Olá leitores!
O GP do Canadá, no belíssimo Circuit Gilles Villeneuve, na
Ilha de Notre Dame, em Montréal, costuma ser a corrida atípica do campeonato.
Seja pela condição do asfalto (usado pouquíssimas vezes por ano), seja pelas
condições climáticas (volta e meia chove), seja pela proximidade de alguns
muros, é a corrida onde se algo puder acontecer de diferente, acontecerá. Não
foi bem o caso dessa corrida, que chegou a ser levemente monótona – mas não
tanto quanto o jogo Brasil X França. A nota triste ficou pela morte de um
fiscal de pista, atropelado por um trator que retirava o carro do Gutierrez
após a corrida, e que foi levado com sérios ferimentos ao hospital mas não
resistiu.
A vitória – fácil – ficou com Vettel, que teve um dia em que
tudo deu certo. Nem parecia o mesmo carro que enfrentou dificuldades nas
corridas anteriores. Dominou completamente a corrida, largando na pole position
e abrindo uma confortável vantagem que fez com que, em alguns momentos, ele
passasse a nítida impressão de ter “perdido o foco” na pilotagem. Absoluto. Seu
companheiro Webber terminou em 4º lugar, tendo feito uma bela e consistente
corrida. Poderia ter obtido um resultado melhor, mas perdeu muito tempo atrás
do Rosberg e depois se envolveu em um toque com o DeVaGarde, digo, van der
Garde, que danificou o bico do carro.
Em 2º lugar veio Alonso, com um resultado construído sobre
seu grande talento. A disputa de posição com Hamilton nas voltas finais foi
empolgante, embora ele tenha ultrapassado o inglês devido aos problemas de
freio deste. Mas corrida é isso, não basta ser o mais veloz, tem que ser veloz
E cuidar do equipamento para que ele esteja mais ou menos em ordem do início ao
final da corrida. Inteligência também garante bons resultados, Emerson
Fittipaldi que o diga. Seu companheiro Massa (8º) fez uma boa corrida, dentro
das possibilidades de quem largou em 16º e nitidamente não tinha o carro com
melhor velocidade máxima esse final de semana. A escolha de pneus pelo “estrategista”
(entre aspas mesmo) da equipe também não ajudou. Deve-se levar em conta que a
equipe teve que consertar o carro depois dele bater (novamente) no treino
classificatório. O clássico: não foi bom, mas podia ter sido bem pior.
Em 3º chegou Hamilton, que atacou o que pôde, mas não
conseguiu segurar o espanhol da Ferrari. Ainda não se sente confortável com o
carro da Mercedes, e teve problemas com os freios. O mais incrível é que, com
todos os problemas, ele não desiste. Tem piloto por aí que ao menor sinal de
dificuldade, já desanima e deixa de acelerar 100%. Seu companheiro Rosberg
terminou em 5º, mais de 50 segundos atrás do Hamilton. Corrida apagada,
reforçada por uma escolha errada de pneus.
Em 6º terminou Vergne. Corridão. Mostrou que sabe andar
entre os 10 primeiros, embora não tenha feito nenhuma ultrapassagem – a posição
que ganhou em relação à posição de largada se deveu à grande perda de posições
do Bottas. Diria que se existe um sério candidato a substituto do Webber, é
ele. Seu companheiro Ricciardo não se apresentou bem terminando num
inexpressivo 15º lugar.
Em 7º chegou o Di Resta. Esse merece menção: fez os
ridículos pneus da Pirelli durarem 57 voltas. Isso mesmo: 57 voltas!!! Acho que
nem mesmo a Pirelli imaginava que os pneus que fizeram esse ano durariam tantas
voltas. Na pista do Canadá, foram quase 250 km. E fez isso resistindo aos ataques
do Massa e do Räikkönen, tendo largado em 17º. Imagino esse cara numa equipe
grande. Seu companheiro Sutil chegou em 10º, mesmo tendo recebido um
drive-through por não obediência à bandeira azul (aliás, só na F-1 a bandeira
azul, a que indica para um piloto que vem outro carro mais veloz atrás, é
levada tão a ferro e fogo assim. Frescura pura), quando o Hamilton chegava para
dar uma volta nele. “Grande amigo” o Hamilton, por sinal, que não testemunhou a
favor dele quando ele foi acusado de agredir um diretor da equipe em uma boate
há uns anos. Nunca é tarde para “dar o troco”...
Em 9º chegou o Räikkönen, igualando o recorde de 24 corridas
consecutivas na zona de pontuação estabelecido pelo Michael Schumacher. Brigou
muito com o carro, que apresentou problemas nos freios – item sempre crítico no
circuito canadense – e portanto a apresentação esteve abaixo da sua média. Seu
companheiro Grosjean terminou em 13º, depois de largar lá atrás. Fraco.
Próxima corrida, dia 30/06 em Silverstone, autódromo que no
passado viu tantos e tantos pilotos brasileiros lutarem por um lugar ao sol em
sua trajetória rumo à F-1, circuito que recebeu de portas abertas Emerson
Fittipaldi, Nelson Piquet, Chico Serra, Ayrton Senna, Raul Boesel, Maurício Gugelmin,
Rubens Barrichello, entre tantos e tantos outros brasileiros que fizeram
sucesso por aquelas bandas. Circuito que nem deve se lembrar da bandeira
brasileira, tanto tempo faz que um dos nossos não faz sucesso por lá, graças à
inoperância e desleixo da entidade máxima do automobilismo brasileiro em
promover as categorias nacionais que poderiam servir de celeiro de novos
pilotos. Enfim...
Até a próxima!
2 comentários:
Não vi, nem ouvi. Acaso não tivesse esse texto aqui, nem saberia o que está rolando. Globo monopólio, gente desinteressada?
O monopólio não ajuda, assim como o único piloto brasileiro em fase "crash test dummy". Podiam ao menos ter tido a decência de passar a transmissão para o SporTV. Eu assistí a parte final via internet, e é absurda a diferença da transmissão da Plim-Plim para a BBC. A Plim-Plim mostra o pódio e já corta o sinal. A BBC mostra o pódio, as entrevistas no pódio, entrevistam os pilotos que não subiram ao pódio... dá mais ou menos uns 20 minutos de programação pós corrida. Respeito ao fã do esporte. Talvez por isso eles sejam um país de 1º Mundo e nós do terceiro.
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