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quarta-feira, 17 de julho de 2019
Governança Esportiva: A elitização das conquistas
Acabo de ver uma reportagem sobre a saúde financeira dos clubes brasileiros. Palmeiras e Flamengo aparecem no topo da lista, respectivamente. Parte desse processo segue a ideia de uma boa gestão administrativa e de financiamentos. Tem um lado positivo desse estudo que é mostrar o quanto a profissionalização do futebol pode gerar riqueza, grandes times e consequentemente conquistas. Do lado negativo, essa puxada para o topo dos dois cubes trará uma elitização da festa, restando aos dois clubes as maiores e melhores conquistas.
É fato que o futebol não é matemática, mas também é fato que as melhores peças se movem melhor no tabuleiro. As chances de uma onipresença nacional dos dois clubes jogará para o limpo a ideia de que o Brasileirão começa com cinco ou seis potenciais candidatos ao título.
A pesquisa mostra uma situação preocupante, mas não tão desastrosa de Corinthians e São Paulo. O primeiro, nas últimas décadas, não desapontou na questão dos títulos, mas não podemos deixar de lembrar que tal feito deve-se muito mais a competência do gerenciamento do esporte, considerando treinadores e afins, que propriamente uma ótima questão financeira.
O resultado da pesquisa não mostra efetivamente o risco do negócio e, apesar de se mostrarem rentáveis, o quão são sólidos. O futebol no mundo é um grande negócio, no Brasil ele é mal trabalhado, pela incompetência dos seus dirigentes, em muitos casos, e pela dependência de uma fonte de renda que não exige uma contrapartida, ou seja, a televisão paga e com isso prende o devedor. No caso do Palmeiras, essa amarra foi colocada à prova, visto a dura negociação do clube com a Globo.
Se o futebol continuar desse modo, a gestão de Palmeiras e Flamengo trará para o centro da discussão a divisão entre Barcelona e Real Madrid, como na Espanha; restando aos outros candidatos atrapalharem menos ou mais a competição, cabendo aos clássicos regionais uma disputa isolada, dando a única chance do time de menor investimento caçoar do adversário.
Palmeiras e Flamengo estão trazendo um novo futebol para o país, resta saber se para os outros clubes será o fim ou o começo de uma Nova Era.
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quarta-feira, 10 de abril de 2019
Corinthians não passa por nocaute, mas passa
Não gosto de
boxe, mas já assisti algumas lutas. Nela um boxeador pode apanhar, apanhar e
apanhar. Se nada extraordinário acontecer, perderá por pontos ou por nocaute. É
um esporte que dá margens para interpretações, só não acontece de um surrado
conquistar alguma coisa. Talvez essa analogia não sirva para o futebol, em que
as regras são matemáticas: ganha quem faz mais gols, não quem bate mais. Ainda
pior, dentro da esportividade de campo, ganha quem segue a regra da competição.
O campeonato, o jogo e o esporte têm suas definições próprias.
Mas competir,
dentro do futebol, é algo muito contraditório.
Aquilo que vimos
na última semifinal entre Corinthians e Santos deixará bem evidente a diferença
entre competir e competição. Assim como um boxeador que apanha o tempo todo, o
Corinthians apanhou do Santos. Inúmeras chances desperdiçadas, um time batendo
e outro como “sparring bob”. Competir
é disputar e o Corinthians competiu? Ataque contra a defesa - A clássica
definição dos comentaristas esportistas quando há uma notória diferença de
comportamento das equipes dentro de campo - Mas o futebol não é boxe, ganha
quem está na competição, nem sempre quem agride mais, por nocaute ou pontos.
Vão dizer certo
ou errado, vão analisar a estética do esporte. Vão achar argumentos sobre a
justiça e coisa do gênero. Chegaremos à conclusão de que o Corinthians não
deveria estar na final. E depois de tantos debates, tantas discussões e já com
uma definida opinião sobre o clássico, enfim os termos que definem todos os
argumentos acabam mudando tudo: competir e competição. Corinthians não
disputou, mas competiu. Competir é definido pela competição, por suas regras
diretas e matemáticas. Competir é usar a regra. Ousar é a beleza estética. A
Seleção Brasileira de 1982 era ousada, o Corinthians de 2019 segue resignado.
Corinthians competiu na regra do futebol, por sua sorte não era um boxeador.
A soma dos
resultados dos dois jogos foi 2 x 2. Na história do esporte a surra será
diminuída com o tempo. Os vitoriosos não precisam de justificativas, seguem na
competição. E os perdedores? É válido que queiram vencer. Nem que vençam pela
beleza, pela plástica e pelo “jogo bem jogado”. Ainda que no DNA do futebol
venha enriquecido pelo gol, sua mudança genética é a competição. O torcedor
prefere um time brilhante desclassificado ou um medíocre na final? Corinthians
foi medíocre, mas poderá entrar na história. Santos foi fascinante, mas um
encanto que acaba com o apito final.
É verdade que a
melhor das opções é uma equipe jogando brilhantemente e vitoriosa, agregando
resultado e beleza. Mas nem sempre dá para ser assim. Alguns times já
conseguiram fazer isso? Muitos. E ainda muitos continuam sendo eficientes e agradáveis.
Mas, tantos outros medíocres entraram para história, narrando seu feito heroico
ainda que covardes. Pois no futebol a covardia não é como no boxe.
No futebol quem
sabe apanhar também pode ganhar.
sábado, 9 de fevereiro de 2019
NÃO PODES PERDER, PERDER PARA NINGUÉM - I
Exausto. Olho para os lados. Exausto. Pulso ainda firme e os olhos atentos. Que ainda me chama atenção nesse mundo em movimento? Quem me chama atenção? A solidão é uma parada obrigatória aos inconformados. Nada me conforta, nem o som nem o gosto. Tomo um gole da cerveja que estava esquentando em cima do balcão, um punhado de amendoim na boca. Exausto, cansado. Ninguém em mim se anima. Hoje é uma sexta-feira, relembro ao olhar pela terceira vez o calendário. Antigamente eles eram mais atraentes, as mulheres quase nuas e números maiores. Num bar daqueles e o calendário com foto de gatinho, cachorrinho e outros mimos. Um gole na cerveja e outro punhado de amendoim. Queria comer um ovo e um torresmo, mas aquele lugar não me inspirava confiança. Que calor dos infernos e essa chuva que está armando lá fora. Tem algum lugar para eu dormir nessa pocilga? Puta que me pariu, o Botafogo está perdendo novamente. Eu que pensei em jogar futebol. Mas estou exausto, muito exausto.
Quer sair por andando por aí sem caminhar certo. Passos tortos, anjo torto. Minhas pernas tortas? Hoje não tem clássico e amanhã não posso mais perder de ninguém. Um herói que amanhã acorda cedo. Como disse Bukowski, há um pássaro no peito que quer sair, mas não quero que ninguém o veja. Esse bar tem lugar para dormir? Amanhã acordo cedo, amanhã sem calendário e amanhã sem torresmo. Hoje, meus amigos, eu não posso perder para ninguém! Caminho pelas ruas estreitas suas casas velhas e conservadas. Não quero a praia e suas calçadas largas, mas quero o sol que nascerá daqui a pouco. Pois hoje eu trabalho e hoje não tem mais futebol.
História épica é minha história de torcedor. Há quem diga que eu estou por algum canto, aguardando comentários e ilustrações do passado. Mas eu sou do futuro, esperançoso do futuro. Jefferson ou Manga? Não paro de pensar enquanto caminho entre o passado e o futuro. Tem dúvida que só acontece no Botafogo. E eu continuo andando querendo saber afinal quem é General Polidoro. Seria um ilustre botafoguense? Nilton dos Reis Santos! Santos nosso rival de craques. Não, não posso mais perder para ninguém.
Sigo andando para Rodrigo de Freitas. Suas ruas não são mais tão estreitas. Andando minha cabeça vai voltando ao normal. Sem torresmo e essa cerveja gelada. Do meu lado esquerdo cruzes, crucifixos e o silêncio. São João Batista onde quero meus dias tranquilos. Mas amanhã ainda vou trabalhar, amanhã não tem clássico. Amanhã não ganho de 1 a zero do Flamengo com noventa e duas mil pessoas. E eu era tão novo e eu sabia que não precisava ter esperança. Hoje preciso, hoje é essencial.
Hoje tão solitário e andando tão exausto. Hoje a noite uma estrela que eu sou, mas quem sabe não me sinta tão triste em ser tão solitário.
Hoje tão solitário e andando tão exausto. Hoje a noite uma estrela que eu sou, mas quem sabe não me sinta tão triste em ser tão solitário.
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sexta-feira, 8 de fevereiro de 2019
Futebol de Resultado: O poder de uma bola!
Reinauguro minha coluna no Patativa da Bola depois de um show de horror. Corinthians versus Ferroviário do Ceará. Mando de campo invertido na prática para jogo decisivo pela Copa do Brasil. Na teoria Corinthians passaria fácil. Não foi bem assim que aconteceu: de um lado um time jogando a vida, do outro um time com cara de fase preparatória. Assim como acontece em jogos regionais, o fino da bola é algo irregular no aspecto tático, técnico e estético. Um jogo horroroso onde o visitante deveria ter mais sorte. Talvez mais cabeça também, evitando facilitar a vida do Corinthians ao querer mandar o jogo junto à torcida adversária: Money, get away. Resultado foi um empate medonho com cara de derrota.
Cheguei ao tema desse texto exatamente por uma análise crítica do que é ser torcedor nos dias de hoje. Afinal de contas, não é a primeira vez que me vejo olhando para o resultado, placar e regra da competição para me orgulhar do meu time. Passamos para a segunda fase! Não deu zebra. Deu a lógica. Que felicidade a minha passar cada etapa e descobrir que ainda estamos brigando pelo título. Futebol é isso? Passou a ser. Infelizmente. Não sei quando começou essa tendência de futebol por resultado, só sei que é fiel a proposta de jogadores, treinadores e dirigentes. Estamos todos no mesmo barco e todos soltam fogos quando um time se classifica, mesmo por vias tortas. A pergunta que fica na cabeça do torcedor é uma pergunta filosófica, um modelo ético a ser seguido: quer o seu time campeão ou quer o seu time jogando bem?
Talvez seja a Síndrome de Sarriá. Sofro disso. Minha geração sofre disso. É quase como um torcedor bipolar. Na minha inconsciência queria meu time goleando, tabelas maravilhosas e uma zaga segura. Na minha inconsciência eu olho meu time classificado. Jogos ruins justificam os meios. O inconsciente nunca sabe se o que é bom é realmente certo? Um dos desconfortos da síndrome é exatamente chorar pela eternidade pelo leite derramado. Prefiro sorrir a inconstância que amargurar a segurança. Classificado, sabe o que significa isso? Significa que daqui alguns dias pouco importa o jogo. Sempre será assim, com jogo roubado, com resultado duvidoso e com partidas horrorosas. A estatística e a justiça são cegas no futebol, a razão ainda mais.
Corinthians tem mostrado essa artimanha do futebol desde quando subiu para a primeira divisão e por isso ganhou mais do que devia. De todos os títulos, poucos foram conquistados por jogadores maravilhosos. Somos a cura de 1982! O futebol brasileiro deve se render ao seu próprio amadorismo. Deve se render ao resultado proposto pela equipe alvinegra! É certo que queria meu time como Santos de Pelé. Queria meu time com classe do Corinthians de Sócrates. Queria meu time como a Academia Alviverde. Queria meu time soberano como São Paulo! Mas esse futebol não existe mais, pois ele faliu juntamente com a Seleção Brasileira de Zico, Falão entre outros.
Esse futebol sonhado pelos torcedores não é mais coisa brasileira, por isso patinamos na Libertadores, Copa e etc.. Qual a seleção brasileira que faz brilhar os olhos? Nenhuma, meus caros! Porque achamos que o nosso futebol é o melhor do mundo. E sabe quando nosso futebol encherá nossos olhos? Quando enfim descobrirmos o poder de uma bola! Um jogo por uma bola! As conquistas amargas por uma bola!
quarta-feira, 28 de junho de 2017
Cartola e o novo Futebol
Tenho acompanhado o futebol como quem segue o sobe e desce na bolsa de valores. Há um elemento que me inseriu nesse mundo de estatísticas, apostas e previsões. Algo no futebol que me faz pensar numa análise criteriosa, que olha para o jogador de futebol e seu histórico dentro do campo. Ver o jogo dentro de um contexto, que não deixa de lado a análise do mando de campo, histórico de confrontos, pressão por resultados; a tabela de classificação, o artilheiro e assim por diante. Tenho acompanhado o futebol numa nova postura de torcedor, que já não torce mais pelo time, mas pelos jogadores. Esse elemento se chama Cartola FC.
E para quem não conhece o Cartola FC, ele é um jogo onde os participantes montam equipes com jogadores da vida real. A pontuação numa partida de futebol alimenta os pontos dos jogadores dentro do Cartola. Assim, de uma forma resumida: você escolhe o jogador para apostar e esse jogador terá uma pontuação dentro de um jogo real. Você monta uma equipe com onze jogadores que pode ser de qualquer equipe do futebol que participa da Série A do Campeonato Brasileiro. Bom, mas a intenção aqui não é ser um tutorial para o esporte fantasy, mas sim, discutir o quanto esse game está influenciando o torcedor na vida real.
É verdade que o futebol está longe da modernidade e aos trancos e barrancos quer chegar ao século XXI. Parte dessa pressão surge dos próprios torcedores. Outra pressão vem das empresas que gastam milhões em publicidade. O futebol altamente lucrativo não pode lutar contra a evolução tecnológica que surgiu nos anos 90, e que fez mudanças grandiosas em nossa vida cotidiana. Mudamos tudo em nossa vida nos últimos trinta anos. Lazer, negócios, exposição, segurança entre outras coisas. Tudo adaptado à “nova tecnologia da Informação”, que não é mais nova assim. A adaptação só não aconteceu ainda no futebol. As mesmas regras, o mesmo jogo e a mesma praça. O futebol não se diferencia na essência do futebol jogado pelo seu avô.
O Cartola FC é só mais uma ferramenta que auxilia essa participação high tech no mundo do futebol. É preciso conexão, celular, agilidade e conectividade. É matemática, dados, como nos jogos virtuais. Chute vale um ponto, falta vale outro. A matemática define objetivamente. Não dá para ver o futebol de forma subjetiva. “Plasticidade”, que é um termo muito usado pelos torcedores para definir uma jogada bonita, não tem participação no Cartola FC. Exceto um critério chamado “defesa difícil”, tudo que existe no Cartola é lógico, pontual, sem discussão. É futebol? Em partes. Futebol que não quer qualificar um gol que parte da torcida, mas pontuar um gol registrado na planilha. Acompanhar o futebol através do Cartola nos torna mais frios? Não necessariamente. Cartola é um mundo paralelo do futebol, pois não remete aquilo que vemos dentro de campo, mas dá objetividade em tudo que acontece dentro dele.
Nesses três anos tenho acompanhado um grupo de discussão num grupo de Whatsapp. Em sua maioria, os participantes ali têm a metade da minha idade. E todos eles dizem e falam sobre o futebol com um amor que eu já pensei não existir mais. Sou, talvez, de uma geração que determina que certa ilusão deve ser mantida mesmo na linha do entretenimento. E nesse amor que eles vivem, acompanhando nomes, estatísticas de clubes e jogadores estranhíssimos ao meu mundo; todos eles sabem e se divertem com o Cartola como se ali eles pudessem realmente co-participar do mundo do futebol. Não deixa de ser curioso que o futebol, que parece morrer a cada ano, renasça a cada nova onda tecnológica.
O futebol, portanto, por vias tortas, está chegando ao futuro. Onde não basta apenas torcer, é preciso participar. Uma participação dinâmica que vê o futebol em seus detalhes, passo-a-passo. Não basta torcer, é preciso opinar (através de Whatsapp, Facebook ou afins). Não basta torcer e opinar, é preciso acompanhar e armazenar dados, lançar as informações em estatísticas e gráficos, decidir a melhor opção, de acordo com tudo que envolve uma partida de futebol. E somando tudo isso, ter o poder de escalar e verificar sua escolha virtual de acordo com o mundo real, como acontece com o Cartola.
Com isso, o futebol que existiu antes vai morrer; mas a cada nova rodada nasce uma nova forma de torcer. Errado ou não, é através dessa nova maneira que eu ainda não abandonei o futebol.
segunda-feira, 24 de abril de 2017
Autor e a autocrítica
Acredito que
todos os colunistas do Patativa da Bola têm explicações interessantíssimas
sobre a ausência de postagens sobre futebol. Vejam que a última postagem sobre
o esse esporte aconteceu em janeiro de 2017, quando ocorreu o comunicado da
FIFA sobre os Mundiais. Tirando a coluna “Pé no Fundo”, presente pontualmente a
cada grande prêmio; temos um ostracismo medonho a ser combatido. É verdade que
fiquei empolgado com a estreante “Corre, corre”, indicando que um novo esporte
seria explorado; mas mesmo assim tudo pareceu pouco, visto nossa empolgação
quando decidimos abrir esse espaço.
Muitas coisas
aconteceram durante esse período magro de postagens, vejam vocês que não
tivemos uma única vírgula sobre o título do Palmeiras (que saiu de uma incômoda
fila de Campeonato Brasileiro). Nada sobre o Botafogo, chegando até a
Libertadores depois de tantos anos. Nada sobre a Chapecoense, que mesmo sendo
um assunto que foge opiniões sobre futebol, foi um argumento interessante e
pouquíssimo comentado por nós. Nada sobre a campanha da Seleção Brasileira,
aliás minha última postagem foi exatamente sobre a estreia do Tite, em setembro
de 2016. Eu fiquei incomodado, mas não houve qualquer motivo que me fizesse
sentar na frente do computador e perdesse quinze ou vinte minutos para falar
sobre qualquer desses temas.
Quais os meus
motivos? Não posso falar pelos outros colunistas, mas eu tenho muitas
explicações sobre a falta de textos falando sobre o futebol. Devem ter notado
que minhas últimas postagens foram muito pessimistas, como se o futebol tivesse
perdido o encanto e coisa e tal. É verdade, ele perdeu o encanto para mim.
Também nesse aspecto existe algo pessoal também, essas mudanças que atrapalham
qualquer coisa que tenha relação com criação. Enfim, o futebol ficou
desinteressante e eu me sentia pior ainda sendo um cara rabugento, pessimista e
sem qualquer condição de falar sobre o esporte que me fazia perder algumas
horas da minha vida.
O futebol mudou
muito, o torcedor não. Eu continuo o mesmo nessas décadas. Continuo querendo
achar em cada novo craque aquele sujeito que eu acompanhava em campo, na minha
adolescência. O mal do século é a nostalgia? Não sei dizer. Só sei que
acompanhar a cena contemporânea do futebol é ter que ouvir, ler uma língua estranha,
com tantos nomes estranhos; diversos times estrangeiros. Não tenho condição de
me enquadrar nessa dinâmica que tornou o futebol tão universal, saindo os
campos de futebol de botão e partindo para a tela de um computador. O futebol
trouxe para a discussão o magnânimo profissionalismo europeu em combate ao
abandonado, desacreditado e ruim futebol nacional.
Vejo a juventude
admirando o futebol estrangeiro com a mesma força de conhecimento que admira o
time de coração aqui no Brasil. Admira os negócios feitos com cifras
milionárias, contratos de bilhões e uma conduta profissional que determina
quando e como um time será campeão. Enfim, o futebol que com o passar dos anos
incorporou o negócio em seu planejamento financeiro perdeu um pouco o direito
de ser arte, precisando ser apenas competitivo. Um pouco disso é meu dissabor e
talvez por isso o futebol tem fascinado cada vez menos.
Voltar aqui é
ter esperança: ou me transforme nesse novo torcedor ou o futebol deve mudar. A
resposta é muito simples, só preciso de um motivo interessante para começar a
me transformar.
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segunda-feira, 5 de setembro de 2016
Será que tudo mudou?
Prestes a entrar
em campo depois da estreia pela seleção, Tite mostra que estamos no caminho
certo. Pelo menos essa é a euforia causa depois da vitória por 3 X 0 contra a
seleção do Equador. Tudo bem que a seleção equatoriana tem lá seus defeitos,
mas não era de se esperar uma apresentação tão boa. Também é verdade que essa
euforia toda é coisa típica do torcedor brasileiro, que sai do céu e vai para o
inferno em pouco mais de duas postagens. Resta saber o quanto Tite tem os pés
no chão e quanto a primeira apresentação não irá atrapalhar o resto do
trabalho.
Tudo começou uma
semana antes do jogo de estreia, quando foi liberara a lista de jogadores. E
vamos ser sinceros, se a lista fosse divulgada pelo Dunga como técnico, seria
uma enxurrada de críticas, de nariz torcido e uma má vontade daquelas. Não era
para menos. Bom, como a relação era do Tite, até mesmo os nomes mais
discutíveis vinham com uma observação quase unânime: Se o Tite escolheu, deve
ter suas razões. Ou ainda, se Tite escolheu, deve saber tirar o melhor do
jogador. Tudo isso é uma verdade, parece que a confiança em Tite lhe dá aval
até mesmo quando a coisa parece totalmente incerta e absurda.
Por exemplo,
Paulinho. De uma maneira geral todos os jogadores da geração 7 x 1 estão estigmatizados
como perdedores, uma vergonha para o futebol brasileiro; coisa do gênero.
Paulinho não foi convocado em nenhuma das oportunidades depois da Copa do
Mundo. Não era nem lembrado pelos torcedores, cronistas e palpiteiros. Tite
achou o jogador escondido na China, onde podemos dizer que temos um futebol que
quer se tornar competitivo, mas de longe é um exemplo de preparação. Paulinho,
assim, como aqueles que jogam na China, eram nomes improváveis para uma seleção
que pretende recuperar o futebol brasileiro. Ele veio, jogou; titular absoluto.
Com essa ideia,
Tite quer montar uma espinha dorsal de sua seleção, e quando estiver seguro
disso; preencherá o campo da maneira que ele acha ideal. Esse preenchimento
criativo não será difícil, tem a chance de dois ou três nomes que são jogadores
excelentes. Gabriel Jesus mostrou isso, Neymar jogou melhor sem a pressão da
faixa de capitão; Marcelo mostrou que pode sim ser um lateral indiscutível. Há
muito ainda que se trabalhar, mas a verdade é que ali podemos ver uma seleção
treinada, coisa que não vimos nem nos bons jogos do Felipão.
Assim, podemos
dizer que Tite está o caminho certo, pois venceu o primeiro jogo. Mas, se
levarmos em consideração que Felipão e Dunga tiveram boas estreias, temos que pensar
na possibilidade de mudança de planos até o final de ano. Embora acredite que,
pela correção, capacidade e seriedade; a seleção brasileira tem uma situação
muito melhor com o novo treinador. Há esperança de melhora, de um futebol mais
seguro; um trabalho mais consistente. Será que tudo mudou? Longe disso, temos
ainda problemas sérios na estrutura do futebol brasileiro. Mas uma coisa é
certa: é bem melhor um treinador como Tite tomando conta das coisas pertinentes
ao futebol de dentro de campo.
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terça-feira, 14 de junho de 2016
A escolha de Tite
Há um clamor
para que o Tite, atual treinador do Corinthians, assuma a seleção brasileira.
Embora seja considerado um dos maiores treinadores contemporâneos no Brasil,
ainda assim não considero o melhor nome. É verdade também que, tirando técnicos
estrangeiros, não temos outra opção para o lugar do Dunga. Mas, se Tite é o
melhor, qual o motivo de não o achar ideal? Bom, tenho três bons motivos.
Considerando os trabalhos feitos no Corinthians, temos: Defensivo, cauteloso e
leal. Em alguns aspectos, as três características podem ser excelentes para o
desempenho de uma equipe, em outros momentos, não.
O esquema tático
do Tite prioriza a questão defensiva. Por esse motivo, as críticas em relação
ao desempenho do seu ataque, e consequentemente dos seus atacantes, é contumaz.
Tite afirma que o equilíbrio faz os vencedores, portanto sabe da questão
ofensiva. Acredita que o sistema ofensivo começa com a posse da bola, que pode
acontecer com uma bola roubada no ataque, ou a destruição de uma jogada do
adversário na defesa. Assim, a questão ofensiva pode começar com a saída de
bola dos zagueiros, laterais e volantes. Por esse motivo, os laterais de Tite
quase sempre são os melhores em campo, pois são eles que alimentam o meio de
campo e o ataque. Talvez treinos específicos e jogadores melhores salvem a inoperância
de Tite no ataque, mas é fato que é o seu tendão de Aquiles.
O segundo
aspecto de Tite está em ser cauteloso. Inúmeras vezes os torcedores corintianos
se queixaram de ver o time perdendo o jogo e o técnico não movendo uma vírgula
sequer do seu esquema tático. Por uma questão pragmática, essa forma estática
quase sempre obtém resultados surpreendentes. É visível que o time “não se
abala” com resultados adversos. Mas também é o fato da “equipe não conseguir
sair de algumas armadilhas táticas dos adversários”. Assim, em alguns momentos,
o time treinado por Tite mostra demais sua forma de jogar, pois repete a
fórmula independente da competição. Esse esquema inalterado explica os motivos
do time ter bons resultados, ser estável, mas mesmo assim não conseguir ganhar
clássicos ou jogos eliminatórios. São nesses jogos que a tática deve ser
alterada, o comportamento modificado; opções reveladas. Corinthians versus
Ituano parece igual Corinthians versus Palmeiras, quando não é.
O terceiro
aspecto de Tite tem uma relação com a fidelidade aos nomes que trabalham com
ele. Considera que todo jogador tem um potencial que pode não estar sendo
explorado, principalmente quando o jogador está em péssima fase. Aconteceu isso
recentemente com Vágner Love, quando havia críticas por todos os lados, mas o
treinador deixou o jogador em campo, e por inúmeras partidas. Na cabeça do
treinador talvez rolasse aquele pensamento: “eu sei que esse cara joga, mostra
nos treinamentos, uma hora ele tem que colocar isso em prática”. Essa questão,
por exemplo, na seleção brasileira é impossível. Não há tempo para as seguidas
chances que Tite dá aos seus comandados.
Os lados
negativos apresentados são péssimos para a seleção, embora não seja para os
clubes que ele dirigiu, principalmente o Corinthians. Algumas vezes, quando os
resultados não acontecem, esse lado defensivo, leal e cauteloso do treinador;
são colocados em discussão na boca dos torcedores. Mas, esses mesmos lados
negativos, têm suas características positivas, e é por elas que Tite virou
unanimidade. Resta saber o quanto o treinador irá mudar quando receber o
comando da seleção, e se essas mudanças trarão benefícios a seleção.
segunda-feira, 13 de junho de 2016
A última da seleção brasileira não interessa
A Seleção
Brasileira está fora de mais uma competição oficial. Desclassificada pelo Peru,
mesmo com um gol irregular; a seleção, mais uma vez, coloca um episódio triste na
lista de vexames de sua história. Aliás, já disse, mas repito: “estão destruindo a
história da Seleção Brasileira”. Daqui para frente não haverá mais tabus,
vergonhas; feito inédito. Tudo será tão normal em sua ruindade, que não teremos
mais tempo para reclamar, xingar ou chorar. Acabou também o patriotismo. A seleção
brasileira do futebol maravilhoso não me representa. Não se representa. Tem,
cada dia mais, não representando nada. O futebol brasileiro morreu. Não está
doente, morreu mesmo.
Foi uma morte
anunciada. Temos inúmeros motivos que explicam o fim do futebol arte. Do futebol
competitivo. Simplesmente do futebol. O fim do futebol que era idolatrado pelo
mundo. Alguns motivos são claros e lógicos, outros discutíveis. Passa pelos
dirigentes, jogadores, treinadores e quem patrocina o futebol. Tudo que está
errado no futebol brasileiro não tem um inimigo externo. Desde a formação,
comportamento; cultura e a própria condição dos torcedores, que são os verdadeiros
mandatários do negócio futebol. Passa pela própria constituição social,
educacional e moral. Temos nos jogadores, assim como nos políticos; a
representação fidedigna daquilo que nos, como brasileiro, mais ostentamos. Estamos
em situação pior daquele que vivíamos há tempos, não temos mais complexo de
vira-latas.
Vivemos sim a
soberba. A soberba que carregamos no peito, com estrelas de campeão mundial que
nenhuma outra seleção conseguiu chegar. Carregamos no peito a história dos
craques do passado, ou simplesmente o maior deles: Pelé. Carregamos a desculpa
da derrota num punhado de dólares, negociados momentos antes das partidas, como
se nossa queda só fosse possível por meios imorais. Perdemos em 82 pois nós nos
vendemos. Perdemos na convulsão do Ronaldo por causa da patrocinadora. E todas
essas bobagens de teorias que jamais serão comprovadas. Pois para muitos,
até então, o Brasil só perdia em campo para ele mesmo.
A verdade
demorou, mas chegou. Hoje sabemos que o futebol tem lá suas particularidades. Perder
ou ganhar faz parte do negócio. O mundo do futebol se prepara para isso. Evoluí,
planeja e executa. Apenas o país do futebol acreditava que nada precisava ser
feito. Que o futebol nasce em cada esquina, em cada moleque descalço; em cada
brincadeira no recreio da escola. Acontece que não tem mais esse moleque, não
temos mais essa paixão; não somos mais o país do futebol. É duro aceitar, mas o
futebol brasileiro começou a morrer na Copa da Espanha, quando decidimos que os
resultados eram mais importantes que o próprio jogo. Que o “vencedor” ganha
sempre. E com essa mentalidade não encontramos soluções para o nosso futebol “perdedor”
de agora, pois não queremos outra coisa senão ganhar.
Já se foram três
técnicos, contando com Dunga, que provavelmente não ficará mais nenhum dia. E
com esses técnicos, inúmeros jogadores. Mas aquilo que realmente choca quando
falamos da seleção, nem é a opção medonha de ter o Dunga como o inovador da
seleção; mas de termos um amontoado de jogadores que nada representam o futebol
brasileiro. Você pergunta: mas afinal, o quê é o futebol brasileiro? Eu respondo
que é tudo ao contrário daquilo que estamos vendo nos últimos anos, na seleção,
nos clubes e nas escolinhas de futebol.
Aquele futebol
brasileiro precisa renascer, mas está cada dia mais longe essa gloriosa hipótese.
terça-feira, 2 de fevereiro de 2016
Paulistinha virando menos que paulistinha
E começam os
preparativos para 2016. O Campeonato Paulista, que tinha lá seu glamour até o
final da década de 90, passou a ser um campeonato preparatório, quase sem
importância. É péssimo pensar desse modo, principalmente para quem é saudosista
como eu. Um campeonato que abria a temporada como um cartão de visita, hoje
parece mais uma temporada de treino para disputas maiores. Times deixam
claramente aberto a expectativa em relação ao Paulista: preparar a equipe para
a Libertadores. Embora Santos não participe da competição continental, também
não mostrou grande esforço para fortalecer a equipe para esse começo de
temporada.
Mas podemos
pensar numa melhora nos próximos anos, já que teremos um enxugamento de equipes
em 2017. Esse ano seis cairão. É um número expressivo, se considerarmos vinte
participantes. Diminuindo o número de equipes, aumenta-se a qualidade técnica
da competição. Bom, em partes. É um assunto que eu ainda não analisei direito.
De uma forma grosseira, a lógica diz que uma disputa entre mais fortes forma
uma competição mais forte. No papel, na ideia; quem sabe na prática. Pode ser
uma forma simples da federação resolver o problema, inibindo o assédio aos
clubes paulistas da recém competição Sul-Minas-Rio.
Mas estamos
falando de 2016, e no presente temos que entre os quatro grandes apenas
Corinthians e Palmeiras ganharam na estreia. São Paulo e Santos empataram. Dos
quatros jogos, nenhuma novidade. Palmeiras e São Paulo saem na frente se
olharmos o primeiro desempenho. Não que tenha sido um primor de futebol, mas
mostraram mais qualidades que os outros dois. Corinthians com um time
completamente desfigurado, mostrou que está muito inferior aos considerados
grandes; trazendo um arrepio na espinha dos torcedores para a ano. O fantasma
de uma temporada pífia não sai da cabeça dos torcedores.
Palmeiras
apresentou problemas de todos os clubes em começo de temporada. Embora com uma
equipe recheada de contratações, parece departamos com os mesmos problemas
apresentados no final do ano passado. Mas, de longe, ainda com problemas, é a
melhor equipe paulista; e consequentemente favorita no regional. Não sei ainda
se consegue estabelecer um padrão de qualidade para enfrentar a competição continental;
por isso não cravo a equipe como favorita.
Se o São Paulo
não melhorou em nada tecnicamente, pelo menos já demonstrou uma disposição
muito diferente em campo. Não sei se a euforia da comemoração no primeiro gol
foi algo para inglês ver; ou se realmente houve uma mudança de postura. Há um
certo otimismo nos torcedores, principalmente pela chegado do Lugano; que
representará aquilo que os torcedores tanto estão pedindo: a garra. Garra que
não faltou ao Corinthians, por exemplo; mas que não resolveu o problema do seu
futebol tão sofrível.
No geral, acho
que São Paulo e Palmeiras vão melhorar em muito aquilo que apresentaram o ano
passado. Corinthians, com a chegada de reforços, pode sim tornar-se
competitivo; só precisa de tempo. O Santos com os velhos problemas e as velhas
soluções: até quando resolverá seus problemas dessa forma, nós não sabemos.
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sexta-feira, 15 de janeiro de 2016
Imaginário Campeonato Sul-Americano
No embalo da
discussão de um programa de rádio na Bradesco FM; resolvi fazer a minha lista
dos cinco melhores clubes nacionais. No programa fizeram uma enquete sobre um
hipotético campeonato Sul-Americano, considerando os melhores times do
continente. Nesse campeonato não haveria classificação por conquistas, mas por
uma análise dos times nos últimos dez anos. Pois bem, a primeira coisa foi
levantar quantos e quais os times conquistaram títulos relevantes nos últimos
dez anos. Para essa pesquisa desconsiderei os títulos regionais, por motivos
óbvios.
Num primeiro
momento consegui catalogar nove clubes nacionais, segue: São Paulo,
Corinthians, Flamengo, Cruzeiro, Fluminense, Santos, Atlético Mineiro,
Palmeiras e Internacional. Também fiz a consideração de dez anos, ainda que
considere o prazo muito longo para decidir quem é a melhor equipe na
atualidade. Por exemplo, São Paulo está classificado em largos passos; foram
três conquistas nacionais, uma Libertadores e um Mundial. Mas futebol é
momento, e neste momento, São Paulo não é superior ao Palmeiras, por exemplo;
que tem apenas um título relevante. Considerar um período menor também
dificultaria o processo de seleção, já que nos últimos cinco anos; equipes
brasileiras conseguiram poucos momentos de sucesso; com apenas três
libertadores um Mundial.
Assim, cheguei
aos seguintes clubes que representariam uma competição entre os melhores clubes
sul-americanos: Corinthians, São Paulo, Internacional, Santos e Fluminense. Corinthians
com maior número de títulos, com três brasileiros, uma Copa do Brasil, uma
Libertadores e um Mundial. São Paulo logo seguida, com apenas um título a
menos, a Copa do Brasil. Em terceiro o Internacional, que possui três títulos
relevantes internacionais; mas que não consegue títulos nacionais há muitos
anos. Depois Santos com três títulos nacionais e com um internacional e por último
o Fluminense, com três nacionais.
Dos nomes, não há
qualquer dúvida em relação aos três primeiros; já que foram nomes que
apareceram com maior frequência nos campeonatos; ganhando títulos ou ficando
nas primeiras colocações. Santos também inegavelmente faz um bom trabalho,
principalmente na fase em que Neymar era seu jogador. Agora, será que podemos
considerar apenas os títulos como critérios definitivos na escolha dos maiores
clubes nacionais? Será que existe diferença hoje entre Fluminense, o quinto
colocado, e o Palmeiras; que apesar de não conquistar grandes títulos tem se
reestruturado em seus aspectos financeiros, estruturais e técnicos?
É claro que cada
torcedor irá puxar sardinha para sua brasa. Vai mostrar números, estatística;
critérios e análises que mostraram que seu time, sim; é o maior e o melhor para
representar o futebol nacional. Também mostrará que a história é fundamental
para classificar uma equipe. Usará o papel da torcida, a visibilidade; a camisa
e assim por diante. Trará tantos dados que, por um momento, os títulos acabarão
sendo considerados apenas uma parte do critério, mas não determinante.
terça-feira, 8 de dezembro de 2015
A tal vaga
É final do ano
futebolístico. Nesse exato momento os torcedores passam a régua e fazem a
conta: foi um bom ano? Evidente que Corinthians e Palmeiras saem mais
satisfeitos. Ambos torcedores conseguiram mais ou menos aquilo que se esperava.
São Paulo, entre baixos e baixas, conseguiu salvar 2015 com uma vaga para
Libertadores. Sim, salvou o ano. Dizem os torcedores, jornalistas e os próprios
jogadores. O ídolo que vai embora, Rogério Ceni, quase deu volta olímpica por
causa do feito. Todos sabem e não escondem que a verdadeira vitória de uma
equipe parece ser a tal vaga para a Libertadores.
Meio que sem
querer, acabamos entrando nesse embalo. Acabamos por valorizar um torneio que,
às vezes, deixa o título em segundo plano. Qual a diferença entre São Paulo,
que capengou o campeonato inteiro; e o Corinthians, que se mostrou uma das
melhores equipes do Brasil? Quase nenhuma. Na boca cheia da mídia, ambos na
Libertadores. Até mesmo os programas esportivos, que deveriam vender a
competição por ela mesma, acabam criando uma libertadependência. Foi campeão?
Que bom. Mas vai para a Libertadores? Puxa, isso sim é sucesso garantido.
Vejam o exemplo
do Santos. Time que estava com o pé na Libertadores, por uma campanha muito boa
no segundo turno do Brasileirão; e por ser finalista na Copa do Brasil. Ficou
sem a vaga. Não conseguiu o título diante do Palmeiras, ainda que fosse
favorito; e não conseguiu a pontuação para a Libertadores. Choro pelo
vice-campeonato ou pelo sétimo lugar? Não. Choro por não estar na Libertadores.
Aliás, Libertadores que também manipula o planejamento do time. Clube que está
fora parece ter o direito de fazer o “mais ou menos”. Santos começa a se
desfazer de alguns jogadores, pois agora não será tão cobrado. Não está na vitrine
do futebol. Regionais, brasileiro e a própria Copa do Brasil são meros
coadjuvantes para uma competição maior, melhor e mais lucrativa: a
Libertadores.
Mas como dizem
os jovens, só que não.
A Libertadores
passou a ter uma importância no Brasil na década de 90, pois soma-se ao bom
desempenho nessa competição a chance de disputar o Mundial Interclubes; ou
seja, colocar em pé de guerra no futebol do terceiro mundo com o do primeiro
mundo. A única maneira de equiparar o futebol, ou definitivamente “saber como nós
estamos diante do mundo”. Essa necessidade absurda é justificada, mas poderia
ser evitada. Evitada se no calendário do futebol houvesse maior possibilidade
de um intercâmbio entre os clubes. Torneios, amistosos e etecetara. Existe uma
grande vontade de torcedores, jogadores e a própria mídia em colocar times
brasileiros contra europeus. A única chance é a Libertadores.
Realmente a
competição é importante. Dará oportunidade de um Mundial. Mas, considerando a
supervalorização que damos a ela, é quase que certo que nos próximos anos não
haverá taça nem volta olímpica do campeão, de tal forma que estamos deixando
transparecer que a vaga pela Libertadores é a grande missão de um clube de
futebol no ano. E se for assim, Corinthians, Palmeiras e São Paulo podem
comemorar, ainda que por situações diferentes.
.
quinta-feira, 6 de agosto de 2015
A arquibancada é como a rua no seu cotidiano
Desisti de
criticar o futebol brasileiro. Na verdade, desisti de criticar muitas coisas. E
chego à essa conclusão depois de ler a pesquisa sobre o público no brasileirão.
Algo de novo surgiu na cabeça dos torcedores, que andam frequentando como nunca
os nossos estádios. Tudo isso aconteceu em menos de um ano da derrota vexatória
da seleção brasileira para Alemanha numa Copa do Mundo. Lembro-me que naquele
instante vários envolvidos no esporte espernearam na afirmação que alguma coisa
precisaria ser feita para salvar o futebol nacional.
Naquele momento
eu acreditei que havíamos chegado ao final do túnel. Não pela derrota em si,
mas como diz a praxe futebolística em momentos como esse, a derrota não
importa, mas o jeito que fomos derrotados. Então, com o constrangimento daquele
dia, pensei numa revolução que envolveria a base, os clubes, os torcedores, os
dirigentes, jornalistas; empresários e afins. Pensei numa revolução em que
fóruns discutissem como o futebol brasileiro poderia recuperar-se, para daqui
alguns anos, não ficasse tão distante do futebol europeu e de alguns países
latinos. Pois bem, não houve a tal revolução.
E pior, não
houve sequer a aquilo que eu considerava essencial para que o futebol começasse
a mudar: a voz dos torcedores. A voz dos torcedores questionando como o futebol
brasileiro agia. Como ele se preparava. A voz do torcedor, de alguma forma,
fazendo a importância no negócio, no business;
em toda a estrutura. A rentabilidade no negócio o futebol em cheque, colocaria
nos patrocinadores, na mídia e na própria direção das federações, uma pressão
maior por mudanças, por uma forma diferente de fazer a organização do futebol,
não apenas restrito ao registro de jogadores e tabela de campeonato; mas na
base, na formação, na cultura do futebol.
As arenas
lotadas, o campeonato brasileiro prestigiado, tudo isso é um balde de água
gelada no meio sonho por uma revolução.
Vai ver estou
analisando tudo isso de uma forma errada. Será que precisamos de um futebol
brasileiro organizado, planejado e racional? Será que precisamos de um futebol
em que sabemos, do início do campeonato até seu final, quais as regras e como
se dará seu funcionamento? Será que precisamos de clubes estruturados, sem
dívidas, sem jogadores se achando mais do que realmente são? Será que estamos
preparados para um futebol em que o improviso não aconteça, as discussões
vazias fiquem inibidas; um futebol brasileiro sem ter o que reclamar?
Acho que estamos
contentes com a dor, o sofrimento e as lágrimas do futebol. Faz parte do nosso
instinto. Acho que estamos acostumados a viver derrotas tão vexatórias, quanto
vitórias contestáveis. Na derrota vendemos o jogo, na vitória compramos o
árbitro. Assim vai, assim caminha nossa discussão sobre tática, técnica,
preferencial sexual, cor do novo uniforme. Caminha nossa discussão sobre quem é
melhor Pelé ou o mais medíocre camisa dez de qualquer equipe por esse mundo de
amadores. Assim caminha nossa vontade de mudar o futebol.
Queixamo-nos,
enchendo os estádios.
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