terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Sai Zica


Sai Zica, azar, urucubaca ou coisa parecida. Aquela coisa da bola do adversário entrar no gol depois de bater duas vezes na trave. Coisa de azar. Então o Corinthians não ganhava uma partida. Tudo bem, a renovação forçosa da equipe e coisa e tal. Mas tem coisa que não se justifica. Azar é a melhor desculpa para a  fase ruim, mas esperar apenas a sorte não é a solução.

Não acredito em sorte, mas esse tal de azar pega todo mundo de relance. Chega e se instala como um vírus de computador. Foi assim com o Corinthians. Pegou uma febre no Japão e foi perceber a doença três dias antes do clássico contra o Palmeiras. Era muito ruim perder mais um jogo e o rival vinha cheio de esperança. O azar parou, Corinthians jogou melhor, quase venceu. Mas não estava curado. Num lance de azar, o Palmeiras empata no final da partida. Mas alguma coisa tinha mudado, parecia ter mudado.

Então um jogo fora de casa. A tabela diz isso, o mandante era o Oeste. Mas que mando tem torcida adversária maior que os anfitriões? Tem coisa que só se explica no Corinthians. Precisávamos vencer, luta contra o rebaixamento. Pasmem! O azar causa estragos enormes: Corinthians brigando para não cair. Então começa o jogo. Começa para quem? Adversário faz o primeiro gol em menos de quatro minutos. Que fase, que azar!

Zica, azar, urucubaca? A bola rebate em quase todos os jogadores da defesa. Até que nosso zagueiro consegue inexplicavelmente deixar a bola na cara do gol, para o adversário. Digam-me se dá para confiar na sorte? O sábio  Tite, nosso treinador campeão, dizia: acredito apenas em trabalho. Concordo com ele. A sorte também é desculpa de ganhador.

Mais uma derrota? Continuamos na crise? O jogo continua e parece que nada vai dar certo. Falarei o que para o pessoal do escritório? A derrota sempre é pior pela vergonha do outro. Bola na trave, bola fora, passe ruim, cartão amarelo. Sai Zica, fora urucubaca. Mas ai vem o gol de empate. Logo depois o gol da vitória.

O restante do jogo pouco importa. Nada importa numa fase ruim, exceto a vitória. Três pontos. Quase volta olímpica. Sorrisos no vestiário, entrevistas animadas, fora azar. Mais um jogo, mais uma vitória, dessa vez em casa, depois de meses uma vitória em casa contra o Rio Claro. Sai Zica, urucubaca; mais uma vez.

Mas vamos com calma, ainda não da para saber se é o começo ou o fim de tudo. Se há esperança pela classificação para a próxima fase do paulista, também é tempo de temer o rebaixamento. A verdade é que o time já mudou a cara. Olho para dentro de campo e reconheço dois ou três jogadores. A revolta dos torcedores, a invasão e coisa e tal poderiam ter sido evitadas se houvesse uma renovação logo após o campeonato mundial.

Como assim? Estou dando razão para os torcedores que ameaçaram os jogadores? Não. Aquilo foi desnecessário. Estávamos mesmo era precisando um pouco de sorte dentro de campo e trabalho fora dele.








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