segunda-feira, 7 de maio de 2012

Uma exceção à regra.


Num país terceiro-mundista como o Brasil, é natural que ídolos sejam esquecidos. Só muito recentemente tivemos inaugurado um Museu do Futebol, no "país do futebol", no Pacaembu. O glorioso Felipe Melo, dissera que não conhecia a seleção de 1970. Natural. Nada de anormal em seu pensamento, afinal "quem vive de passado é museu". (Por onde anda Felipe Melo mesmo?). Óbvio que não podemos ficar presos no passado, temos que olhar para frente. Mas conhecer história - ou "a" história - não significa necessariamente viver "no" ou "do" passado. Gosto de livros de história (estou lendo um que não é sobre futebol), e vejo muitas relações com o presente. Mas a maioria não pensa assim por aqui, ao contrário de nações consideradas de primeiro-mundo.

Opiniões a parte, o fato é que Neymar (que foi chamado de mal-educado e "monstro" por Renê Simões) tem tido uma atitude nobre ao homenagear artilheiros santistas do passado ao se igualar na artilharia. A primeira homenagem foi para Juary, quando chegou aos 101 gols na semi-final do campeonato paulista, e neste primeiro jogo da final, a homenagem foi para Serginho Chulapa, com suas irreverentes comemorações, quando Neymar fechou o placar para o Peixe com 3x0. Mauro Betting ressaltou bem, dizendo que o primeiro gol de Neymar após jogada de Ganso, lembrou a categoria de João Paulo, o "Papinha da Vila", com um toque de classe no canto do gol. E o segundo dele na partida, claramente lembrou o oportunismo de Serginho Chulapa, este mesmo dizendo que foi uma das "maiores emoções" que já viveu ao ser homenageado pela jóia santista. Juary também ressaltou sua emoção lá na Itália.

Apesar de ser da geração "playstation" ou "X-Box 360" (se não errei o nome do game), Neymar foge um pouco deste contexto, e ao contrário dos garotos da sua faixa etária ou até mais velhos, faz questão de lembrar alguns ídolos, mesmo não os tendo visto jogar, e mais que isto, nem ter sequer nascido quando estes jogavam e já alegravam os torcedores santistas. Com 104 gols, Neymar agora está a apenas um gol de se igualar ao grande Del Vecchio, com 105 gols, artilheiro do campeonato paulista de 1955 com 23 gols quando o Peixe sagrou-se campeão após um longo jejum. Com 18 gols, a jóia da Vila é o atual artilheiro da competição. Coincidentemente, Álvaro (com 106 gols) e Vasconcelos (com 111) que juntamente com Del Vecchio integraram aquela máquina santista de 1955, são os próximos da lista que Neymar fatalmente  deverá ultrapassar.

Não só no campo, Neymar fez questão de homenagear estes dois artilheiros da Vila no seu site oficial, na figura acima.




Nenhum comentário: