O futebol perde espaço: As questões esportivas nas páginas policiais.
Alguns anos se
passaram e novamente o Corinthians entra nas páginas policiais. Dessa vez a
“mea culpa” é por diferente questão, mas mesmo assim tão vexatório quanto. Se
da primeira vez os dirigentes estavam envolvidos com questões financeiras
fraudulentas e coisas do ramo, dessa vez é por causa da morte do torcedor na
Bolívia, vitimado por um sinalizador atirado por torcedores corintianos.
Por causa da morte
do jovem boliviano, a torcida corintiana está proibida de freqüentar estádios
durante a competição gerenciada e organizada pela Conmebol. Eu sei que para os
ouvidos de alguns “gerenciar “ e “organizar” é uma palavra muito forte, mas
fica assim mesmo. Então, após a morte do torcedor, a entidade máxima
sul-americana decidiu “punir o clube” por causa de um “clamor público” que
havia tomado o desastre. Dentro das regras, a punição é justa.
Nesse contexto,
devemos considerar que algumas coisas tão comuns e “corriqueiras” dentro da
competição serão coibidas. É claro: o bode expiatório servirá de exemplo para
as demais torcidas, ou para aquelas mais violentas. A decisão de punir o
Corinthians mostrará que a entidade não está mais brincando com esse negócio, e
que as coisas vão funcionar desse jeito: tolerância zero. Então, acredito muito
que coisas consideras normais na competição, não existirão de nenhuma maneira:
chega de ônibus apedrejado, cusparada em jogadores; pedras e afins na hora do
escanteio. Chega de todo esse “anti-jogo” na proposta de uma competição cheia
de artimanhas e malandragem (ambos no pior sentido da palavra).
Recebi algumas
críticas quando fiz esse pequeno comentário: retrucaram-me dizendo que mesmo
com tudo isso “nunca havia morrido ninguém”. Bem da verdade, toda violência
será castigada. Cedo ou tarde algum jogador ou algum torcedor seria vítima
fatal dessa “maneira de ver o futebol”. Infelizmente, por descuido do destino,
isso aconteceu com o Corinthians. E pior: acredito que de alguma maneira isso o
prejudicará na competição, ainda que não tenha sido nenhum torcedor comum, nem
dirigente; nem jogadores os sujeitos da ação.
A discussão em
relação às torcidas uniformizadas é bem mais séria e complexa do que isso. Pior
ainda quando colocamos no meio desse balaio a questão cultural dos outros países.
Será que os torcedores argentinos se comportarão diferentes depois do quê
aconteceu com o Corinthians? Será que sinalizadores, fogos e bandeiras serão
proibidos nos estádios a partir de agora? Sim, pois é uma questão de tempo para
que outro desastre aconteça. Ou acha que os torcedores serão mais cautelosos?
Não entro na questão
das torcidas uniformizadas, pois acho que é assunto fora da questão esportiva. A
torcida uniformizada não é essencial para o time, mas torcedores sim. Ainda que
as torcidas uniformizadas estipulem essa característica, a verdade é que
nenhuma torcida pode ser maior do que o clube, nem deve. Exatamente por isso,
nunca me ouviram falar sobre torcida uniformizada, nem qualquer opinião contrária
a sua existência.
Acontece que dessa
vez eles incomodaram. Dessa vez ultrapassaram o limite do tolerável,
prejudicando um time que poderia ser campeão da Libertadores. O papel do
incentivo no Japão foi deteriorado com o acontecimento na Bolívia. Culpa da
torcida uniformizada? Culpa do clube? Culpa dos torcedores comuns? Não sei quem
é o culpado, mas sei que no meio de tudo isso não existem inocentes. Talvez, se
refletirmos um pouco, nós teremos a noção exata do nosso homicídio: o que
andamos fazendo com o futebol não está apenas na esfera das torcidas
uniformizadas, mas nessas brigas ridículas nas redes sociais, nas manchetes
(que vendem) jornais e tudo mais que deveria envolver o “adversário”, mas acaba
fazendo o “inimigo”.
Nos últimos dias o
parecer jurídico valeu mais do que os resultados das partidas: alguma coisa está
fora da ordem e eu não quero participar mais disso.
Um comentário:
Hum, eu temia que alguém tocasse nesse assunto aqui no blog, mas, tudo bem, como um Patativa não foge a luta, vamos aos comentários:
Punição: Justa para o Corinthians, mas, pequena para o caso (São José merecia punição também) e a própria Conmebol mereceria fazer um "mea culpa" nesse caso, pela forma desastrosa com que gerencia a sua principal competição.Um torcedor morre no estádio e a única providência é punir o Corinthians, como se o único problema fosse esse? A canetada do cartola impedirá, mais uma vez, que se busque transformações na principal competição do continente. Por outro lado, o torcedor corintiano não tem do que se queixar. Na minha opinião a torcida é uma extensão do clube, logo, se o torcedor não sabe se comportar, não merece assistir aos jogos.
A Competição: já ganhamos (SPFC) 03 taças de Libertadores, mas, confesso que, nos últimos tempos acredito que essa competição seja a principal causa da derrocada técnica do futebol brasileiro. Os clubes brasileiros estão com dinheiro pra contratar grandes jogadores, tem condições de elevar o seu campeonato num dos mais atraentes e bem sucedidos do mundo, mas, mesmo assim, insistem em apostar todas as suas fichas num torneio semi amador como a Libertadores. Craques renomados (e caros) são obrigados a jogar em verdadeiras baiucas travestidas de estádio de futebol, sem segurança, sem condições mínimas para a realização de um jogo de alto nível. Tudo pela Libertadores! Tecnicamente os jogos são fraquíssimos. Até os argentinos, que sempre manjaram do negócio, sem dinheiro em caixa, viraram verdadeiros timinhos, protagonistas do que há de pior no futebol, mas, num ambiente hostil dos estádios até conseguem enfrentar de igual pra igual os rivais brasileiros, mesmo porque os rivais brasileiros insistem em abdicar da sua herança futebolística para montar os famigerados "times com cara de Libertadores", formados por jogadores "com cara de Libertadores" e, orientados, na base do grito, por técnicos "com espírito de Libertadores". Tudo bem, só que a cara da Libertadores é feia, mal jogada, mal iluminada e insegura. Sei que meu comentário é elitista, mas, não há outra forma de ver futebol.
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