Sábado foi dia de final da Liga dos Campeões da Europa
(Champions League para os mais prafrentex). Dia de coroar o clube campeão
europeu. É impressionante perceber como, mesmo aqui nos trópicos, um jogo como
esse é capaz de mobilizar os fãs da bola. Todo mundo tinha o seu favorito e o
seu placar para a decisão entre Chelsea e Bayern. Clima de final de Copa do
Mundo mesmo.
Na falta de coisa melhor pra fazer resolvi acompanhar a Espn
Brasil horas antes do apito inicial. Grande cobertura in loco da emissora paulistana. Muita informação, muitas
reportagens especiais, trazendo para o espectador muito mais do que apenas o
jogo de futebol.
O jogo foi disputado na cidade de Munique, numa arena
moderna, localizada num ponto isolado da cidade alemã. Coisa fina mesmo. Quem
está acostumado a assistir jogos de futebol no “lado de baixo do Equador” pode
ter um choque. Nada daquela confusão de ambulantes e cambistas na porta do estádio.
Tudo que o torcedor precisa está dentro da arena (atual delírio arquitetônico
das grandes cidades). Se os estádios da Copa de 2014 seguirão esse modelo,
pobre do torcedor de arquibancada. Esse ficará de fora mesmo. Sem sanduíche de
pernil, espetinho, batida carregada na aguardente e cerveja quente nos
arredores do estádio, só restará o futebol. E esse, meus amigos, a gente pode
acompanhar em casa.
Não tinha predileção por nenhuma das equipes postulantes ao
título. Entre ingleses e alemães fico com a coluna do meio. Se bem que nem o
Chelsea era tão inglês assim e nem o Bayern pode ser considerado um alemão
legítimo. Tem de tudo nesses grandes times europeus. Resultado do mundo
globalizado, endinheirado, sem bandeiras e sem fronteiras que o futebol
abraçou. Verdadeiras seleções internacionais equipadas com tudo o que o dinheiro
pode comprar, exceto a emoção.
As duas equipes entram perfiladas em campo. Já nos
vestiários os jogadores das duas equipes se cumprimentam, polidos e cordiais
como manda a regra do futebol business. Equipes perfiladas saudadas pelo
público. Alguns olhos mais acostumados à disputa da Libertadores e dos
campeonatos Brasil afora arregalam-se diante de tamanha elegância. Nada de
policiamento de choque escoltando jogadores e técnicos, pilhas e frutas
atiradas no banco de reservas, juiz sendo ameaçado por cartola. Um mundo muito
mais civilizado parece ter encontrado morada na Liga dos Campeões.
O jogo começa. O Bayern, por jogar em casa, e por ter uma
equipe que joga mais com a bola no pé, poderia ser considerado favorito. O
Chelsea, por sua vez, comandado por um técnico italiano, tentaria controlar o
jogo em seu próprio campo e vencer a partida em algum lance isolado. Mais uma
vez a expectativa exacerbada em torno de uma partida traiu esse blogueiro. O
jogo, no primeiro tempo, foi mais frio que o final de tarde paulistano. Nem a
torcida, que poderia ser a diferença do confronto, apoiou o time alemão. Outra
dura característica das arenas de futebol. Muito conforto, muita climatização,
mas, empolgação zero.
No segundo tempo o Bayern parece ter voltado mais
determinado a vencer a partida, como se tivesse receio de que o acaso pudesse
decidir o título. Buscou o gol incessantemente, aliás, que jogador é esse
Schweinsteiger, hein! Craque alemão da mesma cepa de Breitner, Overath, Rummenigge
entre outros que vi jogar. O Chelsea continuava com o seu catenaccio vitorioso
contra o Barcelona.
Faltava pouco para o final do jogo quando o Bayern conseguiu
abrir o placar. 1 a 0 numa cabeçada de Muller. Gol de muita técnica por sinal.
Era a redenção do futebol jogado. Se o Bayern não era um primor com a bola nos pés,
pelo menos queria jogar, o que já poderia ser considerado grande coisa. O
italiano técnico dos ingleses resolveu fazer o óbvio; colocou mais um
centroavante em campo para fazer companhia ao Drogba, que até aquele momento,
jogava mais como um meia do que como atacante. Foi num escanteio, naquela
decantada bola isolada, tão típica dos times do lado de cá, que o Chelsea
empatou. Uma cabeçada poderosa do atacante Drogba colocou a igualdade no placar
e jogou as esperanças alemãs para a prorrogação.
E veio a prorrogação. Não fosse o pênalti marcado pelo
Drogba esses trinta minutos poderiam passar desapercebidos. Na chance de
garantir o título, com uma penalidade bem anotada pelo árbitro, o Bayern ficou
devendo. Robben perdeu o pênalti e eu, do outro lado da tela perdi a paciência
com o jogo. Voltei à peleja somente para as disputas de penais. Os goleiros
foram um show a parte, como tem sido nesse nosso futebol de vacas magras. Não
tardará para um goleiro ganhar o prêmio de melhor jogador do mundo. O Chelsea
ganhou a disputa por pênaltis e levantou a taça do mais importante interclubes
do mundo. Festa, chororô e bebedeira nos pubs ingleses. A comemoração é livre.
Para quem gosta de futebol o jogo pode até ter tido seus momentos de emoção,
mas, no geral, foi muito fraco. A vitória da retranca inglesa serve como
munição para os professores do futebol brasileiro que insistem em montar equipes
defensivas disfarçadas de equilibradas, que insistem em jogar por uma bola, sem
articulação ofensiva, justificando a covardia no futebol competitivo dos dias
atuais, na disposição, na falta de bobo no futebol e etc.

3 comentários:
A organização foi mais interessante que o jogo. Se pudéssemos carregar um Fluminense e Boca, um Santos e Vélez ou um Corinthians e Vasco para as mesmas condições de logística, organização e respeito de um Chelsea e Bayern; a mina de ouro teria sido encontrada. A torcida na final é tão diferente do que vemos por aqui, tanto é que pela primeira vez em minha vida ouço um animador de torcida. Quem fez o gol? Muller. O gol é de quem? Muller. Em relação ao jogo: ganhou o futebol que destruiu a teoria da “posse de bola”.
A Champions League é o primo rico da Libertadores. Só que as imagens em Full HD já estão mais bonitas que o futebol jogado. A filosofia italiana venceu mais uma vez, só que o Chelsea tem um cara que apareceu no momento decisivo que foi o Drogba, e faltou esta estrela para os atacantes do Bayern. Teremos jogo na final do Mundial.
Sim, em dezembro teremos jogo e minha torcida é pelo Fluminense.
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