segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Várias faces da crise: Corinthians vivendo o dilema da Fénix

 

Quando a crise chega, não há santo que ajude. Pontuado por muitos torcedores, a saída de Paulinho parece ser um divisor de águas da recente história de conquistas do time alvinegro. Desde a falta da reposição à altura, o time despencou na tabela. Paulinho era essencial, no entanto, o time áureo de Tite sempre transpirou uma coletividade pouco vista em equipes brasileiras. Uma equipe com esquema tático definido, defesa estruturada; jogadores em seu auge da forma técnica (nem tanto parte física). Paulinho mexeu com toda base campeã, mas não é apenas a sua saída o prognóstico da péssima fase.

A crise nasceu de uma conjunção de fatores. Não são fáceis de explicar, nem de resolver. Fatores que estariam ligados ao planejamento. O planejamento tão glorificado nas conquistas; falta nas derrotas. Primeiro item da crise tem haver com a renovação do elenco. Sabiamente os jogadores estavam em seu auge, e a tendência natural era que os jogadores mais experientes sentissem o peso da idade, caindo de rendimento de forma sucessiva. Danilo, Douglas, Émerson, Alessandro e Fábio Santos são heróis das conquistas, mas não podem fazer milagre. Acabou! Um obrigado com todas as glórias, mas passar bem.

A renovação que não foi feita, ou que está sendo feita tardiamente, acabou por enfrentar um problema de quase todos os clubes brasileiros: Falta de recursos e uma categoria de base ineficiente. Se o planejamento era de uma renovação, o mais justo era os jogadores fossem preparados para isso. Danilo ainda é importante para a equipe, mas quem é seu substituto? Émerson idem. Jogadores campeões tratados com um prestígio que dinheiro e renovação de contrato não podem pagar. Émerson não se sentia incomodado com o elenco, por não existir ali ninguém que tivesse conquistado mais que ele. É uma verdade, mas uma  verdade temporária. O prazo venceu, e o tiro saiu pela culatra. Émerson tem que mostrar mais uma vez o seu valor, uma nova motivação.

O time campeão do Corinthians era baseado em motivação satisfatória, dedicação extrema e técnica mediana. O seu esquema tático era simples, mas duramente praticado. Uma defesa que pouco perdia e um ataque que sempre ganhava. E se não era um primor de time, era um time aguerrido, compacto e ajustado. Vencer o Corinthians era muito complicado, mesmo sabendo da movimentação dos jogadores, da entrega e do ajustamento tático muito bem treinado. Mas o time não poderia, nem conseguiria a entrega por muito tempo, era preciso um pouco mais. E isso Tite não conseguiu resolver com as peças disponíveis.

E para azedar mais ainda o quê estava torto, eis que tivemos uma invasão dos “torcedores” fazendo justiça com as próprias mãos. Desde que acompanho futebol, nunca vi nenhuma equipe se tornar campeã depois de vítimas de vandalismo. Vandalismo que anda atrapalhando não apenas o fraco desempenho técnico da equipe, mas agora também incrementando uma dose de nervosismo em cada jogo. Se a renovação não foi aproveitada no período mágico, torna-se ainda mais improvável nos momentos conturbados: que jogador, em sã consciência, quer defender o Corinthians num momento como esse?

A base pode ser utilizada por Mano, mas será de uma maneira irracional. O correto seria um preparo natural, discreto e imperceptível. Jogadores da base fazendo parte dos profissionais, entrando em jogos de menor visibilidade. Assim os jogadores iriam tomando gosto pela coisa. Do jeito que está, não só queimaremos a geração campeã dos veteranos, como não termos condições de pensar no futuro com os novatos. Por isso não queria estar na pele do Mano, nem tampouco torcer pelo Corinthians por esses dias.

A saída fácil foi retardada há pelo menos treze meses e não na saída do Paulinho.





Um comentário:

Cesar Augusto disse...

A renovação, principalmente, após ganhar os títulos que o time ganhou nos últimos anos é muito difícil no Brasil. Começa com uma certa soberba dos próprios dirigentes, que ansiosos para curtir os louros do sucesso esquecem de fazer o trabalho de casa, pensar no amanhã. Quando a ficha cai geralmente o time já está numa zona de degola qualquer. Esse será um ano difícil para o torcedor corintiano, mesmo com a inauguração do estádio.