Não sei o motivo de
ainda participar de um lugar onde se conversa sobre futebol. Tenho acompanhado
cada vez menos o esporte. Pudera: eu continuo azedo. Continuo pessimista. O
esporte que deveria ser emocionante em cada uma de suas disputas, traz emoções
pontuais, raras. Por exemplo: Final do campeonato Paulista não trouxe nenhuma
emoção. A disputa classificatória para a final compensou: o campeonato valeu
por esses jogos. Paulista, Carioca ou Mineiro. Os regionais me mostraram que
tenho razão em estar tão desanimado.
E a falta de brilho
continua: Mano Menezes fez a convocação da seleção brasileira para amistosos; e
quase ninguém ficou sabendo. Mano, pensando nos preparativos para as
Olimpíadas, mesclou alguns jogadores “velhos” com outros “novos”. Diz-se
“novos” aqueles com idade olímpica. Pois bem, sem alarde, em grandes artigos e
palpites, a mídia não deu muita bola para a convocação. Tirando convocações muito
estranhas, como a do Pato e sua situação de quase um jogador inativo, os outros
nomes não foram nem discutidos.
Na seleção
brasileira nunca houve unanimidade. Mas a questão agora é: não há nomes para
serem reverenciados. Tirando dois ou três jogadores, todos os outros nomes são
aceitáveis. Aceitáveis por qual motivo? Não existem outros jogadores ou não temos
informações suficientes dos convocados? Não posso falar sobre eles, desconheço
uma boa parte. E esses olhos fechados para a convocação me fazem mais distante
ainda da crônica esportiva, do falatório e da “cornetada”.
Mano deve estar
certo, eu espero. Eu não faria melhor do que ele.
Pela primeira vez na
minha vida como torcedor, concordo com a convocação de um treinador de seleção
brasileira. E isso acontece não por eu aceitar todos os nomes relacionados, mas
por não ter qualquer imaginação por outros nomes. É claro que estou
considerando que essa lista, exclusivamente, foi feita por causa das
Olimpíadas. Se não for assim, está tudo muito mais complicado do que podemos
supor. E se esses jogadores conseguirem o fato inédito para a seleção
brasileira, serão eles os representantes brasileiros na Copa?
Como eu disse,
poucos nomes são certos. Considero Neymar e Ganso a unanimidade desde a Era
Dunga. O que naquela época era dúvida para o treinador, hoje são as únicas
certezas. Nomes que acompanho de perto como: Ralf, Paulinho, Arouca e Lucas
também são interessantes. Os atacantes (que é o manancial brasileiro para
mundo); também temos bons nomes, mas igualmente comuns. Tanto que a opção do
Mano é o Hulk, ídolo em Portugal; mas desconhecidos aos brasileiros. E as
feras? E os camarões (como diz Felipão)? Nomes ultrapassados? Ronaldinho Gaúcho
e Kaká? Cadê nossos ídolos?
Ídolos que iniciaram
a Peregrinação 2012, quer dizer: Brasileirão. Muitos jogos, muitas datas e
inúmeras explicações sobre o futebol. Seleção brasileira não poderá apresentar
nada melhor do que aquilo que está sendo apresentado no campeonato que;
iniciado ontem, parece não ter data para acabar. Como podemos esperar uma
aproximação dos torcedores aos apelos eufóricos pela “torcida brasileira”,
quando sentimos falta de ídolos e da arte que representavam nosso futebol.
Infelizmente, se
alguma coisa ainda alimenta o futebol de hoje é apenas a rivalidade.
Substantivo que poderia representar muitas coisas interessantes, mas tem
mostrado apenas o lado negro da violência, da intolerância e do desrespeito. Rivalidade
intrínseca em qualquer competição dentro do campo, só tem resumido a ação dos
torcedores fora dele.
Um comentário:
Bom, acho que o motivo pelo qual vc continua fazendo parte desse espaço é o amor pelo nobre esporte bretão. Nenhum de nós pode ser classificado como um apaixonado pelo futebol. Eu não sou, não sofro mais com isso, raramente vibro com algum jogo, gol ou lance, mas, acontece às vezes. Acompanho alguns jogos, mesmo sabendo que o espetáculo será ruim. Algumas vezes me surpreendo, positivamente, com o que vejo em campo, mas, na maioria das vezes sinto que perdi noventa minutos da minha vida. Não sou masoquista e acho que você também não, mas, parte dessa nossa bronca está no inconformismo. Não podemos acreditar que algo que era tão bom, tão legal, tornou-se esse jogo chato, estatístico e coreografado dos "professores". É difícil aceitar que o ídolo de hoje seja tão estéril, tão descompromissado do jogo e a seleção cada vez mais um produto "pra inglês ver". Mas, continuamos porque no meio de tanta mediocridade, tanta irracionalidade, ainda há um pequeno lugar para a técnica, para a simplicidade e para sutileza. Tentamos provar isso no Patatativa em todas as postagens.
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