Fim do torneio-ensaio para a Copa
do Mundo, e o Brasil sagra-se campeão pela quarta vez. O sonho dos espanhóis de
enfrentar a seleção brasileira em um torneio oficial, em casa e no histórico e
desfigurado Maracanã, acabou se transformando em um pesadelo. Levaram a maior
derrota (3x0) desde que foram campeões mundiais em 2010, perdendo uma
invencibilidade de 29 partidas. A última derrota fora para Suíça, país onde se fabrica os melhores relógios.
Ironicamente, não coube a nenhum
rival europeu esta missão, e sim a um dos maiores exportadores de jogadores
para este continente e este país: o Brasil. E os principais destaques da
seleção canarinho (salvo David Luiz) foram três jogadores ainda “brasileiros”:
Fred, Paulinho, e Neymar. O primeiro jogador do Fluminense, e os dois últimos,
negociados, ainda vão “aprender” a jogar na Europa.
Fórmula antiga para vencer o
“revolucionário” futebol espanhol: Um homem de área que faz gol, (na qual
Felipão não abre mão) que é o centroavante, escasso nos dias atuais, e muito
longe de ser um craque, no caso do Fred; mas é oportunista, como um jogador da
sua posição deve ser. Também um jogador de habilidade e movimentação que atua
pelos lados extremos do campo, podendo fazer o papel dos antigos pontas, no
caso de Neymar e que incomoda a defesa adversária; um volante com vigor e
técnica, visão de jogo, como Paulinho; e David Luiz e Thiago Silva zagueiros técnicos e com bom posicionamento. Enfocando os jogadores que no meu entender foram fundamentais para
o título.
Óbvio que apenas estes elementos
não bastaram para quebrar o “tic-tac” espanhol. Este provou um pouquinho do seu
veneno, recebendo a marcação no seu campo de defesa, ao invés do adversário
ficar esperando para contra-atacar, sendo esta a estratégia que o Santos adotou
contra o Barcelona e a maioria dos adversários adotam. Em algumas ocasiões pode
dar certo, como foi com o Chelsea. Mas o time inglês tinha um centroavante inspirado e de
decisão, o Drogba. Mas o método mais adequado tem demonstrado ser a pressão na
saída de bola e meio-campo, o que pode comprometer o compasso do tic-tac. Foi o que aconteceu,
e Fred ainda poderia ter ampliado no primeiro tempo, após um passe açucarado de
Neymar com o atacante chutando em cima de Casillas. Mas também não é qualquer equipe que
consegue quebrar o tic-tac. É necessário que se tenha jogadores de habilidade
na frente e que consigam reter a bola e trazer perigo à meta adversária. Bayer e Real Madrid são exemplos, embora a Seleção conseguiu outro feito:
inverter a posse de bola ficando mais tempo com ela (por volta de 60%), o que não ocorreu com a
equipe de Munique, Real Madrid ou Chelsea. Outro lance fundamental da partida foi
através de David Luiz, que salvou um chute de Pedro em cima da linha e que seria
o gol de empate. Um gol que poderia dar corda novamente ao relógio espanhol e
equilibrar o jogo.
Apesar dos comentários, isto não
quer dizer que a seleção brasileira voltou a ser a melhor do mundo e que os
espanhóis são agora uns pernas-de-pau. Pelo contrário. Demoramos dois anos para
vencer uma seleção de ponta (o que só aconteceu nos 4x2 contra Itália), a Espanha
continua merecedora de respeito, tem um conceito de jogo definido, e a seleção brasileira ainda busca sua melhor forma. Mas este torneio acabou servindo para reconquistar o torcedor, o respeito dos adversários, e dar confiança e tranquilidade para a Seleção até a
Copa. Pelo menos é o que se espera.

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