Neymar é quase um desenho animado: A recuperação das quedas, explosões e bombas é quase um milagre da animação.
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Parece desenho
animado. Sabe aquele de gato e o rato? O gato apanha, apanha e apanha. Mais eis
que surge sem nenhum arranhão. De repente está de pé novamente. Machucado? Nem
pensar. Ele continua fazendo traquinagens. Violência? Não. Faz parte da fábula.
O coiote também apanha, mas este é lerdo, pesado e abobado. Assim, os desenhos
da minha infância seguiam quase o mesmo roteiro. Vilão imortal. Vilão que se
recupera como num passe de mágica. Vilão sobrevivente de quedas, bombas, armas,
pimentas e veneno.
Neymar não é desenho
animado, mas às vezes parece. Em campo é caçado por todos os lados. Apanha.
Seja em jogo valendo alguma coisa, seja não valendo nada. E de repente ele se
joga, cai; se machuca. Os cabelos, tão próximos ao nosso querido Woody Woodpecker. Este não sofre nenhum
arranhão, e quase sempre é o agente causador da dor alheia. Que nada, os
personagens de desenho animado não sofrem. Neymar, da vida real, está ficando
cansado disso tudo. Reclamou em público a indigesta pancadaria do jogo contra o
Bolívar.
Não dá para negar: é
o maior jogador dos últimos anos. Algo ainda em formação. Ou
deformado pela linha do tempo do futebol. Por enquanto ele não sente
absolutamente nada. Vinte anos dá o poder da recuperação imediata. Wolverine
dos campos de futebol. O problema é que a idade pesa, e o corpo cansa. Contusão
séria ainda não é séria quando se é jovem. Mas daqui por diante? Quanto tempo
Neymar poderá agüentar essa pancadaria?
Muricy estava certo
quando disse que estava preocupado com o futuro do jogador. Mas não quero
levantar a bandeira da imunidade para craques. Em campo, qualquer falta faz
parte de jogo. A inteligência,
maturidade e a habilidade: não deve poderá ser desprezada mesmo quando o
assunto é se defender. Prudência em campo é uma coisa que ele precisa adquirir
logo, evitando contato com aqueles que querem algo além do jogo de contato.
Primeira falta: ele
voa quase dois metros. Exagero meu ou dele. Ele está de pé, reclamando. Põe a
mão na canela, manca um pouco. Está curado. Dois ou três toques. De repente
mais uma pancada. Ele voa. Agora não volta mais, tenho certeza, não é possível.
Nem vejo se ele está mancando, tropeçando ou reclamando: já está fazendo outra
jogada como se nada tivesse acontecido. Outra e mais outra. Até uma sexta falta
violenta. Ele demora mais no chão.
Levanta e com um jeito quase tímido (Para quem já foi visto com mulheres, iates
e celebridades), pede um cartão amarelo para o adversário. O cartão não veio.
É uma peça rara, com
certeza. Pode dar muitas alegrias não apenas para a torcida do Santos, mas também
para torcida brasileira. Nos campos da Europa estaria mais seguro? Creio que não.
O futebol está nivelado em sua criatividade e na sua agressividade. Acho que no
Brasil ele está seguro: somos mais complacentes com o adversário do que
qualquer parte do mundo. Será que é por isso que ele decidiu ficar?
E assim caminha o
futebol, com as reclamações e lesões. Caminha tranqüilo para os jovens, que na
força física se recuperam rapidamente. Caminha em passos lentos, para os já
idosos jogadores entre os vinte e cinco e vinte nove anos. É quase uma tortura
para os veteranos. Neymar ainda não sofreu nem a metade das pancadas que
receberá em sua trajetória do futebol, e em sua pouca idade, já mostra sinais
do cansaço.
Uma coisa é certa:
nesse ritmo ele terá problemas em breve. Exceto se as faltas tenham uma pitada de
desenho animado: é uma mentira, mas quase sempre acreditávamos que o personagem
sentia dor.
3 comentários:
Um dia o coiote pega o papa-léguas de jeito. A juventude é o melhor emplastro para curar as feridas de batalha, entretanto, basta uma falta, uma contusão mais séria, uma pancada "bem" dada, para comprometer a carreira do craque. Nem sempre é o conjunto da obra que causa o prejuízo.
Finalmente. Demorou para alguém reconhecer que o Neymar tem apanhado bastante ao invés de ser tachado apenas de "cai-cai". Alguns setores do campo ele pode se preservar, sem ficar driblando sem ter necessidade. Mas quero que continue o desenho animado, sem o coiote pegar o papa-léguas.
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