Não é fácil, mas será grandioso se acontecer: Título da Libertadores valerá ainda mais.
Não era para ser
fácil. Como nunca foi para o Corinthians. Ganhar a tão esperada Libertadores
não precisava ter um desfecho tão assustador. Corinthians enfrentou o forte
Vasco e passou. Enfrentou o genial Santos e passou. Enfrentou o seu medo de uma
competição internacional: está passando. O que devemos ainda esperar do time
paulista? É certo que a campanha do time é a melhor de todos os tempos, mas
ainda assim nada valerá a pena se a humildade for pequena.
Nesse caminho
complicado teríamos que enfrentar mais uma pedreira: o poderoso Boca Juniors.
Um dos maiores ganhadores da competição, nome forte mundialmente e que assusta
até os mais tradicionais brasileiros. Quem poderia ser melhor na saga pelo
título inédito da Libertadores? Poderia ser mais fácil, mas não é. Golias na
sua gigante aparição: temido, assustador e vencedor. Era ele que deveria estar
na final, ele o nome que engrandecerá a conquista corinthiana ou nos despejará
novamente na vala dos vexados.
E a guerra irá
começar para a história.
Para o time
argentino será mais uma conquista. E não pensem que isso não importa: eles
adoram conquistar. Para o time brasileiro será o fim de mais um trauma. Se ao
longo da história corinthiana vivemos de traumas, essa da Libertadores um dia
também terá seu fim. Eu que não vivi a fila de décadas por títulos, mas vivi a
busca de um título nacional (vindo pelos pés do eterno ídolo Neto). Eu que vivi
sem teto e sem hospedagem, vejo aos poucos o estádio saindo do jeito e no local
que a tradição merece. Eu que ainda vejo os questionamentos sobre o título
mundial, legítimo, mas questionável. Eu que me vejo como torcedor, sem precisar
saber que tipo de torcedor eu sou.
Espero também o título
da Libertadores.
E a história torta
pode ser assim mesmo. Afinal de contas, não é para ser fácil. Golias com seus
mais de três metros; com seus seis títulos. Davi frágil, escolhido por um povo com
mítica de sofrimento. Golias era invencível: brasileiros com Pelé foram únicos
a vencê-los numa final. Davi olha com diferença, com respeito. Vai ser
diferente, mas a vitória será melhor. E o povo na rua grita: Não é impossível
ganhar do gigante! Davi não se assusta, mas sabe a guerra.
Corinthians não
poderia esperar um inimigo tão parecido: seja no jeito do jogo, seja no fanatismo
dos torcedores. Ainda que conte com apoio dos arquiinimigos do Boca, em terras
argentinas; contará com uma torcida ainda mais fanática pelo seu fracasso, em
terras brasileiras. Corinthians ganhando a Libertadores é acabar também com uma
tradicional e muitas vezes criativa brincadeira do futebol: a falta do título é
algo que incomoda até mesmos os torcedores menos fanáticos.
Corinthians não pode
vacilar.
E entrará em campo
como derrotado: pela tradição da competição, pelo time não ser recheado de
estrelas; e por toda sua história; de time ganhador em terra pátria, mas ignorado
em terras estrangeiras. Mas terá consigo uma pedra, única e inabalável. A fidelidade
de seus torcedores, a paixão na derrota e na vitória; a aceitação de todas as
virtudes e defeitos por parte de seus torcedores. Isso é que faz diferença, e
possivelmente a qualidade que mais incomoda os torcedores adversários.
E se é para ser
grande, que seja pelo melhor. Mas que não vai ser fácil, isso realmente não será.
2 comentários:
O Corinthians ganha hoje em Buenos Aires. 1 a 0.
Geléia agora atacando de polvo Paul. Empatou 1x1 e será uma vitória sofrida no Pacaembu do jeito que os corintianos gostam.
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