segunda-feira, 11 de março de 2013

Um clássico bem "à paulista"


Ontem foi dia de Choque-Rei no Morumbi. Aliás, de real o clássico entre São Paulo e Palmeiras não teve nada. Foi muito parecido com os outros clássicos que tivemos nessa temporada do futebol paulista. Pouca técnica, pouco interesse dos jogadores e pouco público. Quando eu assisto a um jogo como o de ontem começo a achar engraçada toda essa história de que o Brasil é o país do futebol. Parece coisa de comercial de refrigerante mesmo. O brasileiro perdeu, ao longo dos anos, muito do interesse no nobre esporte bretão. Assistimos a um clássico quase por obrigação, por hábito, para ter assunto na segunda-feira. Perdemos o interesse, não sofremos mais aquela angústia das horas que antecedem o clássico, não ouvimos mais os programas de rádio antes dos jogos, não sofremos mais após o apito final do árbitro.
Os jogadores parecem estar desinteressados dos jogos e do cansativo Campeonato Paulista. Todos compraram essa ideia de que o campeonato regional não tem valor e o que interessa é a Libertadores ou a Copa do Brasil – torneio classicatório para o interclubes sulamericano. Sinal dos tempos. O público entendeu a mensagem e praticamente têm ignorado os jogos do torneio paulista, inclusive os clássicos. No Morumbi, ontem, tivemos pouco mais de 17 mil testemunhas pagantes. Convenhamos, isso é público de jogo de basquete e não de um clássico que envolve tanta história e rivalidade como é o caso de São Paulo e Palmeiras. Com tão pouco público, tão pouco interesse e no calor africano do outono paulistano, não dava pra esperar um grande jogo mesmo.
O São Paulo entrou em campo ontem com o freio de mão puxado, pensando na partida decisiva do meio de semana contra o Arsenal de Sarandi, na Argentina. Como pegaria muito mal jogar com um time misto ou com um time reserva, o Ney Franco optou por poupar os nossos melhores jogadores – Jadson e Cícero – e levar o jogo em banho-maria. O meio campo entendeu o recado e foi de uma subjetividade digna de uma entrevista de Caetano Veloso. Toca de um lado, toca de outro, recua, puxa e municiar o ataque que é bom, nada. Que falta tem feito o Lucas para o nosso time!
O Palmeiras, por sua vez, ainda visivelmente abalado pelos últimos acontecimentos e disposto a fazer as pazes com a sua torcida, tentou jogar no contra ataque na primeira etapa. Até teve algumas chances, mas, num clássico, eu esperava uma postura um pouco mais agressiva do time alviverde.  No segundo tempo o jogo ganhou em emoção após a expulsão do zagueiro Lucio. O Palmeiras jogava melhor que o São Paulo e poderia até mesmo sair do Morumbi com uma vitória, fato que não ocorre há muitos anos, mas, esbarrou na falta de técnica de alguns dos seus jogadores. O São Paulo apostou nos contra ataques. PH Ganso foi substituído. Perdemos qualidade no meio de campo, mas, ganhamos em disposição em combatividade. A incompetência das 02 equipes foi premiada com um 0 a 0. Um jogo que, a exemplo do clássico da semana anterior (Santos e Corinthians), não deixará saudades.

Um comentário:

Sérgio Oliveira disse...

Temos que começar a ser criativos para manter esse blog interessante. Esse processo de "fritura" do futebol começou há três anos, quando me chamaram de "chatão". Hoje estou vendo que tinha razão nos meus comentários....