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quinta-feira, 2 de abril de 2015

Aconteceu num 2 de abril.


"O maior jogo do mundo". Assim se referia ao principal duelo alvinegro dos anos 60, o alvinegro do Rio, e o alvinegro do litoral Paulista. Duas constelações que formaram a base da seleção brasileira, ajudando a conquistar o bicampeonato mundial em 1958/62, e ainda teriam um papel importante do tri do México, já com uma outra geração.


E parece que estes dois times tinham consciência desta importância, e protagonizaram jogos épicos, mesmo quando acabava em 0x0 (acho que só houve um jogo com este resultado, válido pelo Rio-São Paulo).

A Taça Brasil era o principal - e único - campeonato nacional da época. Criada nos moldes da Taça dos Clubes Campeões Europeus (por isso adotou o nome "Taça"), com jogos eliminatórios ( e campeões de seus países e estados no nosso caso), e  que hoje recebe o nome de Champions League. Pois é, tínhamos a nossa Champions League, aqui, com alguns dos principais jogadores do futebol mundial, o maior deles (Pelé) e talvez o único capaz de rivalizar com ele (Garrincha). A diferença, de ontem pra hoje ou vice-versa, é que não havia tanta televisão, tanta mídia e tantos patrocinadores. Não tinha o cara da "Budweiser" tocando bateria antes da transmissão.

A importância da Taça Brasil daquele ano de 1962 se deve pelo fato que os dois times estavam na sua melhor forma; todos os jogadores estavam voando, muitos recém campeões mundiais no Chile. Não tenho dúvidas ou talvez não se tinham dúvidas de que o vencedor daquela melhor de três fatalmente conquistaria a América e depois o mundo. Tanto santistas quando botafoguenses falam até hoje: "Nós éramos muito confiantes, e tínhamos muita fé no nosso time". O que não quer dizer que eram prepotentes, acho que prepotência é algo quando você pensa mais do que realmente é, o que não era o caso.

Pois bem, o primeiro jogo da final da Taça Brasil, realizado num Pacaembu para 29.000 pagantes (geralmente havia muito mais gente) foi um fantástico 4x3 para os santistas. Fico devendo a sequência dos gols, mas para o Santos marcaram Pepe (2), Coutinho e Dorval, e para o Botafogo Amarildo, Amoroso e Quarentinha.

O segundo jogo no Maracanã, com mais de 100.000 pagantes, foi um passeio botafoguense. O jogo acabou em 3x1, mas o time da estrela solitária perdeu outras chances e também praticamente a chance de decidir o título nesta partida. Rildo (que depois também faria sucesso no Santos), fez contra o patrimônio. Para os botafoguenses marcaram: Amarildo, Edson e Quarentinha.

O terceiro jogo (curiosamente com menos público que o segundo, pouco mais de 70.000) foi o que acabou definindo a supremacia do futebol mundial naquela temporada. A "sorte" foi lançada para o Santos. O time "encaixou" como se diz na gíria futebolistica. E se o Botafogo desperdiçou a chance de dar um sapeco no Santos e liquidar a fatura no segundo jogo, o mesmo não ocorreu com o Peixe, que ainda estava vivo, e não desperdiçou. Dorval abriu o placar aos 25' do primeiro, Pepe aos 40' terminando 2x0 a primeira etapa. Coutinho aos 8' e, como uma obstinação, caberia ao Rei do Futebol, terminar o espetáculo, marcando aos 29' e encerrando a fatura aos 34' da etapa complementar: 5x0 placar final.

Pois é, a Taça Brasil, tinha valor, tinha público (praticamente 200.000 pessoas somando os três jogos), tinha prestígio, e - ao contrário do que já ouvi falar por aí - tinha até "taça". Taí nosso capitão Zito para comprovar. Também tinha festa e muito "refrigerante" depois do jogo, conforme sempre lembra nosso ponta Pepe. Só não tinha Pay-per-view.

Depois deste Bi da Taça Brasil, o Santos ainda levaria o Bi da América, e o Bimundial ou Intercontinental, como queiram, marcando mais um capítulo inédito para a história do alvinegro praiano.


Obs: Lembrando que o jogo foi no 2 de abril de 1963, mas ainda válido pela Taça Brasil do ano anterior.




segunda-feira, 27 de maio de 2013

Longe Demais das Capitais (As histórias do Brasileirão chegam ao ano de 1966)

“...nossa cidade é muito grande
e tão pequena
tão distante do horizonte
do país...”

Fui até o album dos Engenheiros do Hawaii, do ano de 1986, pra buscar a inspiração pro post que reinaugura esse espaço, meio documental meio Forrest Gump desse blogueiro; as Histórias do Brasileirão. A letra da música Longe Demais das Capitais, que dá nome ao disco da banda gaúcha de pop/rock caiu como uma luva no título desse post sobre o Campeonato Brasileiro de 1966, que, pela primeira vez, em 06 anos, não teve como campeão uma equipe do Estado de São Paulo, nem tampouco do Rio de Janeiro; os dois maiores centros do futebol brasileiro.

A Taça Brasil de 1966 reuniu 22 equipes, representando 21 federações nacionais. Eram elas: Rio Negro/AM, Confiança/SE, ABC/RN, Sampaio Correa/MA, Campinense/PB, Flamengo/PI, Desportiva/ES, Rabello/DF, Paysandu/PA, CSA/AL, Internacional/SC, Fortaleza/CE, Anápolis/GO, Ferroviário/CE, Americano/RJ, Vitória/BA, Grêmio/RS, Náutico/PE, Santos e Palmeira/SP, Fluminense/GB e Cruzeiro/MG. O formato de disputa era muito parecido com os anos anteriores, em rodadas eliminatórias, sendo que o Palmeiras entraria apenas numa fase de quartas de final, para enfrentar o vencedor das regiões Norte e Nordeste, que naquele ano foi o Náutico/PE e Santos e Fluminense entravam direto na fase semifinal.

O Palmeiras, então vice-campeão paulista, foi derrotado pelo Náutico em 03 jogos e eliminado da competição. Melhor sorte não tiveram os pernambucanos que, após eliminar o Palmeiras tiveram que enfrentar o Santos na fase semifinal. Após uma vitória santista por 2 a 0 e uma revanche pernambucana de 5 a 3, em pleno Pacaembú a decisão ficou para uma terceira partida, apenas 02 dias depois, na capital paulista. O glorioso time alvirrubro do atacante Bita, desta vez não aguentou a melhor técnica do time santista e saiu derrotado por 4 a 1. Apesar disso, se vale como consolo para os torcedores do Náutico, anos após esse confronto, o Rei Pelé, ao ser perguntado sobre quais foram as melhores equipes que enfrentou ele teria respondido; - o Cruzeiro de Tostão, o Palmeiras de Ademir da Guia e o Náutico de Bita. Okay! Não sei discute com o Rei, mas, acho que nesse caso ele quis fazer uma média com a torcida pernambucana.

Enfim, o Santos já estava na grande final, faltava saber quem seria o vice-colocado. O Fluminense era uma referência técnica na época. Sabem aqueles times que brilhavam nas exibições do “Canal 100”, nas salas de cinema, com jogadores movimentando-se como bailarinos? Se não sabem é só assistir aqui. Bom o Fluminense enfrentaria o campeão das regiões Central e Sul, que naquele ano era o Cruzeiro/MG. Um time que já era conhecido dos cariocas por ter conseguido algumas vitórias contra times do Rio de Janeiro. No primeiro jogo, no Mineirão, o técnico tricolor Tim, que não era bobo nem nada, sabendo da impetuosidade dos mineiros resolveu controlar o jogo com muito toque de bola, bem a moda do futebol carioca.  Logo na saída os tricolores resolveram fazer a bola voltar para o goleiro Jorge Vitório, para tentar esfriar o time da casa. Só que Tostão interceptou o passe do zagueiro Caxias e entregou a bola para Evaldo abrir o placar com 30 segundos de jogo. Nem bem o torcedor mineiro tinha chegado ao estádio o jogo já estava decidido, restando aos cariocas somente defender os ataques rápidos dos mineiros e torcer pra não tomar mais gols. A partida terminou em 1 a 0.

No jogo de volta, no Maracanã, o Rio de Janeiro presenciou uma invasão mineira não vista em nenhum período de férias de verão ou feriado prolongado. Dezenas de ônibus foram fretados para levar os torcedores cruzeirenses para o jogo. Com a ajuda da torcida do Flamengo, do Botafogo e do Vasco a torcida celeste conseguiu dividir o Maracanã, meio a meio com o time da casa. Sim, meus leitores, esse negócio de invasão ao Maracanã não é uma invenção de corintiano. Dez anos antes os mineiros já dividiam o estádio com os tricolores cariocas. Num gramado pesado, devidos ás fortes chuvas na cidade do Rio de Janeiro, os mineiros colocaram o time tricolor na roda. Fizeram três gols com absoluta tranquilidade, sem dar um milímetro de chance ao time do Fluminense. Superioridade incontestável. Até o gol do Fluminense foi anotado por um jogador do Cruzeiro, Piazza, que tentou cortar um cruzamento que acabou estufando as redes do arqueiro Raul (sim, o comentarista). O lance valeu uma provocação até certo ponto desnecessária na manchete do jornal Diário da Tarde: “Cruzeiro fez até o gol do Fluminense”. Fim de papo com 3 a 1 no placar a favor dos mineiros. Apesar da incontestável vitória, ao final do jogo, o técnico cruzeirense Aírton Moreira ainda deu um sutil recado para o pessoal da baixada santista;  “Estamos satisfeitos, mas devemos dizer que o Cruzeiro não jogou tudo o que sabe e pode”.

Antes de contar como acaba essa Taça Brasil, vale a pena destacar que o mapa do futebol, naquela época, era bem diferente do que é hoje. Pra falar a verdade, o mapa do futebol brasileiro resumia-se a dois estados; São Paulo e o Estado da Guanabara. Qualquer time fora desses dois lugares era parte da periferia do futebol brasileiro. Essa hegemonia, além de técnica, era sobretudo política. Logo a seleção brasileira na época tinha que contar com um número equivalente de atletas paulistas e cariocas e a escolha do técnico sempre gerava discórdia, pois, se o técnico fosse carioca, a imprensa paulista metia-lhe a porrada, exigindo esse ou aquele jogador de algum time de São Paulo. Se o técnico fosse paulista a recíproca também era verdadeira. Não é exagero afirmar que, até o ano de 1966, o maior torneio do futebol brasileiro era o Rio-São Paulo. Portanto, quando um time fora desse eixo, ou seja, longe das capitais do futebol brasileiro, alcançava uma vitória contra os grandes times paulistas ou cariocas, era motivo de grande satisfação, uma façanha heroica mesmo.

Com o Mineirão lotado, no que viria a ser a maior renda da época, o Cruzeiro entrava em campo para enfrentar o poderoso time do Santos. No primeiro tempo de jogo a equipe da baixada não viu a cor da bola. Jogadores como Evaldo, Tostão e Dirceu Lopes deram o tom a uma verdadeira sinfonia celeste, enquanto que Pelé, do outro lado, permanecia muito bem vigiado pelo cão de guarda Piazza. Os gols cruzeirenses foram sendo anotados com uma naturalidade espantosa. A primeira metade do jogo termina 5 a 0 para os mineiros, mas, o público ficou com aquela sensação de que poderia até ter sido mais. No segundo tempo Toninho Guerreiro anota dois gols para os santistas, mas, um gol de Dirceu foi a pá de cal no ímpeto dos comandados de Lula e o jogo terminou 6 a 2. Athiê Cury, o presidente do Santos, não se sabe se por superstição ou deboche mesmo, mandou a taça do torneio para o vestiário do Cruzeiro, para que ficasse em Belo Horizonte até a segunda partida. O então presidente cruzeirense Felício Brandi além de não aceitar a cortesia, mandou devolver a taça com o seguinte recado: “Tá bom, é muito bonita, mas, agora que já a conhecemos, podem levá-la de volta; semana que vem vamos buscá-la em São Paulo”.

Num Pacaembú com aproximadamente 30 mil pessoas, Santos e Cruzeiro voltaram a se enfrentar. Muita chuva, campo enlameado e a estratégia paulista era clara; forçar as bolas longas para a velocidade de Pelé e Toninho Guerreiro. O Santos, com mais força no meio campo dominou as ações no primeiro tempo. Não demorou muito para o Santos abrir vantagem de 2 a 0 no placar. Após incessante pressão santista o primeiro tempo termina com uma vitória parcial que garantiria uma terceira partida. Foi aí que Athiê Cury, sempre ele, foi ao vestiário cruzeirense, acompanhado do presidente da Federação Paulista, para combinar com Felício Brandi a data e horário da terceira partida. Foi expulso imediatamente. A situação criada pelo presidente santista encheu de brios os jogadores mineiros que voltaram dos vestiários confiantes na virada. Nem o pênalti perdido por Tostão no início da segunda etapa foi suficiente para esmorecer o time celeste. Jogando o fino da bola, como na primeira partida e com Pelé praticamente casado com Piazza, não foi difícil ao Cruzeiro empatar e virar o jogo. Final da partida e vitória cruzeirense por 3 a 2. Era o início da festa nas Minas Gerais.

Na chegada do Cruzeiro a Belo Horizonte, milhares de pessoas esperavam o time no Aeroporto da Pampulha. Numa festa sem igual na capital mineira, os jogadores desfilaram em carro aberto com a recém-conquistada Taça Brasil. Um título que não foi apenas inédito para Minas Gerais, mas, serviu para mudar o eixo Rio-São Paulo no futebol brasileiro. Existia,sim, futebol além da via Dutra. A partir daquele momento Minas Gerais estava definitivamente incorporada ao mapa do nosso futebol, com seus craques e times fantásticos. A seleção brasileira, também, nunca mais foi a mesma após a conquista cruzeirense. A partir daquela noite de 1966, paulista e cariocas tiveram que aceitar que jogadores vindos de outros centros poderiam ser titulares da camisa canarinho. A conquista da Copa de 1970, quase quatro anos depois deixou isso bem claro.  Em 1967, o grande torneio nacional, o Rio São Paulo, pela primeira vez abria as suas portas para times de outros estados, como Minas, Paraná e Rio Grande do Sul e passava a ser chamado pelo nome de Torneio Roberto Gomes Pedrosa, ou Robertão para os mais íntimos. A partir desse momento começamos a abandonar o velho pensamento bairrista, provinciano, de paulistas e cariocas. A conquista do Cruzeiro abriu uma nova página no futebol brasileiro, o início de uma mentalidade realmente nacional.


   

quinta-feira, 28 de junho de 2012

Homenagem – 500 postagem – Copa 1982



Pois bem, amigos.

Chegamos à postagem número 500.

Não sei quantos de vocês nos acompanham desde o início. Também não sei quanto tempo durará esse nosso bate papo sobre o esporte. Chegamos a um número de postagem significativa, pelo menos para nós. E creio que continuaremos com essa nossa brincadeira por alguns anos.

Para comemorar esse feito, decidimos todos nós, os colaboradores, escrever sobre a Copa de 1982. Sim, a mais enigmática passagem do futebol arte. A história da Copa para a Seleção Brasileira, eliminada pela Itália, é traumática e nostálgica para uma geração de torcedores; parte dessa geração está aqui, mostrando um pouco do que sentiram e presenciaram naquela época.

Espero que apreciem os textos elaborados pelos colaboradores do Patativa da Bola.:

Alexandre Bianchini,
Mario Gambetti,
César Augusto de Oliveira e
Sérgio de Oliveira.







A PERDA DA INOCÊNCIA
Por Alexandre Bianchini


O país esperava muito da seleção de 1982. Tínhamos perdido o “Complexo de vira-latas” com o título de 1958, reafirmado o bom momento com o título de 1962 e sofrido um tropeção em 1966, mas recuperado a confiança com o inédito terceiro título em 1970, com uma mescla de jogadores experientes dos títulos anteriores e novos talentos. As copas de 1974 (vítimas da magia tática da Laranja Mecânica) e 1978 (onde perdemos o título numa semi final, digamos, estranha) não tinham sido suficientes para abalar a confiança no talento do jogador brasileiro, que encantava a torcida com seu futebol arte.

Temos ainda de situar historicamente a coisa: o último título tinha vindo no momento em que o regime militar começava a esticar suas asas. O AI-5 tinha apenas 2 anos, e militantes da esquerda acreditavam que a solução para o fim do regime militar era a luta armada, que tinha sido bem sucedida na Rússia pós 1ª Grande Guerra e em Cuba, mas que já tinha fracassado na vizinha Bolívia. O futebol serviu para “distrair” a atenção popular dessa situação interna conflituosa. Em 1982, o país vivia uma fase de abertura democrática gradual, com a população empolgada, a MPB passando por um auge após o relaxamento da Censura, eleições livres e com a participação de mais partidos (no regime militar tínhamos apenas a Arena – governista – e o MDB, para onde foi a oposição que não foi cassada e/ou exilada), e essa “onda positiva” se refletia no “escrete canarinho”.

O time de 1982, no papel, era excelente. Que seleção poderia escalar jogadores do calibre de Careca, Eder, Sócrates, Serginho, Zico, Falcão, Cerezo, Júnior e Leandro? Um time que jogava com habilidade, toque de bola refinado, e mesmo os integrantes mais “trombadores” eram habilidosos. Não tinha como não dar certo. Não era um time que fosse muito eficiente na defesa, mas o ataque compensava com louvor essa deficiência – ou característica, como preferem alguns. Enquanto os europeus se agarravam à ortodoxia do futebol de resultados, o Brasil tinha um time de virtuoses, que “jogava por música”, um time que relembrava épocas mais inocentes, a pureza do futebol arte.

Admito que minhas lembranças do jogo em sí não eram das melhores, então fui buscar as imagens no São You Tube para relembrar o que tinha acontecido com a “seleção dos sonhos” e como esse sonho virou pesadelo. Pesquisei diversas imagens, e paradoxalmente as que encontrei em melhor estado estavam justamente com narração em italiano... Ví e reví as imagens, conversei com colegas mais velhos que se lembravam melhor da partida, e não encontrei uma certeza. Itália merecia ganhar? Brasil merecia perder? Onde a partida foi ganha pela Itália? Onde o Brasil a perdeu? Mesmo vendo a gravação na íntegra do jogo (sim, o You Tube a tem...) não dá para encontrar uma resposta defintiva para essas questões.

Um amigo sustenta a tese que o que selou a eliminação do Brasil foi o 3º gol italiano, fruto de uma bobagem homérica da defesa brasileira, onde um recuo de bola para o goleiro absolutamente desnecessário originou o 1º escanteio que a Itália cobrou no jogo e que resultou no gol.

Minha tese é um pouco diferente: o Brasil perdeu o jogo no 2º gol italiano. Vejamos: a Itália fez o 1º gol com 5 minutos, numa distração da zaga brasileira. O Brasil reagiu e no 12º minuto empatou. Até aquí, tudo bem, OK? Aí, numa saída de bola em que Valdir Peres colocou a bola em jogo com a mão na direção do lateral direito, este preferiu passar a bola para o lado ao invés de a lançar para o ataque. O jogador que a recebeu também preferiu passar a bola para o lado – afinal, para que a pressa? O talento e o futebol arte acabariam vencendo, como já tinham vencido anteriormente na primeira fase da Copa e no jogo contra a arquirrival Argentina. O jogador com a bola, Cerezo, poderia ter passado a bola para frente, devolvido para o lateral direito, feito um lançamento longo... ao invés disso, preferiu manter a bola na defesa. Tinha 3 jogadores à sua esquerda (Oscar, Luizinho e Falcão), e poderia ter passado a bola diretamente para qualquer um deles. Lançou a bola no meio deles, afinal, como jogadores habilidosos qualquer um deles poderia dar prosseguimento à jogada. Nenhum viu Paolo Rossi, que já tinha feito o primeiro gol, marcando a saída de bola. Na hesitação de quem iria pegar a bola, Rossi correu, dominou a bola, foi na direção do gol e chutou na saída de Valdir Peres, colocando a Itália novamente na frente. A imagem pós gol é emblemática: os jogadores voltam na direção do meio campo cabisbaixos, sem acreditar no que tinha acontecido. Psicologicamente derrotados. A partir desse momento, os jogadores brasileiros passaram a errar jogadas de ataque e chutes a gol que normalmente acertariam. Tanto que o segundo gol do Brasil veio apenas no 2º tempo, num chute a distância de Falcão. Sete minutos depois, a falha de Luizinho, recuando de cabeça para o goleiro uma bola que ele poderia perfeitamente ter deixado passar, dominado com os pés e passado para o meio de campo brasileiro – o jogador italiano mais próximo estava a mais de 4 metros de distância –, mas que resultou no escanteio e no 3º gol italiano.

Depois disso o Brasil foi para o ataque, mas a Itália fez o que sabia fazer de melhor – se fechara na defesa – e só não ampliou o placar num contra ataque pois o bandeirinha viu um impedimento inexistente no lance do 4º gol italiano. E assim o Brasil foi eliminado da Copa de 1982.

Foi o momento da perda da inocência. Dalí para frente, o Brasil ainda teria um time que jogava bonito na Copa de 1986 (onde foi eliminado nas quartas de final pela França), teve um amontoado de jogadores ao invés de um time na Copa de 1990 e só voltaria a ser campeão na Copa de 1994, onde os habilidosos Romário e Bebeto eram o toque de arte numa seleção defensiva dominada pelo “xerifão” Dunga. Uma seleção que venceu mas não convenceu, e que como compensação trouxe o caneco de campeão para casa, ao contrário da talentosa seleção de 1982.











O BOTECO E O GUARANÁ
Por Sérgio Oliveira

O boteco cheio. É quase hora do jogo. Eu ainda era criança, continuo sendo quando lembro daquela época. O mascote é minha maior e mais querida lembrança. A Copa da Espanha foi o meu primeiro contato com a competição mais importante do mundo. Não sabia ainda a dimensão de tudo aquilo. Só sabia que o boteco estava cheio. Desce mais um guaraná, hoje é dia. Os comentários de que a Seleção Brasileira de Pelé havia renascido naquele ano, depois de doze anos do último título nacional.

Exagero ou não, a seleção marcou história. Marcou não apenas pelos números, mas pelo jeito. Parte dela formada de um time que arrancava risos e sorrisos dos torcedores, o Flamengo. Outra parte dos melhores jogadores dos times espalhados pelo Brasil. Naquela oportunidade estavam os melhores em campo, sem bandeira ou politicagem. No banco um gênio: Telê Santana. Técnico que tinha na bagagem apenas  alguns títulos estaduais como treinador. Foi ele quem recriou para o mundo o futebol arte.

Era dia da seleção. Dia em que a nação parava. Ninguém hoje imagina uma única torcida de futebol, com a mesma bandeira, as mesmas buzinas e as ruas cheias. Na parte da manhã ajudei pintar as ruas com as cores do Brasil; eu estava agora no boteco. E ele estava cheio. Mais um guaraná? Guaraná que era nome genérico de qualquer refrigerante. Tempo ufanista, talvez. As ruas pintadas, pessoas eufóricas. Homens, mulheres (quando não era tão comum mulher gostar e acompanhar futebol); todos estavam com o Brasil em campo.

Chegando a hora, vamos embora. O boteco iria continuar cheio. Entro na sala e fico perto da televisão. Não lembro quem narrava, nem lembro de todos os jogadores. E resolvi escrever assim mesmo, com a falta de nitidez do tempo. Quem são eles? Lembro-me de Sócrates, Zico, Falcão e Éder. Lembro-me de Valdir Peres e Toninho Cerezo. E lembro dos gols. Gols maravilhosos. Lembro-me que apenas a seleção brasileira possuía a bola. Algo que o Barcelona anda fazendo; para referência dos novos idolatras do futebol arte.

Mas lembro o desânimo do final do jogo. Lembro que alguma coisa não tinha dado certo. Afinal, como um time daqueles poderia perder? Pois, a derrota ficou no passado como uma injustiça. E do time fantástico ainda recordamos de forma nostálgica, romântica  e entusiástica. O Brasil é o país do futebol! Nunca tinha visto o Brasil ser campeão! Um time como aquele, então, seria maravilhoso. Não apenas os brasileiros ficariam felizes, mas o mundo inteiro. O nascimento de um futebol que até hoje queremos ressuscitar, mas que sempre perde fôlego quando o negócio é resultado. Perdeu. Derrota tão incompreensível como tantas que acontecem por ai. Perdeu como faz parte o mundo do futebol.

O boteco estava cheio, mas o barulho era diferente. Eu na sala não sabia se chorava ou se voltava para a ficção da infância. As coisas são mais fáceis quando somos crianças. Mas alguma coisa ficou estranha, alguma sensação que até hoje incomoda. Aquela da injustiça, da derrota ser amarga, imerecida. Não compreendo ainda, depois de tantos anos, que o direito do futebol é torto para muita gente. Brasil da Copa de 1982 foi uma das mais belas equipes de futebol, mas assim como outras seleções grandiosas, venceu apenas na história.

As ruas foram perdendo as cores durante os anos. O brilho da seleção brasileira ainda ficou fortalecido por mais algumas copas. Mas o futebol tinha mudado seu curso (mais uma vez), pegando um atalho que até hoje faz sucesso; com o futebol defensivo; tacanho e covarde. E nossa nostalgia é livre e honesta, quando queremos rever a seleção brasileira em algum momento jogando por ai; mas ao mesmo tempo é fingida; já que nos torcedores nos acostumamos com o futebol de resultados.

O boteco continuou cheio em 1994, mas o barulho era diferente.







A ESTREIA
Por Mário Gambetti.

Estava chegando a hora. O clima de Copa do Mundo já estava tomando conta de todos: ruas pintadas, decoradas com bandeirolas, propagandas na TV com álbuns de figurinhas, promoções, e jogos já sendo televisionados. Claro, que para mim (um garoto de 8 anos) tudo aquilo era uma novidade.

Morava ainda com meus avós e tios, que ainda estavam para casar. Muita gente em casa, e quando tinha jogo de Copa, se transformava num verdadeiro evento, com a casa cheia de gente pois também havia convidados. Muita expectativa e otimismo para a estreia da Seleção Brasileira na Copa, pois tínhamos um baita time e um técnico que era praticamente uma unanimidade. Minha mãe trabalhava numa loja, e comprou pra mim uma camisa do Brasil e algumas bandeiras de plástico, que vendiam muito naquela época. Um bandeirão verde-amarelo também foi estendido na janela da sala que ficava na parte superior do sobrado.

Voltemos agora ao dia 14 de junho de 1982. Brasil x URSS, jogo da estreia da Seleção. Na sala, todos já reunidos:

“Futebol de laboratório”, um dos comentários na sala que lembro pouco antes de começar a partida contra a União Soviética: “É um futebol baseado no preparo físico” tentava explicar alguém. Outra pessoa (meu tio, se não me engano) dissera: “Futebol de laboratório é um estudo que se faz para saber qual o melhor jogador para cada posição” (complementava, e certo ou não, esta deveria ter sido a explicação mais contundente, pelo menos para mim). A verdade é que o tal “futebol de laboratório” dos soviéticos foi um termo que surgiu na Copa de 1958 e não em 1982. Também não sei se o pessoal sabia disto. Mas isto eu só descobriria muitos anos mais tarde. Foi com esta formação que a Seleção estreou na Copa da Espanha, em Sevilha: Valdir Peres, Leandro, Oscar, Luizinho, Júnior; Falcão, Zico, Sócrates; Dirceu (Paulo Isidoro), Serginho e Éder. 

Começa o jogo e a seleção canarinho, é quem comanda as ações do jogo, atacando a URSS. Mas por volta dos 30’ do primeiro tempo, o tal do Bal arrisca um chute de fora da área e Valdir Peres engole um frango. Aí... já viu. Indignado, me dirigi ao meu tio (aproveitando o coro da sala que reclamava do goleiro) e disse: “Tá vendo. O Valdir Peres é frangueiro!” Meu tio (são-paulino) tentou defendê-lo: “Não é não!”. Fim do primeiro tempo, e o tal do “futebol de laboratório”, vencia o futebol-arte por 1x0.

Na segunda etapa, um verdadeiro massacre da Seleção. Foi a hora de aparecer o goleiro Dasayev. “Este tal goleiro de laboratório pega tudo mesmo”, parecia que a bola nunca iria entrar. Dasayev aguentou bem o bombardeio. Até aparecer a genialidade de Sócrates. Aos 30’ ele se livrou de dois soviéticos e chutou de fora da área no ângulo direito do goleiro. Que golaço! Que vibração! Rojões por toda parte. A angústia pelo gol havia terminado, nós comemorávamos e eu vi, em forma de pintura, o primeiro gol da Seleção Brasileira em uma Copa do Mundo.

Mas queríamos mais. E o segundo gol veio aos 42’. Passe de Paulo Isidoro (que fez um partidaço quando entrou no segundo tempo) para Falcão que deixara a bola passar no meio das pernas, chegando a Éder que deu um leve toque, levantando a bola e enganando o goleirão Dasayev, que como um robô enferrujado nem se moveu. Outro golaço, e eu corria feito um besta pela casa querendo abraçar quem estivesse na minha frente, afinal todos também se abraçavam e se cumprimentavam. Que alegria foi.

Primeiro desafio vencido: 2x1 e o tal futebol de laboratório não nos botava mais medo. Encerrava-se uma invencibilidade de 23 jogos da União Soviética. 32 finalizações brasileiras contra 7 soviéticas. A Seleção era puro ataque e pura arte. Buzinaços nas ruas, rojões e aquelas comemorações que virariam depois rotina. Mas para mim todo este clima e comemorações ainda eram novidade. Afinal foi apenas a estreia. A da Seleção Brasileira naquela edição, e a minha, em Copas do Mundo. Há 30 anos...






O DIA QUE NÃO ACABOU
Por César Augusto de Oliveira

É bom demais ter sete anos. Principalmente quando você é garoto, no Brasil, e gosta de futebol (oras, que garoto de sete anos não gosta?) e, em ano de Copa do Mundo, então, é o paraíso na terra. O sonho, ou melhor, a Copa do Mundo, começa muito antes do apito inicial. Sabem todos aqueles Guias da Copa, que são publicados em tudo quanto é jornal, revista, caixa de sucrilhos e bula de remédio? Pois bem, guardei todos durante semanas. Todos eles tinham alguma informação valiosa ao pequeno fã de futebol. “O que significa mesmo essa sigla da União Soviética? Ah tá, União das Repúblicas Socialistas Soviéticas”. “Como é mesmo o nome do craque da Alemanha Ocidental? Eu sei, é o Karl Heiz Rummenigge”. Se não tinha a informação no Guia, o jeito era buscar na Enciclopédia Barsa e, se nessa também não tinha, era porque a informação nem era tão importante. Deixa pra lá.

Da nossa seleção eu sabia o nome, posição e clube em que jogava cada um de nossos craques. Nem podia ser diferente. O Brasil parava pra assistir todo e qualquer amistoso preparatório. Se durante o jogo da seleção não tivesse uma televisão ligada no escritório ou na repartição era certeza que algum torcedor mais aflito ia sair para um café ou um cigarro e dar aquela bisbilhotada no jogo. Acompanhei todos os jogos amistosos e as partidas das Eliminatórias. Iríamos para o Mundial para levantar o caneco, sem sombra de dúvidas. E eu estava feliz por fazer parte de um momento tão importante, talvez o mais importante e solene da minha existência de apenas sete primaveras.

A abertura da Copa, num sábado, foi demais. Argentina e Bélgica fizeram um jogo tenso, nervoso, só não estavam mais tensos do que eu, que praticamente não dormi na noite anterior e, ainda, após o jogo tive que anotar o resultado do match em cerca de cinquenta tabelas da Copa que estavam espalhadas pela casa. O dia da estreia da nossa seleção só aumentou a expectativa inicial. O jogo ia ser duro. A gente ia enfrentar os russos da União Soviética e o seu goleiro Dassaev. O medo tornou-se realidade no gol soviético. Um chute de longe que o nosso Valdir nem viu. Saímos para o intervalo perdendo o jogo e eu, a paciência. Mas, no segundo tempo, em dois lances geniais do Sócrates e outro do Falcão que culminou no golaço do Éder viramos o jogo e ganhamos na estreia. Noite de festejar nas ruas, com direto a buzinaço e fogos de artifício.

Passado o susto inicial a nossa seleção começou a jogar o seu melhor futebol, com passes precisos no meio campo, tabelas, triangulações, enfim, com muito daquilo que convencionamos chamar de futebol-arte. Ganhamos com facilidade da Escócia e da Nova Zelândia. A festa, a empolgação tomou conta do nosso país, ou melhor, do meu bairro, o que para um garoto de sete anos é quase um mundo inteiro. A Copa só não era melhor porque as aulas ainda não tinham acabado. Era difícil chegar em casa no início da tarde, assistir ao jogo das 12 horas, estudar e ainda acompanhar o jogo das 16 horas. Rotina difícil, mas que tinha data pra acabar. Dia 05 de julho era o último dia de aulas e, depois, férias, ou melhor, eu poderia dedicar todo o meu dia à Copa do Mundo, principalmente ao hábito de organizar as minhas tabelas que já estavam desatualizadas.

A segunda fase do Mundial estava pra começar e o nosso time ia enfrentar a Argentina e a Itália. Sabia que a Argentina era a atual campeã (informação do Guia) e que tinha um jovem muito talentoso na sua equipe, um tal de Maradona. Confesso que não achava esse time argentino tão bom assim e, de mais a mais, o Guia não falava nada que esse país vizinho era o nosso maior rival. No jogo contra Argentina o nosso time estava bem relaxado, tocando a bola. Alguns argentinos ficaram um pouco nervosinhos e abusaram da pancadaria. O Maradona pareceu-me um jogador sujo, não no seu futebol, mas, no cabelo mesmo. Achava que aquela cabeleira devia estar cheio de piolhos, afinal, não por outro motivo, as professoras mandavam a gente manter o cabelo bem cortadinho. Ganhamos tão fácil que nem fiquei preocupado. Pude curtir cada lance daquele jogo e da atuação do Zico. Pelo que vi até aquela altura ninguém podia segurar o nosso time. Passadas as festas juninas, quadrilhas e outros festejos era chegado o último dia de aulas, o último sinal de chamada, a última recomendação da tia, como eram carinhosamente chamadas as nossas professoras; “Não esqueça de cortar o cabelo, hein!” Tá vendo Sr. Maradona?

Naquele dia o jogo era contra a Itália, o mesmo time que empatou com os Camarões (um país com nome de petisco de praia?). Almocei tranquilo, sem pressa alguma. Cada garfada uma plano para aquelas férias de muito futebol. Nem me importei tanto quando o Luciano do Valle que, num grito abafado, sem empolgação alguma narrou o primeiro gol italiano. Alguém grita da sala: “Foi gol deles!” Sem pânico, afinal, isso já aconteceu em outras partidas. E quem tem Zico, Sócrates, Falcão, Cerezo, Junior e Serginho não fica preocupado com gol de Itália nenhuma.  Nem bem tomei o meu assento no sofá e o nosso Doutor Sócrates empata o jogo.  Quase no final do primeiro tempo perdemos uma bola na intermediária e os italianos marcam de novo. 2 a 1 e final de primeiro tempo. Só precisamos de um empate pra classificar. E o fizemos da forma mais espetacular possível. Numa trama de nosso meio campo o Falcão empatou o jogo e tranquilizou a nossa torcida. Mas, por incrível que pareça, logo em seguida os italianos desempataram. 3 a 2 e pouco tempo no relógio. Pressionamos o adversário e até conseguimos um ultimo lance, mas, o goleiro deles defendeu. O árbitro apita o final do jogo.

Como assim final de jogo? É só isso? Estamos fora da Copa? E as minhas férias? E as minhas tabelas, os meus guias? Acabou tudo? Quando você é um menino de sete anos de idade sonha em ser o rei do mundo, de um mundinho bem pequeno, pra falar a verdade. Aquele era o meu mundo, a única coisa que realmente importava e sobre a qual eu pensava ter o domínio. A Copa, com todas as suas cores, bandeiras, camisas, tabelas e guias era o meu reino. E, de uma hora pra outra o reino caiu.  Nem sei se, na época, eu tinha a exata dimensão do que era um jogo de futebol. Acho que até hoje não sei. Não consegui sentir raiva ou pena de nossos jogadores. Nem tampouco coloquei a culpa no nosso técnico. Nada disso. Afinal, como bem disse o Jorge Mautner em uma de suas pérolas: “tristezas são belezas apagadas pelo sofrimento ”. A minha sorte foi ter apenas sete anos. Nessa idade nenhum sofrimento, por mais profundo que seja, é tão duradouro. No dia seguinte, primeiro dia de férias, um céu ensolarado dá as boas vindas aos jovens torcedores. Enquanto alguns já preparam o cerol para as suas pipas maranhão outros começam a separar os times na quadra da pracinha. Será que eu consigo jogar no próximo?

Enfim, nem o futebol, nem o meu mundo acabou. Permanece aquele distante dia 05 de junho de 1982 na memória, vindo à mente como uma miragem, de tempos em tempos,lembrando, caso algum dia eu esqueça, do quão belo pode ser o jogo de futebol, mesmo que o placar, ao final do jogo, não dê tantos motivos para celebrar.






sexta-feira, 25 de maio de 2012

Histórias do Brasileirão versão 2012 volta para o ano de 1965... a saga continua.


À parte dos nebulosos acontecimentos do ano anterior a Confederação Brasileira de Desportos  (CBD) iniciava a organização da Taça Brasil de 1965. Com a proximidade da Copa do Mundo da Inglaterra, em 1966, o torneio nacional não classificaria representantes para a Taça Libertadores da América do ano seguinte. Todo o sacrifício valeria a pena para o então inédito tricampeonato mundial de futebol em campos ingleses. A edição do torneio nacional daquele ano contou com a participação de 22 clubes. Eram eles: Santos-SP, Vasco da Gama-GB, Náutico-PE, Palmeiras-SP, Grêmio-RS, Fortaleza-CE, Siderúrgica-MG, Vitória-BA, Remo-PA, Atlético-GO, Campinense-PB, Olímpico-SC, Sampaio Correa-MA, Desportiva-ES, CRB-AL, Grêmio Maringá-PR, Sergipe-SE, Alecrim-RN, Eletrovapo-RJ, Flamengo-PI, Nacional-AM, Guanabara-DF.
Entre os clubes participantes, algumas agremiações tradicionais (Santos, Vasco da Gama, Náutico, Palmeiras, Grêmio, Fortaleza), disputavam a mesma taça que outras bem menos expressivas (Olímpico, Sampaio Correa, Desportiva, Sergipe, Alecrim) e outras tantas que sequer sobrevivem atualmente no futebol profissional (Siderúrgica, Eletrovapo e Guanabara). A presença de gigantes do futebol brasileiro com equipes praticamente amadoras assemelhava a Taça do Brasil da época com a atual Copa do Brasil.
Nesse particular, vale destacar o bravo time da Associação Atlética Guanabara, da recém inaugurada Brasília, que nada mais era do que o clube dos funcionários da Câmara dos Deputados, que se mudaram do Rio de Janeiro para a nova capital federal. Ou ainda, o time da Eletrovapo, clube que na sua origem, oito anos antes, foi fundado por funcionários da empresa portuguesa de serviços marítimos (Cia. Eletrovapo de Serviços Marítimos) e que terminou a competição daquele ano invicto (03 empates). Só o platinado Santos FC conseguiria repetir tal façanha naquele ano (03 vitórias e 01 empate). Os dois clubes, infelizmente, encerraram as suas atividades no esporte profissional pouco tempo depois, deixando gerações e gerações de funcionários dos serviços marítimos e da câmara dos deputados órfãos.
Melhor sorte desfrutou o Esporte Clube Siderúrgica, de Sabará/MG, que naquele mesmo ano de 1965, pela Taça Brasil, pôde ostentar, com orgulho o título de primeiro time mineiro a jogar uma partida interestadual no recém inaugurado Mineirão, vencendo o Atlético-GO por 3 a 1. Aliás, por falar em Mineirão, o ano de 1965 foi marcado, também, por um fato que nos dias atuais pode parecer insólito, mas, perfeitamente compreensível naquela época; em 07 de setembro, a Seleção Brasileira jogou um amistoso contra a Seleção Uruguaia no imponente estádio mineiro. A curiosidade do jogo foi o fato de que o time brasileiro foi representado, do goleiro ao massagista, pela Sociedade Esportiva Palmeiras. Isso mesmo. Entusiasmada com o sucesso que a Academia fazia nos gramados daqui, a CBD resolveu homenagear o clube paulista com a honraria de representar o nosso futebol. Pela primeira vez na história o Palmeiras foi o Brasil em campo. E foram bem, ganhando dos uruguaios por 3 a 0.
A iniciativa deu tão certo que a CBD concedeu a mesma honraria outra vez, naquele mesmo ano, ao chamar o Corinthians para representar a seleção brasileira numa amistoso contra o Arsenal da Inglaterra. Santa politicagem! O resultado dentro das quatro linhas não foi o mesmo e o time corintiano perdeu para os ingleses por 2 a 0, em Londres. Os jogos em si, não tiveram lá grande importância na história da Seleção, mas, obviamente, devem servir de motivo de orgulho para os jogadores e torcedores das duas agremiações. Pensar em algo do gênero nos dias atuais soaria como delírio romântico. A Seleção precisaria fazer cerca de 40 amistosos por ano para acomodar toda a vaidade dos cartolas tupiniquins.
Voltamos, então, à Taça Brasil de 1965. Os campeões de São Paulo (Santos) e o da Guanabara (Vasco da Gama) entravam na semifinal da competição, prática muito parecida com aquela utilizada pela Fifa no seu atual Mundial Interclubes; vários times são convidados para uma mesma competição, mas, recebem um tratamento pra lá de diferenciado. Nas semifinais o Vasco da Gama passou pelo bom time do Náutico em dois jogos (2 a 2 e 1 a 0) e o Santos, como já era de costume, entre uma excursão e outra entrou em campo duas vezes para superar o Palmeiras (4 a 2 e 1 a 1). A decisão da Taça Brasil daquele ano não teria surpresa. Santos e Vasco na final. No primeiro jogo no Pacaembu, o Santos atropelou os cruzmaltinos por 5 a 1, tornando o jogo de volta, no Maracanâ, quase que um jogo de entrega de faixas. Em gramado carioca os santistas venceram novamente, desta vez por 1 a 0, faturando o título pela quinta vez consecutiva. Poderiam até ganhar a sexta taça, no ano seguinte, se não fosse um tostãozinho de gente pra acabar com festa. Mas essa é uma história, para um outro texto.

   

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

A saga santista continua. Só que desta vez ao ritmo dos Reis do iê, iê, iê

Algumas da mais marcantes imagens e histórias que definiram o mundo tal qual conhecemos hoje, talvez tenham ocorrido num mesmo ano; o ano de 1964. É quase como imaginar que o mundo vivia dias de entediante calmaria e, num piscar de olhos, uma série de eventos ocorreram nas artes, no esporte, na política alterando definitivamente os rumos da história.

É inevitável pensar no que seria da questão Israel e Palestina hoje se não fosse a criação da Organização para Libertação da Palestina – OLP naquele ano de 1964, levando ao mundo a sua reivindicação por um território livre, seja no diálogo ou utilizando formas de convencimento menos diplomáticas. Se naquele momento o mundo dava um passo adiante na desinteligência de diversos atos de violência e retaliação que ocorreriam nas décadas seguintes, por outro lado, o Prêmio Nobel da Paz, concedido a Martin Luther King, com seu discurso agregador, abriria uma página de esperança na triste história da segregação racial americana, elevando o seu ganhador à condição de grande líder mundial.

Longe dos holofotes de Estocolmo o advogado sul-africano Nelson Mandela era condenado à prisão perpétua por conspirar contra o governo e por sabotagem. Era apenas o início de uma jornada que percorreria quase 03 décadas

Por falar em início, talvez nenhum lançamento na história da música tenha sido tão devastador quanto a chegada dos Beatles aos Estados Unidos. A banda britânica logo de cara emplacou 02 hits nos primeiros lugares da parada Billboard – I want to hold your hand e She loves you – além de protagonizar uma das mais célebres apresentações ao vivo da história da televisão, ao aparecerem no popularíssimo Ed Sullivan Show.

No esporte, a grande novidade ocorreu nos Jogos Olímpicos de Tóquio, mas, não nas pistas, piscinas e quadras, mas sim, no ar. Pela primeira vez um satélite de comunicação pode transmitir ao vivo o evento para outros continentes cruzando o oceano Pacífico. Novo também era Cassius Clay, que viria a ser conhecido posteriormente como Muhamad Ali, quando tornou-se o mais jovem campeão do mundo dos pesos pesados.

Pelas bandas de cá a situação estava confusa pra muita gente. Primeiro, o presidente era quase que diariamente achincalhado pela oposição, pela imprensa, pelo empresariado e “alto clero” que protestavam contra as propostas reformistas do governo federal que classificavam de comunistas; o que era inaceitável. Depois o presidente, com o apoio apenas de sindicalistas, políticos liberais e estudantes discursa a todos os pulmões na Central do Brasil anunciando a ruptura do governo com as alas mais conservadoras da sociedade. Dias depois, fuzileiros navais de metralhadoras carregadas invadem a redação do Jornal do Brasil, no Rio de Janeiro, uma Junta Militar assume o poder, muita gente é presa sem mandado e sem motivo aparente e o então ex-presidente vai pro Uruguai e de lá não volta mais. Estranho não?

E pensar que toda essa balburdia permaneceria desse mesmo jeitinho até o povão voltar às ruas e clamar pelo direito de escolher livremente os seus governantes. Mas até lá seriam vinte longos anos.

Por essas e outras o futebol continuava sendo o grande lazer popular nos idos dos anos 1960. Do almofadinha perfumado ao pobretão mais maltrapilho, de norte a sul desse país, todos acotovelavam-se nas arquibancadas, alambrados e “gerais”, por noventa minutos para aplaudir, protestar, reivindicar, xingar, gritar e cantar. Se na rua o brasileiro não podia fazer nada disso ou, se podia, deveria pensar duas vezes em quem xingar, aplaudir, ou por quem reinvindicar, sob pena de levar uns pescoções ou, pior, uma estada não muito prazerosa no distrito policial, no campo de futebol não havia restrições. Por muitos anos os campos de futebol foram palanque e urna do brasileiro.

O Santos ainda era ainda o time que mandava na bola. Também pudera, com os craques que dispunham em suas fileiras, até mesmo um jogo entre o alvinegro santista e o Caixa-prego Futebol Clube era tratado com status de grande exibição cênica com Pelé sendo o grande astro da companhia. Com a concorrência do prestigiadíssimo Troféu Roberto Gomes Pedrosa (Torneio Rio-São Paulo), que lotava estádios e movimentava a opinião pública, a CBD organizou mais uma edição da Taça Brasil, que indicava o representante brasileiro para a Libertadores do próximo ano.

A idéia não era fazer um torneio com chances iguais para todas as equipes, mas sim, garantir o maior número de federações representadas e, lógico, organizar uma grande final entre os representantes de São Paulo e Rio de Janeiro. Para muitos que ainda torcem o nariz para a equiparação desses títulos ao campeonato brasileiro (inclusive eu), deve-se reconhecer que naquela época seria impensável organizar um verdadeiro campeonato brasileiro de futebol. Imagine um país de dimensões continentais, sem transmissão de dados via satélite, com sistema aeroviário incipiente e com apenas uma rádio de penetração em quase todo o território nacional. Além disso, o torcedor de verdade não estava nem um pouco interessado nesses embates interestaduais, pois, o que valia mesmo era ganhar o campeonato estadual.

De qualquer maneira, a CBD fincou pé no torneio nacional e, em julho de 1964, vinte e duas agremiações iniciaram a disputa do título brasileiro. Foram elas: Santos (SP), Flamengo (RJ), Ceará (CE), Palmeiras (SP), Atlético (MG), Fluminense (BA), Náutico (PE), Metropol (SC), Confiança (SE), Rio Branco (ES), Paysandu (PA), Grêmio (RS), Campinense (PB), Maranhão (MA), Vila Nova (GO), Grêmio Marigá (PR), River (PI), CSA (AL), Cruzeiro do Sul (DF), Nacional(AM), Goitacaz (GB) e Alecrim (RN). Como nas edições anteriores as primeiras fases foram eliminatórias nas regiões das agremiações. Os campeões do Rio e de São Paulo entravam na fase semifinal. Como o campeão bandeirante foi o Palmeiras restou ao Santos buscar uma “difícil” vaga para as semifinais contra o Atlético (MG). Passeou. 4 a 1 e 5 a 1.

Para não deixar dúvidas, passaram pelo Palmeiras também (3 a 2 e 4 a 0). Na final o adversário era o Flamengo, que começava a ganhar respeito dos paulistas com um time sem grandes craques, mas, com jogadores extremamente voluntariosos e raçudos. Era, talvez, o início da mística rubro-negra. Mas, como naquela época não existia evento sobrenatural capaz de parar o time do Santos, o Flamengo foi derrotado no primeiro jogo, no Pacaembu, com sonoros 4 a 1. Na partida de volta, três dias depois, restava ao rubro-negro somente uma despedida honrosa com vitória no Maracanã, mas, num jogo morno, os times empataram em 0 a 0 para a frustração de mais de 50 mil pagantes.

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Por aquí, lá e acolá quem mandava na bola era o Santos.

Falar sobre o ano de 1963, , é mergulhar um pouco na história de um ano repleto de eventos, com desdobramentos que transformaram a cultura, a política e o esporte em nosso país. Se no início daquele ano o presidente João Goulart poderia comemorar o retorno do país ao regime presidencialista, a verdade é que o seu governo progressista, apoiado em reformas necessárias, mas, contrárias aos interesses dos setores mais conservadoras do país, parecia estar com os dias contados. A intensa agitação política daquele ano deixava evidente o desfecho trágico que ocorreria no ano seguinte.

No esporte, após aquela gloriosa vitória do time canarinho em gramados chilenos, no ano anterior, o país tinha mais uma razão para bater no peito orgulhoso da sua nacionalidade: o basquete, ou como diriam na época a bola ao cesto. O time liderado por Amaury Passos e Wlamir Marques tornava-se bi campeão mundial. Um delírio, talvez até maior que a coroa de Miss Universo entregue à gaúcha Ieda Maria Vargas, também em 1963.

Foi nesse clima de orgulho nacional, a tal da febre do “com brasileiro não há quem possa” que a CBD organizou mais uma edição da Taça Brasil, com a participação de 20 campeões estaduais. Além de os campeões de São Paulo e Guanabara já entrarem na fase semifinal, a confederação conseguiu criar uma pirâmide social entre os clubes participantes na qual o time de mais tradição entrava sempre em uma fase posterior. Se a separação dos clubes por tradição histórica é difícil nos dias de hoje, que dirá na década de 1960 quando, raramente, os clubes faziam confrontos fora de seu próprio Estado.

Participaram do torneio: Campinense/PB, ABC/RN, Capelense/AL, Confiança/SE, Ceará/CE, Bahia/BA, Sampaio Correia/MA, River/PI, Paysandu/PA, Sport/PE, Defelê/DF, Vila Nova/GO, Fonseca/RJ, Rio Branco/ES, Atlético/MG, Londrina/PR, Metropol/SC e Grêmio/RS.

Bahia, Sport/PE, Atlético/MG e Grêmio/RS foram os campeões dos grupos regionais e tiveram que se enfrentar na fase seguinte para decidir quem jogaria as semis contra o Santos (Campeão Paulista) e o Botafogo (Campeão da Guanabara). Deu Bahia no confronto contra o Sport/PE e deu Grêmio/RS contra Atlético/MG.

Enquanto a bola rolava solta, o mundo curvava-se ao talento dos quatro rapazes de Liverpool que emplacavam o irresistível “She loves you” no primeiro lugar das paradas britânicas. Na banda de cá do Meridiano de Greenwich entrava no ar “2-5499 Ocupado”. Quem tiver curiosidade pode googlar o título. Pronto? E isso mesmo, caro leitor, a praga das telenovelas diárias começou aí. E, por incrível que pareça a novela foi estrelada pelo casal Glória Menezes e Tarcísio Meira. O sucesso da empreitada foi tão grande que o resto da história todos nós conhecemos. E dá-lhe correria para chegar em casa no dia do último capítulo da novela!

Voltando ao nobre esporte bretão, as semifinais foram disputadas entre Bahia e Botafogo, de um lado e, Grêmio e Santos de outro. Na primeira semifinal veio a surpresa; o Bahia conseguia superar o fantástico time do Botafogo em dois jogos (1 a 0 e 0 a 0). Na outra semifinal a zebra passou longe dos gramados e o Santos bateu o Grêmio, sem grandes dificuldades (3 a 1 e 4 a 3). Bahia e Santos na final, novamente, em clima de “negra”.

No primeiro jogo, no Pacaembu, o Santos goleou o time baiano com sonoros 6 a 0, com direito a chocolate e gols de Pelé (2), Pepe (2), Coutinho e Mengálvio. Vamos combinar que o jogo da revanche, disputado no Estádio da Fonte Nova foi só pra cumprir tabela. Depois de tomar um sacode daqueles, não havia nem clima para uma vitória do Bahia e, convenhamos, o gol do Pelé logo de início não ajudou muito. Final do jogo com o placar de 2 a 0 para os paulistas. O Santos já tinha conquistado o Brasil, as Américas e o Mundo, fazendo com que a letra daquela marchinha mudasse de “com brasileiro não há quem possa” para “com o Santos não há quem possa”.

Uma curiosidade sobre esse título santista veio estampada na edição da Gazeta Esportiva do dia 29 de janeiro de 1964. Em destaque maior está uma proposta de 1 bilhão de cruzeiros, feita por investidores corintianos para tentar tirar o Pelé do Santos. A empreitada não deu certo, mas, deixa claro que os jovens talentos santistas sempre foram o objeto de desejo do alvinegro da Capital.

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Os 14 dias que abalaram o mundo

O título do post não está errado. De fato, remete o leitor ao filme e livro "Os treze dias que abalaram o mundo" e que narram a crise dos mísseis soviéticos em Cuba, no ano de 1962. E aí retratada toda aquela tensão do que poderia ser a Terceira Guerra Mundial e, provavelmente, o fim da humanidade. Durante treze dias as grandes lideranças mundiais decidiam se o mundo ia acabar ou não. Haja pressão!

Se o impasse diplomático entre Estados Unidos e União Soviética pôde abalar o mundo no ano de 1962, o que dizer, então, da Taça Brasil daquele ano. Mais uma vez, a CBD convocava 18 campeões estaduais para disputar o torneio que definiria o representante do país na ainda jovem Taça Libertadores da América. Eram eles: Santos (SP), Botafogo (GB), Internacional (RS), Sport (PE), Campinense (PB), Cruzeiro (MG), Ceará (CE), Rio Branco (RJ), Metropol (SC), Bahia (BA), Paysandu (PA), CRB (AL), Santo Antonio (ES), Comercial (PR), Sergipe (SE), Sampaio Correa (MA), River (PI), ABC (RN).

Como os campeões de São Paulo e da Guanabara só entravam na fase semi-final do torneio, as primeiras rodadas não atraíram tanto a atenção da mídia e da torcida. Uma pena se considerarmos que o torneio teve a participação de gigantes do calibre de Internacional, Bahia, Sport e Cruzeiro.

Nas semi-finais coube ao campeão da Guanabara enfrentar os gaúchos do Internacional. Como esperado a disputa foi dura e decidida somente no terceiro jogo (expediente comum nos torneios da época, antes do invencionismo da disputa de pênaltis). Na outra semi-final o Santos não teve a menor dificuldade para superar o Sport, com um empate e uma maiúscula goleada por 4 a 0.

Chegava então o confronto mais esperado naqueles tempos. Assistir a um Botafogo e Santos era como assistir a um show dos Beatles e dos Rolling Stones no mesmo palco. O torcedor, independente de raça ou cor de camisa, sabia que quando esses dois times entravam em campo, estava presente o que havia de melhor em matéria de futebol. Jogadores do naipe de Gilmar, Manga, Zito, Nilton Santos, Coutinho, Garrincha, Pelé, Amarildo e Pepe. A realeza da bola estava presente.

A disputa começa no dia 19 de março de 1963, no Pacaembu. Jogando em casa, o Santos obteve um vitória apertada de 4 a 3 sobre os cariocas, deixando claro o equilíbrio entre as duas equipes. No jogo da revanche, no domingo de 31 de março, em pleno Maracanã, o Botafogo empatou a disputa com um vitória de gala por 3 a 1, para um público de mais de 102 mil pagantes, forçando a realização da terceira partida.

Era uma terça-feira, do dia 02 de abril, quando o Santos, abençoado pelos Deuses da Bola, se redimiu do tropeço do domingo e venceu o Botafogo por 5 a 0, diante de um público de mais de 70.000 pagantes, que, segundo o relato da Gazeta Esportiva do dia seguinte, "ignoraram a procedência do clube vencedor, vibraram e aplaudiram a exibição dos visitantes festejando cada gol, porque o importante era o espetáculo que estava sendo apresentado". E que espetáculo! O Santos era campeão novamente, com gols de Dorval, Pepe, Coutinho e dois do Rei que dispensa maiores apresentações.

Colocando o ano de 1962 na balança, a crise dos mísseis soviéticos em Cuba, nem abalou tanto assim o nosso mundo, mas, aqueles 14 dias de disputa entre Botafogo e Santos, aí sim.

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Uma vassourada santista nos baianos.

Um mundo diferente. Um Brasil diferente. O ano de 1961 seria um daqueles no qual a ordem mundial foi alterada. A vida política e social de nosso país também. Foi o início de uma série de eventos com implicações determinantes para a história.

O Santos já era desde anos atrás o melhor time de futebol do país. Pelé e sua corte desfilavam pelo mundo afora um padrão de excelência no jogo que era capaz de chamar a atenção do mundo para um espetáculo que fugia do óbvio, do previsível. Algo tão distinto que era capaz de paralisar cidades, vilarejos e, dizem, até mesmo guerras. E talvez fosse isso que o mundo mais precisasse no início da década de 1960.

A vassoura de Jânio Quadros prometia varrer a bandalheira, a corrupção, os desmandos e acabar com a inflação. A figura demagógica e pitoresca do presidente eleito, inflava os ânimos de uma nação sedenta de heróis, de salvadores, alguém que "batesse na mesa". Foi assim que, com o apoio de 6 milhões de brasileiros, Jânio tornou-se o primeiro presidente empossado na nova capital Brasília.

O mundo, por sua vez, sofria o efeito mais danoso do segundo pós guerra; a Guerra Fria entre Estados Unidos e União Soviética, que se alinhavam como as grandes potências do mundo. Uma guerra ideológica, social, militar, cultural, esportiva e tecnológica, mas, não declarada. Todo sujeito, de Nairobi à Santa Cruz de la Sierra tinha que se posicionar; ou era capitalista ou comunista. Talvez por isso, o feito do soviético Yuri Gagarin, que se tornou o primeiro homem a orbitar a Terra tenha sido tão comemorado pelo simpatizantes do socialismo. Isso porque desde 1960 os americanos já planejavam e anunciavam o vôo tripulado, entretanto, dificuldades técnicas retardaram o projeto, permitindo que os russos conseguissem o feito em 12 de abril e o americano Alan B. Shepard somente 20 dias mais tarde.

Enquanto isso, a nossa CBD organiza mais uma edição da Taça Brasil, contando com 17 campeões estaduais e mais uma equipe de São Paulo. São elas: ABC (RN), América (GB), Bahia (BA), Campinense (PB), Coritiba (PR), Cruzeiro (MG), CSA (AL), Fonseca (RJ), Fortaleza (CE), Grêmio (RS), Metropol (SC), Moto Club (MA), Remo (PA), Palmeiras (SP), Santos (SP), Santa Cruz (SE), Náutico (PE) e Santo Antonio (ES). A exemplo do ano anterior as disputas foram eliminatórias, com os campeões de São Paulo e Pernambuco entrando já na fase semi-final do torneio.

O bom time do Bahia sagrou-se campeão da Zona Norte de classificação, batendo o Fortaleza, enquanto que na Zona Sul, o Palmeiras, atual campeão, teve que superar o forte América carioca na final.. Entretanto, por uma dessas pérolas do regulamento, o Bahia teve que enfrentar o Fortaleza por mais 02 vezes, essas valendo pelas quartas-de-final da Fase Final do torneio. O mesmo aconteceu com o Palmeiras, que precisava superar o América do Rio em mais dois jogos. Deu pra entender? Pois é, isso já acontecia naquela época.

O presidente Jânio Quadros, talvez, tenha sido uma das figuras mais interessantes da política nacional, após a proclamação da República. Um sujeito que serviu de modelo e inspiração para marqueteiros políticos ao longo de décadas. Afinal, usar roupas populares, ser visto saboreando sanduíches de mortadela em público entre outras artimanhas são expedientes usados até hoje pelos políticos brasileiros. O Jânio era capaz de fazer duras críticas ao socialismo e, ao mesmo tempo, condecorar o Che Guevara com a Medalha do Cruzeiro do Sul. A contradição marcou o seu curto governo. Tão curto que, 25 de agosto, Jânio renunciou, um dia após o seu vice João Goulart ter dito que aquele planejava um golpe de estado.

Existem muitas suposições, mas, poucas certezas a respeitos dos motivos que levaram Jânio a renunciar. A verdade é que, independente do motivo, esse ato gerou uma crise política no país, com desdobramentos trágicos para a nação. A vassoura não varreu a bandalheira, corrupção nem tampouco a inflação, mas, por anos e anos varreu a possibilidade de esse país consolidar-se como um Estado democrático.

O Bahia se safou da maratona de jogos contra o Fortaleza e conseguiu a classificação para a semi-final. O Palmeiras, atual campeão, não teve a mesma sorte e foi eliminado pelo América do Rio. No clássico confronto entre paulistas x cariocas, os santistas levaram a melhor sobre os americanos em 03 jogos, sendo que as 02 vitórias paulistas foram de goleada (6x0 e 6x1), contra uma vitória magra dos cariocas (1x0). Na outra ponta das semi-finais, o Bahia superou o Náutico em 02 jogos (1x0 e 0x0).

A final era a chance de revanche entre o Santos e o Bahia, que ganhara o torneio 02 anos antes. No primeiro jogo, na Fonte Nova, empate de 1 a 1, para um público de mais de 40 mil pessoas. No segundo jogo, realizado no Pacaembu, para pouco mais de 18 mil pessoas, o Santos teve a sua revanche. Goleou os baianos por 5 a 1, com três tentos de Pelé e dois de Coutinho. A vassoura santista varreu os baianos do protagonismo do futebol nacional por quase três décadas.

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Aos acadêmicos da turma de 1960.

Após quase dois séculos de projetos, propostas e alguns devaneios, o Brasil finalmente muda a capital federal para o interior do país. A nova cidade, Brasília, voltava os olhos para o nosso interior, afastando o centro do poder de um litoral que, quase sempre, sonhava com o além mar.

A nova capital trazia consigo a esperança do sertanejo, dos desbravadores desse país, em um ano que já começava inovador na principal festa nacional; o Carnaval. Sob a batuta de Fernando Pamplona, os Acadêmicos do Salgueiro ganhavam o concurso de escolas de samba do Rio de Janeiro, com um inédito enredo sobre Zumbi dos Palmares, um personagem até então não-oficial da história brasileira.

O título da agremiação carnavalesca veio a calhar no ano de 1960, quando pela segunda vez a CBD organizava a Taça Brasil, torneio que serviria como classificatório para a Taça Libertadores da América. Mais uma vez a festa da bola foi reservada apenas aos campeões estaduais. Participaram do torneio: ABC (RN), Bahia (BA), Capelense (AL), Coritiba (PR), Cruzeiro (MG), Estrela do Mar (PB), Fluminense (GB), Fonseca (RJ), Fortalez (CE), Grêmio (RS), Moto Clube (MA), Palmeiras (SP), Paula Ramos (SC), Paysandu (PA), Rio Branco (ES), Santa Cruz (SE), Santa Cruz (PE).

O torneio foi dividido em três fases, todas em sistema eliminatório. Na primeira fase, os clubes foram divididos em quatro grupos, Grupo Nordeste, Grupo Norte, Grupo Leste e Grupo Sul. Na segunda fase, os vencedores dos grupos Nordeste e Norte disputaram o título de campeão da Zona Norte e os dos grupos Leste e Sul o da Zona Sul. A fase final foi disputada entre os campeões das Zonas Sul e Norte e os representantes dos estados de São Paulo e Pernambuco, inscritos diretamente nesta fase, pois, as seleções dos 02 Estados foram finalistas do prestigiado Campeonato Brasileiro de Seleções de 1959. Pelo visto, a exemplo do que aconteceu em 1959, era muito difícil elaborar um torneio que oferecesse chances iguais para todos os participantes. A receita do “quanto mais complicado melhor” já era uma mania nacional.

O embate ente cariocas (Fluminense) e paulistas (Palmeiras) finalmente ocorreu na fase semifinal. No primeiro jogo, no Pacaembu, empate sem gols. No segundo jogo, para uma platéia de 50.000 pessoas, no Maracanã, o Palmeiras assegurou vaga na grande final com uma vitória magra sobre o Tricolor carioca, com um gol de Humberto, no finalzinho do jogo. Na outra semifinal o Fortaleza, que já tinha batido os atuais campeões (Bahia) e os pernambucanos do Santa Cruz, carimbaram o passaporte para as finais.

Num ano cheio de surpresas, em que a Marylin Monroe era reconhecida como grande atriz pelo estrondoso sucesso “Quanto mais quente melhor” e um playboy engajado ganhava as eleições presidenciais nos Estados Unidos (John F. Kennedy), alguém poderia esperar uma surpresa cearense diante do timaço do Palmeiras. Mais não foi isso que aconteceu. Pelo contrário, o Fortaleza não deu nem pro cheiro. No primeiro jogo, em Fortaleza, o Palmeiras não teve dificuldades para se impor pelo placar de 3 a 1.

No jogo final, então, a vitória do alviverde foi ainda mais acachapante 8 a 2, no Pacaembú. Sem dó nem piedade. Mas, esperar o quê de um time que tinha em suas fileiras jogadores do calibre de Valdir de Morais, Djalma Santos e Julinho Botellho? Um passeio, um desfile do que havia de mais nobre dentre o mais nobre dos esportes. Uma coleção de craques que mereceu a feliz denominação de Academia. Isso mesmo, com letras maiúsculas, assim como o futebol apresentado. O primeiro título nacional de uma série hegemônica no futebol brasileiro.

Juscelino Kubitschek, Oscar Niemeyer, Fernando Pamplona, Valdir de Morais, Djalma Santos, Valdemar Carabina, Aldemar, Jorge, Zequinha, Chinesinho, Julinho Botelho, Romeiro, Humberto, Cruz. Aos acadêmicos de 1960, com as nossas homenagens.

sábado, 21 de maio de 2011

Dos companheiros revolucionários à ascensão dos mais fracos, não há como esquecer aquele ano de 1959.





Um país febril. A febre do futebol infestou o Brasil após a vitória da seleção brasileira em gramados suecos, em 1958. Após as frustrações de 1950 e 1954 a taça do mundo finalmente aterrisava em nosso território. O orgulho e a arrogância nacional ficaram expostas a ponto de acreditarmos, realmente, na letra da música que dizia que “com brasileiro não há quem possa”. Éramos os melhores do mundo. O manjado complexo de vira-latas havida ficado no passado. Apesar de sermos o país do futuro tínhamos algo para ter orgulho em nosso presente: o futebol. Uma nação aos pés da bola e do menino de ouro Pelé.

Foi nesse clima de festa e carnaval que acordamos, no primeiro dia do ano de 1959 com a notícia que uma tropa de revolucionários cubanos deram um basta na opressão e chutaram o ditador Fulgêncio Batista do poder, após quase 03 anos de resistência armada. Como diria um dos líderes da revolução, um argentino de nome Ernesto - “derrota após derrota, até a vitória final”. O povão, o mais fraco, o Zé das Couves, finalmente tinha ganho do mais forte e essa vitória deve ter inspirado muita gente por aqui também.

A euforia futebolística brasileira fez com que os dirigentes brasileiros da CBD (extinta Confederação Brasileira de Desportos) apresentassem no congresso da Confederação Sul-Americana o projeto de uma Copa dos Campeões de Clubes. Esse foi o esboço do que veio a ser conhecida posteriormente como Taça Libertadores de America. Só havia um problema para os brasileiros; não tínhamos campeonatos nacionais. A CBD apresentou uma solução razoavelmente justa, mas, com um forte conteúdo político: reunir os campeões de 16 federações estaduais que jogariam entre 1959 e 1960 para decidir quem seria o representante brasileiro na recém-criada competição sul-americana. Eram eles: Bahia (BA), Santos (SP), Grêmio (RS), Vasco da Gama (GB), Sport Recife (PE), Rio Branco (ES), Tuna Luso (PA), Atlético (PR), Ceará (CE), Atlético (MG), Ferroviário (MA), ABC (RN), Hercílio Luz (SC), Manufatora (RJ), Auto Esporte (PB) e CSA (AL).

Apesar da aparente inspiração democrática da CBD a verdade é que a Taça Brasil foi feita para ter um embate final entre os campeões de São Paulo e o da Guanabara. Tanto é verdade que o esses 02 só entravam na competição na fase semi-final, Enquanto isso, os 14 clubes restantes comeram o pão que o diabo amassou em disputas eliminatórias de dois jogos. Como não havia vantagem pelo saldo de gols ocasionalmente era necessário um terceiro jogo para decidir a disputa. Foi o que aconteceu, por exemplo, com o Bahia, que na primeira partida final do Grupo Norte venceu o Sport Recife por 3x2, em Salvador, mas, no jogo da revanche, em Recife, perdeu por 6x0, obrigando a realização do jogo desempate, três dias depois na capital pernambucana. De forma surpreendente os campeões baianos ganharam o jogo por 2x0 e se classificaram para a fase semi-final.

A disputa semi-final reuniu Bahia, Grêmio e os favoritos Santos e Vasco da Gama. Os paulistas e os cariocas reuniam em seu plantel jogadores que levantaram o caneco na Suécia e eram, inquestionavelmente, os melhores times. Tinha tudo para ser uma barbada. Na primeira semi-final o Santos de Pelé & Cia. não teve dificuldades para superar o Grêmio. A zebra aconteceu em Salvador, com a improvável vitória do Bahia sobre o poderoso Vasco da Gama.

A ideia inicial era realizar os dois jogos finais em dezembro de 1959 e entregar a taça ao Santos, que sairia em longa excursão pelo exterior. O melhor time ganharia e todos poderiam curtir a passagem de ano, em festinhas caseiras, ao som do hit da época; Estúpido Cupido, da Cely Campelo, mas, não foi bem assim que as coisas aconteceram.

No primeiro jogo, na Vila Belmiro, o primeiro susto. O Bahia ganha do poderoso Santos por 3x2. Pelé anotou os dois gols do Peixe e o Bahia, com um de Biriba e dois de Alencar (o último no final do jogo), para desempatar. O jogo seguinte, na Fonte Nova, seria difícil, mas, o time do Santos com jogadores do calibre de Pelé, Pepe, Coutinho, Dorval e Zito, dificilmente perderia dois jogos seguidos para o mesmo time. De fato, o Santos não teve muita dificuldades para vencer o Bahia, por 2x0, obrigando a realização do terceiro jogo, que deveria ter sido realizado, também, na Fonte Nova, mas, a diretoria do Santos não aceitou e exigiu um campo neutro. Como nos dias de hoje, a CBD atendeu à solicitação do clube mais forte. Depois da acachapante derrota em casa, o presidente do Bahia, Osório Vilas Boas, resolveu não protestar. Ele sabia que se o tricolor baiano enfrentasse o Santos logo após o segundo jogo, seria massacrado. E também acreditava que o Santos voltaria destruído da excursão européia. Mineiramente, aceitou a “sugestão” do jogo neutro no Maracanâ.

Após o retorno ao Brasil o Rei do Futebol teve de fazer uma operação nas amigdalas e não pôde jogar a final. Assim, no Maracanâ, no dia 29 de março de 1960, frente a um público de aproximadamente 20.000,00 pessoas, quase todas torcendo pelo Bahia, as equipes entraram em campo. O Santos, a melhor equipe da época abriu o placar com um gol de Coutinho. Até aí tudo normal. Até que Vicente empata o jogo em uma cobrança de falta. As viagens e os jogos sucessivos na Europa começam a vitimar o time da baixada. Faltavam pernas para superar os motivados e insinuantes baianos. Logo no início do segundo tempo o Bahia vira o placar com um gol de Léo. Foi o que bastava para os jogadores do Santos perderem o controle, cometeram faltas grosseiras e daí para as expulsões de Getúlio, Formiga e Coutinho foi um pulo. Os santistas apelaram feio e a polícia teve que entrar em campo para “acalmar” os ânimos. Dorval também agrediu Henrique e foi mandado pro chuveiro mais cedo. No final do jogo os baianos sacramentaram a vitória com mais um gol. Final Santos 1, Bahia 3.

Os baianos acabaram com a festa antecipada dos santistas. Fala-se até que Atiê Jorge Cury, dirigente do Santos teria trocado telegramas com dirigentes do San Lorenzo de Almagro, da Argentina, propondo datas e locais para os jogos da Libertadores, mas, no final das contas quem enfrentou os argentinos foi o Esporte Clube Bahia.

Ficha técnica da partida final:

Bahia: Nadinho, Beto, Henrique, Vicente e Nezinho, Flavio e Mario, Marito, Alencar, Léo e Biriba.
Santos: Lalá, Getúlio, Mauro, Formiga e Zé Carlos. Zito e Mário, Dorval, Pagão, Coutinho e Pepe.
Árbitro: Frederico Lopes (RJ)
Local: Estádio Mário Filho “Maracanã”

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Histórias do Brasileirão

Neste final de semana será dado o pontapé incial para o Brasileirão 2011 e, se o campeonato, tecnicamente, não é o melhor do mundo, dificilmente será possível encontrar torneio com tamanho nível de dificuldade e equilíbrio entre os participantes. O campeonato desse ano, pelo visto, não será diferente.

Aproveitando o momento histórico resolvi realizar uma pesquisa sobre todos os campeonatos brasileiros disputados até o momento e o seu momento histórico. O que acontecia na cultura, na política, enfim, ultrapassar as quatro linhas. E é aí que a pesquisa fica interessante até pra quem não é lá muito fã de futebol.

Como esse é um trabalho longo e árduo, apesar de estimulante, resolvi trazer o produto dessa pesquisa, aos poucos, aqui para o Patativa. Logo de cara começarei com a Taça Brasil de 1959, organizado pela extinta CBD, com o objetivo de indicar os clubes brasileiros para a recém criada Taça Libertadores da América, com uma surpresa em pleno Maracanã e um carnaval que não teve hora pra acabar.

A série chamada pretensiosamente por mim de “Histórias do Brasileirão” – pretensiosamente porque não sou historiador, começa a ser publicada neste sábado, 21 de maio. Todo comentário, crítica e sugestões e colaborações são benvindas e serão, na medida do possível, adicionados ao texto principal. A idéia não é fazer um texto fechado.