiro? Eu respondo que é tudo ao contrário daquilo que estamos vendo nos últimos anos, na seleção, nos clubes e nas escolinhas de futebol.

Aquele futebol brasileiro precisa renascer, mas está cada dia mais longe essa gloriosa hipótese.




terça-feira, 31 de maio de 2016

Dunga não é o melhor para seleção – Não há mistério



Dunga é o atual técnico da seleção brasileira. Não adianta você espernear como criança mimada que não recebeu o doce que estava na prateleira. Dunga continuará no cargo por mais algum tempo. Não há consenso em relação à sua permanência, mas também não há aquele que lidere a mudança. Não só a mudança de técnico, mas uma mudança profunda. Depois da humilhante participação na Copa do Mundo precisaríamos de algo radical. Nada aconteceu. Precisaríamos de algo que mudasse a estrutura, mesmo que os resultados só aparecessem há longo prazo. Por isso, independe da permanência do Dunga ou não, nosso futebol continuará ladeira abaixo.

A mentalidade em relação a seleção brasileira, e do próprio futebol brasileiro, precisa de um choque. Uma mudança de paradigma. Talvez a ausência na próxima Copa do Mundo cause esse desconforto. Talvez nossa ausência nos torne mais ativos no papel revolucionário do futebol. Por enquanto, por mais que o futebol ainda escandalize, continuaremos reacionários. Nunca na história desse país tivéssemos tanto distanciamento da seleção brasileira. Valores dos salários, crises de corrupção no futebol; profissionalismo versus paixão; falta de patriotismo: todos motivos são jogados no liquidificador para responder uma questão que é muito complexa.

Não conseguir se classificar para a Copa do Mundo é algo impensado. Mas perder de goleada para Alemanha também era. Ainda acho que vamos nos classificar, aos trancos e barrancos; apesar do Dunga. Mas, e se acontecer aquilo que nenhum (ou quase nenhum) torcedor acredita? Bem, se isso acontecer; logo de começo grandes investidores abandonarão o barco. Capitalista gosta de dinheiro, não gosta de futebol. Por isso, essas empresas gastam milhões com a seleção brasileira. Não estão preocupadas com o técnico. Nem com o jogo arte. Estão preocupadas com a visibilidade. Não estar na Copa do Mundo prejudica os negócios.

Mas nós, torcedores normais, gostamos do bom futebol. E talvez esteja aí mais um motivo do nosso distanciamento, além daqueles já revelados há pouco. Mas qual a solução? Melhorar o futebol dentro de campo. Mudar a forma de convocação, de treinamento; mudar a postura de como o jogador brasileiro chega até a seleção. Vejam que a forma de treinamento atual: impossível montar uma grande seleção. Pensem a situação: Quais seleções do mundo, nos últimos dez anos (com exceção da Alemanha e Espanha), mostraram um futebol brilhante e encantador? Quais seleções foram indiscutíveis, em padrões táticos e técnicos? Nenhuma. A seleção brasileira, em uma das suas piores safras de jogadores, consegue ter ainda ótimos jogadores. E qual a diferença entre Alemanha e Espanha? Conjunto. Conjunto, treinamento, disposição, tática e tudo que o brasileiro em si tem que aprender. O resto ele sabe, de berço.


Por isso volto a dizer: uma coisa é fundamental para que Alemanha e Espanha apresentassem um futebol mais competitivo: elas são melhores treinadas. Matéria-prima excelente e treinamento fizeram com que as duas seleções chegassem ao título mundial. As duas seleções levam em consideração que a base do time deverá chegar com alguma bagagem de grupo. O restante do conjunto é trabalhado no período permitidos no calendário FIFA. E para isso utiliza jogadores que se conhecem em seus clubes, cabendo poucos ajustes num período curto antes das competições oficiais. Fazer uma seleção brasileira utilizando esse argumento é impossível: os jogadores estão espalhados pelos quatro cantos do mundo, e se encontram algumas vezes no ano.




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quinta-feira, 8 de outubro de 2015

Eliminatórias eliminam: Risco que o Brasil já enfrentou no passado


Iniciam-se as Eliminatórias para a Copa do Mundo na Rússia. E de tantos boatos, fatos e aflições, o futebol brasileiro ficou em segundo plano. O jogo contra o Chile não é um divisor de águas, mas com certeza mostrará o verdadeiro poderio da nossa seleção brasileira; do vexame histórico em casa, goleado pela Alemanha. Sim, pois de lá para cá, pouco mudou. Ainda no achismo, acredito que a equipe comandada por Dunga não perderia de goleada. Ia sair no jogo contra a Alemanha; mas não seria uma vergonha. É meu modo de ver o jogo retranqueiro e briguento do comandante gaúcho, que diferente do gaúcho anterior, ainda acreditada que apenas a aura de campeão daria jeito numa seleção mediana.

Sim, as eliminatórias eliminam. E esse medo de cair diante de seleções não tão tradicionais mundialmente, mas adversários complicados regionalmente, nos dá indícios que, aqueles que acompanharão a seleção nacional, devem estar preparados para o sofrimento, para a derrota; e para algumas vitórias. Mas, aos trancos, iremos para a Rússia. E novamente na competição mundial, seremos a principal figura da competição. E infelizmente, mais uma vez, não levaremos o título. A geração de craques como Messi e Neymar não terão esse privilégio, de ganharem uma Copa do Mundo.

Nunca foi fácil disputar as eliminatórias Sul-Americanas. Desde os anos 80 eu leio sobre o medo do Brasil passar pela primeira vez na história sem estar em uma Copa. É possível que isso um dia aconteça. E é verdade que a chance é maior esse ano, visto como estamos lidando com o futebol fora e dentro do campo. É bem possível, pela fraqueza técnica e tática da nossa seleção. É verdade que o Brasil sempre teve grandes jogadores; e estes que estão ai, não são lá grandes craques; mas também não são ruins. Estamos na média, e por estarmos nessa condição, teríamos melhores chances se no banco tivéssemos ideias melhores, mais inovadoras. Tudo bem, o conservadorismo tático de Dunga pode dar certo, como quase deu na última vez que ele dirigiu a seleção brasileira.

Dunga volta melhor depois da péssima experiência em ignorar a voz popular, não levando Neymar e Ganso (naquela época em ótima fase). Dunga volta melhor em sua relação com a Globo. Mas disso tudo, não podemos dizer que Dunga é a melhor opção para nossa seleção. Há certas críticas em relação algumas convocações, que parecem colocar uma pulga atrás da orelha da torcida amiga: qual a razão de nomes tão desconhecidos, jogando na China ou coisa do gênero. A torcida inimiga dá razão ao Romário, mesmo que nada possa ser comprovado.

E com toda essa discussão, mesmo com uma curiosidade imensa em saber como a seleção brasileira irá se comportar diante de uma competição que vale alguma coisa, mesmo assim o Brasil não vai parar. Não se ouve muito sobre o jogo. A empolgação da Copa do Mundo, que era um oba-oba generalizado; uma espécie de micareta futebolística; não era por causa da seleção. O abadá verde-amarelo, tem mais razões nas paradas políticas que na hora do gol. A seleção brasileira, que anda perdendo encanto no Brasil, corre o risco de não encantar o mundo. Ficar de fora da Copa será um desastre para nossa história, embora desastres possam também colaborar com renascimento.


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domingo, 28 de junho de 2015

De Zito a "Thiagos Silvas" (ou "Fernandinhos", "Firminos..")

Exatamente há duas semanas o futebol brasileiro perdia um de seus maiores expoentes, José Eli de Miranda, mais conhecido como Zito: Bicampeão Mundial nas Copas de 1958/62, Zito era sinônimo de liderança dentro de campo. Fora dele, ainda como jogador, era uma espécie de conselheiro para os mais novos, e a formação e permanência do maior jogador de todos os tempos no Santos Futebol Clube, deve-se a ele. Na Vila Belmiro, Zito possuía outro cognome, o de “gerente”. Pois sim, sua influência era tanta no clube, que tinha cacife para trazer jogadores e já atuava como uma espécie de olheiro ainda quando jogava. Numa partida entre Juventos x Santos na Rua Javari, notou um jovem jogador de muito talento no time da Mooca, e disse a ele que iria levá-lo para o Santos. Este jogador era Lima, o primeiro – ou na pior das hipóteses - uns dos primeiros curingas do futebol brasileiro, fazendo também o gol de desempate na final do Mundial Interclubes contra o Milan, no Maracanã, um dos mais importantes da história do clube.

Zito, apesar de já ser acima da média para sua época, simboliza um tipo de jogador que não vemos mais por aqui. Talvez simbolize não apenas uma característica de jogador, mas um conceito de futebol que perdemos e que provavelmente não voltará.

Se nos anos 60 como jogador, Zito trouxe Lima para Vila Belmiro, já no século XXI como dirigente do clube, foi um dos responsáveis por fazer Neymar sair de Mogi das Cruzes e descer a serra para Santos.

Neymar atualmente, apesar de toda fama, toda grana, e toda lama, é solitário na Seleção. O único craque, a única “esperança”, o único ídolo. Neymar não tem Zito do seu lado, como tinha Pelé; não tem Gerson ou Carlos Aberto Torres e ainda recebe a camisa 10 e a faixa de capitão. Tudo errado. A “Neymardependência” ou “Neymarcentrismo” (termo que me veio agora na cabeça), não é culpa do jogador, mas talvez seja o único em condições de vestir a camisa da seleção brasileira. A mídia precisa exacerbar a imagem de um craque, Galvão Bueno precisa de alguém para ter audiência. Acabam estragando o jogador.


O resto, caros leitores, são “Joões” como dizia Garrincha ou “Firminos”, “Fernandinhos”, “Felipes Coutinhos” ou “Thiagos Silvas”. Valem milhões, mas não valem a bola que jogam. Jogadores que dentro de campo, não têm personalidade, apesar de tatuagens, visual legal, coisa e tal, mas não reúnem condições para vestir a camisa de uma seleção brasileira. São mecânicos,  pré-moldados, isolados por um imenso fone de ouvido com seus Iphones. Feitos e fabricados para se encaixarem no perfil burocrático do futebol europeu, mas não para serem criativos, não para mudar a situação de uma partida, não para representar o futebol brasileiro.




quinta-feira, 18 de junho de 2015

Não é mais nostalgia, mas fato: O futebol do passado foi muito melhor



Futebol brasileiro acabou. É fato consumado e estatístico. Mais que isso: é situação analisada pelos especialistas, que de maneira mais sutil, analisam o futebol brasileiro apenas como “despreparado” para competir com outras seleções. O eufemismo vale: estamos aqui acompanhando a seleção brasileira (com letras minúsculas) como se houvesse alguma chance. Existe, no futebol nem tudo está perdido. Mas essa chance de chegarmos novamente ao topo depende de uma organização que não temos. De uma cultura que não faz parte de nós. Tomar vergonha na cara, reorganizar; desfazer tudo que está mal feito. Estamos longe ainda da capacidade em destruir para poder reconstruir.

A primeira grande chance de acontecer uma reviravolta foi o jogo contra a Alemanha. Ainda pregamos que aquilo foi apenas o acaso. Vejam quantos resultados o Dunga conseguiu depois da “revolução”. A desculpa de bons resultados acalma o pavor de novos péssimos jogos. Lembrando que fomos campeões da Copa das Confederações, dando um baile na Espanha na final. De lá para cá, o que aconteceu? Nenhuma explicação evidente, exceto o acaso. O acaso que tenta explicar a vitória da Alemanha por goleada não é o mesmo que explica a nossa vitória sobre a Espanha. Tem um contexto que, por vezes, é deixado de lado.

O futebol brasileiro perdeu a magia. A natureza sempre tão generosa, agora nos limitou ao excepcional Neymar. O resto, todos eles, são mais do mesmo, quase todos medianos. Troca-se seis por meia dúzia. É claro que alguns nomes estão bem abaixo do que podemos considerar mediano; mesmo assim não justifica uma equipe tão pequena. Somos pequenos pela primeira vez na história, e não sabemos como lidar com isso. Não sabemos sequer reverter o quadro. Ainda pensamos nos jogadores como material chave para a mudança, esquecendo que os jogadores são formados aqui em nosso país, seguindo regras e trejeitos que já deixaram de existir há muito tempo lá fora.

Aqui o moleque vira profissional muito cedo. Mas o profissional apenas no contrato assinado, nas cifras milionárias. Continua sendo moleque no pior sentido da palavra: mimado e antiprofissional. Cobramos desse moleque, desde pequeno, a vitória; mas sem ao menos prepara-lo para isso. A vitória começa com o carro do ano, uma modelo do lado; uma chuteira colorida. O preparo de horas de treinamento e do doar-se em campo. Deixou de lado o amor pelo futebol, mas adora uma negociação e um direito de imagem. Nossos profissionais milionários não são cobrados em planos realmente profissionais, dentro e fora de campo. Como já foi dito por dois grandes treinadores: enquanto passarmos a mão na cabeça dos nossos jogadores, seremos reféns de seu estado de espírito.


A seleção brasileira vira um catado. Não por falta de treinamento; por maneira incorreta de preparo. Mas por um problema sério de formação. Exatamente por isso o pessimismo: novos jogadores medianos estarão surgindo para deteriorar ainda mais o futebol brasileiro. Enquanto não jogar com bola de meia, com trave demarcada com chinelo; em campos lamacentos e esburacados; teremos uma geração que não saberá usar a criatividade tampouco a imaginação. Enquanto os jogadores nascidos agora se surpreenderem mais com o lançamento do novo jogo eletrônico que o museu do nosso futebol estaremos próximos mais próximos a extinção que a tal renovação. A entressafra, portanto, perdurará mais algumas décadas de um futebol medonho, medroso e com poucas alternativas. 




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quarta-feira, 25 de março de 2015

Namorando o modernismo – Flertando a tradição

 

Pois bem. Mais um jogo da seleção brasileira. Mais um jogo que poderia ser muito interessante, mas não é. Perdemos o resto de brilho; perdemos a confiança. Ainda há torcedores fanáticos, apaixonados pelo hino nacional, como se ele fosse realmente a cara de um país. Ando me acostumando com a ideia de separar o joio do trigo, o patriotismo do campo de futebol. É difícil, mas não impossível. O jogo da seleção brasileira eu não sei, nem me interesso. Vai ver que estou prestes a aceitar essa nova fase, a Nova Era.

A Nova Era do nosso futebol trará ainda resultados devastadores. O primeiro deles foi o modernismo das famosas arenas. Os conservadores do futebol com cabelo alvoroçado, vendo pouco a pouco ruínas dos velhos estádios de futebol. Depois das modernas arenas pró-copa, depois da quase totalidade reforma do estádio do Palmeiras; eis que agora surge a notícia que o histórico Canindé mudará de rumo. Piadas a parte, não encontrarão o trator enterrado no campo, mas com certeza estão tirando os fantasmas do amadorismo do armário. Uma nova obra pode ficar pronta daqui três anos, com área de conveniência, hotéis, lojas e afins.

É o dinheiro erguendo coisas belas, como diz a música. Dinheiro que é bem-vindo no mundo dos negócios. Mas dinheiro que não se importa tanto com a tradição. Tradição versus modernismo. Vamos chorar pelo Canindé no chão depois da arena pronta? Alguma saudade do Palestra antigo? Nostálgicos não terão vez no futebol brasileiro. Logo sucumbirá os regionais, os clubes menores; tudo que antes era salutar e hoje não é mais. Acabaremos com os tradicionais e centenários clubes pois eles não conseguiram se adaptar ao que o futebol é hoje.

O fim da Portuguesa como é, mostra o símbolo do futebol como será: tradição não ganha jogo, não paga bicho; não amedronta. Valerá para todas equipes, inclusive para seleção brasileira. Mais sorte terá a Lusa, pior será para o Guarani: Brinco de Ouro não vale nada para essa gente, vale apenas para os torcedores; que só podem mesmo lamentar. Corinthians, Palmeiras, Ponte Preta e Santos sobrevivem em suas burocracias e amadorismos graças aos torcedores, que pressionam mudanças; querem o clube no futuro. A seleção brasileira foi abandonada, traída; uma mulher da vida.

Não só o nível técnico levará torcedores para os espetáculos europeus. Não apenas os grandes jogadores, a organização; o nível tático. Os torcedores nascituros quererão os grandes jogos da Espanha, Itália e Alemanha. Torcerão pelos clubes nacionais, mas saberão que o amor será vulnerável. Não mais aquele amor fiel, indiscutível. E tudo isso porque um item explorado inconscientemente pelos torcedores começará a perder força, vantagem; a tradição. O futebol brasileiro ainda respira, pois em nós ainda essa desculpa.

Pode ser um tiro no pé acabar com o passado, mas pode ser a modernização nossa única saída.



sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Não seremos mais os mesmos?



Alguma coisa grave aconteceu. Embora eu ainda não saiba definir exatamente, uma coisa é certa: o futebol em mim não é mais o mesmo. Pode ser que a coisa mude com o passar do tempo, pode ser que daqui alguns dias eu desista dessa bobagem; de querer o futebol brasileiro como algo grandioso, cheio de elogios; os maiores e melhores comentários. Por hora, por meses; quem sabe até o final do ano, tudo é péssimo, desagradável e sem sentido. Perdi o interesse em assistir, torcer e aquilo que mais me preocupa: escrever sobre futebol.

Acho que a gota que faltava foi a humilhação. Às vezes lidamos bem com a derrota, mas a humilhação quase sempre é arrebatadora. Não esperava uma grande exibição da nossa seleção brasileira, mas perder do jeito que foi, contra a Alemanha; não é para qualquer um. Podem até justificar o mal resultado a fatos estranhos ao futebol, teorias conspiratórias ou mesmo politicagem. Para amenizar, podem dizer que a seleção não representa uma nação, que a CBF é coisa e tal; e assim por diante. Mas tanto na alegria, quanto na tristeza; os brasileiros estão vinculados à história da seleção. Por mais que a torcida de alguns tenha sido contra, ainda assim, o brasileiro; em qualquer lugar que esteja, estampará a figura da amarelinha. Bom; passou, chegou; já deu. O assunto seleção brasileira ficará para uma outra oportunidade.

Mas os clubes? O futebol da televisão, aquele do nosso dia-a-dia. Como ele fica? Meu medo era que a seleção brasileira e seu vexame esfriasse também minha relação com o futebol. De certo modo é como abandonar uma paixão na primeira desilusão. Sim, a paixão pelo futebol estremeceu. Ficou abalada. Olhar para o futebol do resto do mundo e perceber que alguma coisa em nós anda errada não é coisa fácil. Pior que a traição é a passividade diante dela. O futebol brasileiro, e tudo que envolve o esporte; andam querendo muito, retribuindo com o pouco. Jogos terríveis, jogadores muito mal formados em princípios básicos para o esporte. Torcedores que acham mais vibrante saírem na porrada. Onde fomos parar?

Depois da Copa do Mundo um balde de água gelada caiu sobre nossas cabeças. Enfim, depois de trinta e dois anos descobrimos que o país não é do futebol. Não temos os campeonatos mais atrativos, a média de público perde para as principais praças onde o esporte é praticado; jogadores mal estruturados dentro e fora de campo; uma reclamação infantil de um disse-me-disse que chega a dar vergonha em programas de fofoca. Mulheres, carrões; chuteira colorida. Cabelos desalinhados e tingidos; pulseira e corrente de ouro. O nosso futebol pé-descalço anda se perdendo na promoção futebol-hollywood: imagem é tudo.

Despencando a cada ano, o futebol ainda é receita valiosa para o negócio que gira milhões de reais por ano. Talvez por isso, ainda que muito tarde; o desinteresse pelo esporte tenha causado algumas discussões do pessoal que comanda e ganha dinheiro com ele. Nada é mais assustador para a velha elite da bola que, de uma hora para outra; o número de pessoas que não querem saber de futebol seja maior, ou igual, a soma de todas as outras torcidas. O produto perde a força, perde o investimento; perdendo o investimento, perde a qualidade. O fim do futebol não será pela minha causa, ou pela sua. O fim estará próximo quando as empresas, empresários e gente do poder achar lugar melhor para obter lucros, fazer dinheiro. Quando o desinteresse pelo futebol não ficar restrito apenas às questões técnicas, ou a dor da humilhação; ai deveremos ficar preocupados.


Por hora, é apenas uma queixa, uma depressão pós-Copa do Mundo; algo passageiro e sem importância. Mas quando deixarmos de seguir o futebol, quando todo mundo achar que não vale mais as horas perdidas; pode contar que estaremos preparados para um renascimento. Por enquanto, aqueles que deveriam e podem mudar não estão se importando muito, apesar de começarem a sentir os efeitos no bolso.




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segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Mudanças para o futebol: Quem quer e quem pode mudar?



Eu sei que pisei na bola. Não foi feio, como o Brasil contra a Alemanha. Mas pisei. Passei o período da Copa do Mundo em completo ostracismo. Não foi proposital, embora não queira revelar os motivos. Não foi falta de tempo, visto que continuo tendo as noites de insônia para continuar com os textos, aqui e nos outros espaços. Mas alguma coisa me incomodou, tudo que ouvi e li sobre a Copa do Mundo, sobrou. A overdose de informações foi tão cruel que pretendi o silêncio. Se é para ser óbvio, prefiro ficar no meu canto.

Tudo bem, na maioria das vezes sou óbvio; mas dessa vez seria consciente.

Fiquei feliz com a Copa com tudo que deu certo. E a maioria das coisas funcionaram bem. Tirando a seleção brasileira – que eu até achava que não faria um papel tão extraordinário, mas também não suspeitava um vexame histórico – o resto foi fantástico. Assisti a maioria dos jogos, alguns ouvi pelo rádio. Embora não tenha mais paciência para tantos jogos, confesso que esses da Copa foram prazerosos. Algumas boas surpresas, outras nem tanto.

Sinto apenas pelo registro histórico, aqueles rabiscos que faço e que me auxiliam a memória, não muito privilegiada por natureza. Mas basta uma vasculhada por ai para sabermos mais da Copa do Mundo, para quem ainda se interessa por ela. Sim, a Copa do Mundo é um evento arrebatador, mas que morre quase de véspera. Quem se lembra hoje dos jogos da Copa? Quem se lembra das seleções que foram consideraras “sensações”? Qual foi o craque da copa? Em sua maioria, torcedores ou não; não saberão responder tais perguntas. Eu, que gosto de futebol e acompanhei os jogos, também não sei. Tudo isso me faz pensar: se eu fiquei feliz com o evento ter dado certo, qual o motivo de não ficar empolgado com a história?

A Copa do Mundo foi pouco para o nosso futebol?

Evidente que não. As seleções chegaram ao Brasil empolgados com o país. Seria extraordinário fazer um bom papel no país do futebol. Acreditamos nisso ainda. Acreditamos que somos responsáveis pelas maiores mudanças dentro do campo. Acreditamos na nossa genialidade, criatividade; técnica. E é ótimo para as outras seleções que continuemos dessa forma: somos mais frágeis um tanto quanto menos humildes. A crítica ao futebol brasileiro, que vinha numa avalanche inacreditável depois do mundial, perdeu sua força; transformou-se novamente numa marola, sem querer ou mudar nada.

Dirigentes se empenham em mais privilégios com o dinheiro público. E antes que a discussão se torne política, digo que isso independe de Dilma, BNDES, opiniões de Aécio e Eduardo Campos. A discussão em relação ao futebol brasileiro não pode passar pela política, ainda que precise dela para sair do papel. A discussão por um dos tesouros nacionais deveria ser uma discussão civil, do povo; dos jogadores, técnicos; jornalistas e afins. Mas isso é impossível. Isso é dar ao futebol uma prioridade que não pode ter: não se faz um país com o futebol.

A derrota do país em campo, pode ser uma vitória do país fora dele, escreveu Tostão e sua coluna.

Embora não acredite que coisas possam mudar, quando se mantem no poder pessoas tão ultrapassadas; ainda acredito que o negócio futebol é mais forte do que se pode imaginar. Exatamente por isso, empresas e mídia andam se incomodando; tentando imaginar alternativas, mudar o jogo. Mais que a derrota histórica, a pior coisa que o futebol pode fazer hoje por eles é a falta de retorno de investimento, falta de público; desinteresse do consumidor. Assim como aconteceu com a Fórmula 1, que corre o risco de não passar na televisão aberta em 2015; pode acontecer com nosso futebol daqui vinte anos.








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quarta-feira, 30 de julho de 2014

A ressaca foi brava: ainda não passou a dor de cabeça

Brasil não ganhou a Copa do Mundo, mas o Mundo ganhou o Brasil. Tudo que era para dar errado, não deu. Aquilo que achamos que daria certo, deu errado. Coisas do futebol, dos futurólogos e dos palpiteiros de plantão. Tudo era mais ou menos sabido, a seleção brasileira não era a melhor em tantos anos; mas a derrota para a Alemanha marcou a história, demarcou o orgulho; refez os caminhos. Pelo menos por parte dos torcedores, a mudança era necessária. Os aeroportos funcionaram, os hotéis e os restaurantes. Boas recomendações dos turistas, que pretendem voltar um dia. Alemanha campeã no futebol, Brasil humilhado. Mas as coisas não pararam por ai, exigimos mais.

Mas nossa exigência, às vezes, é tão vã; sem argumentos. Não sabemos reivindicar. Não temos esse cacoete. Política ou não, economia ou não; o futebol não mudou absolutamente nada. Nem mudará, por enquanto. Basta ver os mandatários, basta ver o nosso novo treinador; basta ver o coordenador; basta assistir a mídia que se interessa no produto futebol. Tudo como antes dos sete, como se nada fosse tão ridículo. Não somos mais o país do futebol, mas quem se importa? Ninguém. Dunga fará uma seleção melhor que a de 2014, pois não temos mais buraco para cavar. Ou temos? A mudança que parte da torcida esperava, numa derrota da seleção brasileira, não aconteceu. Não valeu a pena torcer contra, como também não valeu torcer a favor. Enfim, a Copa do Mundo no Brasil serviu mesmo ao campeão, de resto nada mudou.

Dunga é a velha mentalidade, mesmo trazendo mudanças. É possível que comece a olhar mais para os jogadores nacionais, que disputam caneladas em campos esburacados; pernadas em padrão FIFA. Outra coisa boa: em alguns estádios, torcedores e jogadores não poderão reclamar. Mas o futebol brasileiro precisa muito mais que isso, mas precisa disso tudo na base; onde começa tudo. A reformulação do futebol não poderá ser estética; mas reencarnatória. Precisamos do Governo, das leis; dos clubes, das Federações, Confederações e Amigos de Bairro. Precisamos renovar tudo que sabemos, olhamos e queremos do nosso futebol. Não é fácil, por isso não foi feito.

Mas continuamos na mesma. O futebol no Brasil não vai melhorar. Perdi a esperança. Perdi a vontade. Vou me acostumar com tudo isso, pois gosto de futebol. Ainda escrevo sobre futebol. Verei meu time ganhar do arqui-inimigo por dois gols, chutando apenas quatro vezes no gol. Acharei maravilhoso! Comprarei o jornal no dia seguinte, postarei nas redes sociais. Mas lá no fundo, sei que estou me enganando. Como estão sendo enganados os tricolores, com os mais novos velhos ídolos, que realmente sabem jogar bola, mas que ainda assim é muito pouco.

Eu já nem sei se o futebol brasileiro deve realmente mudar. Acho que não iriamos nos acostumar a falta de assunto. É bom mesmo que façam isso conosco, vai saber se não gostamos. Um chororô daqueles. As crianças aprendem com derrotas, se tornam melhores. Os adultos sofrem com derrotas, fortalece a esperança. As mulheres se descabelam com as derrotas, e ficam sabendo enfim o motivo do futebol ser tão apaixonante. Não quero nenhuma mudança, acabei de crer. Vou virar aqueles ranzinzas, que não enxergam nada de bom; mas que, às vezes ficam emocionados com o esporte – Acabo de ler uma coluna do Tostão falando sobre o futebol do Brasileirão, onde ele diz que “às vezes” vê coisas boas – Pois bem, não esperem de mim mais críticas, elas não virão.

Dunga fará uma seleção competitiva, como Felipão fez. Mas é melhor não discutir as questões fora do campo, as ordens e desordens que não sabemos de onde nem como vem. Basta torcermos, reclamar de um pênalti, um impedimento; um jogo sem chute ao gol. Basta aos torcedores brasileiros a mesmice, da qual estamos tão acostumados nos últimos dez anos (ou mais, não sei).


Só não vale mais goleada, pois isso é muita humilhação.

quarta-feira, 23 de julho de 2014

De volta. Para o futuro?

Dunga está de volta. Capitão do Tetra em 1994, sempre foi lembrado por um estilo de jogo mais viril ou pegado. Símbolo do estilo de volantes destruidores que marcou os anos 90, trouxe um pouco desta filosofia na Copa de 2010, apesar de contar com jogadores habilidosos naquela época como Robinho, Elano, Kaká, Luís Fabiano, todos em boa fase. Outras apostas que foram destacarei a seguir.

O técnico da Copa da África volta agora numa versão “paz e amor” e mais light. Travou uma guerra contra a imprensa nesta Copa, pronto para rebater qualquer crítica. Chegava a ser irritante e constrangedor assistir coletivas de imprensa naquela época. Não soube dividir o que era profissional do pessoal.

Passado a eliminação para a Holanda naquela Copa, parecia que os dias de “Era Dunga” haviam terminado, apesar do retrospecto ter sido positivo, como nesta notícia do portal Terra em 02/07/2010:

“O ciclo de Dunga como técnico da Seleção Brasileira se encerrou nesta sexta-feira. Em 68 jogos (contando a Seleção Olímpica), foram 49 vitórias, 12 empates e somente sete derrotas; 144 gols a favor e 45 contra; e um ótimo aproveitamento de 77,9%. Porém, a sétima derrota veio exatamente quando não podia: em um jogo eliminatório de Copa do Mundo. A Holanda selou a despedida do treinador com uma vitória por 2 a 1, pelas quartas de final, em Port Elizabeth”.

Lembrando que a Seleção conquistou a Copa América de 2007 e a Copa das Confederações em 2009, fazendo também com que Dunga fechasse o grupo de jogadores com este título.

Não digo que a volta de Dunga seja um retrocesso (mas também não considero um avanço), até porque com a topada que a seleção levou contra a Alemanha, muitos estigmas caíram por terra. Dunga também enfatizou que não temos mais o melhor futebol do mundo, e muito menos os melhores jogadores. Volume morto no Sistema Cantareira e na Seleção Brasileira.

Mas a volta de Dunga também significa que vivenciamos uma crise não apenas jogadores, mas também de técnicos. Tal como o escrete de Felipão que era praticamente inquestionável, por não haver mais nomes, o torcedor e os comandantes da CBF olham para o lado e veem poucas opções (fato é, que nas mesas de discussões foram cogitados técnicos estrangeiros).

E como não ganho nada para isto, assim como disse em 2010, torcerei para que esta nova incursão do capitão do tetra dê certo: pois não temos talentos e muito menos um Telê Santana. 

Sou brasileiro, mas não tenho memória curta. Por isto vou reproduzir aqui o que disse sobre alguns escolhidos por Dunga logo após a eliminação contra a Holanda, no mesmo 02 de julho da manchete acima, no Patativa:

Quando o time perde, é muito fácil apontar os erros e disparar a metralhadora. Não vou aqui malhar o Dunga. Algumas de suas apostas (como Elano e Ramires) haviam dado ou estavam dando certo. E a Seleção ganhava muito no entrosamento de Elano com Robinho. Mas três delas ao meu ver, não corresponderam:

Michel Bastos: Não tem condições técnicas de jogar na lateral esquerda Seleção. Um bom jogador para clube. Levou um baile do Robben.
Daniel Alves: Apesar de vestir a camisa do Barcelona provou ser um jogador comum na lateral e medíocre no meio campo.
Felipe Melo: Desequilibrado. Apenas razoável do ponto de vista técnico. Um jogador que não conhece a própria história da Seleção (disse que não conhece os jogadores de 1970), não se pode esperar muita coisa mesmo.

Acredito que os demais jogadores caem no senso comum, ou seja, muito provavelmente iriam à Copa mesmo se o técnico fosse outro, dos que entraram em campo. Talvez tenha faltado mais algum na lista das apostas de Dunga (o pentacampeão Gilberto Silva?).

Parabéns à Holanda que venceu da maneira mais limpa possível, dentro e fora de campo. Sempre respeitou o Brasil, e nunca cogitou provocações”. (02/07/2010).


Segue os links dos textos citados neste post:

Terra: http://esportes.terra.com.br/futebol/copa-do-mundo/2010/linha-do-tempo-relembre-o-trajeto-do-tecnico-dunga-na-selecao,9208a9032e6fa310VgnCLD200000bbcceb0aRCRD.html

Patativa: http://patativadabola.blogspot.com.br/2010/07/brasil-x-holanda.html


Como disse, Dunga está de volta. Mas será que ele fica até 2018?



domingo, 20 de julho de 2014

Que filme você quer ver?

Bons filmes nas telas do cinema após o término da Copa. Para quem gosta de ficção, Transformes 4 (A Era da Extinção) e na próxima semana estreia o filme da série que fez muito sucesso nos anos 60 e que volta com novas estórias que é O Planeta dos Macacos (O Confronto) o segundo da saga contemporânea. Para quem não é muito fã se produções “hollywoodianas”, e prefere algo mais “cult”, o Cine Belas Artes reabriu após três anos, na esquina da Avenida Paulista com Consolação. Prepare então sua pipoca.

Opções não faltam, o mesmo não se podendo dizer ao que se refere à Seleção Brasileira. Poucos são os indicados para assumir o cargo de técnico. Terça feira poderemos ter uma reestreia, pelo menos é o que se tem ventilado. Talvez, “A volta dos injustiçados” (Parte III), com aquele personagem que lembra um dos anões da Branca de Neve. Bom, acho que não preciso desenhar. O gauchito mesmo.

Será que a solução seria mais um “remake”? Já tivemos o da “família” Scollari, que se teve um final feliz em 2002, acabou como um tremendo pastelão em 2014; revivendo os melhores momentos de Larry, Curly, e Moe. Outro remake em 2006: o “Quarteto Fantástico” do professor Parreira, e o clima de estrelismo e oba-oba, acabou como um enredo de “Férias Frustradas”. Em 2010, o time de “guerreiros” do professor Dunga, para acabar com a fantasia da copa anterior, tendo Felipe Melo na calçada da fama.

Portanto, pelas produções passadas dá para ter uma noção do que ocorreu com a Seleção. Preferiria uma estreia, pois como tal ela sempre produz uma expectativa, que na minha escolha teria Tite como protagonista para comandar o time. Não que eu seja muito fã do estilo adotado por ele, mas provavelmente seja o necessário para a Seleção fazer as pazes com a bola. Pelo menos ele sabe montar uma equipe sem precisar da “família” ou ir pintado para a “guerra” transformando o gramado verde em arena romana. Um pouco de arte não faz mal a ninguém, embora sem craques não teremos um futebol dos sonhos, mas talvez dê para montar uma equipe competitiva, e Tite sabe produzir um bom roteiro para isto.

Podemos tentar construir um T-Rex mecânico que cospe fogo, ou optar por um androide ultrapassado como tem ocorrido. Vamos aguardar a estreia, terça-feira.




P.S: Cem anos de Seleção Brasileira e nem um filmezinho pra contar história, nem um DVD para comemorar? É isto mesmo, produção???





sexta-feira, 18 de julho de 2014

Um último suspiro sobre a Copa das Copas

A Copa acabou e deixou aquele gostinho de dever cumprido. E, com o perdão da expressão grosseira, realizamos uma Copa boa pra cacete. Apesar da chateação da cartolagem internacional com o famigerado “Padrão Fifa”, a verdade é que a Copa de 2014 foi uma Copa com cara de Brasil. Lembro aqui de uma frase dita há alguns anos atrás pelo ex-técnico argentino Cesar Luis Menotti, ao criticar a escolha da África do Sul como sede da Copa anterior: "No mundo todo há somente oito ou dez lugares sérios para um Mundial. O resto é negócio.” O que o Menotti quis dizer é que a Copa é um espetáculo de alto nível que precisa de um grande palco e de uma platéia selecionada, que saiba apreciar a beleza do jogo de futebol e não de pessoas que simplesmente pagam o preço do ingresso e passam os noventa minutos de jogo somente esperando o gol.

Ainda que dentro das arenas muita gente estivesse mais interessada em aparecer na televisão ou registrar aquele selfie pra publicar na rede social, a verdade é que nos quatro cantos do país a Copa pulsava em nossas entranhas. A Copa foi vivida pelo brasileiro nos telões espalhados nas ruas, no televisor portátil do vigia, na tela do notebook, na conversa animada do café ou na mesa do bar. Vivemos o evento de uma forma que nem acreditávamos ser possível, principalmente após a onda de manifestações do ano passado. E nem me venham com esse velho discurso do pão e circo ou aquele do futebol como instrumento de alienação das massas, que são usados indiscriminadamente pelas esquerdas e direitas desse país de acordo com a conveniência. Como já diziam os Titãs, lá pelos anos 1980: A gente não quer só comida, a gente quer comida, diversão e arte. Então, se o palco da Copa foi montado no nosso quintal, por que ficar trancado em casa?

No que diz respeito à estrutura do evento pouco posso dizer, afinal, não assisti a nenhum jogo in loco. Mas, pelo que ouvi, se a organização não foi excelente tudo funcionou direitinho, principalmente se for levado em consideração o fato de que eram doze cidades sede. Mas, do ponto de vista técnico, das quatro linhas, a Copa do Brasil foi sensivelmente melhor que as três ou quatro edições anteriores. Sem exageros. Mas, o acréscimo de qualidade dessa edição não tem muito a ver com os ares que se respira aqui nos trópicos, mas sim, com uma tendência do futebol europeu atual de privilegiar a técnica, o controle de bola, o passe, enfim, tentar imitar a experiência bem sucedida do Barcelona. E, na minha opinião, qualquer tentativa de agregar técnica ao jogo de futebol merece aplausos.

Por falar em Europa, a grande decepção foi justamente a seleção da Espanha que sucumbiu logo na primeira fase e jogou um futebol cansado, pouco inspirado e com jogadores enfastiados com todos títulos que ganharam nos últimos anos. No muro da vergonha da Copa vale incluir, ainda, menções desonrosas às seleções da Italia, Portugal e Inglaterra que foram uma completa perda de tempo. Deu pena de assistir às três seleções em campo. Entre os que realmente jogaram bola gostei demais da França, da Bélgica e, claro, da campeã Alemanha. E a Holanda? Sinceramente, não gostei muito do time holandês. Talvez seja resultado de uma fantasia que eu ainda tenho da seleção holandesa campeã européia em 1988 que acredito tenha sido a última grande seleção internacional que eu vi jogar. Não sei. Apesar da presença de um Robben em boa forma, achei apenas bonitinha, mas, ordinária.

Entre os sul americanos os grandes decepcionaram com o mesmo futebol “pão dormido” dos últimos anos. Falta qualidade técnica, falta dinâmica na movimentação de ataque e falta craque. Tanto Brasil, como Uruguai e até mesmo a finalista Argentina deixaram a desejar. Mostraram serem equipes de pouca qualidade técnica e com estrutura de jogo extremamente conservadora. As três equipes apostando no talento de Neymar, Suárez e Messi, sempre jogando por uma bola. Gostei muito do vi do Chile, que se tivesse um grande atacante poderia ter chegado longe na competição, e da Colômbia que não decepcionou aqueles que gostam do futebol bem jogado, exceção feita àquela batalha campal nas quartas de final contra o Brasil.

E, por falar em Brasil, sinto pena do torcedor de Copa que foi obrigado a tomar de um veneno que nós, torcedores do futebol nosso de cada dia, já conhecemos muito bem. O que aconteceu no jogo contra a Alemanha era uma bola mais que cantada nos últimos anos. Aqui mesmo nesse espaço cansamos de enfatizar a pobreza técnica e tática do nosso futebol e ressaltar a qualidade da atual geração do futebol alemão. A surpresa, na minha opinião, foi a fragilidade emocional do time verde amarelo. Sinceramente, cansei desse popstar arrogante, mimado, incompetente e chorão chamado jogador de futebol brasileiro. Não sofri nem um pouco com a derrota vergonhosa. Na verdade, se alguma lágrima escorreu dos meus olhos foi pela lembrança de caras como Zico, Sócrates, Romário, Careca, Bebeto, Mauro Silva, Ronaldo, Rivaldo, enfim, todos aqueles que ajudaram, num passado recente, a construir essa marca tão rentável para os cartolas que é a nossa seleção.

O futuro do futebol brasileiro, meus caros, é pra lá de incerto, mas, passa, obviamente, por uma reformulação total nas categorias de base. Precisamos de métodos diferentes de identificação do talento e treinamento dos jovens jogadores, para quem sabe colher alguns frutos no futuro. Esse seria o primeiro passo, bem como capacitar os técnicos de futebol no país, principalmente aqueles que trabalham com os jovens. Entretanto, numa estrutura dirigida por CBF, federações estaduais e clubes, quem abraçará essas reformas? A quem interessa? É mais fácil apostar na justificativa fantasiosa do apagão, assim, ninguém precisa assumir responsabilidade alguma pela decadência do futebol brasileiro. O Sobrenatural de Almeida está sempre disposto a livrar a cara da incompetência. Por ora, para nós, torcedores, o jeito é torcer para que brotem da terra mais uns dois ou três Neymares no futebol brasileiro, porque um só já não faz verão.

quarta-feira, 9 de julho de 2014

O maior vexame (da história).

Foi o maior. A maior goleada, o maior vexame, a maior tragédia, como queiram. A maior goleada em uma semifinal, a maior derrota de uma seleção anfitriã, ou a maior derrota de uma seleção tradicional em copas do mundo. Um recorde negativo, que se fuçarmos nas estatísticas, vamos encontrar mais números.

Goleada de 7x1. Placar que remonta à época amadora do nosso futebol. Sim, nossos jogadores são profissionais, os preparadores físicos, os médicos, chegando ao roupeiro, todos muito bem qualificados. Mas no que se refere à administração, ou dirigentes, ainda estamos no amadorismo, aliado ao velho “jeitinho” brasileiro: não há planejamento e tudo na base do imediatismo. Deu certo na Copa das Confederações, um torneio amistoso que a Fifa chancelou como oficial. Não deu certo na Copa e o vexame veio contra a primeira seleção qualificada.

Sempre tive restrições com relação a esta Seleção. Provavelmente a única - desde 1914 no qual comemoramos nesta Copa 100 anos de uma liga de futebol nacional, que originaria a CBD – que dependia apenas de um craque. Muito pouco para uma história de tradição. Mas a vontade de vencer uma Copa em casa, fez com que nós torcedores ocultasse ou transformasse esta deficiência em algo referente à superação, principalmente quando este jogador se contundiu. E um time que só tinha como referência Neymar e ainda perdera seu principal zagueiro Thiago Silva, ficou totalmente perdido em campo, aliado a um esquema tático totalmente ultrapassado.

E já comentamos aqui algumas vezes, em que o Felipão não teve um “upgrade” uma atualização desde 2002. O auxiliar Parreira idem, desde 1994, aquele mesmo discurso de “jogar sem a bola”. Pois é, jogamos sem ela. Nem vimos a cor. E o futebol brasileiro como um todo, sem nenhuma novidade e cada vez mais empoeirado. Adicionando-se a este quadro, também entram em campo os idiotas da subjetividade: narradores, comentaristas e até ex-jogadores consagrados, que colocam o futebol brasileiro em condição de inferioridade ao europeu, como se a Europa fosse o único caminho para o “aperfeiçoamento” dos nossos jogadores.

Evidente que estamos atrás, e bem atrás. E em boa parte por culpa desta mentalidade mercantilista e exportadora. “Revelamos os jogadores aqui, e o aperfeiçoamento, o toque final, ocorrerá na Europa.” Plantamos a cana, mas o açúcar, só pode ser refinado na metrópole. E porque os jogadores não podem serem formados aqui? Esta é a pergunta que os idiotas da subjetividade não respondem, porque ficam com os olhinhos brilhando toda vez que algum jogador brasileiro vai para alguma equipe europeia.

O resultado é uma seleção brasileira sem jogadores para colocar no meio de campo, sem jogadores no ataque que não possuem competência para fazer gols (mal acertam aquele retângulo), um Hulk, um Fred, laterais medianos, dois zagueiros razoáveis e só um cara bom lá na frente. Esta é a síntese do time e que reflete a carência de jogadores capazes de vestir a camisa de uma seleção brasileira.

Conseguimos organizar uma Copa, coisa que muitos duvidavam, mas não conseguimos organizar um time. Não só não conseguimos, como não estamos conseguindo, e, se nada mudar, não vamos conseguir. Passado (só tradição), presente (eliminação e vexame histórico) e futuro (ainda incerto).

E se quisermos “aprender”, o caminho não é cultivar alguns poucos craques e “refiná-los” nos campos europeus. O que temos que assimilar desta cultura é o profissionalismo e organização que não existem aqui. Tempo e paciência. Enchemos nosso calendário com excesso de competições e jogos ruins, para encher a grade televisiva, e com pouco tempo para formar um jogador. Alguns clubes daqui são tão bem estruturados quanto os de lá, mas só academia e fisioterapia não bastam.

Podemos ter uma visão pessimista ou otimista deste fiasco. A visão pessimista é que pouca coisa vai mudar e continuaremos “colocando medo” nos adversários, somente com a nossa tradição. O Santos é um exemplo. Não aprendeu nada com a derrota para o Barcelona por 4x0, e pior, marcou depois um amistoso e com o Neymar do outro lado.  Uma “brilhante” jogada de marketing dos dirigentes que ridicularizou uma marca também centenária. E a Seleção teve que esperar 100 anos e mais uma Copa em casa, para também ser humilhada em rede mundial.

E a visão otimista? Colocar a prepotência e os pezinhos no chão, e tentar tirar algum proveito deste vexame histórico. Precisaria de uma reformulação quase que total. Pois se continuarmos com esta penca de treinadores pragmáticos, prepotentes e defensivos, e com esta enxurrada de jogos ruins no principal campeonato nacional, ao qual somos “agraciados” toda quarta-feira e domingo, pouca coisa vai acontecer em 2018, na próxima Copa.



Obs: E não acabou, ainda tem a disputa do terceiro lugar. Se ganhar, fica como está, não fizeram mais que a obrigação. E se perder ainda pode piorar um pouquinho, se é que ainda é possível. Dependerá de quantos cacos a Seleção vai conseguir juntar para este jogo.





sábado, 10 de maio de 2014

O abrasileiramento do nosso futebol (ou da Seleção).


Estava lendo sobre a Copa de 1958 num livro que tenho sobre as Copas. Já vimos e revimos os lances, gols e o futebol arte protagonizado pela Seleção Brasileira neste período. O que era comum por estes lados dos trópicos, era uma novidade para os europeus.
Felipão fez sua convocação e até aí, nenhuma grande surpresa. Nomes que já estamos acostumados a ver pela seleção, com alguns jogando em grandes clubes europeus, e outros, em times medianos do velho mundo. Confesso que até serem convocados, alguns nomes eram estranhos para mim: David Luiz, Dante, Marcelo, Luiz Gustavo, Fernandinho, Willian, Hulk... Jogadores cujas trajetórias sabemos muito pouco, e duvido que você leitor, saiba me dizer de “bate-pronto”, os clubes de todos estes jogadores (sem falhar nenhum!) ou quais clubes atuaram no Brasil antes destes partirem para a Europa. Não que eu esteja fazendo uma crítica ou discutindo o quesito técnico destes jogadores. Meu questionamento vai além disto, ou seja, a quantas anda o futebol em solos guarani e tupiniquim, e não sobre a “família Scolari”.
A “luzinha” acendeu para escrever este post quando o glorioso Jornal Nacional passou a falar da vida dos convocados de Felipão, que soa mais como uma espécie de cartilha de apresentação destes jogadores do que outra coisa. Pois é, isto mesmo. Se para mim, um cidadão com alguns recursos, já fica difícil reconhecer alguns selecionados, imagina pra boa parcela da população que não tem TV a cabo ou acesso a jogos internacionais. Ontem a figurinha mostrada (Paulinho), foi fácil, jogador revelado pelo segundo clube mais popular do país. Aí também não vale. Mas outros, vamos sim precisar da cartilha do JN para conhecê-los melhor.
Faz-se necessário trazer estes jogadores não apenas para conhecê-los melhor, como disse, mas também para “abrasileirar” nossa seleção. Apresentá-los para o público leigo ou comum. Mostrar que eles possuem raízes brasileiras, apesar de toda fama e dinheiro conquistados na Europa e de estarem longe daqui já algum tempo. Continuam “gente como a gente”, apesar de jatinhos particulares e hotéis seis estrelas. Foi o que fez também o Globo Repórter com uma espécie de “especial Felipão”, mostrando os tempos de docente do treinador, e de zagueiro botinudo do time de Caxias do Sul, que sinceramente, não sei se ele tem muita saudade desta época. E o programa terminou mostrando os jogadores cantando efusivamente o hino na final da Copa das Confederações, um artifício talvez, de intimidar os espanhóis.

Podemos ser campeões, mas não com o futebol que se joga por aqui. Caso o Brasil for campeão, e acho que tem boas chances para isto, será com um futebol jogado mais com cara de Europa. Talvez não tão pragmático como em 1994, pois jogando em casa, fica difícil manter a serenidade e a frieza. Mas muito diferente do que aconteceu em 1958, quando os europeus conheceram o futebol arte e pela primeira vez ouvia-se gargalhadas nas arquibancadas, quando Garrincha pegava algum zagueiro para “João”. Não estou propondo uma volta a este “futebol romântico”, que se nos informarmos um pouco, também vamos descobrir que não era tão romântico assim. Mas não acho que seria impossível segurar nossos principais jogadores, e dar uma melhora substancial no futebol praticado aqui e manter a nossa identidade. Mas para isto, tornar-se-ia necessário a interrupção desta cadeia que segue esta “lógica” de mercado criada, que começa com as ervas-daninhas que vivem da exportação de jogadores; os empresários de futebol. Além disto, há também os “Gaviões Buenos” da vida, que estão aí para engrossar o coro internacional, e por consequência estamos vendo cada vez mais nossos jovens torcendo ou comprando camisas de times europeus, o que não deixa de ser pernicioso ao nosso futebol de certa maneira.
Nada como inverter esta lógica e traçar um caminho inverso. Mas isto requer primeiro uma mudança de mentalidade. Temos que abrasileirar novamente nosso futebol e nossa Seleção, mas não através e - somente - da mídia, como está sendo feito. Pois talvez o "brasileiro", ainda gosta de se vangloriar de pertencer ao “país do futebol”. Ou pelo menos, já foi ou pertenceu algum dia. Disto temos certeza.