terça-feira, 3 de julho de 2012

Na escola da bola a Espanha já está de férias, mas o Brasil ficou de recuperação.


A seleção da Espanha conquistou mais um título no futebol. Até aí, nenhuma novidade. Os espanhóis têm dominado o futebol mundial nos últimos anos, seja entre seleções internacionais ou entre os clubes. O que impressiona é a forma maiúscula com a qual os espanhóis têm enfrentado os adversários nos jogos decisivos. Bem diferente do que estamos acostumados a ver em terras brasileiras e até mesmo no restante da América do Sul

Se pelas bandas de cá, insistimos em jogar com uma excessiva preocupação defensiva, com o controle das ações adversárias em nosso próprio campo e com saídas em velocidade para o ataque, seguindo a cartilha amarelada do futebol competitivo de resultados, os espanhóis provam a cada dia que o jogo deve ser enfrentado no campo do adversário, com domínio de posse de bola, marcação sobre pressão em todo o campo e participação de todos os jogadores no ataque. E isso não ocorre apenas nos jogos mais fáceis. A seleção espanhola cumpre o seu roteiro até nas decisões mais complicadas.

O resultado dessa nova ordem futebolística, que nem é tão nova assim, nem sempre garante a vitória no placar, mas, é garantia de bons jogos e grandes emoções para o público. Um colírio para olhos que admiram o jogo de futebol e estão tão castigados pelo tal de futebol de resultados. Obviamente que o estilo espanhol não vai agradar a todos. Para muitos, o manejo de bola espanhol é chato, enfadonho, lento, entre outros adjetivos. É difícil convencer, principalmente os novos fãs de futebol, que o jogo também pode ser jogado sem tanta pressa, sem afobação, pensando o jogo e caprichando na execução dos fundamentos.

Os espanhóis parecem se divertir com a bola nos pés, gostam da companhia dela, ao passo que nossos jogadores, ansiosos, sem tanto domínio dos fundamentos e pressionados pela rígida fórmula do Professor na lateral do campo, apressam as jogadas, rifam a bola, livrando-se dela como se essa fosse apenas um detalhe do jogo e não a sua protagonista. Muitos encontrarão semelhanças entre esse estilo espanhol e o futebol brasileiro na sua época de ouro. É possível que sejam semelhantes, entretanto, os espanhóis não copiaram o nosso futebol, apenas pegaram algo que dava tão certo e que andava meio esquecido pelas bandas de cá e adaptaram para o futebol moderno, com toda a sua preparação física e preenchimento de espaços.

Nós, brasileiros deveríamos ser mais alunos, aprender com o que está vencendo e convencendo, ao invés de contar os títulos internacionais de cada país ou tentar comparar Neymar com Messi. Pensei que o atropelamento do Barcelona no final do ano passado fosse causar esse choque nas estruturas do futebol pentacampeão. Que nada! Com brasileiro não há quem possa e, no alto de nossa soberba ainda acreditamos ter o melhor futebol do mundo, o melhor jogador do mundo e tal e coisa. Talvez seja preciso um curso intensivo. Quem sabe, no Brasil, em 2014.
 
  

Um comentário:

Mario disse...

Esta vitória da Espanha sobre a Itália me consolou um pouco: 4x0 sem o Messi. Nunca vi a Itália tomar um chocolate desta natureza, num jogo com esta importância.

Enquanto estávamos copiando o futebol europeu, os espanhóis estavam resgatando um pouco do futebol sulamericano. Mas não acho que a Espanha jogue o "futebol arte". Eles apenas dispensam os volantes brucutus.