O texto pode até ser inoportuno,
tendo em vista que o Corinthians acabou de sagrar-se campeão da Libertadores e
o Palmeiras venceu a Copa do Brasil, que é um torneio eliminatório para a
Libertadores. Pode até parecer despeito de perdedor visto que o meu time, o São
Paulo é o único dos grandes paulistas que não ganhou título esse ano. Talvez.
Aceito as críticas e o linchamento dos torcedores rivais. Faz parte do futebol,
mas esse assunto tem incomodado há algum tempo e acho que está na hora de
discutirmos um pouco sobre isso.
A Libertadores tornou-se nos
últimos anos o maior desejo dos clubes brasileiros. Isso é fato. Provavelmente
exista um forte componente econômico e político por trás desse sonho latino
americano dos nossos clubes, mas, do ponto de vista técnico, o maior
interclubes das Américas é uma decepção. Tudo que de melhor e, principalmente,
pior que é produzido no futebol brasileiro parece ter como meta a conquista da
Copa Libertadores. E para piorar, estamos montando times apenas para ganhar a
Libertadores. O que vale, nos dias de hoje, é montar times cada vez mais
defensivos, brigadores e cascudos para aguentar a pancadaria nos gramados
sulamericanos, combatendo a pouca técnica de alguns hermanos na base do futebol de resultados. É o que os narradores e
comentaristas da televisão costumam classificar de time com “cara de
Libertadores”.
A Conmebol, que não é boba nem
nada, e percebendo essa verdadeira tara brasileira, inchou um torneio que já
era deficitário, para inacreditáveis 32 times, nos moldes da Champions League.
Um absurdo. Não existem 32 times de qualidade na América do Sul e, em alguns
casos, chega a ser até constrangedor assistir a times bolivianos, peruanos, equatorianos e
venezuelanos, semi-profissionais, jogando com o que há de melhor no futebol
brasileiro. E nem me venham com esse papo de que todos são iguais e merecem
jogar a Libertadores. Alguns desses times não deveriam sequer dividir o mesmo
gramado que as nossas históricas agremiações. Ao invés de defendermos o nosso
campeonato, que é disputado sem escolta policial ou arremesso de laranjas,
enviamos os nossos jogadores mais caros, mais técnicos e mais prestigiados para
enfrentarem jogos em condições atmosféricas incompatíveis com o desporto
profissional em pelejas que parecem muito mais octógonos do UFC. Quem está
lucrando com isso? Com certeza, não é o nosso futebol.
A febre de Libertadores chegou a
tal ponto que não é raro comemorarmos um quarto lugar no Campeonato Brasileiro
apenas pelo conquista da tão sonhada vaga para a Libertadores. Oras, nenhum
clube pode ser grande comemorando quarto lugar em nada. Essa loucura criou o
jogador com “cara de Libertadores”, que geralmente é um volante desprovido de
técnica, mas pródigo nas botinadas e que é vendido à torcida como um líder capaz
de levar o time às vitórias em disputas eliminatórias. O eterno contundido
Fabrício, contratado pelo São Paulo, é um caso típico. E, é claro, não podemos
esquecer do técnico com “cara de Libertadores”. O Felipão e o Celso Roth são os
melhores exemplos.
Não pensem que eu sou totalmente
contra a Libertadores. Eu sou apenas contra essa obsessão dos clubes
brasileiros com o torneio sul-americano. A mesma obsessão que tem feito com que
nos últimos anos tenhamos montado times cada vez mais defensivos, que
jogam apenas no erro do adversário e extremamente truculentos na marcação. É
essa praga do time com “cara de Libertadores” que faz com que, na minha
opinião, tenhamos nos acostumado com a mediocridade futebolística. Não aguento
mais ouvir elogios à “disposição tática das equipes” e outras xaropadas pra
justificar um jogo ruim. Não me levem a mal, caros amigos corintianos e
palmeirenses. A conquista de seus respectivos clubes deve e merece ser
comemorada com entusiasmo, mas, pro nosso futebol bem brasileiro, de todos os
dias, pouco acrescentam.

2 comentários:
Sempre disse isso, mas anteriormente parecia ter uma dose de cotovelingite aguda. Na verdade acho a Libertadores muito ruim, e continua sendo mesmo o meu time ter conseguido sua primeira taça. Vejam só: os melhores jogos foram de duelos brasileiros: Vasco e Corinthians e Corinthians e Santos. E tudo que contaram sobre o Boca deixou um aspecto mais grandioso.... mas apenas no falatório, o time perdeu como os bolivianos, peruanos e etc.
Já falei isto trocentas vezes e vou dizer quantas vezes for preciso: quantidade não significa qualidade. Menos clubes, e já elimina esta pré-Libertadores. Vamos valorizar este torneio e poupar o público de "espetáculos" ruins.
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