Quando a
crise chega, não há santo que ajude. Pontuado por muitos torcedores, a saída de
Paulinho parece ser um divisor de águas da recente história de conquistas do
time alvinegro. Desde a falta da reposição à altura, o time despencou na
tabela. Paulinho era essencial, no entanto, o time áureo de Tite sempre
transpirou uma coletividade pouco vista em equipes brasileiras. Uma equipe com esquema
tático definido, defesa estruturada; jogadores em seu auge da forma técnica
(nem tanto parte física). Paulinho mexeu com toda base campeã, mas não é apenas
a sua saída o prognóstico da péssima fase.
A crise nasceu
de uma conjunção de fatores. Não são fáceis de explicar, nem de resolver. Fatores
que estariam ligados ao planejamento. O planejamento tão glorificado nas conquistas;
falta nas derrotas. Primeiro item da crise tem haver com a renovação do elenco.
Sabiamente os jogadores estavam em seu auge, e a tendência natural era que os
jogadores mais experientes sentissem o peso da idade, caindo de rendimento de
forma sucessiva. Danilo, Douglas, Émerson, Alessandro e Fábio Santos são heróis
das conquistas, mas não podem fazer milagre. Acabou! Um obrigado com todas as
glórias, mas passar bem.
A renovação
que não foi feita, ou que está sendo feita tardiamente, acabou por enfrentar um
problema de quase todos os clubes brasileiros: Falta de recursos e uma
categoria de base ineficiente. Se o planejamento era de uma renovação, o mais
justo era os jogadores fossem preparados para isso. Danilo ainda é importante
para a equipe, mas quem é seu substituto? Émerson idem. Jogadores campeões
tratados com um prestígio que dinheiro e renovação de contrato não podem pagar.
Émerson não se sentia incomodado com o elenco, por não existir ali ninguém que
tivesse conquistado mais que ele. É uma verdade, mas uma verdade temporária. O prazo venceu, e o tiro
saiu pela culatra. Émerson tem que mostrar mais uma vez o seu valor, uma nova
motivação.
O time campeão
do Corinthians era baseado em motivação satisfatória, dedicação extrema e técnica
mediana. O seu esquema tático era simples, mas duramente praticado. Uma defesa
que pouco perdia e um ataque que sempre ganhava. E se não era um primor de
time, era um time aguerrido, compacto e ajustado. Vencer o Corinthians era
muito complicado, mesmo sabendo da movimentação dos jogadores, da entrega e do
ajustamento tático muito bem treinado. Mas o time não poderia, nem conseguiria
a entrega por muito tempo, era preciso um pouco mais. E isso Tite não conseguiu
resolver com as peças disponíveis.
E para
azedar mais ainda o quê estava torto, eis que tivemos uma invasão dos “torcedores”
fazendo justiça com as próprias mãos. Desde que acompanho futebol, nunca vi
nenhuma equipe se tornar campeã depois de vítimas de vandalismo. Vandalismo que
anda atrapalhando não apenas o fraco desempenho técnico da equipe, mas agora
também incrementando uma dose de nervosismo em cada jogo. Se a renovação não
foi aproveitada no período mágico, torna-se ainda mais improvável nos momentos
conturbados: que jogador, em sã consciência, quer defender o Corinthians num
momento como esse?
A base pode
ser utilizada por Mano, mas será de uma maneira irracional. O correto seria um
preparo natural, discreto e imperceptível. Jogadores da base fazendo parte dos
profissionais, entrando em jogos de menor visibilidade. Assim os jogadores
iriam tomando gosto pela coisa. Do jeito que está, não só queimaremos a geração
campeã dos veteranos, como não termos condições de pensar no futuro com os
novatos. Por isso não queria estar na pele do Mano, nem tampouco torcer pelo
Corinthians por esses dias.
A saída fácil
foi retardada há pelo menos treze meses e não na saída do Paulinho.
Um comentário:
A renovação, principalmente, após ganhar os títulos que o time ganhou nos últimos anos é muito difícil no Brasil. Começa com uma certa soberba dos próprios dirigentes, que ansiosos para curtir os louros do sucesso esquecem de fazer o trabalho de casa, pensar no amanhã. Quando a ficha cai geralmente o time já está numa zona de degola qualquer. Esse será um ano difícil para o torcedor corintiano, mesmo com a inauguração do estádio.
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