segunda-feira, 1 de julho de 2013

E o tic-tac parou...

Fim do torneio-ensaio para a Copa do Mundo, e o Brasil sagra-se campeão pela quarta vez. O sonho dos espanhóis de enfrentar a seleção brasileira em um torneio oficial, em casa e no histórico e desfigurado Maracanã, acabou se transformando em um pesadelo. Levaram a maior derrota (3x0) desde que foram campeões mundiais em 2010, perdendo uma invencibilidade de 29 partidas. A última derrota fora para Suíça, país onde se fabrica os melhores relógios.

Ironicamente, não coube a nenhum rival europeu esta missão, e sim a um dos maiores exportadores de jogadores para este continente e este país: o Brasil. E os principais destaques da seleção canarinho (salvo David Luiz) foram três jogadores ainda “brasileiros”: Fred, Paulinho, e Neymar. O primeiro jogador do Fluminense, e os dois últimos, negociados, ainda vão “aprender” a jogar na Europa.

Fórmula antiga para vencer o “revolucionário” futebol espanhol: Um homem de área que faz gol, (na qual Felipão não abre mão) que é o centroavante, escasso nos dias atuais, e muito longe de ser um craque, no caso do Fred; mas é oportunista, como um jogador da sua posição deve ser. Também um jogador de habilidade e movimentação que atua pelos lados extremos do campo, podendo fazer o papel dos antigos pontas, no caso de Neymar e que incomoda a defesa adversária; um volante com vigor e técnica, visão de jogo, como Paulinho; e David Luiz e Thiago Silva zagueiros técnicos e com bom posicionamento. Enfocando os jogadores que no meu entender foram fundamentais para o título.

Óbvio que apenas estes elementos não bastaram para quebrar o “tic-tac” espanhol. Este provou um pouquinho do seu veneno, recebendo a marcação no seu campo de defesa, ao invés do adversário ficar esperando para contra-atacar, sendo esta a estratégia que o Santos adotou contra o Barcelona e a maioria dos adversários adotam. Em algumas ocasiões pode dar certo, como foi com o Chelsea. Mas o time inglês tinha um centroavante inspirado e de decisão, o Drogba. Mas o método mais adequado tem demonstrado ser a pressão na saída de bola e meio-campo, o que pode comprometer o compasso do tic-tac. Foi o que aconteceu, e Fred ainda poderia ter ampliado no primeiro tempo, após um passe açucarado de Neymar com o atacante chutando em cima de Casillas. Mas também não é qualquer equipe que consegue quebrar o tic-tac. É necessário que se tenha jogadores de habilidade na frente e que consigam reter a bola e trazer perigo à meta adversária. Bayer e Real Madrid são exemplos, embora a Seleção conseguiu outro feito: inverter a posse de bola ficando mais tempo com ela (por volta de 60%), o que não ocorreu com a equipe de Munique, Real Madrid ou Chelsea. Outro lance fundamental da partida foi através de David Luiz, que salvou um chute de Pedro em cima da linha e que seria o gol de empate. Um gol que poderia dar corda novamente ao relógio espanhol e equilibrar o jogo.


Apesar dos comentários, isto não quer dizer que a seleção brasileira voltou a ser a melhor do mundo e que os espanhóis são agora uns pernas-de-pau. Pelo contrário. Demoramos dois anos para vencer uma seleção de ponta (o que só aconteceu nos 4x2 contra Itália), a Espanha continua merecedora de respeito, tem um conceito de jogo definido, e a seleção brasileira ainda busca sua melhor forma. Mas este torneio acabou servindo para reconquistar o torcedor, o respeito dos adversários, e dar confiança e tranquilidade para a Seleção até a Copa. Pelo menos é o que se espera.




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