quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Conclusão do dia seguinte: somente o 5 a 1 não admite discussão.



Quem diria? Enquanto o desânimo e a apatia tomavam conta do torcedor de futebol, eis que na noite de ontem, no lendário Estádio Urbano Caldeira, foi escrita mais uma bela e inusitada página do nosso futebol brasileiro. Algo a ser tatuado na memória do torcedor por muitos anos. Uma goleada indiscutível, absoluta do time santista contra os seus rivais corintianos.

Não, não é exagero. Considero o 5 a 1 o placar mais insuspeito do futebol. Todos os outros resultados, sem exceção, admitem, no mínimo, cinco minutos de discussão. Sempre haverá um lance discutível, um erro do bandeira, um minuto a menos de acréscimo ou até mesmo um corpo mole do time pra derrubar o técnico. Tudo isso vale o debate. No 5 a 1, meus amigos, dispensa-se o falatório. Não há argumentos que desabonem ou desqualifiquem o 5 a 1. Fecha a conta, passa e régua e vamos embora. O 5 a 1 é a demonstração numérica da superioridade técnica, tática, física e emocional de um time sobre o outro.

Um revés de 5 a 1 é doloroso demais para o torcedor, independente da importância do jogo em disputa. Quando o vareio, o chocolate, a saraivada, o sapeca iaiá ,ocorre num clássico, então, estamos diante de um tragédia digna da novela do Walcyr Carrasco (Amor à Vida), que se encerra amanhã. A sensação de impotência do torcedor diante da goleada é incompreensível para quem não torce enão ama de verdade o clube do coração. Somente o Dr. César da novela, agora cego, desiludido e mal amado entenderia esse sentimento.

A vontade do torcedor é de invadir o campo, apagar as luzes do estádio, tirar o time de campo. A humilhação nessas horas dá de goleada na razão. O Fair Play do torcedor transborda num copinho plástico atirado violentamente contra o banco de reservas do adversário, contra o árbitro, contra qualquer um que faça pouco de sua dor. 

Só o 5 a 1 causa essa dor, esse aperto no coração. Qualquer goleada maior que essa cheira à entregada, à fritura de técnico e a todo um conjunto de teorias de conspiração que somente o torcedor é capaz de racionalizar. Entendo o sofrimento do torcedor corintiano na data de hoje. Já passei por isso, claro. Aliás, o drama do 5 a 1 acontece somente nas melhores famílias. É do jogo.

O torcedor corintiano, o fiel, esse personagem do imaginário futebolístico, como manda a tradição, saiu do estádio apenas após o último apito do árbitro, atônito, desnorteado, descrente daquilo que seus olhos marejados presenciaram. O torcedor de sofá, por sua vez, que aguardou o final da novela, do BBB, para torcer pelo time, teve pesadelos terríveis protagonizados por Arouca, o craque santista na partida de ontem. Acordou várias vezes durante a noite, sobressaltado, suado, ao som da própria voz, gritando: - Não, Arouca, chega!

   

2 comentários:

Sérgio Oliveira disse...

Belíssimo texto, meu amigo. Eu não tive condições (e talvez capacidade) de falar qualquer coisa sobre o jogo de ontem. Até mesmo, acreditem ou não, parei com o sofrimento no segundo gol santista.

Mario disse...

Hahaha o "sapeca-iaiá" foi a melhor.

Já Arouca, foi um monstro. Ou como disse, um pesadelo para os corintianos. Já havia ficado fã deste cara, agora então...rs