segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

O Paulistão começou.


Vila Belmiro, 1918. O Santos Futebol Clube de camisas listradas recebe o time mais poderoso da época, o Clube Atlético Paulistano,  time do Jardim América da capital paulista, que jogara de camisas brancas. Mesmo com Friedenreich (maior jogador brasileiro da época) e todo seu poderio, os paulistanos foram batidos pelos santistas por 1x0 neste jogo. Apesar do Santos ter um bom time (com  o trio Haroldo, Millon e Arnaldo Silveira,  que disputariam a Copa América no ano seguinte) e Ary Patusca ( exímio cabeceador e até hoje um dos maiores artilheiros da história do clube), o time de Vila Belmiro havia sido antes derrotado por 7x3 no recém inaugurado estádio do Jardim América, onde hoje fica a sede do Clube Paulistano.

Mas era uma época de placares elásticos e resultados surpreendentes. O Ypiranga (clube operário que ganhava adeptos juntamente com o Corinthians), também havia sido goleado pelo Paulistano por 7x1, e vencera o outro jogo por 1x0. Mas o Santos até que não fez feio naquele certame: ficou na 4ª colocação, à frente do tradicional Ypiranga que ficou em 5º. O Corinthians ficou com o vice-campeonato e o Paulistano sagrou-se tricampeão. Em 1919, e time do Jardim América seria tetra, e excursionaria pela Europa na década seguinte. (Na foto, Friedenreich e Junqueira, jogo no qual o Paulistano derrotara o State Français nesta excursão por 3x1).


Passado quase um século, o Santos deste vez tem a chance de sagrar-se tetracampeão paulista, igualando o feito do time comandado por Arthur Friedenreich. Claro que os tempos são outros, e jogador de futebol não apenas virou profissão, como o futebol tornou-se uma modalidade que emprega profissionais das mais diversas áreas.

Retornando para 2013, o Campeonato Paulista começa sem empolgar muito. Principal competição durante muito tempo e uma das mais importantes até recentemente, virou hoje uma espécie de patinho feio. Algumas competições incharam (como no caso da Libertadores), e outras foram criadas, como a Copa do Brasil e que também está mais cheia. O “trio de ferro” por exemplo, (para usar outro termo antigo) está preocupado com a principal competição do continente. E o Santos apesar da chance inédita de ser tetra na era profissional, também dividirá sua atenção com a Copa do Brasil.

Na primeira rodada do Paulistão, Santos e São Paulo venceram. O time da Vila com um pacote de reforços, e com uma boa atuação de Renê Júnior, um dos que chegaram, e Cícero mais discreto. Montillo perdendo algumas chances de gol. Ainda falta ritmo, e é só o começo da temporada. São Paulo com o melhor camisa 10 do Brasil até recentemente, e que agora joga com a 8, Paulo Henrique Ganso. Palmeiras tropeça com o Bragantino no Pacaembu, preocupado com as eleições do clube. Corinthians atual campeão mundial e cuidando do Pato, empatou jogando com o time reserva contra o Paulista em Jundiaí.

O campeonato estadual só irá pegar no breu na sua fase decisiva. E tem os clássicos para animar um pouco enquanto isso. Aliás, esta tem sido também uma característica das demais competições nacionais e mesmo continentais: só ficam interessantes no final. Baixo nível técnico, torneios longos e cansativos. Muitos jogos para pouco calendário e futebol.

Só para não perder o costume, vamos a ficha técnica do jogo mencionado:

Santos F. C. 1 x 0 C. A. Paulistano ( Campeonato Paulista – APEA)
Local: Vila Belmiro – Santos (SP)
Data: 15/09/1918
Árbitro: Odilon Penteado do Amaral
Gol: Haroldo
SFC: Costa e Silva; Arantes e Cícero; Pereira, Marba e Ricardo; Millon, Jarbas, Ary, Haroldo e Arnaldo Silveira.
CAP: Cunha Bueno; Orlando e Carlito; Sérgio, Gullo e Almeida; Agnello, Mário Andrada, Friedenreich, Zito e Junqueira.


Um comentário:

Sérgio Oliveira disse...

O campeonato Paulista é mais chato do que longo. Na verdade ele acabando sendo longo por ser chato....kkk