1- Vaias para Seleção são pertinentes. 2 – Felipão está ultrapassado. 2 – Neymar não é o craque ( ainda). 3 – Ronaldinho Gaúcho e Kaká: Salvadores de si mesmos.
Corre a lenda que a
Seleção Brasileira nunca é aplaudida em sua preparação para Copa do Mundo. Tudo
bem que torcedor brasileiro é exigente e
que espera sempre o Brasil mostrando o melhor futebol do mundo. Acontece
que nos últimos tempos, nem a seleção brasileira tem sido injustiçada; nem o
torcedor brasileiro tem sido tão intransigente em relação às críticas. Assim,
as vaias ouvidas no último jogo são válidas, pois mostram o reconhecimento real
(não pelo prisma da expectativa), de que estamos com uma seleção fraca tecnicamente;
perdida taticamente e irreconhecível em sua habilidade individual.
Parte do problema é
estrutural, pois a entressafra de jogadores é visível para maioria dos
torcedores e comentaristas. Outra parte é a preparação da seleção, com a
escolha de Mano Menezes e posteriormente com Felipão. Jogadores medianos com um
bom preparo podem ser campeões, jogadores fantásticos sem treinamento também.
Todavia, jogadores medianos sem preparo devem contar com a sorte, apenas. Como
para alguns a sorte não existe, é melhor não esperar que ela apareça no local
certo. Assim, as vaias ouvidas nos jornais, no estádio e nos bares; são vaias
não apenas para os jogadores, mas para todo esquema que envolve a futebol
brasileiro: desde a seleção até a
organização dos campeonatos de base. Estamos errando feio com o futebol e
não apenas na convocação dos
selecionáveis para a Copa do Mundo.
O preparo da seleção
começa com o técnico, que junto com sua comissão que decidem a melhor forma de
jogar e, em tese, os melhores jogadores. Alguns treinadores brasileiros usam
modelos de décadas, já abandonados e ultrapassados. De todos os ultrapassados,
Felipão parece ser o maior deles. O que me deixou mais assustado ainda foi a
declaração sobre os volantes, dado numa entrevista dias antes do jogo contra o
Chile. Ali ficou claro o modelo de jogo do Felipão para a seleção, que é totalmente diferente de modelos testados e
outorgados pelos campeões no mundo, como: Barcelona, Bayer e Real Madrid. E, num
modelo brasileiro: Corinthians e Atlético Mineiro. O modelo de volante “duro,
pegador e cão de guarda” é essencial, mas não devemos esquecer que é
fundamental que ele seja habilidoso e que saiba armar e preparar o jogo para os
atacantes. Volante fazendo gols é tão fundamental para o futebol como zagueiros
que sabem cobrar falta e coisas desse tipo.
Outro problema sério
enfrentado pela seleção: Neymar é um dos nossos melhores jogadores, mas ainda
não é salvador. Lembrando mais uma vez: ele não é o Pelé, nem o Romário, nem
Ronaldo; nem Zico; apesar de quase todos os santistas acreditarem nisso (é um
direito deles, ora). Portanto, não queiram que Neymar salve a seleção, nem
coloquem nele toda nossa frustração do atual futebol brasileiro. Algumas coisas
em relação ao Neymar: Ele não é tudo isso que dizem, mas tem potencial para
ser. Para isso ele precisa parar de ser artilheiro dos chinfrins regionais e
jogar na Europa; precisa parar de inventar dribles no Zé, Mane e Chulé e pegar
os melhores jogadores do mundo. Só assim Neymar pode colocar à prova o que
ainda é dúvida para alguns torcedores brasileiros.
Outro assunto
espinhoso: Kaká e Ronaldinho Gaúcho não podem ser nossas esperanças na Copa do
Mundo. Ambos já tiveram chances enormes em vestir a camisa da seleção e serem
os “caras”. Kaká com problemas físicos no passado e em decadência no presente
(Quase nenhum grande jogador fica na reserva por causa de birra com o
treinador). Ronaldinho Gaúcho em ótima fase no Atlético Mineiro, mas que
historicamente faz apenas uma grande partida pela seleção, que foi o jogo
contra a Inglaterra, num gol que ele jura ter sido um cruzamento, e vice-versa.
Assim, se apenas os dois podem desencantar a seleção arte, é possível mais uma
vez termos uma seleção apenas pragmática.
E pelo andar do
tempo, teremos no máximo uma seleção prática, mas nem um pouco brilhante.
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