Olá leitores!
Ao final da corrida em Sepang, acredito não ter sido o único
a respirar aliviado: ainda bem que terminou! OK, a pista da Malásia é bonita,
tem algumas sequências de curvas interessantes... mas quando não chove a
corrida costuma ser muito chata. E esse ano, com as equipes preocupadas em
economizar combustível e motores, requereu um esforço extra para ficar
acordado. O grande ponto positivo da corrida aconteceu no final, onde pude
enfim ter algum motivo para sorrir com o Massa. Como diz o título de um dos
clássicos do rock nacional dos anos 80, “Ele disse não”. O boxe da Williams,
acreditando que o Bottas pudesse alcançar e ultrapassar o Button, e também
acreditando em promessa de político brasileiro, veio com o infame “Bottas is
faster than you” no rádio do Felipe. Clara ordem de equipe. Que Massa,
felizmente, ignorou e continuou acelerando. Antes recuperar um pouco de
dignidade tarde do que nunca. Os cenhos estavam franzidos na Williams após a
bandeirada, mas o Felipe fez a coisa certa. Faltassem apenas 3 ou 4 corridas
para o fim da temporada, e ele estivesse atrás do Bottas na classificação, com
o Bottas tendo chance de disputar o título, eu seria o primeiro a defender uma ordem
de equipe. Na segunda corrida de 19, não.
A vitória, de ponta a ponta, foi de Hamilton, que esteve
soberano na pista. O domínio dele foi tão grande que ajudou a tornar a prova
ainda mais chata. Aliás, desculpem-me, o domínio não foi só dele, já que seu
companheiro Rosberg terminou em 2º lugar – completando a dobradinha da Mercedes
– também sem ser ameaçado. Quem ficou feliz foi o principal patrocinador da
equipe, a Petronas, petroleira – por acaso – sediada na Malásia...
Em 3º terminou Vettel, mostrando que aos poucos a Red Bull
vai consertando tudo o que tinha de errado no carro na pré-temporada e dando
chance aos pilotos de brigarem por alguma coisa. O tetracampeão estava
empolgado no final da corrida com a evolução mostrada pelo carro e pelo motor
da Renault. Já Ricciardo continua em inferno astral, com tudo de errado
acontecendo com ele: primeiro a equipe erra no pit-stop, soltando ele para ir
antes de prender direito a porca que prende a roda, depois ele teve um problema
na asa dianteira que o fez perder mais tempo ainda e por fim recebeu uma
punição de 10 segundos parado no boxe porque a equipe errou no trabalho de
troca dos pneus. Aliás, a FIA é estranha: a equipe erra e o punido é o piloto??
Muito, muito estranha essa regra. Parece coisa da CBF... e a má fase continua:
como os fiscais entenderam que a punição de 10 segundos não foi suficientemente
cumprida, já que após a cronometragem a equipe recolheu o carro aos boxes, ele
perdeu 10 posições para a posição de largada da próxima etapa. Galho de arruda
no capacete deve ajudar.
Em 4º terminou Alonso, novamente tirando leite tipo A da
pedra, digo, da Ferrari. Já não é a primeira vez que os projetistas da Ferrari
fazem um carro que só anda direito com os pneus macios, e eu diria que não é a
primeira vez que a equipe vai perder o título por causa disso. A partir do
instante em que o regulamento exige que você use durante a corrida os dois
tipos de pneus que a fabricante leva para o final de semana da corrida, e que o
carro que você faz não se adapta ao pneu mais duro, você vai ter problemas. E
vai perder pontos. E a chance de ser campeão começa a escorrer por entre os
dedos como água. E Alonso só passou o Hülkemberg no final pois o alemão
resolveu fazer uma estratégia de corrida com uma parada a menos, e ficou com os
pneus muito desgastados no final. Mas de qualquer maneira o espanhol foi melhor
que o Räikkönen, que terminou num horroroso 12º lugar. Em 3º lugar, pegando a
tabela dos que terminaram a corrida e olhando de trás para frente. OK, ele se
envolveu em toque com o Magnussen logo na 2ª volta, teve o pneu furado, mas o “homem
de gelo” já teve apresentações melhores.
Em 5º lugar, mostrando o quão bom piloto ele é, e ressaltando
a enorme burrice das grandes equipes em não o contratarem, chegou Hülkemberg
com sua Force India. Seu talento fica ainda mais evidenciado quando comparado
ao companheiro de equipe, o inconstante Sergio Pérez, que foi o primeiro a
abandonar a corrida. Nem conseguiu largar, coitado, sofrendo com problemas de
câmbio.
Em 6º chegou Button, que parece estar sofrendo com a perda
do pai no começo do ano, e está rigorosamente apático. Junte a apatia do piloto
com o carro que não é nenhuma obra prima – embora seja melhor que o do ano
passado, não que isso queira dizer grande coisa – e teremos um 6º lugar que é
melhor do que o esperado. Seu companheiro Magnussen terminou em 9º, o primeiro dos
que tomaram volta do líder. É um ano de aprendizado, e pelas condições do carro
e pela punição de 5 segundos parado nos boxes (aos quais se acrescenta o tempo
de entrada e saída dos mesmos) até que não foi ruim.
Em 7º e 8º veio a dupla da Williams, respectivamente Massa e
Bottas, mostrando que não se
deve acreditar muito em testes de pré-temporada.
Afinal, pelos testes era para eles estarem disputando a liderança, certo?
Em 10º, fechando a zona de pontuação, chegou Kvyat (até o
fim do ano consigo escrever o nome dele sem conferir 5 vezes se a sopa de letras
está na ordem correta...) marcando mais um pontinho para a Toro Rosso. Seu
companheiro Vergne abandonou após ter o carro danificado numa disputa de
posição lá no pelotão do tiroteio, quer dizer, do fundo.
A próxima corrida é já no próximo fim de semana, no Bahrein,
com a novidade de ser uma corrida noturna, largada lá pelo meio dia, horário de
Brasília. Dá para tomar um bocado de café e/ou energético antes para não cair no
sono com a pista barenita.
Até a próxima!
Alexandre Bianchini
Um comentário:
A corrida em si foi muito chata, e eu sofri só a metade assistindo, mas bastante irado com a SporTV. No treino livre de sexta-feira foi anunciada a transmissão alternativa para o domingo às 13:15hs, inclusive constando na grade de programação. Pois hoje as 13:00 hs sintonizei o canal, e a prova já estava na volta 25. Onde encontrar o FDP responsável pelo VT?
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