quarta-feira, 15 de maio de 2013

A seleção retroage, mas pode ser o caminho do futuro.



A escolha do Felipão mostra uma seleção de jogadores brasileiros tentando ser europeus, mas com sonho de se tornarem abrasileirados.


Enfim a lista de Felipão está à disposição de todos os críticos. Ele sabe melhor do que ninguém que a escolha de jogadores para a seleção brasileira sempre trará questionamentos sobre os nomes, principalmente os ausentes. Evidente que o maior nome, o mais incontestável; e provavelmente um dos nomes mais conhecidos da seleção, seria o mais comentado do todos: Ronaldinho Gaúcho. A grande ausência mostra um caminho escolhido pelo técnico Felipão, não apenas para Copa das Confederações; mas para a própria Copa do Mundo em 2014. O caminho escolhido é pelo futuro.

Jornalistas que se recusaram a comentar sobre a ausência de Ronaldinho, mas que falaram sobre a convocação, foram unânimes: a seleção é boa tecnicamente, forte fisicamente e rápida. Parece que essas características foram essenciais na análise dos nomes. Conforme os jogadores foram surgindo eu lembrei de uma entrevista do Parreira para um programa esportivo, dizendo que o preparo da seleção deveria seguir, antes mesmo dos nomes dos jogadores; de como seria o seu padrão de jogo. Naquela ocasião ele deixou a entender que o modelo continuará sendo o Europeu. Assim, devemos analisar os nomes do Felipão dentro desse modelo, não necessariamente o modelo que a maioria queria para seleção.

Uma coisa é querer a seleção brasileira como uma seleção “brasileira”, a outra coisa é poder. Décadas anteriores, mesmo com Parreira de treinador, tínhamos condições de fazer uma seleção com toque refinado, jogadas de efeito e criativas. Hoje não pode mais. Nessa “Era” que estamos caminhando, a seleção precisa mais de qualificação tática do que criatividade técnica. É retroagir no modo de jogar futebol, mas é a única esperança de ver o futebol brasileiro no futuro. Contamos com o arriscado processo de formar jogadores à européia, para no futuro abrasileirarmos esses jogadores. É mais ou menos o que acontece na Europa, principalmente na Espanha; onde os jogadores são perfeitos taticamente e aprenderam a ser criativos tecnicamente.

Os nomes que prevalecem na seleção brasileiras são jogadores com experiência entre os maiores times da Europa. A parte criativa, no entanto, continua sendo de jogadores que estão se destacando no Brasil. A mescla não tem qualquer relação com jogadores novatos e veteranos, têm com jogadores acostumados com os europeus ou não. Ainda mais: jogadores que tenham condições físicas contra os europeus e que estejam motivados na seleção brasileira. A família Felipão de 2013 é a família da confiança, do “jogar por mim”; como foi a campeã em 2002. Exatamente por isso nomes como Ronaldinho e Kaká estão fora (por enquanto).

Kaká não é contestado nem por ele mesmo: sabe que seu futebol não está sendo suficiente nem para ser titular de sua equipe. Nos amistosos pela seleção, ainda que os jogos tivessem sido horríveis, era momento de o jogador mostrar uma liderança e “algo mais” do que os novatos. Não conseguiu.  A explicação sobre a ausência de Kaká é fato, conhecida e legítima. Agora, como explicar a ausência de um dos jogadores de melhor fase no Brasil?

Bom, inúmeras explicações, mas todas serão subjetivas, parecer de quem não está no dia-a-dia dos treinamentos, nem sabe a relação do treinador e do jogador (que parecia ser ótima, até então). Jogador por jogador, fase por fase; momento por momento, Ronaldinho é indiscutível. Mas, revisando toda a história do jogador, parece que ele não se mostrou tão essencial assim para justificar uma convocação. Seu contra-argumento, se houver, será: Não mostrei, mas quem mostrou?

Resta esperar mais alguns dias para saber qual será a cara da seleção.



Um comentário:

Cesar Augusto disse...

A convocação não me animou nem um pouco. Falta talento no futebol brasileiro. Não tenho acompanhado o futebol europeu e a atuação dos jogadores nascidos no Brasil e que jogam em equipes do Velho Continente, mas, pelo visto, o nosso time é apenas esforçado. Nada de mais. O Scolari perdeu uma grande chance de conquistar o torcedor, convocando o melhor jogador do futebol brasileiro na atualidade (R10). Vamos aguardar.