E o carnaval já bate à nossa
porta. É a época do bombardeio sonoro de cuícas, surdos, tamborins, marchinhas,
vinhetas carnavalescas, sambas enredo e até mesmo aqueles sucessos da axé music que você não conhecia, mas,
o seu vizinho conhece e faz questão de compartilhar com toda a vizinhança. Os
blocos pré carnavalescos já tomam as ruas das principais cidades brasileiras.
Muito samba, suor, cerveja e nada de banheiro. Enfim, isso é carnaval. E, carnaval,
no ano da Copa do Mundo é especial.
No Brasil, o samba, o carnaval e
o futebol sempre estiveram muito ligados. Lembro aqui da união entre futebol e
samba que explodia nas salas de cinema e, posteriormente, na telinha da tevê,
quando o Canal 100 entrava no ar, ao som de “Na cadência do Samba”, clássico de
Waldir Calmon que o leitor pode acompanhar aqui. Difícil imaginar o futebol
brasileiro sem a alegoria do samba, sem o carnaval. Independente do gosto
musical de cada um a verdade é que o futebol brasileiro, com seus dribles, com
o seu toque de bola, com a sua espontaneidade tem tudo a ver com a cadência do
samba. Pelo menos era assim. Atualmente, tenho lá minhas dúvidas.
Tenho acompanhado o time do
Bayern de Munique comandado pelo Guardiola. E que timaço de bola, hein! Eles têm
tudo. Domínio de bola, troca de passes, articulação de jogadas ofensivas,
movimentação dos jogadores em campo e, pasmem, nada de pontapé. Sem nenhum
super craque os alemães estão jogando o fino da bola com um baita jogo
coletivo. Dá gosto de assistir até o VT do jogo a noite. Bato palmas para o Pep
Guardiola que, mais uma vez, brinda o fã de futebol com um estilo de jogo
bonito e competitivo. Pra quem não lembra o Guardiola foi o grande treinador do
time do Barcelona que encantou o mundo há 02 anos atrás. Como o Guardiola é um
fã declarado do futebol brasileiro de raiz, dedico ao professor o clássico do
Waldir Calmon que casa direitinho com a cadência dos bávaros.
Bem diferente do futebol
brasileiro atual, no qual temos quase sempres a sensação desconfortável de estar assistindo a
um jogo de pebolim. Jogadores sem domínio de bola, passes errados, falta de
movimentação no ataque, ausência de articulação ofensiva. Já tivemos essa
discussão aqui no Patativa em outras oportunidades e com outras perspectivas. O
futebol brasileiro, nos dias de hoje, está mais com cara de pagode
universitário. Tudo muito rico, limpo e pragmático, mas, sem aquele “esquindô-lêlê”
que faz a gente querer arrastar a sandália na avenida ou batucar na caixinha de
fósforo.
Assisto aos jogos do Paulista e
da Libertadores e a história tem se repetido; estamos sempre jogando no erro do
adversário, sem movimentação dos jogadores em campo, sem troca de passes. O
nosso samba tem atravessado justo no meio de campo, onde, historicamente,
sempre tiramos nota 10. Enfim, pelo que tenho assistido dos jogos do Bayern de
Munique, está faltando alemão no nosso samba.

3 comentários:
Li uma reportagem sobre o futebol alemão. Existe sim uma ligação entre a administração do esporte (pelos engravatados) e os jogadores em campo (com chuteiras). O futebol alemão só cresceu quando fizeram um planejamento a longo prazo, à risca, em todos os itens.... dizendo que os resultados apareceriam em..... 2013. Deu no que deu.
Bom, como nós brasileiros não fizemos planejamento nenhum, nem de longo, mem de curto prazo, deu no que deu.
Somos apenas exportadores. Até pra China agora. Compramos guardas-chuvas, e vendemos jogadores.
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