segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Titehabilidade: Ninguém mais será tão grande nas próximas gerações.



Fim da Era Tite no Corinthians mostra um desconforto incomum: Torcedores, críticos e dirigentes sabem que ele foi um dos maiores técnicos com clube; mas sua permanência parece inviável.
 

E chega de títulos, por enquanto. Pelo menos para Tite no Corinthians. Um dos mais vitoriosos treinadores do clube nos mostra quanto é difícil a vida de treinador no Brasil. Parece quase impossível termos um Sir Alex Ferguson por esses lados, nossa cultura não permite. Aqui precisamos de renovação, de uma entrega total; de itens que muitas vezes não são tão exigidos em campeonatos com poucas equipes disputando títulos (como acontece quase sempre na Europa). No Brasil poucos clubes do mundo conseguiriam sobreviver ilesos. Renovação, criatividade e motivação são quesitos de equipes campeãs.

Tite colocou o nome do Corinthians definitivamente no mundo. Montou uma das equipes mais competitivas que eu vi jogar. No auge de sua função, fez com que todas as equipes se preocupassem em enfrentar o Corinthians. E era sensacional, para mim como torcedor, os adversários mostrando tanto respeito em relação ao Corinthians. Mais do que isso, ele um profissional que sai de cabeça erguida, que arranca choro e saudade de torcedores tão exigentes. Ganhou de tudo um pouco. Ainda considero que fez algumas coisas erradas, como todos os treinadores; mas seria o único que poderia colocar o time no caminho vitorioso.

Por isso fico tão desconfortável com sua saída. Não que não seja necessário; a renovação é a “arma” do negócio. Mas ao mesmo tempo parece ser tão pouco qualquer técnico que tome seu lugar. Quem poderá se tornar tão grande? Quem poderá dizer coisas tão indistintamente sérias, filosóficas e por vezes incompreensíveis sem que nenhum torcedor se incomodasse com isso? Seu léxico dramático tomando contornos populares na sua titebilidade. Virou explicação pontual: jogabilidade. Tite falou a linguagem dos boleiros, falou para os torcedores; do modo que queria e sabia. Mais do que isso: ganhou aquilo e mais ainda do quê podia ganhar. Tite foi o cara, foi herói; foi  imagem vitoriosa de um time campeão.

Mas, ao mesmo tempo, saturou: ambos, time e treinador, loucamente apaixonados; cansaram da rotina. A motivacionabildade por água abaixo. Banho-maria do campeonato brasileiro (desculpem-me pelas letras minúsculas) foi crucial para o seu julgamento. Nunca poderemos condenar o seu trabalho, mas devemos sim perceber a dinâmica. Considero Tite o único que poderia reformular uma equipe, montar um grupo campeão; e acho isso mesmo com os tropeços de Maldonado, Ibson e afins que não vingaram. Mas também acho que Tite não conseguiria fazer isso: a limpeza (renovação) traria discussões calorosas com aqueles que foram seus discípulos. Tite não conseguiria dispensar o Émerson e o Romarinho como faz com o Pato, por exemplo.

A questão é essa: Tite sai para deixar saudade. O que parece ser mais interessante do que sair manchando sua passagem. Tite que será comemorado a cada tropeço do novo treinador; e que será idolatrado mesmo com o sucesso do seu sucessor. Tite questionado por ter feito um grupo vitorioso tão mediano, mas também o Tite que fez um grupo tão mediano, vitorioso.

Agora o novo treinador terá de começar do zero. Contando apenas com competições intermediárias (para quem pretendia novamente o seleto grupo de campeões da América). Depois de cinco anos o Corinthians não saberá o que é a Libertadores. Terá que assistir a competição do lado de fora, lamentando-se pelo planejamento; pelos jogadores que contratou esse ano, quem sabe condenando o Tite pela não classificação. Mas ao mesmo tempo terá que se retratar em público: ninguém condena um líder como Tite e sai ileso. A história do treinador o defenderá de todas as injúrias.


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