segunda-feira, 18 de novembro de 2013

A dor de ser campeão: Palmeiras título que nenhum torcedor sonhou.

 

A dúvida da torcida em relação ao título da série B é vestígio de uma campanha gloriosa por meios tortos. Comemoração, sim. Mas nunca mais.


Palmeiras campeão da Série B. Para alguns torcedores simplesmente Palmeiras Campeão. Título digno de comemoração, como qualquer conquista. Mas título cheio de enigmas, dissabores; dúvidas. De fora vejo coisas boas acontecendo com a equipe, mas também vejo o mais do mesmo. Nenhum torcedor palmeirense conseguirá encarar mais um descenso, pois vai acabar se acostumando; virando rotina, coisas da vida. Time grande cair não é demérito, é circunstância. Time grande cair várias vezes é latente displicência. Palmeiras não pode mais ser rebaixado, não cabe; não pode. A história diz isso, que a própria história da instituição está sendo contada por meios tortos.

Sim, o título está ai. A injúria vergonhosa não é pela faixa, mas pela queda. Comemorar, sim. Mas um título que nunca mais ninguém quer. Vai ficar guardado num canto da sala de troféus, como quem marca uma saga; uma cena dramática dos teatros shakespearianos. Vai ficar ali como a notícia de uma doença, que foi curada lentamente. A queda como uma infecção generalizada, que precisou de remédio e repouso. O título como a cura, ou a pretensão de cura. Devem comemorar, sim. Mas com cautela. Cautela de quem vê de fora um time ainda não sendo tão grandioso, mas com condecoração modesta. Nada de novo nesse time, nada tão surpreendente. Melhor que antes, evidente: mais vitorioso; mais guerreiro e um tanto menos derrotado. Mas ainda é pouco.

Nas figuras dos torcedores um sorriso amarelo, quase tímido. Ao mesmo tempo o título dá um ar gracioso de dever cumprido, também traz o despautério da luta entre pequenos. A série B é tão forte nos tempos atuais, mas ainda assim é tão disparadamente inferior à Série A. Se campeão da série B é magnifico para os intermediários, mas nunca será coisa que se comemore entre os times grandes. A humildade é a comemoração, mas a soberba será aceitar as coisas como estão. Palmeiras instituição não deve nada a ninguém, Palmeiras equipe precisa muito mais do que andam fazendo.

Palmeiras campeão, sim. Mas como obrigação, etapa. Mas não deve ser tudo. Ainda não pode ser tudo. Palmeiras que precisa reformulação; precisa descobrir como estar grande, não se contentando apenas em ser grande. Ser grande é a história, torcida; cores. Estar grande é o jogo. E o jogo em campo não mudou absolutamente nada, mesmo com o título. Esse é o pior sentimento, que por vezes, a comemoração não nos deixa perceber. Existe uma evolução, existe uma equipe; mas qual o nível que a torcida prefere? Quais os itens que ainda não foram devidamente preenchidos para sonhos, conquistas e voos mais seguros?! Palmeiras campeão, com méritos. Mas Palmeiras que não está livre da história recente, de cair e levantar; tornar cair e levantar. Até quando?

A primeira queda ninguém esquece, a segunda todo mundo sabe. Mas a terceira? Terceira que pode não existir. Que pode não existir nunca mais. Mas o quê anda sendo feito para tanta certeza: O fantasma do rebaixamento não voltará jamais? Ninguém sabe o futuro, ainda. Mas é bom pensar nele desde já. Pensar nele como algo possível, mas pensar nele como algo indesejável. Palmeiras campeão, sim. Mas um título que nunca mais será comemorado.


Um comentário:

Cesar Augusto disse...

Pessoalmente, acho que o Palmeiras deveria ganhar pelo menos mais um título da Série B, para ser, segundo a CBF o maior vencedor de títulos nacionais da Série A e da Série B.