Sai Zica,
azar, urucubaca ou coisa parecida. Aquela coisa da bola do adversário entrar no
gol depois de bater duas vezes na trave. Coisa de azar. Então o Corinthians não
ganhava uma partida. Tudo bem, a renovação forçosa da equipe e coisa e tal. Mas
tem coisa que não se justifica. Azar é a melhor desculpa para a fase ruim, mas esperar apenas a sorte não é a
solução.
Não acredito
em sorte, mas esse tal de azar pega todo mundo de relance. Chega e se instala
como um vírus de computador. Foi assim com o Corinthians. Pegou uma febre no
Japão e foi perceber a doença três dias antes do clássico contra o Palmeiras.
Era muito ruim perder mais um jogo e o rival vinha cheio de esperança. O azar
parou, Corinthians jogou melhor, quase venceu. Mas não estava curado. Num lance
de azar, o Palmeiras empata no final da partida. Mas alguma coisa tinha mudado,
parecia ter mudado.
Então um
jogo fora de casa. A tabela diz isso, o mandante era o Oeste. Mas que mando tem
torcida adversária maior que os anfitriões? Tem coisa que só se explica no
Corinthians. Precisávamos vencer, luta contra o rebaixamento. Pasmem! O azar
causa estragos enormes: Corinthians brigando para não cair. Então começa o
jogo. Começa para quem? Adversário faz o primeiro gol em menos de quatro
minutos. Que fase, que azar!
Zica, azar,
urucubaca? A bola rebate em quase todos os jogadores da defesa. Até que nosso
zagueiro consegue inexplicavelmente deixar a bola na cara do gol, para o
adversário. Digam-me se dá para confiar na sorte? O sábio Tite, nosso treinador campeão, dizia:
acredito apenas em trabalho. Concordo com ele. A sorte também é desculpa de
ganhador.
Mais uma
derrota? Continuamos na crise? O jogo continua e parece que nada vai dar certo.
Falarei o que para o pessoal do escritório? A derrota sempre é pior pela
vergonha do outro. Bola na trave, bola fora, passe ruim, cartão amarelo. Sai
Zica, fora urucubaca. Mas ai vem o gol de empate. Logo depois o gol da vitória.
O restante
do jogo pouco importa. Nada importa numa fase ruim, exceto a vitória. Três
pontos. Quase volta olímpica. Sorrisos no vestiário, entrevistas animadas, fora
azar. Mais um jogo, mais uma vitória, dessa vez em casa, depois de meses uma
vitória em casa contra o Rio Claro. Sai Zica, urucubaca; mais uma vez.
Mas vamos
com calma, ainda não da para saber se é o começo ou o fim de tudo. Se há
esperança pela classificação para a próxima fase do paulista, também é tempo de
temer o rebaixamento. A verdade é que o time já mudou a cara. Olho para dentro
de campo e reconheço dois ou três jogadores. A revolta dos torcedores, a invasão
e coisa e tal poderiam ter sido evitadas se houvesse uma renovação logo após o
campeonato mundial.
Como assim?
Estou dando razão para os torcedores que ameaçaram os jogadores? Não. Aquilo
foi desnecessário. Estávamos mesmo era precisando um pouco de sorte dentro de
campo e trabalho fora dele.
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