Tudo indicava para um jogo duro,
mas, possível, em Campinas, contra a ainda abatida Ponte Preta, que a exemplo
de seu adversário da noite anterior, também tinha sido eliminado do Campeonato
Paulista por um rival. Chance preciosa de colocar o trem de volta aos trilhos e
afastar qualquer fagulha de crise.
O tricolor paulista entra em
campo com uma surpresa; a ausência do zagueiro Paulo Miranda entre os titulares.
É lógico que a maioria da torcida gostaria de ver o defensor bem longe do
Morumbi, mas, não precisava ser da forma como aconteceu. É bem verdade que o
Paulo Miranda tem graves limitações técnicas, injustificáveis para um jogador
com a sua rodagem. Não atende aos padrões de qualidade exigidos pela torcida.
Mas, ainda sim, foi contratado pelo São Paulo.
Se veio de graça ou na base da permuta de empresário, pouco importa. O
São Paulo contratou o profissional e, por essa razão, deve tratá-lo com o
mínimo de respeito.
No jogo contra o Santos todas as
suas deficiências ficaram demonstradas em “high definition”. Chegou a ser
constrangedor em certos momentos, mas, não sou capaz de apontar o Paulo Miranda
como o culpado pela eliminação. Se pensarmos somente nos erros cometidos pelos
jogadores, o Rodolfo foi o culpado pelo segundo gol santista ao praticamente
entregar a bola nos pés, ou melhor, no peito do PH Ganso. O Denis seria então o culpado do terceiro
gol, mas, tanto o zagueiro quanto o goleiro foram poupados da fritura. Por que?
O jogo de domingo terminou para
os são-paulinos com aquela sensação de que poderíamos ter vencido. Jogamos e
deixamos o Santos jogar. No final, o adversário anotou mais gols e ganhou a
partida. É do jogo, faz parte. Na próxima a gente dá o troco, não era
necessário arrumar culpados ou caçar as bruxas naquele momento. O time
precisaria de tranquilidade e apoio para vencer a Macaca em Campinas. Infelizmente,
essa não foi a opinião dos sábios dirigentes tricolores.
De acordo como o que eu entendi
da entrevista concedida pelo Leão após o jogo, a diretoria achou por bem
afastar o Paulo Miranda do elenco poucas horas antes do importantíssimo jogo de
Campinas, pegando comissão técnica, jogadores e torcida de calça curta.
Lamentável. Justo num momento que o time mais precisava de apoio, os jogadores
foram surpreendidos com o afastamento abrupto do zagueiro. Sou contra esse tipo
de afastamento no calor da derrota. É jogar pra torcida.
Pouco importa se o cara é “cabeça
de bagre” ou craque, esse tipo de atitude sempre causa descontentamento no
grupo, principalmente por não ter partido da comissão técnica, mas sim, da
diretoria. O time entrou aterrorizado em campo, com medo de que uma derrota pudesse
causar mais degolas. Não dá pra jogar futebol com medo. E com medo, meus
amigos, não se chupa nem um picolé, como bem disse o ora centenário Nelson
Rodrigues.
Se a derrota de domingo pode ser
colocada somente na conta do Paulo Miranda, pergunto ao leitor; na conta de
quem poremos a derrota de ontem, em Campinas?
Sugiro que a nossa brilhante diretoria faça as honras e assuma a
dolorosa.
Um comentário:
Sacanagem que o Juvenal fez com Miranda. Nunca vi o Leão tão borocochô numa entrevista, logo ele que sempre enfatiza a culpa "coletiva". Como disse o Milton Neves, "foi a maior crucificada" que ele viu no futebol. Não foi uma atitude profissional do presidente sãopaulino, não é, "Juvenaaaalll".
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