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segunda-feira, 3 de julho de 2017

Doente do pé.

Dois jogos já sem vencer e dois tropeços em times na zona de rebaixamento. Com todo respeito as tradições destes clubes (Sport com títulos nacionais, Copas do Nordeste, etc, e o Atlético Goianiense tradicional clube do Planalto Central), são pontos perdidos que não estavam na conta do Alvinegro Praiano. Ao final da partida contra o Dragão goiano, na qual o Santos jogou praticamente todo o segundo tempo com um jogador a mais, Levir Culpi disse o que boa parte dos torcedores queriam ouvir: “Está faltando vibração para este time”.

O primeiro tempo, num “animado” sábado à noite, foi um dos mais horríveis que já vi no futebol. Fiquei com dó até, do bom número de santistas que resolveram prestigiar o time do litoral paulista, chegando inclusive até a rivalizar com a torcida local no simpático Estádio Olímpico de Goiânia. Torcedores com poucas oportunidades de prestigiar seu clube do coração, assistindo um insosso espetáculo.

Não sendo por demais  injusto, fato é que no segundo tempo o jogo deu uma animada, dando até pra deixar o celular de lado, graças as entradas de Thiago Maia e Lucas Lima. Mas o Santos continuou sendo horroroso nas finalizações, quer dizer, quando seu "tique-taque" deixava finalizar. Vladimir Hernández, colombiano que é uma espécie de xodozinho da torcida pelo pouco tamanho e muita vontade, desperdiçou por duas vezes a chance de virar o placar.

A baixa foi Vitor Bueno, jogador que elogiei tantas vezes nas redes sociais ano passado, chamando-o carinhosamente de Vitor"Beckembauer" Bueno, pelas brilhantes atuações, mas que teve uma queda abrupta no seu futebol este ano. E como inferno astral é pouco, num lance besta e bisonho com um jogador do Dragão num lance já concluído e com a bola já saindo pela lateral do campo, rompeu os ligamentos do joelho e só volta aos gramados ano que vem.

O fato é que o Santos  tem muitos problemas, tanto dentro quanto fora de campo, e Levir não irá conseguir resolver tudo sozinho.  Grande contingente de jogadores na enfermaria: Thiago Maia com virose, ficou dois jogos fora, Ricardo Oliveira, com pneumonia (!?!?) , Rodrigão, com amigdalite, Caju retornou ao departamento médico, além do Zeca também contundido, Gustavo Henrique, sem citar aqueles que não me vem agora nesta memória peixeira.

A falta de entusiasmo de muitos santistas também se deve pelo término de contrato no final do ano, o que permite assinar um pré-contrato com qualquer clube no meio do ano. Claro que todo mundo quer jogar uma Champions League, mesmo que seja num Zenit ou Besiktas da vida.

Ano de eleições no clube, e indefinições que estão atrapalhando no desenvolvimento dentro das quatro linhas, o que parece ser evidente pra mim. Segundo semestre de poucas perspectivas, tanto na Copa do Brasil, na Libertadores e na principal competição nacional.


...E como diria Dorival, não o ex-técnico mas o grande compositor Dorival Caymmi: “O samba da minha terra, deixa todo mundo mole, quando se canta todo mundo bole”(...), desculpem, não sou especialista em samba, mas posso dizer que o Santos está ruim da cabeça, e por consequência, doente do pé. 




domingo, 4 de junho de 2017

Na bronca.

Já estamos em junho (pasmem!) e o torcedor santista (inclusive este) ainda está na espera por um bom futebol do time praiano. “O tempo passa...” dizia Fiori Gigliotti e o time que até então devia ser entrosado pelo tempo que vem jogando junto não está dando mais liga. Poucos se lembram que a equipe é vice-campeã brasileira e não fosse alguns tropeços em casa e derrotas para times na zona de rebaixamento, o time brigaria na ponta até o fim do campeonato.

O ano virou, e ao invés da equipe apresentar evolução, aconteceu o contrário. Era praticamente evidente o desinteresse que o time demonstrou pelo campeonato paulista; Jogou bem na derrota para o Palmeiras por 2x1 na Vila e contra a Ponte no Pacaembu. Mesmo assim, faltando competência nas finalizações. O começo do campeonato brasileiro tem sido desastroso: 3 derrotas em 4 partidas, e 4 derrotas em clássicos contanto com o paulista. Não tem como um torcedor se conformar com isto.

Quando nada dá liga é hora de mudar antes que seja tarde, antes que o tempo comece a jogar contra também. Sempre gostei do Dorival, acho um técnico competente, mas parece que seu segundo ciclo na Vila já está terminando. E o mesmo vale para alguns jogadores que estão lá com cadeira cativa. Hora de renovar, de dar chance para quem está a fim de mostrar algo. Quem estiver a fim de ir embora, pegue o seu banquinho, e aproveite a janela do meio do ano.

Levir Culpi, Marcelo Oliveira e Ney Franco talvez sejam os mais cotados para tentar dar um novo ânimo ao clube da baixada. Fernando Diniz até pode ser cogitado, mas ainda continua sendo uma aposta. Ainda precisa se firmar em uma equipe com pouco mais de expressão. 
  
Mais seis meses para o time tentar mostrar algum futebol e terminar o ano de forma digna. A expectativa atual é essa.





sábado, 6 de maio de 2017

Sem grilos com Cuca.

Cuca está de volta ao Palmeiras, após uma breve permanência de Eduardo Baptista. Algumas polêmicas, alguns resultados, seriam a justificativa para sua demissão. Fato é que ele foi mais um daqueles treinadores que chegaram com data de validade marcada, independentemente de sua competência.

Baptista não estava fazendo um trabalho ruim. Boa campanha na Libertadores, e  conseguiu uma virada histórica diante do Peñarol, clube de muita tradição, mordido e empolgado com seu novo estádio. Deixou o time na liderança do grupo. E eliminado num campeonato que dão pouco valor (pelo menos é o que dizem), mas quando perde é motivo de crise. O que derrubou Eduardo Baptista não foi a eliminação contra a Ponte Preta nem muito menos a derrota para o glorioso Jorge Wilstermann na última quarta-feira. O que derrubou Baptista foi a ainda disponibilidade de Cuca no mercado e as condições financeiras do clube em poder recontratá-lo. Aquela sensação de “se fosse com Cuca seria diferente”, acabou perseguindo Baptista. Claro que se o alviverde estivesse na final juntamente com seu arquirrival não haveria justificativa para demissão de Eduardo. Talvez uma possível derrota na final ou mais um revés na Libertadores seriam o motivo. Quem procura acha, era uma questão de tempo. Mas numa equipe que tem um TNT chamado Felipe Melo, nunca se sabe quando ocorrerá a próxima explosão.

Corinthians

Apesar de viver à sombra de Tite, (o que deve acontecer com os próximos 150 treinadores que passarem pelo clube), Fabio Carille não padeceu da mesma pressão que seu colega de trabalho demitido do Verdão. Com um elenco considerado mais modesto, sem tantas estrelas, a torcida sabe que não pode exigir que ele tire leite de pedra em todos os jogos. A eliminação para o Colorado em casa na Copa do Brasil também não foi motivo para sua queda, apesar de algumas críticas. A desconfiança foi amenizada pela vitória sobre a Ponte no Moisés Lucarelli, com um placar que poucos esperavam, assegurando praticamente mais um título estadual. O fato de ter sido auxiliar de Tite também dá certa credibilidade ao jovem treinador.

São Paulo

Com uma campanha regular no campeonato paulista e eliminação na Copa do Brasil, Rogério Ceni não passou pela mesma pressão de seus coetâneos da capital. Internamente ele possui quase um status de dirigente, cargo que ele poderá ocupar oficialmente em breve no Tricolor. Se um simples mortal tivesse a mesma inexperiência e resultados de Rogério, já estariam pedindo sua cabeça. Mas neste caso, a idolatria veio junto com a paciência. Pode ser que isto seja um fator positivo num futebol tão imediato. Afinal, um mito precisa de tempo pra trabalhar. Ceni fica no São Paulo, cargos para ele não faltarão no Morumbi.

Santos

Se permanecer até julho, Dorival Júnior completará 2 anos no comando do clube. Algo raro no futebol brasileiro. Eduardo Baptista por exemplo, ficou 5 meses no Palmeiras, apesar de ganhar do mesmo time de Dorival em plena Vila Belmiro em circunstâncias não muito comuns para um clássico como este. E a temporada de queda dos técnicos ainda nem chegou, que se intensifica junto com o Brasileirão. Dorival já suplantou sua primeira passagem pelo Peixe em 2010, na qual não completou um ano, saindo por causa de uma polêmica com Neymar. Naquela época, um time mais técnico, mas também com algumas vaidades, abreviou a permanência do técnico. Dorival também tem respaldo, mas também não é unanimidade. Acumulou dois vice campeonatos nacionais, venceu um estadual, mas não conseguiu fazer com que a equipe se interessasse pelo campeonato paulista deste ano na busca de um 4º tricampeonato, feito inédito na história dos clubes paulistas. Não deu, fica pra próxima. O foco passa a ser a Libertadores, e sua permanência irá depender da campanha que o time fizer nesta competição ou mesmo na Copa do Brasil.



Cada clube com suas necessidades, suas resiliências, e sabendo onde o calo ou investimento podem apertar.



domingo, 30 de abril de 2017

Bola da vez.

Acompanhando no youtube o quadro “Polêmicas vazias” do editor e comentarista do Esporte Interativo Bruno Formiga, sobre assuntos considerados (como o próprio tema diz) polêmicos do futebol. Ou aqueles que geralmente discutimos no boteco. Bruno é muito coerente nas suas posições, e procura justificá-las com base em alguns fundamentos (ao contrário das nossas exaltadas discussões na mesa do bar). Destrincha alguns temas, como a recém-polêmica  dos Intercontinentais x Mundiais da Fifa, Campeonatos Nacionais, clássicos brasileiros, e também discorreu sobre Pelé x Messi, tema sempre recorrente. Quem seria melhor?  E já vou adiantar: para ele, Messi é melhor que o nosso Rei.

Verdade é que não existe unanimidade, nem na vida, quem dirá no futebol. Tirando esta geração que desde cedo aprendeu a cultuar os clubes e jogadores da Champions (na qual não levo muito estas opiniões em consideração), há profissionais da área que compartilham da mesma opinião que Bruno. Pecado? Não. Até concordei com ele quando disse que “endeusamos” algumas figuras consideradas intocáveis como Pelé. Mas ele também concorda que o mito, e caráter histórico desde jogador é algo fora do campo de discussão. Ponto. O que estaria em discussão, portando é o caráter técnico. Mas também não sei se apenas este quesito, seria suficiente para chegarmos a uma conclusão.

De fato, o futebol hoje, está mais intenso e exige mais do atleta que no passado. Messi,  teria um grau de exigência maior que o Rei do Futebol. Tem que voltar, marcar, fugir da marcação “sob pressão”. Mas será que isso faz com que jogadores se tornem melhores?  

Esta polêmica, no entanto, não é nova: Já lá pelos anos 50/60, profissionais europeus do mundo futebolístico, sejam jogadores, treinadores ou comentaristas, achavam que Pelé não cumprira a “prova de fogo” que seria a de jogar no competitivo futebol do velho mundo. Por estas razões que Di Stéfano, Euzébio, e mesmo Cruyff (apelidado inclusive de “Pelé branco”), foram colocados no mesmo ou até em pedestais superiores ao do Rei. Cruyff não se considerava a altura, ao contrário de Di Stéfano e Euzébio. E nem adianta discutir com os velhos torcedores do Real, do Benfica e do Ajax. Aqui no Brasil, os sessentões botafoguenses escolherão Garrincha, e os quarentões flamenguistas escolherão o Zico.

Mas algo aqui tem que ser levado em consideração, e o nosso Bruno levanta também uma questão embora superficialmente: Sobre conceitos de futebol.  Explico: Messi, apesar de toda sua técnica e genialidade, não apresentou nada de novo. A última grande mudança no futebol, foi com a Holanda de 1974 (da qual participava o próprio Cruyff) que por sinal fora inspirada na Seleção Brasileira de 1970 ( com jogadores jogando fora de suas posições originais e incumbidos de marcação). Uma verdadeira revolução.  De lá para cá, apenas variações destes esquemas, com a compactação do jogo e o tic-tac da seleção espanhola e do Barcelona.

Messi, faz parte de uma engrenagem que já existe ou existia; moldou-se e cumpre sua função com extrema competência, parabéns pra ele. Pelé por sua vez, não foi moldado e apresentaria  algo novo: Introduziria o conceito de atleta no futebol. Extremamente preocupado com a forma física, não fumava, não bebia e tinha treinamento semelhante a um corredor de 200, 100 metros rasos. O resultado é que ele deixava um time todo para trás, percorrendo 100 metros em 11 segundos, marca de um atleta olímpico na época ( um campo de futebol tem 110 metros de comprimento se não errei nos cálculos). Claro que para isto, Pelé tinha preparadores específicos para ele, o que também seria uma inovação para o mundo do futebol: a da preparação física.

Quando comparamos jogadores de épocas diferentes, caímos também no campo da subjetividade. Explico novamente: Se Messi é melhor por participar de jogos mais intensos e , mais competitivos, também não podemos isolá-lo. Pela “lógica” (se é que ela existe neste terreno), um jogador médio de hoje teria também que ser melhor que o jogador médio do passado. Afinal, ele também é mais participativo no jogo. Mas nesta teoria não podemos cravar. Surge então outra questão: o que faz, ou faria, um futebol ser melhor. Em cima disto Bruno também enfatiza que “para existir um Messi, teria que ter tido antes um Maradona, que por sua vez um Pelé, e por sua vez um Didi”. Para ele, seria a própria evolução do futebol.

Mas em contrapartida a evolução atlética no futebol não fora acompanhada da mesma evolução técnica. E sou testemunha disto, pois acompanhado futebol há mais de trinta anos e nem peguei os anos considerados de ouro do futebol brasileiro. Não se trata de romantismo. Hoje temos jogadores que correm os noventa minutos, mais a prorrogação, e mais um dia se precisar. Só que com deficiências em fundamentos como passes ou chutes. Quantos cobradores de falta existem hoje no futebol? Quantas chances de gol são criadas e ao mesmo tempo perdidas?


Messi ou Pelé, cada torcedor pode ter sua preferência. O futebol permite isso. Podem até achar que “Obina é melhor que Pelé”, e por aí vai. Mas sempre quando aparece um “melhor do mundo” a referência sempre acaba sendo este último. Acaso? Foi assim com Di Stéfano, foi assim com Eusébio, Garrincha, Cruyff, Maradona, Ronaldo Fenômeno. O “bola da vez” hoje é o fora de série Lionel Messi.  Até que surja o próximo.





sábado, 22 de abril de 2017

Saudades do Maraca.


Nunca fui ao Maracanã. Era um daqueles estádios que, desde criança, tinha vontade de conhecer. O maior estádio do mundo. Dentro dele, cabia uma cidade de 200.000 habitantes ou toda população indígena contemporânea do Brasil. Gigante de concreto e de muitas histórias.

Assim como o Uruguai em 1930, o Brasil prometera à Fifa, que se fosse a sede da Copa de 1950, construiria o maior estádio do Mundo. A Europa se reconstruía do pós-guerra e a Copa não era sua prioridade. Argentina também aparecia como candidata, mas não tinha a mesma pretensão de construir o maior estádio do planeta. 

Tudo bem, a Seleção perdeu a Copa com um público jamais visto, para o Uruguai. A euforia daria lugar ao silêncio. Mas o gigante recém construído ainda teria muito mais para oferecer ao futebol brasileiro.

Coloquei no canal Brasil e estava passando o filme sobre o clássico FlaxFlu: “40 minutos antes do nada”, e o que me chamou a atenção, era o espetáculo das torcidas e aquele monstro lotado. Sem querer, o estádio vira o protagonista deste documentário na minha modesta opinião. Não que eu já não tivesse visto, mas refletindo alguns anos depois, isto resume ou resumia a essência do futebol:  o esporte mais popular do planeta tendo como protagonista do espetáculo, o povão. Para quem vivenciou esta época, era algo que parecia que nunca iria acabar. E se durante um certo tempo o futebol brasileiro era referência e representava o melhor futebol jogado, penso que a grandeza deste estádio de certa forma simbolizava isto.


A diferença do estádio Centenário (palco da primeira Copa do Mundo) para o Maracanã, é que o primeiro ainda está lá. Suas cadeiras e configuração original, relembram a grande conquista Uruguaia. Para os uruguaios, isto está acima de padrões de beleza ou conforto.

Já o Maracanã, ganhou um banho de estética para a Copa de 2014, sendo formatado segundo um padrão pré-estabelecido.  Aquele que tinha a intenção de abraçar a todos (como diria Gilberto Gil na sua música), hoje reúne um contingente bem mais restrito. O público mudou e o Maracanã deixou de ser gigante.  Só para quem teve a oportunidade de presenciar o Maracanã original, (mesmo não estado lá pessoalmente) tem a noção do impacto que provocava aquela festa e multidão. E quem esteve na festa pode falar com muito mais propriedade que este blogueiro.

Se quando criança era um estádio que gostaria de conhecer, hoje talvez não teria despertado o mesmo interesse. Sua concepção inicial (de ser “o maior”), foi tirada em detrimento de ser “moderno”. Padronizou-se para atender as necessidades do mercado e do setor privado.


Do gigante, só restaram as histórias: Dos antigos "Fla-Flus", e outros clássicos; da alegria da geral, e dos recordes de público da Seleção. O estádio pode ter ficado mais bonito, confortável, mas em contrapartida ficou também mais triste ou pelo menos, igual aos outros. 

Uma questão de conceitos.







sexta-feira, 21 de abril de 2017

Aconteceu num 21 de abril.

Há 90 anos, em abril de 1927, surgia o maior estádio da América Latina e um dos maiores do mundo na época. Vamos lembrar que o estádio Centenário (construído para a primeira Copa do Mundo) levaria ainda três anos para ser finalizado. E até a construção do Pacaembu (em 1940), São Januário seria o maior estádio do Brasil.

Mas por trás da história de São Januário não existe apenas suntuosidade e concreto.  O Vasco da Gama – fundado por portugueses do subúrbio carioca – era formado basicamente por operários e negros numa época em que o “football” era um esporte dominado pela elite. O Gigante da Colina como ficaria conhecido teve uma ascensão meteórica no futebol carioca, sendo campeão em 1923. No ano seguinte, Flamengo, Fluminense e Botafogo, fundariam a Associação Metropolitana de Esportes Atléticos (AMEA), deixando o clube cruzmaltino de fora e exigindo do clube uma espécie de investigação social de seus integrantes ou associados.

Óbvio que isto gerou revolta, resultando numa carta do presidente do clube à AMEA, alegando preconceito e racismo. Na época, 12 jogadores vascaínos eram negros, mulatos e imigrantes. Mas, se racismo não seria o motivo (em que alegaria a AMEA), a exigência para participar da Associação era que o clube possuísse um campo ou estádio próprio (algo que o Vasco não possuía  pois mandava os jogos no campo do América).  Sem entrar em muitos detalhes, o fato é que o Vasco conseguiu adquirir um terreno em São Januário, e numa espécie de mutirão, ajudado pela sua torcida, construiu o maior estádio do Brasil em tempo recorde (em 11 meses segundo informações de um blog).

Não tinha mais jeito:   O Vasco, de sub-julgado, tinha o maior estádio, e conseguiu fazer um  dos maiores eventos desportivos do Rio de Janeiro (então capital federal). Para cortar a fita de inauguração, nada menos que o presidente da república, Washington Luís. O convidado para festa era um clube paulista que, além de boas relações com os fluminenses, era uma sensação na época em virtude dos placares elásticos que aplicava aos adversários: O Santos Futebol Clube.


Cortada a fita, começado o jogo e aos 11’do primeiro tempo, as redes balançavam pela primeira vez em São Januário: Gol anotado pelo santista Evangelista. Negrito, aos 45’empatava para o clube da colina. E o primeiro tempo terminava empatado em 1x1.

Mas o time de Vila Belmiro parecia não ter se impressionado com o maior público que o futebol brasileiro presenciava até então (dados oficiais de 35000 mas deveria haver bem mais) e impôs seu jogo no segundo tempo: Feitiço faria aos 15’ novamente para o Santos  e Baiano empataria logo depois, aos 18’. Omar aos 22’, e Araken aos 30’, ampliariam para o time santista. Pachoal aos 34’ diminuiria para o Vasco. Evangelista, autor do gol de inauguração, encerraria a pugna, anotando aos 39’. Final 3x5; Vasco feliz com seu novo estádio, e o Santos com o placar.


E para encerrar mais uma curiosidade: O Vasco inconformado com a derrota, marcou uma revanche poucos meses depois, em 14 de julho do mesmo ano. O cenário parece que teria sido o Estádio das Laranjeiras, contando novamente com a presença do presidente Washington Luís. Novamente venceu o Santos, por 4x1. Os vascaínos, irritados por estarem inferiorizados novamente no placar, não pouparam algumas botinadas pra cima dos santistas. E como os santistas não revidavam e continuavam tocando a bola, o repórter  Carlos Gonçalves do jornal “O Globo”, escreveu uma manchete que ficaria para sempre registrada na história do clube paulista: “O Santos é o campeão da técnica e disciplina”. E o Clube de Regatas Vasco da Gama, principalmente a partir de São Januário, figuraria entre os grandes do futebol brasileiro, sendo um dos pioneiros da luta contra o preconceito no futebol. 








terça-feira, 25 de outubro de 2016

Capita.


“Capita”, passou a ser abreviação de capitão ou, para os íntimos, o forma de se referir a Carlos Alberto Torres. O capitão do Tri, se foi hoje. Dia triste para o futebol mundial, dia triste para o futebol arte. O termo “Capita”, que poderia ter sido patenteado por Carlos Alberto, acabou também se estendendo por tabela a outros capitães.

A imagem de Carlos Alberto Torres erguendo a Jules Rimet é uma das mais significativas do futebol e uma das mais bonitas para mim, mesmo não tendo acompanhado. Até quem tentou torcer contra na época (em virtude do período militar que assolava nosso país), acabou se rendendo ao futebol arte. A conquista definitiva do melhor futebol já praticado na história suplantou qualquer ideologia.

Os lances da Copa de 1970 e o de Carlos Aberto erguendo a taça, já devo ter visto um milhão de vezes. Por que vi tantas vezes? Porque não cansa.  Não se trata de saudosismo, pois nem nascido eu era na época: Vi, vejo e verei porque é uma espécie de colírio para quem gosta de uma conquista honrada e de um futebol bem jogado.

Carlos Alberto do Fluminense, Santos, Botafogo, Flamengo, New York Cosmos, Seleção Brasileira. Mas também pode ser o contrário: Fluminense de Carlos Alberto, Santos de Carlos Alberto, Botafogo de Carlos Alberto, idem, idem. Dimensão que só os grandes craques, só os mitos conquistam.


O futebol perde uma referência. Não vamos mais ouvir os comentários ou críticas do Capita. Mas a imortalidade do ídolo, do feito, permanecerá. Este que foi considerado um dos maiores defensores e laterais da história do futebol. E além de tudo, foi o capitão do Tri, a maior seleção de futebol de todos os tempos.







terça-feira, 18 de outubro de 2016

Na corda bamba.

Cristóvão Borges foi daqueles técnicos que chegou com prazo de validade para expirar. Embora ele não tenha vindo com o objetivo de substituir Tite (este já fazendo parte da galeria dos imortais do clube) parecia que ele estava na corda bamba quando seu nome foi anunciado. Apesar do cenário bem diferente enfrentado pelo ídolo corintiano (como um elenco bem mais limitado), a torcida, diretoria e parte da crônica esportiva não teriam ou tiveram a mesma paciência com o ex-jogador da mesma forma que Tite teve na ocasião da eliminação da pré-Libertadores.

Chega Oswaldo de Oliveira, com as mesmas condições que seu antecessor Cristóvão Borges. Também não possui a mesma idolatria de Tite, talvez nem ídolo no clube seja,  apesar de ter vencido o primeiro mundial de clubes com a chancela da Fifa. Poderia ser marcante, épico, mas parece que o torcedor corintiano não põe no mesmo caderninho esta conquista com a da  Libertadores e  Mundial de Clubes vencidos em 2012. Voltando ao momento atual, a missão de Oswaldo é colocar o time no clube do G-6, missão menos pretensiosa que sua última passagem.

Outro que chegou com o caldeirão borbulhando foi Ricardo Gomes. Tinha respaldo no Botafogo, mas preferiu mergulhar na piscina fervente do Morumbi. “O tipo do cara bacana”, como muitos dizem, mas sem a devida grife para dirigir um clube como o São Paulo (nas palavras dos torcedores e cronistas), apesar de uma passagem anterior. O tricolor do Morumbi  foi o maior laboratório de técnicos este ano, experimentando argentinos que tinham certo respaldo internacional, e que também dividiram opiniões no clube. Com relação a Ricardo Gomes, seu prazo de validade irá até o final de 2016 (palavra da imprensa esportiva).

Já Palmeiras e Santos, satisfeitos em certa medida com seus treinadores, não passaram pelo mesmo “mimimi” dos rivais. Cuca e Dorival já possuíam mais respaldo; o primeiro abafou qualquer indício de incêndio e Dorival alavancou o time peixeiro no Brasileiro do ano passado, após este perambular próximo da zona de rebaixamento. Cuca faz parte hoje do restrito grupo dos técnicos “Top”, Dorival foi cobiçado pelo Corinthians, mas o estilo deste treinador está mais identificado com o clube do litoral atualmente. E Dorival ganhou respaldo principalmente com os mais jovens na Vila, o que resultou nas titularidades de Zeca, Tiago Maia e Victor Bueno, que passaram de promessas, a revelações, diminuindo a distância entre amadores e profissionais no clube.


Apesar do velho discurso principalmente por parte da imprensa de que “o clube tem que dar tempo ao seu treinador”, em contradição estes também são os primeiros a colocarem o tempero no caldeirão fervente. O próprio Tite já foi alvo, e o maior exemplo esta semana foi Ricardo Gomes, com muitos anunciando que o técnico cairia depois da partida contra o Fluminense. Com pouca atração dentro de campo, os treinadores passam a ser protagonistas e ao mesmo tempo vítimas desta falta de talentos e constante instabilidade. Parecem já entrarem na corda bamba. E tem que segurar firme o guarda-chuvinha para não caírem.





quarta-feira, 12 de outubro de 2016

100 anos da Vila.

Há exatos 100 anos era inaugurado o campo do Santos Futebol Clube. Ainda não se chamava “Urbano Caldeira”, até porque este ainda estava cuidando da papelada e regularização do terreno junto à prefeitura.  Também não era conhecida como “Vila Belmiro”, embora o Sr.”Belmiro”, já havia vendido seus lotes e muito provavelmente o bairro já deveria ter esta denominação na época. Arquibancadas de madeira, um coreto, seguia o padrão dos "estádios" ou campos do começo do século XX. 

Com o passar dos anos, o estádio do Santos Football-Club, foi ganhando notoriedade, e os times da capital, após a descida da tortuosa Serra do Mar pela estrada  antiga, penavam para conseguir um bom resultado no litoral. (Lembrando que na época do amadorismo, o Santos era o único “intruso” da Liga Paulista, sendo composta basicamente pelos times da capital). O Club Athletic Ypiranga, time operário e das massas, foi a primeira vítima, perdendo por 2x1 no jogo de inauguração do estádio. Já entre os anos de 1929 e 1930, o clube  alvinegro emendou a maior sequência invicta da sua história, mais de 30 partidas sem perder. Parte do lendário escrete de 1927 fez parte desta campanha, o primeiro a romper a barreira dos 100 gols em competições oficiais por aqui, só não foi campeão por alguns “probleminhas” com arbitragem e sua relação com os influentes dirigentes paulistanos.

Óbvio que a Vila tem participação nisso, na manutenção e no próprio crescimento do clube. Aliás, não  lembro de algum outro time fazer festa para seu estádio, como ocorrera no último dia 08, no amistoso contra o Benfica. Não estou falando das arenas modernas, que acabaram se tornando símbolo da grandeza de certos clubes, mas fazer festa para um estádio antigo e pequeno, é coisa que talvez só o santista entenda.

Muito já se comentou que um clube do tamanho do Santos não pode ficar com um estádio tão acanhado, que hoje comporta 12 ou 15 mil pagantes.  Concordo, pois o futebol se capitalizou muito, e antigamente, se ter um estádio já era sinal de lucro para um time, hoje pode ocorrer o contrário.

Mas para o santista a Vila não pode ser esquecida do dia para noite, mesmo se amanhã aparecer uma arena moderníssima com um enorme peixe dourado na frente do estádio, telões modernos, aço, mármore, ou cadeiras forradas de veludo.  A Vila tem muito mais do que isso. É uma história que se funde com a do próprio clube, da cidade de Santos e do futebol paulista e brasileiro, sendo também o estádio mais antigo em atividade no Brasil.



Créditos (fotos):

Foto 1: Vila Belmiro, tarde de 12 de outubro de 1916.
Foto 2: Vila Belmiro, manhã de 12 de outubro de 2016.


segunda-feira, 11 de julho de 2016

Copa América x Eurocopa.

Copa América Centenário, Eurocopa 2016. Duas competições que só ficam atrás da Copa do Mundo, maior torneio de seleções do planeta. Campeões mundiais profissionais só nestes dois continentes, por enquanto.

Acompanhei os dois torneios, um pouco mais a Copa América, principalmente pela facilidade do horário com os jogos à noite. Eurocopa, nos fins de semana. Gostei da Copa América, e sua organização teve o devido respeito que o torneio de seleções mais antigo do mundo merece na terra do soccer.

Pela primeira vez, a Copa América teve um “ar” de Copa do Mundo, com os melhores estádios que o Tio Sam disponibilizou para o evento, e lotados na sua maioria, lembrando a Copa de 1994. Dentro de campo também achei que não decepcionou, bons jogos, independente da condição técnica de algumas equipes, mas com equipes se esforçando para buscar o gol. Decepções ficaram por conta do Uruguai, maior campeão da competição, mas que não conseguiu mostrar nada dentro de campo; e também o Brasil, com aquela velha falta de comprometimento das estrelas internacionais. Parece que a era Dunga acabou de vez. Gostei do Chile com bom jogo coletivo e que encarou a Argentina, mostrando que seu título em casa não foi apenas uma “fatalidade”. Messi ficou mais uma vez, e o peso cai sobre o maior jogador do time e do mundo. A tendência agora é que a Copa América seja pan-americana, o que seria excelente para a competição e que poderia trazer mais patrocinadores e elevar a organização.

Já a Eurocopa foi uma decepção. O número de seleções aumentou, mas parece que o nível técnico caiu. Em termos de festa foi bom; apareceu uma Islândia de pouca expressão no futebol e um País de Gales que não conseguia algum destaque desde 1958, na Copa da Suécia. Show das torcidas. Dentro de campo, nenhuma inovação e a regra foi a de não levar gol. 1x0 foi tratado como goleada. A Alemanha, depois dos 7x1, mostrou pouca coisa, vivendo ainda uma ressaca pós-Copa; Espanha, com sua brilhante geração chegando ao fim; e a Itália ainda pensando em jogar pra frente, até mostrou uma certa ofensividade e até tinha um “Pellè” no escrete.  O time da casa, a França, apenas um bom futebol contra equipes de menor expressão. Tirou uma Alemanha, que como disse, pouco inspirada.

A final, entre França x Portugal, também foi bem razoável. O time da casa não se impôs como se esperava e não aproveitou a ausência de Cristiano Ronaldo que se contundiu no início da partida. Jogou pra sofrer poucos riscos, e vencer de 1x0. Mas como quem não arrisca, não petisca, o tempo foi passando e o desespero francês aumentando. E levou o gol no momento fatal da partida, de Eder,  com um bom tiro de fora da área. Portugal campeão.

Nenhuma equipe destoou nesta competição. O título poderia ter ficado com qualquer uma: Alemanha, Itália, França e acabou ficando com Portugal, que tem o maior jogador europeu da atualidade. Um feito que o grande Eusébio não conseguira com sua seleção, apesar de ter transformado o Benfica numa máquina. O portugueses irão se lembrar para sempre deste título, os islandeses e gauleses se lembrarão da festa, mas nenhuma seleção pra tirar foto,  emoldurar, e colocar na parede.


Entre Copa América e Eurocopa, fico com o torneio do nosso continente sem nenhum corporativismo. O jogos  pelo menos foram mais empolgantes e resultados imprevisíveis como o 7x0 do Chile sobre o México.  No campeonato europeu, o gol continuou a ser apenas um detalhe.




domingo, 19 de junho de 2016

Pra frente, Dorival!

Tido como time caseiro, Santos fez duas boas partidas jogando fora de casa: Contra o Santa Cruz, com vitória e ontem contra o Atlético Paranaense com derrota no final da partida. Em ambas, o Peixe dominou o jogo, permanecendo com a posse da bola na maior parte do tempo. Um conceito que já discutimos aqui e pelo que ando percebendo o técnico Dorival está querendo adotar, se espelhando na filosofia de Fernando Diniz.

Jogadores pra implantar esta filosofia o Santos tem, pois ao meu ver tecnicamente não fica devendo pra nenhuma equipe do campeonato nacional. Pode ter suas falhas, com algumas ainda visíveis, mas poucas equipes podem contar com jogadores versáteis como Lucas Lima (que está em recuperação), Tiago Maia, Renato, e um que está me agradando muito, que é o Vitor Bueno; Este vem ganhando personalidade e evoluindo a cada partida. Yuri contratado junto ao Audax parece ter se adaptado bem à jovem equipe peixeira.Também gosto dos laterais Zeca e Vitor Ferraz. Na frente, Gabriel ainda precisa achar um bom parceiro, já que Joel e Paulinho, contratados junto ao Cruzeiro e Flamengo respectivamente, ainda não se firmaram como titulares e oscilam muito. Ricardo Oliveira parece ainda não ter previsão de retorno por causa do joelho.

Ontem o Santos sofreu um castigo ao levar o gol do Atlético/PR, aos 44’ do segundo tempo, gol do ex-corintiano Paulo André, que continua sendo um ótimo jogador.  Digo “castigo” porque é aquela mentalidade de achar que o jogo já está “decidido” e o treinador sempre resolve trocar um atacante por um jogador mais defensivo. No Santos, isto ocorre quando o volante Alisson entra nos minutos finais. Aconteceu na semifinal do Paulista diante do Palmeiras, e ontem a mesma coisa. O jogador não tem nenhuma culpa nisto, quero salientar para não ser mal interpretado. Mais uma vez este tipo de substituição não surtiu efeito algum, e o Santos mais uma vez levou o revés, por não querer ficar com a bola lá na frente.

Por isso Dorival, sem essa de segurar o resultado. E serei obrigado a usar este clichê: “O jogo só termina quando o juiz apita”.

Próxima partida contra o Fluminense em Volta Redonda, estádio que virou o “Maracanã” dos cariocas. Com cautela, mas jogando pra frente, pois o retrospecto do Peixe não é bom contra o time das Laranjeiras jogando fora.





domingo, 8 de maio de 2016

Final do Paulista (Santos x Audax).

Sempre gostei dos campeonatos regionais. Alguns acham que eles deverian ser extintos, para que ficássemos apenas com o campeonato nacional. Mas acho que isso poderia levar a uma elitização ainda maior do futebol e não iria acrescentar em nada o nível técnico. Basta ver quão longo é o campeonato brasileiro, e poucos se lembram de um time que marcou época ou deixou saudades. Além do mais, é nos estaduais que as rivalidades surgiram e se exacerbam. Em ordem de importância, podem estar atrás do nacional, mas são tão tradicionais quanto ou até mais.

Se os regionais fossem extintos, não veríamos surgir um time como o Audax. Uma inovação para o torneio, e também não vi nenhum clube do Brasileirão jogar desta forma. Na verdade um conceito que teve seu início com a Seleção de 1970, foi “aprimorado” com a Holanda de 1974 e o tricampeão europeu Ajax (que até rima com o nosso time de Osasco) também jogava um pouco desta maneira. Veríamos algo parecido com o tic-tac da seleção da Espanha e Barcelona muitos anos depois.

Futebol precisa sim de ousadia, e Fernando Diniz mostrou isto. Não teria o mesmo espaço para implantar isto em uma equipe com mais tradição, que precisa de resultados imediatos e não tem paciência para tal. E o mais surpreendente, conseguiu fazer com que uma equipe mantivesse um bom toque de bola em um gramado ruim, como é o campo de Osasco que prejudicou a futebol das equipes no primeiro jogo.

Audax com sua “audácia” bateu nos grandes do chamado “trio-de-ferro” (um termo alías que tem caído em desuso, pois  já não possuem tanta hegemonia assim). Só não superou o Santos (com a derrota de 2x1 na primeira fase), mas fez com que o Alvinegro Praiano, mudasse sua forma de jogar na final.

Confesso que nunca vi o Santos Futebol Clube correr atrás da bola por tanto tempo no seu alçapão, a Vila Belmiro. Geralmente são os outros que se defendem e são sufocados. Surpreendentes 80% de posse para o Audax, até por volta dos 20 minutos do primeiro tempo. O Audax deu seu primeiro chute com dois minutos de jogo, sem que o alvinegro tocasse na bola.

Pessoalmente gosto mais do jogo vertical, futebol que caracteriza o jeito santista de jogar, mas esta forma digamos “reimplantada” por Fernando Diniz é também eficiente e não deve ser desconsiderada. A seleção de 1970 mesclava isto: tinha paciência em tocar a bola quando tinha a posse, até verticalizar quando tinha alguém em condições de atacar. Poucas equipes na história do futebol fizeram isto com eficiência.

Não que o Audax seja uma seleção de 1970, uma Holanda ou Barcelona; não cabe comparações. Mas a grande virtude de Fernando Diniz foi implantar este estilo “similar” de jogo, só que sem grandes craques. E isto provavelmente tenha sido a chave para o sucesso, igualando taticamente sua suposta inferioridade técnica a equipes com mais "estrelas".


Referindo aos dois times, concluo que a vitória foi do jogo ofensivo, toque de bola, e da ousadia tática que tanto se tem cobrado. Não sei se veremos isto no campeonato nacional, cujo objetivo é colecionar pontos. Santos e Audax forem merecedores em decidir o campeonato.



Parabéns a ambas as equipes.




sábado, 20 de fevereiro de 2016

Aconteceu num 20 de fevereiro.


Quanto vale para ver Pelé? Quanto valeria pagar, deixando o clubismo de lado ou as diferenças?

Em 20/02/1973 em Cartum, capital do Sudão, 65.000 pessoas puderam ver o rei do futebol pela bagatela de US$ 1,00. Na verdade havia muito mais gente do que o Estádio Nacional de Cartum comportava, estimado em 45.000, muita gente se espremendo na beira do gramado, e 10.000 fora do estádio.

País mergulhado em guerra civil, após dominação egípcia e britânica (países então aliados), com suas diferenças étnicas e religiosas, mas como sempre, o esporte conseguindo dar uma trégua, pelo menos por um dia.

Podia-se jogar por um dólar, não ter direito de imagem, e enfrentar os mais diferentes tipos de adversidades: Em pouco mais de um mês nesta excursão que o clube fizera em 1973, o Santos antes já havia passado pelos campos de areia da Arábia Saudita, Kwait, Bahrein (naquele tempo os campos dos sheiks não eram a maravilha que são hoje) passando pelo semiárido africano para depois encerrar a excursão com neve na fria Nuremberg. 12 países que tinhas como roteiro Austrália, Oriente Médio, África e Europa. Desgastes da viagem à parte, coisa que se alega muito hoje em dia, já chegavam ao Brasil com o campeonato em andamento e a bola rolando. Não tinha reclamação, choro ou Iphone.

Ficha técnica da partida:
20/02/1973 – Al-Hilal Omdurman/SUD 0 x 1 Santos
Gol: Euzébio.
Local: Estádio Nacional de Cartum, no Sudão.
Competição: Amistoso
Público: 65.000 aproximadamente
Renda: US$ 55.000
Árbitro: Ahmed Gandil

Santos: Cláudio; Hermes, Marinho Perez, Carlos Alberto e Zé Carlos; Léo Oliveira e Brecha; Jair da Costa, Euzébio, Pelé (Alcindo) e Edu. Técnico: Pepe
Hilal: Zaghbeir; Moosa, Koka, Kori e El Dab; Jaxa e Abdo; Izzedin, M. Houssein, Gagarin e Nagk.
Fotos da partida (ou da confraternização):

sábado, 16 de janeiro de 2016

Investimento no futuro.


Dos 36 jogadores que compõem o elenco do Santos, 21 são da base. Estes são os números do site torcedor.com, apesar de ter dado divergência na conta que fiz no site do clube. Mas isto é de menos, o que importa é que mais da metade do elenco é constituída por jogadores formados em casa.

Isto é bom, e esta conta ainda poderia ser aumentada, pois acredito ser a única fonte caso o time da Vila queira ter expectativas de sucesso no futuro. Mais pratas da casa, menos necessidade de contratar, mais dinheiro em caixa, (pelo menos teoricamente). Penso também que uma filosofia deveria ser seguida e aplicada entre todas as categorias, não abandonando a criatividade e o DNA ofensivo (termo criado pelo presidente anterior, Luís Álvaro), que caracterizam o clube.

Em 2015, os meninos da Vila chegaram nas finais do estadual em todas as categorias amadoras, do sub-11 ao sub-17 ou 18, feito inédito para um clube, ganhando duas destas categorias.

A decepção ficou por conta da Copa São Paulo, a coqueluche do futebol de base. Futebol horrível, quadradinho, burocrático, e sem nenhum destaque individual como em edições anteriores. Se pensa que é estrela antes de chegar ao profissional, fica pelo caminho. Não deu outra. 

O que resta saber é o que será ou como ficará o futebol daqui por diante, caso a China continue nesta toada de levar jogador de baciada. A marcação chinesa já está em cima de Geuvânio, o que pode fazer com que uma carreira ainda promissora seja preteria em função de uma independência financeira antecipada. Acredito que seja uma febre momentânea, que também pode ser ruim, fazendo que mais profissionais migrem para lá antes que a galinha dos ovos pare de botar.

Só espero que isto não prejudique o trabalho de base das equipes, com mais empresários neste ramo com mais uma rota se abrindo, agora para o velho oriente. O jogador deve  ser formado para obter sucesso no seu clube, e não apenas para alimentar outros mercados, apesar desta mentalidade ser cada vez mais vigente, e que poderia ou poderá ser mais uma pá de terra para o futebol brasileiro. 





segunda-feira, 7 de setembro de 2015

Breve reflexão.

Li um artigo do craque Tostão que escreve aos domingos para a Folha de São Paulo. Confesso que este hábito – de ler jornais aos domingos – há um bom tempo não praticava. Hábito dos tempos de cursinho e faculdade, quando éramos assinantes do jornal. Com o tempo perdemos este hábito, principalmente com a invasão da mídia digital que nos acaba desviando para outros tipos de entretenimento. Bom por um lado, mas também ruim pelo outro. Acho improvável um jovem hoje de 20 anos folhear as páginas de um jornal numa manhã de domingo, apesar dele já acordar ligado ou conectado com 50 coisas ao mesmo tempo.

Pois bem. O artigo do Tostão intitula-se “Sábios das pranchetas”, uma crítica aos teóricos da bola. Há sempre uma contradição, diz ele: Critica-se o técnico que “não tem formação acadêmica”, por ser apenas um “boleiro”, ou em contrapartida, também aquele que é apenas um “estudioso”, ou seja, aquele pouco ou nunca esteve dentro das quatro linhas.

Nem tanto ao mar e nem tanto à terra. Óbvio que a crise do nosso futebol não é desencadeada por estas duas vertentes, mas ambas incorrem no mesmo erro, principalmente na formação de base: As escolinhas que acabam pré-moldando os jovens jogadores, antes que estes possam desenvolver algum tipo de criatividade, enquadrando-os em esquemas táticos ou mesmo em alguns fundamentos.

 Tostão salienta – como estudioso do assunto que é – que há uma fase da vida do ser humano, naturalmente alguma da infância, na qual as habilidades e a criatividades são desenvolvidas, necessitando de algum tempo para isto. E é algo científico, apesar de muitos sábios das pranchetas não saberem ou não aplicarem. Isto mesmo: vale latinha, bola de meia, trave com chinelo, jogar no campo de cima ou de baixo, desviar-se de buracos, poças d’água, ou de algum animal que cruze pelo caminho. Imaginar-se Rivellino, Zico, Romário, Ronaldo, algum outro craque, também não faz mal a ninguém.

Criatividade, inventividade, imaginação... Virtudes que estão sendo tolhidas, antes mesmo que apareçam, pelos “padrões” em voga, pelo imediatismo, queima de etapas, para atender principalmente a lógica de mercado, investimento de empresários, etc. Um dos grandes males do nosso futebol.





domingo, 28 de junho de 2015

De Zito a "Thiagos Silvas" (ou "Fernandinhos", "Firminos..")

Exatamente há duas semanas o futebol brasileiro perdia um de seus maiores expoentes, José Eli de Miranda, mais conhecido como Zito: Bicampeão Mundial nas Copas de 1958/62, Zito era sinônimo de liderança dentro de campo. Fora dele, ainda como jogador, era uma espécie de conselheiro para os mais novos, e a formação e permanência do maior jogador de todos os tempos no Santos Futebol Clube, deve-se a ele. Na Vila Belmiro, Zito possuía outro cognome, o de “gerente”. Pois sim, sua influência era tanta no clube, que tinha cacife para trazer jogadores e já atuava como uma espécie de olheiro ainda quando jogava. Numa partida entre Juventos x Santos na Rua Javari, notou um jovem jogador de muito talento no time da Mooca, e disse a ele que iria levá-lo para o Santos. Este jogador era Lima, o primeiro – ou na pior das hipóteses - uns dos primeiros curingas do futebol brasileiro, fazendo também o gol de desempate na final do Mundial Interclubes contra o Milan, no Maracanã, um dos mais importantes da história do clube.

Zito, apesar de já ser acima da média para sua época, simboliza um tipo de jogador que não vemos mais por aqui. Talvez simbolize não apenas uma característica de jogador, mas um conceito de futebol que perdemos e que provavelmente não voltará.

Se nos anos 60 como jogador, Zito trouxe Lima para Vila Belmiro, já no século XXI como dirigente do clube, foi um dos responsáveis por fazer Neymar sair de Mogi das Cruzes e descer a serra para Santos.

Neymar atualmente, apesar de toda fama, toda grana, e toda lama, é solitário na Seleção. O único craque, a única “esperança”, o único ídolo. Neymar não tem Zito do seu lado, como tinha Pelé; não tem Gerson ou Carlos Aberto Torres e ainda recebe a camisa 10 e a faixa de capitão. Tudo errado. A “Neymardependência” ou “Neymarcentrismo” (termo que me veio agora na cabeça), não é culpa do jogador, mas talvez seja o único em condições de vestir a camisa da seleção brasileira. A mídia precisa exacerbar a imagem de um craque, Galvão Bueno precisa de alguém para ter audiência. Acabam estragando o jogador.


O resto, caros leitores, são “Joões” como dizia Garrincha ou “Firminos”, “Fernandinhos”, “Felipes Coutinhos” ou “Thiagos Silvas”. Valem milhões, mas não valem a bola que jogam. Jogadores que dentro de campo, não têm personalidade, apesar de tatuagens, visual legal, coisa e tal, mas não reúnem condições para vestir a camisa de uma seleção brasileira. São mecânicos,  pré-moldados, isolados por um imenso fone de ouvido com seus Iphones. Feitos e fabricados para se encaixarem no perfil burocrático do futebol europeu, mas não para serem criativos, não para mudar a situação de uma partida, não para representar o futebol brasileiro.




domingo, 17 de maio de 2015

Aconteceu num 17 de maio.

"Coutinho não é nome de jogador de futebol!"

"Amigos, o jogo Santos x Vasco, que deu o título ao Santos, comporta vários personagens da semana. Antes de mais nada, teríamos a diretoria do clube da Cruz de Malta. E que fez ela, a diretoria do Vasco da Gama, para que assim eu a destaque, em alto relevo? Fez apenas isto: atirou às feras um time de reservas, remeteu o time de reservas para o matadouro do Pacaembu. Qualquer paralelepípedo previra o que, fatalmente, aconteceu. O Santos deu um passeio, um baile, um banho de futebol. Imagino que, a essas horas, nas prateleiras de São Januário, as taças, os troféus inumeráveis hão de estar chocalhando de humilhação. Vamos e venhamos: a Cruz de Malta não merecia tão horroroso vexame. E o velho almirante, o próprio do Caminho das Índias, se vivo fosse, estaria sentado num meio-fio, a chorar lágrimas de esguicho. Glória, pois, ao imortal Barbosa. Debaixo dos três paus, ele foi algo como uma rocha oceânica, como uma bastilha invicta. Amigos, sua velhice não é velhice, mas uma soberba, uma salubérrima eternidade. E o falso velhinho impediu que a goleada fosse mais abundante, mais torrencial.

Mas eu não farei da diretoria cruz-maltina o meu personagem da semana. Não. Repito: o meu personagem da semana há de ser um santista. E penso no ataque. Sim, amigos: o Santos não é como os outros. Qualquer time é um conjunto, que inclui o goleiro, a zaga, os médios e os cinco dianteiros. No Santos, não. No Santos tudo é ataque e só ataque. A defesa pode falhar, o goleiro pode papar frangos homéricos, frangos camonianos. Mas desde que o ataque esteja em estado de graça, de plenitude, não há o que temer. A gente não sabe como se chama o quíper, a gente não se lembra como se chama o zagueiro. O que ninguém esquece é a linha, com suas penetrações fulgurantes, suas tramas geniais. Basta dizer o seguinte: o Santos tem um Pelé. Eu sei que Pelé, contra os ingleses, jogou pedrinhas. Mas é Pelé mesmo jogando mal, e vou mais além: Pelé, mesmo em casa, mesmo lendo gibi, já infunde um pânico religioso. E, além do Pelé, o ataque do Santos tem o Coutinho. Lembro-me que ao ouvir falar em Coutinho, pela primeira vez, tomei um susto. Comentei, então, de mim para mim: “Coutinho não é nome de jogador de futebol!” De fato, o nome influi muito para o êxito ou para o infortúnio. Napoleão, se tivesse outro nome, já seria muito menos napoleônico. Outro exemplo: por que é que Domingos da Guia foi o que foi? Porque esse “da Guia” dava-lhe um halo de fidalgo espanhol, italiano, sei lá. Ainda hoje, o sujeito treme quando ouve falar em “da Guia”. Mas o Coutinho tem contra si o nome. O sujeito que se chama apenas Coutinho dá logo a ideia de pai de família, de Aldeia Campista, Vila Isabel, Engenho Novo, com oito filhos nas costas e a simpatia pungente de um barnabé. Pois bem. Apesar de chamar-se liricamente Coutinho, o meu personagem da semana é um monstro, um Drácula, um “Vampiro da Noite” de futebol. Eu não sei se me entendem a imagem. Mas o Coutinho não sugere outra coisa, senão o sujeito que come a bola de uma maneira, por assim dizer, material, física. Ao sair de campo, parece-lhe escorrer dos lábios o sangue, ainda vivo, ainda efervescente da bola recém-vampirizada,

As inteligências simples, bovinas e, atrevo-me mesmo a dizê-lo, vacuns, hão de rosnar: “Literatura!” Parece, amigos, parece! Mas o povo, com o seu instinto agudo, sua vidência terrível, reconhece e aponta os jogadores que “comem” a bola, como se a estraçalhassem nos dentes, fazendo esguichar o sangue da redonda. E se, na verdade, existem os “tarados” da pelota, Pelé ou Coutinho há de ser um deles. Com o doce e inofensivo nome de Coutinho, o meu personagem fez, ontem, contra o Vasco, barbaridades sem conta. A um confrade que veio, de avião, do Pacaembu, eu perguntei: “Que tal o Coutinho?” O colega baixa a voz: “Bárbaro!” Insisti: “E o Pelé?” Resposta: “Bárbaro!” Fui adiante: “E Dorval? Pepe?” A tudo, o sujeito respondia, de olho rútilo: “Bárbaro!” Então, eu me convenci, de vez, que o ataque do Santos se constitui, realmente, de sujeitos que não respeitam e, pelo contrário, brutalizam a bola, e cravam, nela, os seus caninos de vampiro. Só o Coutinho fez, contra a velhice genial e quase imbatível de Barbosa, dois gols. Dizem que, nas bolas altas, ele se tornava elástico, acrobático, alado. O seu salto realmente era um voo.


Guardem esse nome de pai de família e de barnabé: Coutinho. Ou muito me engano ou estará ele no escrete brasileiro que, se Deus quiser, vai ser bicampeão no Mundial do Chile."


Crônica de Nelson Rodrigues, revista Manchete Esportiva em 23/05/1959.

Site: Ministério do Esporte.


Jogo que deu o título do Torneio Rio-São Paulo para o Santos. Coutinho, principal figura da partida, tinha então 15 anos na época. Ficha técnica: 

Santos 3 X 0 Vasco 
Data: 17/05/1959
Local: Pacaembu
Árbitro: Frederico Lopes
Renda: Cr$ 905.695,00
Público estimado: 21.000 pagantes
Santos - Laercio, Getúlio, Mourão, Ramiro, Álvaro, Zito (Fiote),
Dorval, Jair, Coutinho, Pelé e Pepe
Técnico: Lula
Vasco - Barbosa, Viana, Coronel, Dario, Russo, Laerte, Sabará,
Robson, Zé Henrique (Cabrita), Rubens e Roberto Peniche (Osvaldo)
Técnico : Gradim
Gols: Coutinho (2) e Pelé



sábado, 9 de maio de 2015

Alguma novidade?

Fim dos regionais, e começo do torneio mais comprido e “competitivo” que é o campeonato brasileiro. E como primeira atração na TV, já teremos um reservão de Cruzeiro x Corinthians, clubes que estão priorizando a competição continental. Pois é, futebol virou busine$$, e os pontos corridos pela sua extensão atentem bem à grade televisiva, independentemente da qualidade do espetáculo, que é o que pouco importa.

Qualidade, embora ainda restrita a alguns poucos clubes, vemos na Champions League, o primo rico da Libertadores. Barcelona volta a ser temido, e pode levar mais uma vez a Taça. Estão querendo correr atrás do “prejuízo”, deixado com as 10 conquistas do Real Madrid. Messi deixou o zagueiro do Bayer sentado, fez um gol que não vemos há um bom tempo por aqui, e daqueles que o Rei do futebol fazia no “café da manhã”, como diziam. Mas sem comparações à parte, Messi é o único jogador que joga igual ao Playstation, com aquela bola que não desgruda do seu pé. E sem fazer comparações, mais uma vez, Neymar alcançando uma marca emblemática de 50 gols, já começa a entrar na galeria do clube catalão dos brasileiros artilheiros, podendo fazer história dada sua pouca idade e ainda seu pouco tempo de Europa, caso permaneça por mais tempo no clube, evidentemente.

Voltemos ao brasileiro, até porque vamos ouvir falar dele até o fim do ano. Lembrando que mês que vem tem Copa América, o torneio de seleções mais antigo do planeta Terra, e que desfalcará alguns clubes por sete rodadas. Mais baixas num torneio com pouca atração. Mas ainda não terminou. Também tem a janela do meio do ano, e o torneio sulamericano poderá servir de vitrine. Período para os clubes conseguirem mais um dinheirinho, mandando seus “craques” para a Europa, China, ou Major Soccer League, que já exporta seu produto "here, to “Brazil”.

Ainda temos a Copa do Brasil para animar e esquentar o inverno brasileiro (e aqui digo sem nenhum escárnio).

Depois de ficar se arrastando e sabermos o que sobrou dos clubes, aí sim, a principal competição nacional, começa a pegar no breu após este período de hibernação e a definir os (poucos) prováveis campeões e os (muitos) prováveis candidatos ao rebaixamento. E claro, o prêmio de consolação que é a vaga para a Libertadores do ano que vem.



Obs: Nem falei do Santos, recém Campeão Paulista, novo ou velho campeão, chegando a todas as finais desde 2009... Mas conforme o título do post, alguma novidade? Preciso ser redundante? Acho que não...




(Desculpem deixar transparecer um pouco meu lado torcedor, mas não pude deixar de perder a viagem aproveitando o título deste post que escolhi. E pra quem me conhece, posso dizer que melhorei bastante, acho que fiquei bem mais tolerável, não é mesmo?).