quarta-feira, 23 de maio de 2012

Rock and roll e água benta


Fiquei contente com uma notinha que li nessa quarta-feira de greve em São Paulo: o Grêmio teria confirmado uma apresentação do grupo Foo Fighters no dia de inauguração do seu novo estádio/arena, em novembro desse ano. Dizem, aliás, que a primeira opção dos gremistas era a banda australiana AC/DC, só pra matar a gente de inveja. No bom sentido, claro.

Fiquei feliz, sim, porque há quase 30 anos casei com o rock ‘n’ roll, sem direito a desquite e sempre senti uma certa frustração por nunca conseguir reunir essas duas paixões: o peso dos “três acordes” e o futebol. O nobre esporte bretão, pelo menos nas bandas de cá, sempre esteve associado ao samba - expressão maior de nossa cultura popular, que fique bem claro – mas, faltava uma união um pouco mais sadia entre a bola e a guitarra.

Nos estádios, cansei de ouvir o canto da torcida parodiando algum pagode, um samba-enredo, ou até mesmo um axézinho maroto, quando na verdade queria saudar o meu time do coração com um bom e velho rock. Que tal um Hells Bells (AC/DC), tal qual os alemães anárquicos do St. Pauli FC? Ou então aquele refrão de Heaven Can Wait (Iron Maiden), cantado, em coro, aos plenos pulmões? Como eu nem sou tão exigente assim serviria até um Seven Nation Army (White Stripes), grito que move nove entre dez torcidas de clubes do leste europeu.

Os boleiros, por sua vez, sempre tiveram os pés na batucada ou na música que esquenta as baladas das grandes capitais. E dá-lhe pagode, axé, sertanejo universitário, breganejo, funk e outros ritmos que fazem a cabeça dos melhores jogadores do futebol brasileiro. Falta um pouco mais de rock n´roll nessa nossa turminha moicana e endinheirada dos dias atuais. 

No More Mr. Nice Guy, como bem diria o Alice Cooper. O futebol precisa da rebeldia, que é bem diferente da idiotice bad boy de alguns boleiros. A atitude rock n´roll é ir pra cima da marcação, sair pro jogo, trocar passes no ataque, fazer o inesperado, enfim, sair daquele script programado pelo “Professor”. Injeta Ramones e Raulzito na veia dessa rapaziada! 

Pelo menos, a diretoria do tricolor gaúcho acertou em cheio na escolha da banda de inauguração do seu estádio, que iniciará as atividades já abençoado pelos deuses do rock. Gostaria muito de saber se as diretorias de Palmeiras e Corinthians, que estão com as suas respectivas arenas em obras, terão a mesma felicidade se optarem por uma inauguração com um pouco mais do que somente a tradicional água benta. Tomara que essa moda pegue e Aumenta que isso aí é rock and roll (Celso Blues Boy).

2 comentários:

Sérgio Oliveira disse...

Falando em rock, li uma notícia de que o goleiro do Corinthians é fã do rock pesado.... já é um ponto para ele...kkkk

Cesar Augusto disse...

Sim, ouvi dizer. Já é um começo.