quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Pátria descalça: o pouco que sei sobre Diego Costa

Não são falou sobre outro assunto nos portais esportivos da tarde de ontem: o jogador brasileiro Diego Costa resolveu jogar pela seleção espanhola na próxima Copa do Mundo. E toda a discussão girou em torno do fato de o jogador ter preferido jogar pela Espanha ao invés de jogar pela seleção brasileira, visto que havia sido previamente convocado para amistosos. A discussão foi quente nas sessões de comentários. Alguns entenderam a atitude do boleiro como uma negação da Pátria, um crime inafiançável. Para esses torcedores todo castigo ao boleiro traíra é pouco; “pega”, “capa”, “esfola”...

Outros torcedores, bem mais pragmáticos, pra dizer o mínimo, defendiam uma lógica venal na qual o famoso dito “quem paga mais chora menos” pode ser aplicado em toda e qualquer situação da nossa vida, cravando que o jogador deveria jogar para aqueles que pagavam mais, que supostamente seriam os espanhóis, que o que importa é dinheiro, o benefício econômico e, quem não compartilha dessa filosofia é, no mínimo, um hipócrita ou invejoso.

Uma terceira categoria de torcedores entendiam que o jogador é um atleta profissional e que deveria escolher o melhor para a sua carreira e que, talvez, a melhor opção fosse a Espanha, já que o time campeão do mundo carece de atacantes de qualidade e o seu técnico, que não é bobo nem nada já havia demonstrado apreço ao futebol do boleiro.

Diante de opiniões tão diferenciadas, fiz o que todo fã de futebol que se atreve a escrever, com propriedade, para um blog de futebol deve fazer: digitei o nome do jogador no Google. Fiquei somente com as informações do Wikipédia, afinal de contas, como a maior parte dos torcedores de futebol em nosso país, não fazia a menor ideia de quem era esse tal de Diego Costa. Descobri coisas bem interessantes.

O jogador é nascido e criado em Sergipe, local sem qualquer time nas Séries A e B do futebol brasileiro, ou seja, longe até mesmo das reivindicações do Bom Senso FC. O que equivale dizer que ele deve ter passado por poucas e boas até chegar ao Sporting Braga, de Portugal, aos 18 anos de idade. De lá, perambulou entre o que há de melhor e pior no futebol europeu até ter uma chance genuína de sucesso no Atlético de Madri. Sete anos de carreira profissional europeia sem que tivesse sido lembrado sequer para um jogo entre casados e solteiros de final de ano, aqui no Brasil.

Bastaram dois parágrafos no Wikipédia para eu ser convencido de que o Diego Costa não cometeu nenhuma afronta à pátria ao escolher jogar pela seleção espanhola nem tampouco pode ser visto como mais um mercenário qualquer. Foi decisão profissional e sentimental, sim, mas em outro nível. Por certo, o boleiro percebeu que o seu futebol é muito mais apreciado pelo técnico espanhol do que pelo treinador brasileiro. As chances de ser aproveitado na seleção espanhola, que carece de um matador, são muito maiores que no selecionado brasileiro, pois, disputaria uma vaga no ataque com Fred, Damião (preferidos dos torcedores) e com o Hulk (preferido da comissão técnica). 

Além disso, o Diego Costa fez toda a sua carreira na Europa, principalmente, na Espanha. Apesar de ter nascido no Brasil, em Sergipe, no que diz respeito à sua carreira, provavelmente, é mais identificado com o futebol jogado na Espanha, conhece os jogadores do time e isso, meus amigos, é muito mais importante do que o local de nascimento na hora de tomar uma decisão desse porte.

Talvez, no futuro, tenhamos outros casos parecidos com esse, do Diego Costa e, quem sabe, consigamos encarar esse fato como uma consequência natural da globalização do futebol e não como um crime contra a pátria ou o futebol brasileiro. O crime, se ele existe, reside na forma com a qual identificamos e lidamos com o talento a ponto de estarmos às vésperas de um mundial sem sabermos quem será o homem de referência do ataque e de tentarmos vilanizar um profissional que fez uma escolha justa para a sua carreira. Agora, se a escolha foi acertada ou não descobriremos na Copa do Mundo, no ano que vem.



Um comentário:

Sérgio Oliveira disse...

Os três últimos parágrafos revelam exatamente o que eu acho do caso. Vamos deixar de lado esse papo ridículo de patriotismo, principalmente de um sujeito que teve a ambição, como brasileiro, de transformar Portugal em um time de primeira categoria. Demagogia pura. Com certeza Felipão queria enfraquecer a seleção espanhola, muito mais do que aproveitar o Sergipano globalizado.