quinta-feira, 12 de julho de 2012

Seria a Libertadores uma das causas do declínio do futebol brasileiro?


O texto pode até ser inoportuno, tendo em vista que o Corinthians acabou de sagrar-se campeão da Libertadores e o Palmeiras venceu a Copa do Brasil, que é um torneio eliminatório para a Libertadores. Pode até parecer despeito de perdedor visto que o meu time, o São Paulo é o único dos grandes paulistas que não ganhou título esse ano. Talvez. Aceito as críticas e o linchamento dos torcedores rivais. Faz parte do futebol, mas esse assunto tem incomodado há algum tempo e acho que está na hora de discutirmos um pouco sobre isso.

A Libertadores tornou-se nos últimos anos o maior desejo dos clubes brasileiros. Isso é fato. Provavelmente exista um forte componente econômico e político por trás desse sonho latino americano dos nossos clubes, mas, do ponto de vista técnico, o maior interclubes das Américas é uma decepção. Tudo que de melhor e, principalmente, pior que é produzido no futebol brasileiro parece ter como meta a conquista da Copa Libertadores. E para piorar, estamos montando times apenas para ganhar a Libertadores. O que vale, nos dias de hoje, é montar times cada vez mais defensivos, brigadores e cascudos para aguentar a pancadaria nos gramados sulamericanos, combatendo a pouca técnica de alguns hermanos na base do futebol de resultados. É o que os narradores e comentaristas da televisão costumam classificar de time com “cara de Libertadores”.

A Conmebol, que não é boba nem nada, e percebendo essa verdadeira tara brasileira, inchou um torneio que já era deficitário, para inacreditáveis 32 times, nos moldes da Champions League. Um absurdo. Não existem 32 times de qualidade na América do Sul e, em alguns casos, chega a ser até constrangedor assistir a times bolivianos, peruanos, equatorianos e venezuelanos, semi-profissionais, jogando com o que há de melhor no futebol brasileiro. E nem me venham com esse papo de que todos são iguais e merecem jogar a Libertadores. Alguns desses times não deveriam sequer dividir o mesmo gramado que as nossas históricas agremiações. Ao invés de defendermos o nosso campeonato, que é disputado sem escolta policial ou arremesso de laranjas, enviamos os nossos jogadores mais caros, mais técnicos e mais prestigiados para enfrentarem jogos em condições atmosféricas incompatíveis com o desporto profissional em pelejas que parecem muito mais octógonos do UFC. Quem está lucrando com isso? Com certeza, não é o nosso futebol.

A febre de Libertadores chegou a tal ponto que não é raro comemorarmos um quarto lugar no Campeonato Brasileiro apenas pelo conquista da tão sonhada vaga para a Libertadores. Oras, nenhum clube pode ser grande comemorando quarto lugar em nada. Essa loucura criou o jogador com “cara de Libertadores”, que geralmente é um volante desprovido de técnica, mas pródigo nas botinadas e que é vendido à torcida como um líder capaz de levar o time às vitórias em disputas eliminatórias. O eterno contundido Fabrício, contratado pelo São Paulo, é um caso típico. E, é claro, não podemos esquecer do técnico com “cara de Libertadores”. O Felipão e o Celso Roth são os melhores exemplos.

Não pensem que eu sou totalmente contra a Libertadores. Eu sou apenas contra essa obsessão dos clubes brasileiros com o torneio sul-americano. A mesma obsessão que tem feito com que nos últimos anos tenhamos montado times cada vez mais defensivos, que jogam apenas no erro do adversário e extremamente truculentos na marcação. É essa praga do time com “cara de Libertadores” que faz com que, na minha opinião, tenhamos nos acostumado com a mediocridade futebolística. Não aguento mais ouvir elogios à “disposição tática das equipes” e outras xaropadas pra justificar um jogo ruim. Não me levem a mal, caros amigos corintianos e palmeirenses. A conquista de seus respectivos clubes deve e merece ser comemorada com entusiasmo, mas, pro nosso futebol bem brasileiro, de todos os dias, pouco acrescentam.

  
  

2 comentários:

Sérgio Oliveira disse...

Sempre disse isso, mas anteriormente parecia ter uma dose de cotovelingite aguda. Na verdade acho a Libertadores muito ruim, e continua sendo mesmo o meu time ter conseguido sua primeira taça. Vejam só: os melhores jogos foram de duelos brasileiros: Vasco e Corinthians e Corinthians e Santos. E tudo que contaram sobre o Boca deixou um aspecto mais grandioso.... mas apenas no falatório, o time perdeu como os bolivianos, peruanos e etc.

Mario disse...

Já falei isto trocentas vezes e vou dizer quantas vezes for preciso: quantidade não significa qualidade. Menos clubes, e já elimina esta pré-Libertadores. Vamos valorizar este torneio e poupar o público de "espetáculos" ruins.