segunda-feira, 21 de maio de 2012

Tudo muito lindo, rico e maravilhoso, mas, cadê o futebol?


Sábado foi dia de final da Liga dos Campeões da Europa (Champions League para os mais prafrentex). Dia de coroar o clube campeão europeu. É impressionante perceber como, mesmo aqui nos trópicos, um jogo como esse é capaz de mobilizar os fãs da bola. Todo mundo tinha o seu favorito e o seu placar para a decisão entre Chelsea e Bayern. Clima de final de Copa do Mundo mesmo.
Na falta de coisa melhor pra fazer resolvi acompanhar a Espn Brasil horas antes do apito inicial. Grande cobertura in loco da emissora paulistana. Muita informação, muitas reportagens especiais, trazendo para o espectador muito mais do que apenas o jogo de futebol.  
O jogo foi disputado na cidade de Munique, numa arena moderna, localizada num ponto isolado da cidade alemã. Coisa fina mesmo. Quem está acostumado a assistir jogos de futebol no “lado de baixo do Equador” pode ter um choque. Nada daquela confusão de ambulantes e cambistas na porta do estádio. Tudo que o torcedor precisa está dentro da arena (atual delírio arquitetônico das grandes cidades). Se os estádios da Copa de 2014 seguirão esse modelo, pobre do torcedor de arquibancada. Esse ficará de fora mesmo. Sem sanduíche de pernil, espetinho, batida carregada na aguardente e cerveja quente nos arredores do estádio, só restará o futebol. E esse, meus amigos, a gente pode acompanhar em casa.
Não tinha predileção por nenhuma das equipes postulantes ao título. Entre ingleses e alemães fico com a coluna do meio. Se bem que nem o Chelsea era tão inglês assim e nem o Bayern pode ser considerado um alemão legítimo. Tem de tudo nesses grandes times europeus. Resultado do mundo globalizado, endinheirado, sem bandeiras e sem fronteiras que o futebol abraçou. Verdadeiras seleções internacionais equipadas com tudo o que o dinheiro pode comprar, exceto a emoção.
As duas equipes entram perfiladas em campo. Já nos vestiários os jogadores das duas equipes se cumprimentam, polidos e cordiais como manda a regra do futebol business. Equipes perfiladas saudadas pelo público. Alguns olhos mais acostumados à disputa da Libertadores e dos campeonatos Brasil afora arregalam-se diante de tamanha elegância. Nada de policiamento de choque escoltando jogadores e técnicos, pilhas e frutas atiradas no banco de reservas, juiz sendo ameaçado por cartola. Um mundo muito mais civilizado parece ter encontrado morada na Liga dos Campeões.
O jogo começa. O Bayern, por jogar em casa, e por ter uma equipe que joga mais com a bola no pé, poderia ser considerado favorito. O Chelsea, por sua vez, comandado por um técnico italiano, tentaria controlar o jogo em seu próprio campo e vencer a partida em algum lance isolado. Mais uma vez a expectativa exacerbada em torno de uma partida traiu esse blogueiro. O jogo, no primeiro tempo, foi mais frio que o final de tarde paulistano. Nem a torcida, que poderia ser a diferença do confronto, apoiou o time alemão. Outra dura característica das arenas de futebol. Muito conforto, muita climatização, mas, empolgação zero.
No segundo tempo o Bayern parece ter voltado mais determinado a vencer a partida, como se tivesse receio de que o acaso pudesse decidir o título. Buscou o gol incessantemente, aliás, que jogador é esse Schweinsteiger, hein! Craque alemão da mesma cepa de Breitner, Overath, Rummenigge entre outros que vi jogar. O Chelsea continuava com o seu catenaccio vitorioso contra o Barcelona.
Faltava pouco para o final do jogo quando o Bayern conseguiu abrir o placar. 1 a 0 numa cabeçada de Muller. Gol de muita técnica por sinal. Era a redenção do futebol jogado. Se o Bayern não era um primor com a bola nos pés, pelo menos queria jogar, o que já poderia ser considerado grande coisa. O italiano técnico dos ingleses resolveu fazer o óbvio; colocou mais um centroavante em campo para fazer companhia ao Drogba, que até aquele momento, jogava mais como um meia do que como atacante. Foi num escanteio, naquela decantada bola isolada, tão típica dos times do lado de cá, que o Chelsea empatou. Uma cabeçada poderosa do atacante Drogba colocou a igualdade no placar e jogou as esperanças alemãs para a prorrogação.
E veio a prorrogação. Não fosse o pênalti marcado pelo Drogba esses trinta minutos poderiam passar desapercebidos. Na chance de garantir o título, com uma penalidade bem anotada pelo árbitro, o Bayern ficou devendo. Robben perdeu o pênalti e eu, do outro lado da tela perdi a paciência com o jogo. Voltei à peleja somente para as disputas de penais. Os goleiros foram um show a parte, como tem sido nesse nosso futebol de vacas magras. Não tardará para um goleiro ganhar o prêmio de melhor jogador do mundo. O Chelsea ganhou a disputa por pênaltis e levantou a taça do mais importante interclubes do mundo. Festa, chororô e bebedeira nos pubs ingleses. A comemoração é livre. Para quem gosta de futebol o jogo pode até ter tido seus momentos de emoção, mas, no geral, foi muito fraco. A vitória da retranca inglesa serve como munição para os professores do futebol brasileiro que insistem em montar equipes defensivas disfarçadas de equilibradas, que insistem em jogar por uma bola, sem articulação ofensiva, justificando a covardia no futebol competitivo dos dias atuais, na disposição, na falta de bobo no futebol e etc.   
  
   

3 comentários:

Sérgio Oliveira disse...

A organização foi mais interessante que o jogo. Se pudéssemos carregar um Fluminense e Boca, um Santos e Vélez ou um Corinthians e Vasco para as mesmas condições de logística, organização e respeito de um Chelsea e Bayern; a mina de ouro teria sido encontrada. A torcida na final é tão diferente do que vemos por aqui, tanto é que pela primeira vez em minha vida ouço um animador de torcida. Quem fez o gol? Muller. O gol é de quem? Muller. Em relação ao jogo: ganhou o futebol que destruiu a teoria da “posse de bola”.

Mario disse...

A Champions League é o primo rico da Libertadores. Só que as imagens em Full HD já estão mais bonitas que o futebol jogado. A filosofia italiana venceu mais uma vez, só que o Chelsea tem um cara que apareceu no momento decisivo que foi o Drogba, e faltou esta estrela para os atacantes do Bayern. Teremos jogo na final do Mundial.

Cesar Augusto disse...

Sim, em dezembro teremos jogo e minha torcida é pelo Fluminense.