Campeonato
Brasileiro chega ao seu final. Tecnicamente um dos piores campeonatos que eu
vi. Tirando a boa campanha do Cruzeiro, que por merecimento conseguiu o título
de forma antecipada; e os classificados para a Libertadores; nada de muito
interessante foi notado na competição. Temos sim muitos pontos negativos, que
dão a dimensão do título desse texto. O 2013 que deverá ser esquecido pela
maioria dos torcedores, pela campanha dentro de campo ou pela bagunça fora
dele. Ano de brigas, ano de traições; ano de falta de dinheiro para os clubes,
ano do início da rebeldia dos jogadores.
A briga dos
torcedores do Atlético Paranaense e do Vasco não foi exclusividade, portanto não
devemos condená-los como o único mal do campeonato. Brigas nos estádios
acontecem toda hora, em qualquer jogo; de forma violenta e organizada. Não estamos
preparados para enfrentar a gangue dentro dos estádios, muito menos fora dele. Existe
uma concepção jurídica impedindo que vândalos sejam tratados como criminosos. Existe
uma urgência para acabar com a baderna, mas tudo está sendo trata com remédios
profiláticos. Governo, clube, federações, torcedores e policia têm papel
fundamental na reestruturação do futebol. Mas fiquem tranquilos, não será agora
qualquer mudança, pois não existe desejo para a mudança; mas apenas vontade de
culpar o próximo. Torcedor culpa policia, policia culpa as leis; governo culpa
dos clubes.
Vontade de
mudança que não falta a nova organização do futebol: O Bom Senso Futebol Clube.
Organização dos jogadores que exige a modernização dos clubes, adaptação do
calendário das competições; definir responsabilidades dos dirigentes. A ideia é
fantástica, mas mais uma vez devemos entender que sem a mobilização nada será
alterado. Da mesma forma que a questão da segurança nos estádios sofre da síndrome
de Adão* também temos um problema para organizar nossas competições: a Globo
diz que é coisa do clube, o clube da CBF; a CBF dos clubes. A disputa política,
a imensidão do território brasileiro e a disparidade financeira das entidades dá
o tom dos problemas que o Bom Senso enfrentará para definir sua pauta, e pior
ainda, colocar em prática suas metas.
Metas também
serão colocadas na mesa pelos clubes do Eixo Rio-São Paulo. Clubes com maior poder
financeiro, tiveram um ano de 2013 terrível. Se o susto dos paulistas só fez
uma vítima, a Ponte Preta; o Rio de Janeiro acabou perdendo lugar para Santa
Catarina para o estado com mais representantes no campeonato brasileiro de
2014. Vasco e Fluminense disputam pela segunda vez a série B. A única coisa boa
nisso tudo é que a disputa ocorrerá no ano da Copa do Mundo, ou seja, a vida do
clube passará a ser pano de fundo na mídia. Chapecoense, Criciúma e Figueirense
se juntam com Grêmio, Internacional, Coritiba e Atlético Paranaense. Sete representantes
do Sul, nove do Sudeste: Nova estrutura do futebol Brasileiro é o Eixo São
Paulo-Santa Catarina.
Os clubes de
São Paulo estão fora da Libertadores, tirando a Ponte Preta com a chance de uma
pré-libertadores, caso consiga o título diante do Lanus pela Sul-Americana, nada
para se lembrado. A situação fica mais complicada quando percebemos que não há
grandes modificações para 2014. São Paulo quer continuar o crescente do
brasileiro, com a arrancada que o tirou de qualquer risco de rebaixamento. Para
isso renovou com Muricy e fez Ceni adiar a aposentadoria. Corinthians aposta
numa renovação, mandando embora o técnico mais vitorioso de sua história, Tite.
Santos aposta mais uma vez na juventude; esperado ser contemplado com mais uma
joia rara. Palmeiras promete uma completa renovação, mas ainda respira a boa
campanha na série B. Portanto, a atenção em 2014 deve ser redobrada para que São
Paulo também não perca seu lugar majoritário no eixo do futebol.
Um comentário:
* Sindrome de Adão é a decisão de culpar sempre o outro. A frase bíblica de Adão culpando Deus pelo seu próprio pecado: Errei, sim. Mas errei porquê "VOCÊ" colocou a mulher na minha vida! O resto você já sabe...
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