domingo, 26 de maio de 2013

Despedida (ou até breve).

Jogo teste, jogo de inauguração, jogo de despedida. Estes fatores cercaram a estreia de Santos x Flamengo no Campeonato Brasileiro de 2013. Inauguração do novo estádio Mané Garrincha (embora a Fifa não queira utilizar este nome mas admite as caxirolas) e despedida dos gramados brasileiros do maior craque do continente na atualidade: Neymar.

Estádio superfaturado, inacabado, porém (tenhamos que a admitir), muito bonito. O mesmo não se pôde dizer da partida, apesar de movimentada, mas baixa no quesito técnico. Flamengo melhor no primeiro tempo (poderia ter feito pelo menos dois gols) e equilibrado no segundo, apesar da pouca objetividade do time santista. Neymar, visivelmente desgastado e emocionado por tudo que o envolvera nestas últimas semanas, rendeu pouco. Já a algumas partidas não se via mais alegria e brilho da joia santista.

O fim de todas as especulações acaba sendo bom, para o Santos, e principalmente para o jogador. O clube agora vai poder planejar-se, tocar sua vida, e Neymar não vai mais ficar com dois ou três clubes na cabeça. Vai para o primeiro mundo, ou melhor, para a primeira divisão do futebol mundial. Dividirá as atenções, microfones e holofotes com outros craques. Será mais cobrado que idolatrado.

Isto poderá ser bom para o futebol brasileiro em apenas um aspecto: No amadurecimento do jogador. Mas por outra via, se para o jogador amadurecer e se aperfeiçoar, o único caminho é a Europa, já estaria mais do que na hora de avaliarmos nosso futebol ou a nossa própria cultura ou condição. Com a crise de alguns países europeus e também da Espanha, (com 25% de sua população desempregada), é possível que num futuro, não sei se muito próximo, consigamos manter nossos principais jogadores por aqui e possuir um futebol de primeira linha, se continuarmos a crescer economicamente, se este for mesmo o problema.

Espero também que como torcedor, acabe o comodismo que tomou conta do Santos de alguns meses pra cá. Não temos mais “o craque que resolve”, ou quando as coisas andarem ruins “jogue a bola pra ele”. O diferencial não existe mais no Alvinegro Praiano.

O drible, o improviso, a irreverência, e mesmo a malandragem, sempre fizeram parte do nosso futebol. Durante seu apogeu, Neymar  foi muito criticado pela sua fama de “cai-cai”, e teve muita gente que até voltou a enaltecer os brucutus, “pra acabar com a graça dele”. Vejo jogadores “cai-cai” e cavando faltas, em praticamente todos os jogos, mas não vejo o drible e improviso na grande maioria deles. É por isto que prefiro enaltecer este aspecto do jogador, ao invés de taxá-lo de outra coisa ou mesmo vaia-lo como ocorrera em alguns jogos da Seleção. Besteira dar um tiro no pé.

Daqui algumas horas, oficialmente Neymar será jogador do Barcelona. Sai do Santos sem nenhuma rusga, de maneira profissional e correta, como sempre foi com o clube. Em um curto período (2009 a 2013 como profissional), fez história no time que foi de Pelé se tornando o maior artilheiro do clube depois que o Rei deixou os gramados. Com 138 gols, fica na 13ª posição na contagem geral, um pouco atrás de Antoninho, “o arquiteto da bola”, com 145. Totalizou 230 jogos com este último jogo.

Desejo boa sorte ao “agora jogador do Barça”, pois este me deu muitas alegrias com o manto alvinegro. Se ele voltar, já sabemos qual será seu destino. Um adeus ou quem sabe, um “até breve” , como ele mesmo disse.

Voltemos, agora, à “normalidade” do futebol...


 Foto: Estado de S. Paulo 28/03/2006





Um comentário:

Sérgio Oliveira disse...

Infelizmente o problema do futebol brasileiro não é mais o econômico, mas sim o amadorismo (sentido pejorativo) de grande parte dos dirigentes. Se temos no topo de nossa organização um sujeito que tem relação com o que há de mais antigo nas práticas políticas, já dá para entender como funcionará nossos campeonatos....