Olá leitores!
Para quem assistiu as voltas iniciais do GP disputado nas
ruas estreitas do Principado de Mônaco, a segunda metade da corrida foi totalmente
inesperada. O começo foi puramente Mônaco, aquele trenzinho que praticamente
não oferece oportunidade de ultrapassagem, mas do meio para o final a corrida
ficou inesperadamente boa. Uma procissão de F-1, interrompida apenas por alguns
lampejos de arrojo de Pérez e Maldonado. Após o primeiro safety-car foi um belo
espetáculo.
O vencedor, com méritos, foi Nico Rosberg. Venceu a prova 30
anos após seu pai, Keke Rosberg, vencer no Principado. Fez a pole position,
largou bem, soube lidar com a pressão feita pelo Vettel, uma apresentação sem
críticas. Mereceu ser o piloto a dar à Mercedes sua primeira vitória em Mônaco –
feito não alcançado nem mesmo na era Fangio. Seu companheiro Hamilton (4º
lugar) poderia ter feito a dobradinha no pódio, mas no primeiro pit-stop (o da
batida do Massa) teve de aguardar a troca de pneus do Nico para fazer a sua e
perdeu duas posições. Se esforçou bastante para ultrapassar Webber, inclusive
na improvável mini reta entre as curvas Rascasse (a mais lenta delas) e Noghes.
Após a Mercedes veio a dupla da Red Bull, respectivamente
Vettel (2º) e Webber (3º). Largaram bem, e a equipe fez um belo trabalho nos
boxes para permitir que eles ultrapassassem Hamilton. Vettel não obteve sucesso
em suas tentativas de superar Rosberg, e Webber foi bravo na defesa de sua
posição contra as investidas do inglês da Mercedes. Bom trabalho, mas nada
espetacular.
Em 5º chegou um dos monstros da corrida, Adrian Sutil, o
piloto que resolveu mostrar que aquela história de que “não se ultrapassa em
Mônaco” não é bem assim. Apresentação de encher os olhos, ultrapassando Button
e Alonso na Loews (na verdade, depois que destruíram a estação de trem para
construir um hotel a curva tem o nome do hotel que fica em frente a ela, mas é
mais conhecida como “curva da antiga estação” ou “curva Loews”, já que esse foi
o hotel que mais tempo ocupou o prédio; o atual ocupante é um tal de “Fairmont
Monte Carlo”.) Grande corrida. Seu companheiro Di Resta (9º) se classificou
mal, e adotou uma estratégia de corrida agressiva para chegar aos pontos. Outro
que fez uma bela corrida.
Em 6º chegou Button, outro que tem que levantar as mãos para
o céu pela posição em que terminou a corrida, já que esteve muito próximo de
abandonar a corrida nas disputas de posição.
Quase foi tirado da prova pelo companheiro Pérez (16º), que se por um
lado fez belas ultrapassagens por outro abusou da agressividade – embora a
ultrapassagem sobre o Alonso tenha sido muito bonita, e tenha forçado a FIA a
dar uma punição à Ferrari pela cortada de chicane que o Alonso fez para
defender sua posição. Pessoalmente gostei da apresentação dele.
Em 7º terminou o Alonso, que após uma apresentação magistral
em Barcelona teve uma corrida apagada. Foi mais notado pelas ultrapassagens que
levou e pelas reclamações no rádio que pela beleza e/ou eficiência da
pilotagem. Ainda assim, foi melhor que seu companheiro Massa, que não
participou do treino classificatório por causa de uma forte batida no treino da
manhã de sábado, largou no final do pelotão e na 30ª volta bateu exatamente no
mesmo lugar, só que ao invés de acertar a barreira de pneus de frente acertou
de lado. O Miojinho estava repetitivo. Um final de semana para esquecer.
Em 8º veio a Toro Rosso do Vergne, que usou um capacete
homenageando o Francois Cevert, talentoso piloto francês do início dos anos 70
que era apontado como sucessor do Jackie Stewart, mas que faleceu tragicamente
decapitado no autódromo norte americano de Watkings Glen, acidente esse que
antecipou a aposentadoria do Stewart. Vergne correu bem, mas reclamou muito do
tráfego. A respeito dessas reclamações de tráfego, eu tenho a seguinte opinião:
não quer encontrar outros carros na pista, vá correr de dragster. Linha reta, 402
m, o oponente está na linha do lado, não vai ter tráfego para lhe atrapalhar. Hoje
em dia os pilotos estão com muito mimimi. Seu companheiro Ricciardo foi
arremessado para fora da corrida pelo Grosjean e perdeu a chance de terminar a
prova.
Encerrando a zona de pontuação, em 10º chegou o Kimi
Räikkönen. Por mérito e justiça, deveria ter terminado a prova em 5º lugar,
pois essa era a posição que ocupava quando teve seu pneu furado em uma
malsucedida tentativa de ultrapassagem por parte do Pérez. Fez a troca
emergencial de pneus, e nas últimas 7 voltas ultrapassou 6 carros para marcar
seu solitário ponto e completar uma sequencia de 23 corridas consecutivas
pontuando. Seu companheiro Grosjean “voltou ao normal”, conforme dizem as más
línguas: bateu nos treinos livres, no treino classificatório, e na corrida ao
disputar a 13ª posição montou na traseira do carro do Ricciardo. Pelo “conjunto
da obra”, ganhou uma punição para a próxima corrida (perdeu 10 posições no grid
de largada). Merecido.
A próxima corrida será no Circuit Gilles Villeneuve, na Ilha
de Notre Dame, em Montréal, Canadá, dia 09/06. Uma das pistas que eu mais gosto,
mas admito que não tenho certeza que a Globo vá passar a corrida – afinal de
contas, corridas na América do Norte interferem com o horário do futebol, e
depois que a “gloriosa” Bandeirantes não transmitiu nesse domingo a comemoração
do brasileiro Tony Kanaan vencendo as 500 Milhas de Indianapolis, uma das mais
tradicionais e prestigiosas corridas do mundo, tudo é possível. Espero estar
errado.
Até a próxima!
Alexandre Bianchini
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