sexta-feira, 27 de abril de 2012

Como se fosse desenho animado


Neymar é quase um desenho animado: A recuperação das quedas, explosões e bombas é quase um milagre da animação. 

.
.

Parece desenho animado. Sabe aquele de gato e o rato? O gato apanha, apanha e apanha. Mais eis que surge sem nenhum arranhão. De repente está de pé novamente. Machucado? Nem pensar. Ele continua fazendo traquinagens. Violência? Não. Faz parte da fábula. O coiote também apanha, mas este é lerdo, pesado e abobado. Assim, os desenhos da minha infância seguiam quase o mesmo roteiro. Vilão imortal. Vilão que se recupera como num passe de mágica. Vilão sobrevivente de quedas, bombas, armas, pimentas e veneno.

Neymar não é desenho animado, mas às vezes parece. Em campo é caçado por todos os lados. Apanha. Seja em jogo valendo alguma coisa, seja não valendo nada. E de repente ele se joga, cai; se machuca. Os cabelos, tão próximos ao nosso querido Woody Woodpecker. Este não sofre nenhum arranhão, e quase sempre é o agente causador da dor alheia. Que nada, os personagens de desenho animado não sofrem. Neymar, da vida real, está ficando cansado disso tudo. Reclamou em público a indigesta pancadaria do jogo contra o Bolívar.

Não dá para negar: é o maior jogador dos últimos anos. Algo ainda em formação. Ou deformado pela linha do tempo do futebol. Por enquanto ele não sente absolutamente nada. Vinte anos dá o poder da recuperação imediata. Wolverine dos campos de futebol. O problema é que a idade pesa, e o corpo cansa. Contusão séria ainda não é séria quando se é jovem. Mas daqui por diante? Quanto tempo Neymar poderá agüentar essa pancadaria?

Muricy estava certo quando disse que estava preocupado com o futuro do jogador. Mas não quero levantar a bandeira da imunidade para craques. Em campo, qualquer falta faz parte de jogo.  A inteligência, maturidade e a habilidade: não deve poderá ser desprezada mesmo quando o assunto é se defender. Prudência em campo é uma coisa que ele precisa adquirir logo, evitando contato com aqueles que querem algo além do jogo de contato.

Primeira falta: ele voa quase dois metros. Exagero meu ou dele. Ele está de pé, reclamando. Põe a mão na canela, manca um pouco. Está curado. Dois ou três toques. De repente mais uma pancada. Ele voa. Agora não volta mais, tenho certeza, não é possível. Nem vejo se ele está mancando, tropeçando ou reclamando: já está fazendo outra jogada como se nada tivesse acontecido. Outra e mais outra. Até uma sexta falta violenta. Ele  demora mais no chão. Levanta e com um jeito quase tímido (Para quem já foi visto com mulheres, iates e celebridades), pede um cartão amarelo para o adversário. O cartão não veio.

É uma peça rara, com certeza. Pode dar muitas alegrias não apenas para a torcida do Santos, mas também para torcida brasileira. Nos campos da Europa estaria mais seguro? Creio que não. O futebol está nivelado em sua criatividade e na sua agressividade. Acho que no Brasil ele está seguro: somos mais complacentes com o adversário do que qualquer parte do mundo. Será que é por isso que ele decidiu ficar?

E assim caminha o futebol, com as reclamações e lesões. Caminha tranqüilo para os jovens, que na força física se recuperam rapidamente. Caminha em passos lentos, para os já idosos jogadores entre os vinte e cinco e vinte nove anos. É quase uma tortura para os veteranos. Neymar ainda não sofreu nem a metade das pancadas que receberá em sua trajetória do futebol, e em sua pouca idade, já mostra sinais do cansaço.

Uma coisa é certa: nesse ritmo ele terá problemas em breve. Exceto se as faltas tenham uma pitada de desenho animado: é uma mentira, mas quase sempre acreditávamos que o personagem sentia dor. 

3 comentários:

Cesar Augusto disse...

Um dia o coiote pega o papa-léguas de jeito. A juventude é o melhor emplastro para curar as feridas de batalha, entretanto, basta uma falta, uma contusão mais séria, uma pancada "bem" dada, para comprometer a carreira do craque. Nem sempre é o conjunto da obra que causa o prejuízo.

Mario disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Mario disse...

Finalmente. Demorou para alguém reconhecer que o Neymar tem apanhado bastante ao invés de ser tachado apenas de "cai-cai". Alguns setores do campo ele pode se preservar, sem ficar driblando sem ter necessidade. Mas quero que continue o desenho animado, sem o coiote pegar o papa-léguas.