A escolha do Felipão mostra uma seleção de jogadores brasileiros tentando ser europeus, mas com sonho de se tornarem abrasileirados.
Enfim a lista de
Felipão está à disposição de todos os críticos. Ele sabe melhor do que ninguém
que a escolha de jogadores para a seleção brasileira sempre trará questionamentos
sobre os nomes, principalmente os ausentes. Evidente que o maior nome, o mais
incontestável; e provavelmente um dos nomes mais conhecidos da seleção, seria o
mais comentado do todos: Ronaldinho Gaúcho. A grande ausência mostra um caminho
escolhido pelo técnico Felipão, não apenas para Copa das Confederações; mas
para a própria Copa do Mundo em 2014. O caminho escolhido é pelo futuro.
Jornalistas que se
recusaram a comentar sobre a ausência de Ronaldinho, mas que falaram sobre a
convocação, foram unânimes: a seleção é boa tecnicamente, forte fisicamente e
rápida. Parece que essas características foram essenciais na análise dos nomes.
Conforme os jogadores foram surgindo eu lembrei de uma entrevista do Parreira
para um programa esportivo, dizendo que o preparo da seleção deveria seguir,
antes mesmo dos nomes dos jogadores; de como seria o seu padrão de jogo. Naquela
ocasião ele deixou a entender que o modelo continuará sendo o Europeu. Assim,
devemos analisar os nomes do Felipão dentro desse modelo, não necessariamente o
modelo que a maioria queria para seleção.
Uma coisa é querer a
seleção brasileira como uma seleção “brasileira”, a outra coisa é poder.
Décadas anteriores, mesmo com Parreira de treinador, tínhamos condições de
fazer uma seleção com toque refinado, jogadas de efeito e criativas. Hoje não
pode mais. Nessa “Era” que estamos caminhando, a seleção precisa mais de
qualificação tática do que criatividade técnica. É retroagir no modo de jogar
futebol, mas é a única esperança de ver o futebol brasileiro no futuro.
Contamos com o arriscado processo de formar jogadores à européia, para no
futuro abrasileirarmos esses jogadores. É mais ou menos o que acontece na
Europa, principalmente na Espanha; onde os jogadores são perfeitos taticamente
e aprenderam a ser criativos tecnicamente.
Os nomes que
prevalecem na seleção brasileiras são jogadores com experiência entre os
maiores times da Europa. A parte criativa, no entanto, continua sendo de
jogadores que estão se destacando no Brasil. A mescla não tem qualquer relação
com jogadores novatos e veteranos, têm com jogadores acostumados com os
europeus ou não. Ainda mais: jogadores que tenham condições físicas contra os
europeus e que estejam motivados na seleção brasileira. A família Felipão de
2013 é a família da confiança, do “jogar por mim”; como foi a campeã em 2002.
Exatamente por isso nomes como Ronaldinho e Kaká estão fora (por enquanto).
Kaká não é
contestado nem por ele mesmo: sabe que seu futebol não está sendo suficiente
nem para ser titular de sua equipe. Nos amistosos pela seleção, ainda que os
jogos tivessem sido horríveis, era momento de o jogador mostrar uma liderança e
“algo mais” do que os novatos. Não conseguiu.
A explicação sobre a ausência de Kaká é fato, conhecida e legítima. Agora,
como explicar a ausência de um dos jogadores de melhor fase no Brasil?
Bom, inúmeras
explicações, mas todas serão subjetivas, parecer de quem não está no dia-a-dia
dos treinamentos, nem sabe a relação do treinador e do jogador (que parecia ser
ótima, até então). Jogador por jogador, fase por fase; momento por momento,
Ronaldinho é indiscutível. Mas, revisando toda a história do jogador, parece
que ele não se mostrou tão essencial assim para justificar uma convocação. Seu
contra-argumento, se houver, será: Não mostrei, mas quem mostrou?
Resta esperar mais
alguns dias para saber qual será a cara da seleção.
Um comentário:
A convocação não me animou nem um pouco. Falta talento no futebol brasileiro. Não tenho acompanhado o futebol europeu e a atuação dos jogadores nascidos no Brasil e que jogam em equipes do Velho Continente, mas, pelo visto, o nosso time é apenas esforçado. Nada de mais. O Scolari perdeu uma grande chance de conquistar o torcedor, convocando o melhor jogador do futebol brasileiro na atualidade (R10). Vamos aguardar.
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