terça-feira, 7 de maio de 2013

Choro de Neymar e cansaço do Corinthians


Corinthians e Santos chegam à final do Paulistão com seus times desfigurados


Corinthians e Santos na final. Depois de mais de três meses de jogos que não valiam (ou parecem não valer) nada, enfim algum tipo de emoção nas quartas de finais. Não pelos jogos, que foram em sua maioria terríveis de assistir. Tirando Corinthians e Ponte, o resto foram sofríveis, chatos e previsíveis. Nem mesmo o Majestoso conseguiu tirar o velho torcedor do sofá, mas acabou lhe imprimindo uma dose de preguiça; uma insatisfação no sofá da sala, em meio ao sono que geralmente aparece depois de uma bela macarronada.

Todos os jogos disputados nos pênaltis, que como loteria premia apenas o melhor em escolher o número, o canto e a velocidade. Pênalti não é loteria, mas parece muito com lance de sorte. Sorte que teve Cássio com a bola no alto e bom som de PH Ganso. Sorte que teve Rafael do Santos, em uma “milimétrica” adiantada na defesa de uma das penalidades cobradas pelo jogar do Mogi Mirim. Adiantada tão acanhada que não poderia nem ser vista pelo sempre imparcial tira-teima. Adiantada não convencional como de Rogério Ceni, querendo mais desestabilizar o batedor do que não ser pego pelo árbitro. Adiantada de Chico, Francisco e João; como adiantada de Marcos no pênalti lembrado e relembrado contra o Marcelinho “Sei chutar de longe, mas de perto sou uma negação” Carioca. Essas foram únicas emoções desse campeonato sonso e decadente.

Santos chega a sua quinta final consecutiva. E pretende com isso entrar para a história de Neymar, que pelo choro e vela parece mesmo arrumar as malas para algum time da Europa. O colecionador de títulos pós-Pelé chorou no gramado, como se soubesse que, na próxima década, esse seria seu último campeonato pelo time santista. Pode não ser verdade, ele pode ficar aqui até a final da Copa do Mundo, mas uma coisa é certa: ele só pode ser melhor se jogar entre os melhores, caso contrário vai continuar sendo ídolo do time que joga; mas será zombado (por rixa ou não) pelos adversários. “Cai-cai”, “em decadência” e “má fase” são expressões para o jogador, que ainda contradiz com o adjetivo “Gênio” usado pelos torcedores santistas.

Nem tanto ao céu, nem tanto ao mar: a fase do Neymar não é das melhores, no entanto ele continua sendo o maior nome do futebol brasileiro. E o parâmetro disso tudo é que o próprio Santos, na esteira do seu melhor jogador, anda correndo pouco; desfigurado em sua conhecida atitude criativa, de ataques fenomenais e grandes goleadas. Se o Santos de hoje não assusta tanto assim, ainda dá medo quando a Jóia está em campo.

Do outro lado o Corinthians, que joga com a previsibilidade do seu jogo; mas que ainda é um time muito forte em conjunto. Não consegue grandes apresentações desde o título Mundial, contradizendo a matemática dos fatos; quando contratou mais jogadores talentosos para posições pontuais. A equipe “sem talento” jogava mais bola do que a equipe agora qualificada. A resposta não é simples, mas necessária. Tite argumenta, os jogadores refletem: Somos os campeões mundiais. O que ainda não sabem é que selo não ganha história, é passado. Carregar o emblema dourado no peito é sinal de mais responsabilidade, mais agito e mais entrega. O time campeão e que botava medo nos adversários, hoje é apenas respeitável; mas com certeza não é o seu limite.

A final será “desconfigurada”, afinal temos times em situações diferentes dos últimos anos: O Santos sem criatividade e o Corinthians sem “a pegada”. Ambos esperando mais dos seus jogadores. Talvez férias para a mente, corpo e alma; talvez menor badalação; e quem sabe, algumas palavras que motivem os grupos campeões, mas que deitaram exaustos nas glórias das recentes conquistas.



Um comentário:

Mario disse...

Como disse no meu último post, considero o Corinthians favorito, pois tem mais conjunto e elenco em relação aos demais times que chegaram à fase final.

Corinthians x Santos em mais uma decisão em menos de um ano, e o Santos com um time mais modificado e desentrosado em relação ao ano passado. A esperança santista está em um Neymar inspirado, já que André e Miralles parecem dois postes lá na frente, e Montillo talvez nem jogue, o que não fará muita diferença pelo que vem (ou não vem) apresentando.