Cansei um
pouco de algumas críticas sobre a Copa do Mundo no Brasil. Das inúmeras questões
pendentes, que saem das quatro linhas do campo e vão parar nos arredores das
redes sociais; prefiro ficar por hora apenas com o futebol. Não quero concordar
com a frase possivelmente original de Ronaldo, que diz que a copa não se faz
com hospitais; mas devo concordar com uma coisa: a discussão sobre o dinheiro público;
desvio de verbas, superfaturamento e outras questões, devem estar em outro âmbito,
possivelmente em outro blog, mais ajustado ao teor investigativo, de denúncia;
de uma abordagem mais política.
Copa do Mundo
se faz com futebol.
Evidente que
esse negócio vai ficar para história, quando abrirem a caixa preta das
negociatas, das intrigas; das relações por debaixo do pano. Vamos descobrir a
relação daquele político com aquele fiscal que recebeu dinheiro daquela
empresa. E a conta indo para o povão, que em sua maioria assistirá apenas pela
televisão. Grandes obras, inúmeras empresas; grandiosas negociações com
dinheiro público. O negócio que podia ser melhor, talvez fique apenas o
suficiente. E as melhorias, prometidas em palanque, talvez não tenham efeito
satisfatório para a população. Nascerão obras sucateadas de véspera, continuaremos
com ruas e avenidas esburacadas. E pior do que isso: sem hospitais decentes.
Daí surge
uma questão muito interessante, que mexe diretamente com os brios daqueles que
estão envolvidos com o futebol. Na suposta situação irregular das reformas,
construções e tudo que envolve a Copa do Mundo no Brasil, qual é o papel das
pessoas que apreciam o esporte? Como você, agora, meu caro amigo; se divertirá
com um dos maiores entretenimentos esportivos de todos os tempos? Eu tenho
algumas opções, e todas envolvem um grau de apatia, de alienação em relação aos
acontecimentos. Ou eu me divirto com o futebol, ou eu ignoro por completo o
grande evento - Viver o meio termo me deixa muito mais aborrecido.
Então, em
meio às discussões, eu fiquei pensando em como seria um texto inicial para a
contagem regressiva para a Copa do Mundo no Brasil. Seria um texto repleto de
dedo na ferida de tudo que “anda rolando por ai”? Ou seria um texto “tudo bem,
eu sei que estou sendo enganado, mas o que vale mesmo é o futebol”. Ou ainda um
texto que tentaria um falar sobre o esporte, mas que não deixaria de lado a
questão econômica, social e política da copa. A minha dúvida piorou quando percebi
que parte daqueles que me auxiliam na conclusão sobre o futebol; ainda que de
maneira velada, estão descontentes com tudo que acontece com a seleção
brasileira.
Assim, esse
meu primeiro contato com vocês sobre a Copa do Mundo tem esse enigmático título.
Afinal de contas o evento já entrou em contagem regressiva. Temos todas as
seleções classificadas, o sorteio dos grupos acontecerá em breve. Se ainda não
vivemos o clima da Copa, é evidente que isso acontecerá daqui alguns meses. Essa
é a contagem regressiva. Por outro lado, a Copa passará e o campeão consagrado
(Brasil, Alemanha, Espanha, entre outros). Mas sobrará ainda o Brasil das
avenidas, da infraestrutura e dos hospitais. Sobrará do Brasil a contagem progressiva,
dos anos posteriores, do legado ou não que a Copa pode promover para o país.
Ronaldo está
certo, Copa não se faz com hospitais, mas com estádios. E faz mais sentido
ainda quando conseguimos contextualizar tudo que estamos vivendo: Um país só se
constrói com escolas, educação, respeito, hospitais, avenidas, empregos, eteceta
e tal. Portanto ele não está errado,
quem está errado somos nós, ao exigirmos melhorias para o país de maneira
errada, quase neutra; distante e sem qualquer ação política. A Copa do Mundo não
nos fará melhor ou pior brasileiro, mas com certeza a nossa escolha como cidadão
é que decidirá o que desejamos para o futuro do país.
Então:
Futebol ou não futebol? Eis a questão.
Um comentário:
Mandou bem !
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