Ontem foi dia de Choque-Rei no
Morumbi. Aliás, de real o clássico entre São Paulo e Palmeiras não teve nada.
Foi muito parecido com os outros clássicos que tivemos nessa temporada do
futebol paulista. Pouca técnica, pouco interesse dos jogadores e pouco público.
Quando eu assisto a um jogo como o de ontem começo a achar engraçada toda essa
história de que o Brasil é o país do futebol. Parece coisa de comercial de
refrigerante mesmo. O brasileiro perdeu, ao longo dos anos, muito do interesse
no nobre esporte bretão. Assistimos a um clássico quase por obrigação, por
hábito, para ter assunto na segunda-feira. Perdemos o
interesse, não sofremos mais aquela angústia das horas que antecedem o
clássico, não ouvimos mais os programas de rádio antes dos jogos, não sofremos
mais após o apito final do árbitro.
Os jogadores parecem estar
desinteressados dos jogos e do cansativo Campeonato Paulista. Todos compraram
essa ideia de que o campeonato regional não tem valor e o que interessa é a
Libertadores ou a Copa do Brasil – torneio classicatório para o interclubes
sulamericano. Sinal dos tempos. O público entendeu a mensagem e praticamente têm
ignorado os jogos do torneio paulista, inclusive os clássicos. No Morumbi,
ontem, tivemos pouco mais de 17 mil testemunhas pagantes. Convenhamos, isso é
público de jogo de basquete e não de um clássico que envolve tanta história e
rivalidade como é o caso de São Paulo e Palmeiras. Com tão pouco público, tão
pouco interesse e no calor africano do outono paulistano, não dava pra esperar
um grande jogo mesmo.
O São Paulo entrou em campo ontem
com o freio de mão puxado, pensando na partida decisiva do meio de semana
contra o Arsenal de Sarandi, na Argentina. Como pegaria muito mal jogar com um
time misto ou com um time reserva, o Ney Franco optou por poupar os nossos
melhores jogadores – Jadson e Cícero – e levar o jogo em banho-maria. O meio
campo entendeu o recado e foi de uma subjetividade digna de uma entrevista de
Caetano Veloso. Toca de um lado, toca de outro, recua, puxa e municiar o ataque
que é bom, nada. Que falta tem feito o Lucas para o nosso time!
O Palmeiras, por sua vez, ainda
visivelmente abalado pelos últimos acontecimentos e disposto a fazer as pazes
com a sua torcida, tentou jogar no contra ataque na primeira etapa. Até teve
algumas chances, mas, num clássico, eu esperava uma postura um pouco mais
agressiva do time alviverde. No segundo
tempo o jogo ganhou em emoção após a expulsão do zagueiro Lucio. O Palmeiras
jogava melhor que o São Paulo e poderia até mesmo sair do Morumbi com uma
vitória, fato que não ocorre há muitos anos, mas, esbarrou na falta de técnica
de alguns dos seus jogadores. O São Paulo apostou nos contra ataques. PH Ganso
foi substituído. Perdemos qualidade no meio de campo, mas, ganhamos em
disposição em combatividade. A incompetência das 02 equipes foi premiada com um
0 a 0. Um jogo que, a exemplo do clássico da semana anterior (Santos e
Corinthians), não deixará saudades.

Um comentário:
Temos que começar a ser criativos para manter esse blog interessante. Esse processo de "fritura" do futebol começou há três anos, quando me chamaram de "chatão". Hoje estou vendo que tinha razão nos meus comentários....
Postar um comentário