quarta-feira, 12 de junho de 2013

O que sei sobre aquele Dia dos Namorados de 1993

Hoje é Dia dos Namorados. É do dia de celebrar o amor e a paixão. Mas, em uma cidade como São Paulo o dia 12 de junho, na prática, é sinônimo de restaurante e cinema lotados e cheiro de buquê de flores em tudo quanto é prédio de escritórios. Contudo, há vinte anos atrás, o amor foi pintado em cinquenta tons de verde, com o perdão da referência óbvia ao “best seller” da escritora Erika L James. Por sinal, um presente já esgotado em várias livrarias nessa data. Falo, claro, da final do Campeonato Paulista de 1993. Estão lembrados? Pois bem, aos enamorados mais novos segue um resgate histórico.

O Palmeiras estava sem ganhar títulos desde 1976 e, para o torcedor palmeirense, não era somente o jejum que incomodava; era a forma como alguns títulos foram perdidos durante esse período. O período sem títulos transformava o Palmeiras num barril de pólvora prestes a explodir a qualquer momento. O time, pressionado pela torcida, temia em campo. E, com medo, como bem disse Nelson Rodrigues, não se chupa um picolé, que dirá ganhar um título.  Um exemplo dessa fase braba que o Palmeiras enfrentava foi o Campeonato Paulista de 1986, quando o Palmeiras conseguiu a proeza de perder a final para a Inter de Limeira, em pleno Morumbi. É lógico que o time da Inter dirigido pelo Pepe era um bom time de futebol, mas, naquela época perder uma final para um time do interior era o máximo da humilhação para qualquer um dos grandes de São Paulo.

O torcedor do Palmeiras, a partir daquele ano de 1986, além de chorar a derrota e o jejum, passou a ser motivo de chacota em São Paulo. Pra falar a verdade, na época de escola eu consigo me lembrar aqui de apenas um palmeirense assumido. Poderiam existir outros, mas, que nunca revelavam a sua paixão clubística por medo da zoação dos colegas. E era justificável, pois, naquela época, Corinthians e São Paulo dominavam o futebol paulista ganhando a maioria dos títulos. Os santistas já não faziam muito sucesso entre os torcedores mais jovens, logo, as brincadeiras era voltadas aos pobres palmeirenses que foram alvos do “bullying” de corintianos e são paulinos.

Porém, naquele ano de 1993 tudo mudou. Apoiada por uma multinacional italiana o Palmeiras começou a montagem de uma verdadeira máquina de jogar futebol que dominou o campeonato daquele ano, de ponta a ponta, apesar da pressão da torcida e de algumas desavenças entre as estrelas. Sem dificuldades o Palmeiras chegou a final contra o seu arquirrival Corinthians. No primeiro jogo, o apenas esforçado time corintiano ganhou do Palmeiras por 1 a 0, com direito a uma comemoração provocadora do atacante Viola, que após marcar o seu gol resolveu imitar um porco e falando meia dúzia de bobagens, ferindo o orgulho dos torcedores e jogadores palmeirenses. Após aquele jogo, que me perdoem os pombinhos palmeirenses, achei que o Palmeiras iria morrer na praia, de novo. O título corintiano era dado como certo.

Felizmente, os comandados de Vanderlei Luxemburgo não aceitaram a derrota na véspera e foram para o segundo jogo determinados a levantar a tão sonhada taça, a mesma que lhes fora negada nos últimos dezesseis anos e que fez tantos vilões entre jogadores e técnicos palestrinos. O retorno do Palmeiras entre os grandes do futebol brasileiro não podia esperar e os seus jogadores sabiam disso. O regulamento previa que o Palmeiras precisava ganhar o jogo para levar a decisão para a prorrogação. Dito e feito, diante de um Corinthians inferior tecnicamente e, inexplicavelmente, nervoso, o Palmeiras promoveu um dos maiores atropelamentos que se tem notícia em finais de campeonato. Ganhou no tempo normal com uma incontestável superioridade de três gols sobre o rival, levando a disputa para a prorrogação. Sabem, existem momentos que simbolizam um título ou uma temporada, mas, o gol do Evair naquela prorrogação é o momento mais emblemático para toda uma geração de torcedores palmeirenses. Foi mais que um gol, foi a libertação. Era o fim das piadas e, para muitos que aprenderam a gostar do Palmeiras apenas por influência da família, era sentir, pela primeira vez, o prazer de gritar e comemorar um título de seu clube do coração.


Obs. Texto dedicado a todos o filhos de palmeirenses que hoje estão com dezenove anos de idade e que, pelas minhas contas, foram concebidos naquele Dia dos Namorados de 1993.      

Um comentário:

Sérgio Oliveira disse...

Confesso: Último dia que eu chorei por causa de futebol.