À parte dos nebulosos
acontecimentos do ano anterior a Confederação Brasileira de Desportos (CBD) iniciava a organização da Taça Brasil de
1965. Com a proximidade da Copa do Mundo da Inglaterra, em 1966, o torneio nacional
não classificaria representantes para a Taça Libertadores da América do ano
seguinte. Todo o sacrifício valeria a pena para o então inédito tricampeonato
mundial de futebol em campos ingleses. A edição do torneio nacional daquele ano
contou com a participação de 22 clubes. Eram eles: Santos-SP, Vasco da Gama-GB,
Náutico-PE, Palmeiras-SP, Grêmio-RS, Fortaleza-CE, Siderúrgica-MG, Vitória-BA,
Remo-PA, Atlético-GO, Campinense-PB, Olímpico-SC, Sampaio Correa-MA,
Desportiva-ES, CRB-AL, Grêmio Maringá-PR, Sergipe-SE, Alecrim-RN,
Eletrovapo-RJ, Flamengo-PI, Nacional-AM, Guanabara-DF.
Entre os clubes participantes,
algumas agremiações tradicionais (Santos, Vasco da Gama, Náutico, Palmeiras,
Grêmio, Fortaleza), disputavam a mesma taça que outras bem menos expressivas
(Olímpico, Sampaio Correa, Desportiva, Sergipe, Alecrim) e outras tantas que
sequer sobrevivem atualmente no futebol profissional (Siderúrgica, Eletrovapo e
Guanabara). A presença de gigantes do futebol brasileiro com equipes
praticamente amadoras assemelhava a Taça do Brasil da época com a atual Copa do
Brasil.
Nesse particular, vale destacar o
bravo time da Associação Atlética Guanabara, da recém inaugurada Brasília, que
nada mais era do que o clube dos funcionários da Câmara dos Deputados, que se
mudaram do Rio de Janeiro para a nova capital federal. Ou ainda, o time da
Eletrovapo, clube que na sua origem, oito anos antes, foi fundado por
funcionários da empresa portuguesa de serviços marítimos (Cia. Eletrovapo de
Serviços Marítimos) e que terminou a competição daquele ano invicto (03
empates). Só o platinado Santos FC conseguiria repetir tal façanha naquele ano
(03 vitórias e 01 empate). Os dois clubes, infelizmente, encerraram as suas
atividades no esporte profissional pouco tempo depois, deixando gerações e
gerações de funcionários dos serviços marítimos e da câmara dos deputados
órfãos.
Melhor sorte desfrutou o Esporte Clube
Siderúrgica, de Sabará/MG, que naquele mesmo ano de 1965, pela Taça Brasil,
pôde ostentar, com orgulho o título de primeiro time mineiro a jogar uma
partida interestadual no recém inaugurado Mineirão, vencendo o Atlético-GO por
3 a 1. Aliás, por falar em Mineirão, o ano de 1965 foi marcado, também, por um
fato que nos dias atuais pode parecer insólito, mas, perfeitamente
compreensível naquela época; em 07 de setembro, a Seleção Brasileira jogou um
amistoso contra a Seleção Uruguaia no imponente estádio mineiro. A curiosidade
do jogo foi o fato de que o time brasileiro foi representado, do goleiro ao
massagista, pela Sociedade Esportiva Palmeiras. Isso mesmo. Entusiasmada com o
sucesso que a Academia fazia nos gramados daqui, a CBD resolveu homenagear o
clube paulista com a honraria de representar o nosso futebol. Pela primeira vez
na história o Palmeiras foi o Brasil em campo. E foram bem, ganhando dos
uruguaios por 3 a 0.
A iniciativa deu tão certo que a
CBD concedeu a mesma honraria outra vez, naquele mesmo ano, ao chamar o
Corinthians para representar a seleção brasileira numa amistoso contra o
Arsenal da Inglaterra. Santa politicagem! O resultado dentro das quatro linhas
não foi o mesmo e o time corintiano perdeu para os ingleses por 2 a 0, em
Londres. Os jogos em si, não tiveram lá grande importância na história da
Seleção, mas, obviamente, devem servir de motivo de orgulho para os jogadores e
torcedores das duas agremiações. Pensar em algo do gênero nos dias atuais
soaria como delírio romântico. A Seleção precisaria fazer cerca de 40 amistosos
por ano para acomodar toda a vaidade dos cartolas tupiniquins.
Voltamos, então, à Taça Brasil de
1965. Os campeões de São Paulo (Santos) e o da Guanabara (Vasco da Gama)
entravam na semifinal da competição, prática muito parecida com aquela
utilizada pela Fifa no seu atual Mundial Interclubes; vários times são convidados
para uma mesma competição, mas, recebem um tratamento pra lá de diferenciado.
Nas semifinais o Vasco da Gama passou pelo bom time do Náutico em dois jogos (2
a 2 e 1 a 0) e o Santos, como já era de costume, entre uma excursão e outra
entrou em campo duas vezes para superar o Palmeiras (4 a 2 e 1 a 1). A decisão
da Taça Brasil daquele ano não teria surpresa. Santos e Vasco na final. No
primeiro jogo no Pacaembu, o Santos atropelou os cruzmaltinos por 5 a 1,
tornando o jogo de volta, no Maracanâ, quase que um jogo de entrega de faixas.
Em gramado carioca os santistas venceram novamente, desta vez por 1 a 0,
faturando o título pela quinta vez consecutiva. Poderiam até ganhar a sexta
taça, no ano seguinte, se não fosse um tostãozinho de gente pra acabar com
festa. Mas essa é uma história, para um outro texto.
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