quinta-feira, 6 de junho de 2013

Preguiça, moleza. Eita lombeira danada!


Uma malevolência daquelas. Mas não é maldade, é preguiça mesmo. Assim são os campeões depois da vitória. Um tempo necessário para esticar as pernas, pensar nas coisas boas da vida. O Corinthians está nessa pretensão extrema, uma moleza dolosa, desculpa esfarrapada. O time não está jogando nem um terço do que aprendeu a jogar como campeão mundial. E o não-jogar está virando um não-ganhar. Pontos perdidos que deveria ser gordura, nova alcunha de boa campanha nos pontos corridos. Pontos que farão falta daqui em diante, pela briga por título; pela Libertadores no próximo ano.

Os torcedores estão admitindo tudo nessa má fase, pois sabem: tratar-se de apenas uma fase. O time que deu medo no Boca Jr. e que precisou da ajuda de um juiz só pode ser um time maravilhoso, os torcedores imaginam. A verdade é uma só: são muitos jogos sem a regularidade do ano passado; muitos jogos com o mesmo pós-jogo tão verdadeiro e decente do treinador Tite. Ele não diz nada que engane o torcedor, realmente o time tem criado e coisa e tal. Mas futebol precisa de alguns resultados que não devem ser ignorados, como, por exemplo, os três pontos contra o Cruzeiro que não existiram.

Não se joga fora a oportunidade de vitória como o time anda fazendo, muito menos jogar uma partida em apenas uma das etapas. Coisa normal que o Corinthians anda fazendo: ou arrebenta no primeiro tempo (como contra o Cruzeiro) ou tenta se recuperar de uma derrota no segundo tempo (como contra o Goiás). Uma partida inteira? Nem pensar! Essa irregularidade está contando pontos perdidos, deixando o torcedor preocupado e a mídia interessada em saber qual a crise que o time terá de enfrentar daqui alguns meses.

Debaixo do coqueiro, sombra e água fresca: a crise ainda não existe. Mas, se continuar nesse ritmo frenético, é bem possível que o time não reencontre mais o seu caminho. A lenta recuperação do futebol vistoso, briguento e organizado poderá custar a cabeça de treinador, comissão técnica e jogadores. Vejam bem: seria voltar ao passado, onde a má fase era uma oportunidade única de mudar tudo na equipe. É preciso agora não mudar a equipe, mas mudar a postura. O sinal amarelo, qualquer sinal que dê um novo norte; um dínamo qualquer que reorganize a equipe como ela deveria ser.

Adoro o pecado da preguiça, mas ela tem validade. Ela é uma etapa, um começo. Caso contrário começa a ser vício dos mais horrorosos, e para o futebol significando a falta de compromisso, paixão e vontade. Um jogador pode ser ruim de bola, só não pode ser mole. No alinhavar técnico, mais um pouco de raça; um pouco de motivação; um pouco de corda no pescoço. A pressão que não existe hoje, e que sempre existiu no clube, tem causado um tipo de estrago que os torcedores não estavam acostumados. Essa terrível sensação de não jogar bem, não ganhar partidas; não fazer gols e acharmos que está tudo muito bem.



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