quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Em tempos de BBB eu prefiro o reality show da bola.

Entra ano e sai ano e nada muda. Somos bombardeados com essa história de Big Brother, como se esse reality show fosse algo realmente relevante capaz de endossar algum estudo psicossocial sério. Convenhamos que esse não é o caso, mas,  pelo visto, a maioria da audiência gosta do programa e de seus personagens em busca de alguns minutos de fama. Eu ainda prefiro os quinze minutos de fama proporcionado pelo futebol.

Quem não se lembra de algum jogador que numa determinada tarde de domingo teve o seu dia de craque, ganhou os holofotes, as manchetes de jornal e depois sumiu do mapa? Isso acontece a toda hora. Só puxando aqui pela memória lembro de vários casos de jogadores que tiveram os seus momentos de glória, sem precisar ficar confinado de sunga em lugar nenhum.

O torcedor do Vasco deve estar lembrando agora do atacante Cocada. No ano de 1988, na final do Campeonato Carioca, o time cruzmaltino enfrentava o seu arquirrival Flamengo em busca do sonhado bicampeonato carioca, fato que não acontecia há mais de quarenta anos. A expectativa era grande e o jogo nervoso, permanecendo sem gols até o seu final, quando aos 41 minutos da segunda etapa o atacante Cocada, um desconhecido reserva, entra em campo. Num contra ataque veloz do time do Vasco, aos 44 minutos, o Cocada arremata pro gol. Um golaço que, àquela altura garantiria o título ao Vasco.  Só que o jovem atacante exagerou na comemoração e foi expulso aos 45 minutos, como o leitor pode conferir aqui. Cocada ganhou a celebridade e os jornais do dia seguinte ganharam a manchete óbvia de bandeja – Um título com gosto de cocada!

Às vezes a fama instantânea nem precisa estar associada a uma conquista, a um título. Quem não se lembra do Silva, aquele jovem atacante do Juventus. Não lembram dele? Bom, a história foi mais ou menos assim; no Campeonato Paulista de 1889, o time do Juventus enfrentava o Corinthians em pleno Pacaembú. Lá pelas tantas, o desconhecido Silva marca um gol de bicicleta no time do Corinthians, do goleiro Ronaldo (aquele careca da Band!). Até a Fiel aplaudiu o garoto, não sei bem se por deboche ou por contemplação mesmo. O barato da história era que o jogo foi realizado no Dia das Mães e o Silva tinha prometido o gol de presente para a sua mãe, a Dona Nedina, que acompanhava a partida nas arquibancadas. Golaço! Esse mereceu cada um dos quinze minutos de fama que teve.

E o Josimar na Copa de 1986, hein? Tá certo, o leitor mais enciclopédico pode argumentar dizendo que o Josimar já tinha carreira no Botafogo e não se enquadra no BBB da Bola. Tudo bem, aceito a crítica, mas, vai uma explicação. O nosso lateral direito pra Copa era o Leandro, do Flamengo, que pediu dispensa numa história pra lá de esquisita, mas, apesar de fazer falta naquele time, nós podíamos contar com o Edson, que era um baita lateral direito no Corinthians. Ninguém aqui em São Paulo sabia ao certo quem era o tal do Josimar, que tinha sido convocado às pressas somente pra ser banco do Edson. E não é que na segunda partida o Edson se machuca? O Telê foi obrigado a escalar o Josimar contra a Irlanda do Norte e ele não decepcionou. Marcou um baita golaço de fora da área, ganhando fama e celebridade a partir daquele momento. Pena que o herói daquela Copa não tenha sido tão brilhante no prosseguimento de sua carreira.

O futebol é tão democrático que permite até mesmo a quem não entra em campo ganhar os holofotes. O caso clássico de fama repentina aconteceu no jogo final das eliminatórias da Copa de 90, no Maracanâ, entre Brasil e Chile. Naquela tarde a torcedora Rosenery Mello, resolveu soltar um sinalizador náutico pra fazer graça no estádio. O sinalizador caiu no gramado dando a deixa que o então goleiro Roberto Rojas precisava para fazer uma encenação digna de Oscar, a fim de melar a partida. Sempre defendi a versão de que nem foi a Rosenery que jogou o sinalizador da arquibancada, mas sim, algum marmanjo covarde que ficou com medo da repercussão do caso. A Teoria da Conspiração é livre nessas horas. O fato é que o episódio garantiu à moça Rosenery o título de musa, o apelido de Rose Fogueteira e uma capa da Playboy, numa época em que posar para revista masculina garantia ao menos uma casa própria. No caso do Rojas, o incidente causou o seu banimento do futebol.

Enfim, os quinze minutos de fama proporcionados pela bola são muito mais soborosos que aqueles do confinamento da Rede Globo, os seus personagens são mais verdadeiros e simpáticos ao público, sem precisar fazer caras e bocas e nem tampouco fingir ter algum conteúdo.  Daí que o futebol, o estádio, o jogo talvez seja o grande reality show da vida e sem discurso do Pedro Bial.   

2 comentários:

Mario disse...

Pô, este negócio de clicar na palavra e aparecer o vídeo eu não conhecia. Como você faz este truque heim Geléia?

Cesar Augusto disse...

O truque é chamado de link. É só incluir na hora que estiver colocando o texto no blogger.