Olá, leitores!
Aconteceu o que estava previsto: Vettel ganhou a corrida e o
tetracampeonato. Mais importante que isso: foram 4 títulos em sequência, o que
já o coloca à frente de Prost, que foi 4 vezes campeão mas não um tetracampeão.
Afinal, a definição dicionarizada do termo prevê que os títulos sejam
consecutivos (Michaelis: te.tra.cam.pe.ão adj (tetra+campeão) Diz-se do
indivíduo ou grêmio esportivo campeão quatro vezes consecutivas). A
Seleção Brasileira, por exemplo, tem 5 títulos mundiais de futebol, mas chamar
de “pentacampeã” é uma liberalidade com o idioma. Enfim, não estamos aqui para
discutir o idioma, mas para celebrar a genialidade de um piloto. E antes que
digam que “ganhou pois tem o melhor carro”, essa é uma característica que
acontece desde o fim do século XIX ou início do XX, quando o dono do primeiro
carro da cidade encontrou com o dono do segundo carro da cidade e resolveram
ver qual andava mais. Em todo caso, convém lembrar que Webber, com o mesmo
carro, não está em condições de lutar pelo vice-campeonato.
Sinto-me feliz por mais uma vez estar presenciando a
História sendo escrita. Quando comecei a acompanhar a Fórmula 1, nos anos 70, o
recorde de vitórias era de “apenas” 27, conquistadas por Stewart, um escocês baixinho,
enormes costeletas, e com um talento enorme para pilotar rápido sem forçar os
frágeis carros da época. Os 5 títulos mundiais (4 consecutivos) do gênio Juan
Manuel Fangio, estabelecido nos anos 50, era completamente inalcançável.
Depois, nos anos 80, apareceu Prost, um francês também baixinho, narigudo, mas
um mestre na arte de “acertar” o carro, embora ruim de corrida no piso molhado.
Esse elevou o recorde de vitórias para 51 e foi 4 vezes campeão mundial. Na
mesma época, apareceu Senna, que era rapidíssimo em uma volta lançada e levou o
recorde de pole positions a um patamar nunca sonhado. De repente, nos anos 90,
surge Michael Schumacher, um alemão queixudo, rapidíssimo, que tinha a
capacidade de agregar a equipe toda em torno dele e de seus objetivos. Esse
ganhou 2 títulos por uma equipe, mudou-se para uma equipe tradicional mas em
franca decadência (a Ferrari), e após colocar a equipe para funcionar a seu
modo saiu destruindo todos os recordes que apareciam em sua frente, ganhando
mais 5 títulos e obtendo 91 vitórias. Inalcançável, certo? Pois bem... agora
temos um tetracampeão com apenas 26 anos de idade. Até onde chegará?
Vitória maiúscula de Vettel no último GP disputado em Buddh
(a prova não consta do calendário de 2014). Largou na pole, já na 2ª volta foi
trocar os pneus macios pelos médios, voltou em 17º e veio “jantando” os outros
competidores. O entrosamento entre o carro da Red Bull e o piloto é tão grande
que permite esse tipo de estratégia, digamos, pouco convencional. Ainda
comemorou o título fazendo zerinhos em frente à arquibancada principal e se
ajoelhando em frente ao carro. Seu companheiro Webber (20º) chegou a liderar a
corrida após receber um toque do Alonso na largada, mas problemas no alternador
fizeram a equipe pedir para ele abandonar faltando 21 voltas para o final.
Em 2º chegou Rosberg, mostrando que hoje a Mercedes é a
melhor das equipes “normais” (afinal, esse ano a Red Bull é um caso à parte), inclusive
tendo se classificado perto do Vettel. No início da prova chegou a perder a
posição para o Massa, mas o ritmo de corrida da Mercedes era melhor que o da
Ferrari. Seu companheiro Hamilton (6º) até estava com um bom ritmo de corrida,
mas desgastou demais os pneus nas tentativas de ultrapassagem e fez uma parada
nos boxes a mais, perdendo o que poderia ter sido um 3º lugar certo.
Em 3º chegou Grosjean, com uma estratégia de apenas uma
parada nos boxes que é possível apenas com um carro que consome muito pouco
pneu como a Lotus ou a Force India. Mostra amadurecimento como piloto, não fez
nenhuma de suas patacoadas habituais e até diria que pode assumir como primeiro
piloto da Lotus ano que vem, com a ida do Kimi para a Ferrari. Räikkönen (7º),
por sua vez, tentou a mesma estratégia, mas no final da prova os pneus estavam
tão desgastados que teve que os trocar a 2 voltas do final.
Em 4º chegou o Massa. Miojinho, depois que recebeu o aviso
prévio do departamento de RH da Ferrari, resolveu voltar a acelerar. Sua
primeira volta foi de encher os olhos, e quando Vettel foi para seu 1º pit stop
até voltou a liderar uma corrida. O problema dele, no entanto, continua o
mesmo: sozinho anda que é uma beleza, mas se tiver alguém na frente perde muito
tempo nas ultrapassagens, até devido à falta de velocidade máxima nas retas do
carro da Ferrari. O resultado foi melhor que o seu 6º lugar habitual, mas aí
lembramos que o Webber abandonou e o Alonso terminou lá atrás, e chegamos ao 6º
lugar padrão... Alonso (11º) apareceu com um capacete comemorativo de gosto
duvidoso (comemorar recorde de pontos marcados quando o regulamento atual prevê
25 pontos para o vencedor ao invés dos 10, 9 ou até 8 que o vencedor já levou é
muito estranho para mim), se envolveu num toque com o Webber na primeira curva,
foi trocar o bico do carro e batalhou muito no pelotão do fundo com um carro
desestabilizado pelo toque. Cheguei a ficar com pena de o ver sendo
ultrapassado, a certa altura da corrida, pelo Gutiérrez.
Em 5º terminou o Pérez, outro que ninguém está dando como
garantido para o ano que vem. Essa foi sua melhor posição de chegada no ano, e
o fez com uma bela ultrapassagem sobre Räikkönen e Hamilton ao mesmo tempo. De
vez em quando o alinhamento planetário coopera... seu companheiro Button (14º),
por sua vez, teve um daqueles dias em que tudo dá errado, tendo sido alvejado
pelo Alonso na 4ª curva e danificados o carro e a roda. Um dia para esquecer.
Em 8º e 9º chegaram os carros da Force India,
respectivamente Di Resta e Sutil. Aproveitaram bem a força do motor Mercedes e
estavam difíceis de serem ultrapassados, mesmo quando o oponente se utilizava
da asa móvel (Di Resta teve a 3ª mais alta velocidade máxima registrada na
reta).
Fechando a zona de pontuação, em 10º, chegou o substituto do
Webber em 2014, Ricciardo. Por conta da estratégia de pneus, chegou em certo momento
a estar em 3º na corrida, depois foi caindo de rendimento. Seu companheiro
Vergne (13º) praticamente não apareceu na transmissão.
Próxima corrida, domingo que vem, em Abu Dhabi. Pode dormir
até mais tarde que a corrida só começa às 11h da manhã.
Até a próxima!
Alexandre Bianchini
3 comentários:
O céu é o limite para o Vettel e, sim, de fato, temos a oportunidade de acompanhar a história sendo escrita sob os nossos olhos.
Será melhor que Senna e Cia?
Difícil dizer, Sérgio. Talento e o carro certo, ele tem. É muito complicado comparar épocas diferentes. Nos dias de hoje, com o atual regulamento, ele é quase imbatível. Não sei se ele se daria bem com os carros asa do fim dos 70, começo dos 80. Talvez não sobrevivesse aos frágeis carros dos anos 50 e 60, onde você corria em algo que parecia uma banheira de gasolina que se desmontava ao menor choque, muitas vezes entrando em combustão instantaneamente. O que posso afirmar, com certeza, é que ele tem um talento e uma "estrela" comparável à dos grandes campeões. Pois campeão sem sorte não existe.
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