Não são falou sobre outro assunto
nos portais esportivos da tarde de ontem: o jogador brasileiro Diego Costa
resolveu jogar pela seleção espanhola na próxima Copa do Mundo. E toda a
discussão girou em torno do fato de o jogador ter preferido jogar pela Espanha
ao invés de jogar pela seleção brasileira, visto que havia sido previamente
convocado para amistosos. A discussão foi quente nas sessões de comentários.
Alguns entenderam a atitude do boleiro como uma negação da Pátria, um crime inafiançável.
Para esses torcedores todo castigo ao boleiro traíra é pouco; “pega”, “capa”, “esfola”...
Outros torcedores, bem mais
pragmáticos, pra dizer o mínimo, defendiam uma lógica venal na qual o famoso
dito “quem paga mais chora menos” pode ser aplicado em toda e qualquer situação
da nossa vida, cravando que o jogador deveria jogar para aqueles que pagavam
mais, que supostamente seriam os espanhóis, que o que importa é dinheiro, o
benefício econômico e, quem não compartilha dessa filosofia é, no mínimo, um
hipócrita ou invejoso.
Uma terceira categoria de
torcedores entendiam que o jogador é um atleta profissional e que deveria
escolher o melhor para a sua carreira e que, talvez, a melhor opção fosse a
Espanha, já que o time campeão do mundo carece de atacantes de qualidade e o
seu técnico, que não é bobo nem nada já havia demonstrado apreço ao futebol do
boleiro.
Diante de opiniões tão
diferenciadas, fiz o que todo fã de futebol que se atreve a escrever, com
propriedade, para um blog de futebol deve fazer: digitei o nome do jogador no
Google. Fiquei somente com as informações do Wikipédia, afinal de contas, como
a maior parte dos torcedores de futebol em nosso país, não fazia a menor ideia de
quem era esse tal de Diego Costa. Descobri coisas bem interessantes.
O jogador é nascido e criado em
Sergipe, local sem qualquer time nas Séries A e B do futebol brasileiro, ou
seja, longe até mesmo das reivindicações do Bom Senso FC. O que equivale dizer
que ele deve ter passado por poucas e boas até chegar ao Sporting Braga, de
Portugal, aos 18 anos de idade. De lá, perambulou entre o que há de melhor e
pior no futebol europeu até ter uma chance genuína de sucesso no Atlético de
Madri. Sete anos de carreira profissional europeia sem que tivesse sido
lembrado sequer para um jogo entre casados e solteiros de final de ano, aqui no
Brasil.
Bastaram dois parágrafos no Wikipédia
para eu ser convencido de que o Diego Costa não cometeu nenhuma afronta à
pátria ao escolher jogar pela seleção espanhola nem tampouco pode ser visto
como mais um mercenário qualquer. Foi decisão profissional e sentimental, sim,
mas em outro nível. Por certo, o boleiro percebeu que o seu futebol é muito
mais apreciado pelo técnico espanhol do que pelo treinador brasileiro. As
chances de ser aproveitado na seleção espanhola, que carece de um matador, são
muito maiores que no selecionado brasileiro, pois, disputaria uma vaga no ataque
com Fred, Damião (preferidos dos torcedores) e com o Hulk (preferido da
comissão técnica).
Além disso, o Diego Costa fez toda a sua carreira na Europa,
principalmente, na Espanha. Apesar de ter nascido no Brasil, em Sergipe, no que
diz respeito à sua carreira, provavelmente, é mais identificado com o futebol
jogado na Espanha, conhece os jogadores do time e isso, meus amigos, é muito
mais importante do que o local de nascimento na hora de tomar uma decisão desse
porte.
Talvez, no futuro, tenhamos
outros casos parecidos com esse, do Diego Costa e, quem sabe, consigamos encarar
esse fato como uma consequência natural da globalização do futebol e não como
um crime contra a pátria ou o futebol brasileiro. O crime, se ele existe,
reside na forma com a qual identificamos e lidamos com o talento a ponto de
estarmos às vésperas de um mundial sem sabermos quem será o homem de referência
do ataque e de tentarmos vilanizar um profissional que fez uma escolha justa para
a sua carreira. Agora, se a escolha foi acertada ou não descobriremos na Copa
do Mundo, no ano que vem.

Um comentário:
Os três últimos parágrafos revelam exatamente o que eu acho do caso. Vamos deixar de lado esse papo ridículo de patriotismo, principalmente de um sujeito que teve a ambição, como brasileiro, de transformar Portugal em um time de primeira categoria. Demagogia pura. Com certeza Felipão queria enfraquecer a seleção espanhola, muito mais do que aproveitar o Sergipano globalizado.
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