Hoje é Dia dos Namorados. É do
dia de celebrar o amor e a paixão. Mas, em uma cidade como São Paulo o dia 12
de junho, na prática, é sinônimo de restaurante e cinema lotados e cheiro de
buquê de flores em tudo quanto é prédio de escritórios. Contudo, há vinte anos
atrás, o amor foi pintado em cinquenta tons
de verde, com o perdão da referência óbvia ao “best seller” da escritora
Erika L James. Por sinal, um presente já esgotado em várias livrarias nessa
data. Falo, claro, da final do Campeonato Paulista de 1993. Estão lembrados?
Pois bem, aos enamorados mais novos segue um resgate histórico.
O Palmeiras estava sem ganhar
títulos desde 1976 e, para o torcedor palmeirense, não era somente o jejum que
incomodava; era a forma como alguns títulos foram perdidos durante esse
período. O período sem títulos transformava o Palmeiras num barril de pólvora
prestes a explodir a qualquer momento. O time, pressionado pela torcida, temia
em campo. E, com medo, como bem disse Nelson Rodrigues, não se chupa um picolé,
que dirá ganhar um título. Um exemplo
dessa fase braba que o Palmeiras enfrentava foi o Campeonato Paulista de 1986,
quando o Palmeiras conseguiu a proeza de perder a final para a Inter de
Limeira, em pleno Morumbi. É lógico que o time da Inter dirigido pelo Pepe era
um bom time de futebol, mas, naquela época perder uma final para um time do
interior era o máximo da humilhação para qualquer um dos grandes de São Paulo.
O torcedor do Palmeiras, a partir
daquele ano de 1986, além de chorar a derrota e o jejum, passou a ser motivo de
chacota em São Paulo. Pra falar a verdade, na época de escola eu consigo me
lembrar aqui de apenas um palmeirense assumido. Poderiam existir outros, mas,
que nunca revelavam a sua paixão clubística por medo da zoação dos colegas. E
era justificável, pois, naquela época, Corinthians e São Paulo dominavam o futebol
paulista ganhando a maioria dos títulos. Os santistas já não faziam muito
sucesso entre os torcedores mais jovens, logo, as brincadeiras era voltadas aos
pobres palmeirenses que foram alvos do “bullying” de corintianos e são paulinos.
Porém, naquele ano de 1993 tudo
mudou. Apoiada por uma multinacional italiana o Palmeiras começou a montagem de
uma verdadeira máquina de jogar futebol que dominou o campeonato daquele ano,
de ponta a ponta, apesar da pressão da torcida e de algumas desavenças entre as
estrelas. Sem dificuldades o Palmeiras chegou a final contra o seu arquirrival
Corinthians. No primeiro jogo, o apenas esforçado time corintiano ganhou do
Palmeiras por 1 a 0, com direito a uma comemoração provocadora do atacante
Viola, que após marcar o seu gol resolveu imitar um porco e falando meia dúzia
de bobagens, ferindo o orgulho dos torcedores e jogadores palmeirenses. Após
aquele jogo, que me perdoem os pombinhos palmeirenses, achei que o Palmeiras
iria morrer na praia, de novo. O título corintiano era dado como certo.
Felizmente, os comandados de
Vanderlei Luxemburgo não aceitaram a derrota na véspera e foram para o segundo
jogo determinados a levantar a tão sonhada taça, a mesma que lhes fora negada
nos últimos dezesseis anos e que fez tantos vilões entre jogadores e técnicos
palestrinos. O retorno do Palmeiras entre os grandes do futebol brasileiro não
podia esperar e os seus jogadores sabiam disso. O regulamento previa que o
Palmeiras precisava ganhar o jogo para levar a decisão para a prorrogação. Dito
e feito, diante de um Corinthians inferior tecnicamente e, inexplicavelmente,
nervoso, o Palmeiras promoveu um dos maiores atropelamentos que se tem notícia
em finais de campeonato. Ganhou no tempo normal com uma incontestável superioridade
de três gols sobre o rival, levando a disputa para a prorrogação. Sabem, existem
momentos que simbolizam um título ou uma temporada, mas, o gol do Evair naquela
prorrogação é o momento mais emblemático para toda uma geração de torcedores
palmeirenses. Foi mais que um gol, foi a libertação. Era o fim das piadas e,
para muitos que aprenderam a gostar do Palmeiras apenas por influência da
família, era sentir, pela primeira vez, o prazer de gritar e comemorar um
título de seu clube do coração.
Obs. Texto dedicado a todos o
filhos de palmeirenses que hoje estão com dezenove anos de idade e que, pelas
minhas contas, foram concebidos naquele Dia dos Namorados de 1993.

Um comentário:
Confesso: Último dia que eu chorei por causa de futebol.
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