quarta-feira, 12 de março de 2014

Pé no Fundo especial – o que muda em 2014



Olá leitores!



Após alguns anos com uma relativa estabilidade no regulamento, 2014 é o ano em que a categoria receberá uma sacudida. Essa mudança estava a princípio prevista para 2013, mas com o mundo ainda sofrendo os efeitos das crises econômicas pós 2008 decidiram adiar por um ano as mudanças. Resultado disso? Dificilmente veremos nessa temporada – ao menos nas primeiras corridas – um domínio avassalador da Red Bull como aconteceu nos últimos anos. Alguns pilotos também terão que mudar seu estilo de pilotagem para terminar as corridas. Mas vamos às mudanças:


Motor: Sai de cena o motor V-8 aspirado de 2,4 litros de cilindrada e entra em cena o V-6 turbo de 1,6 litro de cilindrada. O motor antigo era ajudado por um sistema de recuperação de energia (o KERS) que aproveitava a energia do freio para gerar energia elétrica. O sistema mudou de nome (virou ERS) e agora é composto de duas partes: uma continua buscando energia no freio e a outra busca energia no calor gerado pelo turbo compressor. Aumentou a geração de energia elétrica, aumentou a capacidade de armazenamento de energia. Isso é muito importante, pois até ano passado os carros podiam levar 140 quilos de gasolina (o consumo na F-1 não é medido por litros, mas por peso). Esse ano serão apenas 100 quilos de gasolina, o que dá para, andando de pé embaixo, 1 hora de corrida. Opa!! Se o piloto não tiver cuidado com o acelerador e não usar sabiamente a energia elétrica acumulada no carro, não terminará a corrida. Até os pilotos se acostumarem, prevejo algumas corridas como aquelas dos anos 80, quando volta e meia alguns carros tinham pane seca no final das provas.


Câmbio: obrigatoriamente tem 8 marchas, e o câmbio tem que ser previamente configurado no começo da temporada. Nada mais daquela história de ter um câmbio curtinho para correr em Mônaco e outro longo para Silverstone e Monza. As mesmas 8 relações de marcha tem que servir para todas as pistas. Desafio para os engenheiros...


Bico do carro: Lembram quando começaram a aparecer aqueles carros com um “degrau” no bico e todo mundo caiu matando, dizendo que eram feios, etcetera e tal? Pois é... vendo os carros desse ano, até que aqueles bicos não eram tão ruins assim. Com a justificativa de aumentar a segurança, a FIA diminuiu a altura máxima do bico, mas não mexeu nos itens relativos à suspensão dianteira... como resultado, para cumprir o regulamento, a maior parte das equipes adotou bicos que parecem o focinho daquele personagem do Muppet Show, o Gonzo. Algumas equipes buscaram soluções diferentes: a Ferrari, por exemplo, parece que um elefante sentou no bico do carro e o deformou. A McLaren fez um bico que, olhando de frente, parecem duas narinas. A Caterham colocou um negócio parecido com um rodo no bico do carro, lembrando vagamente (muito vagamente) as Ferrari 312 T4 e T5 de 1979/1980. A Mercedes seguiu a linha de raciocínio da Ferrari... as coisas estarão feias, literalmente, nas pistas. Sei que houve muito trabalho dos especialistas em aerodinâmica para conseguir a maior eficiência com o novo regulamento, mas que o resultado foi, digamos, esteticamente improdutivo, isso foi.


Pilotos: É, a dança das cadeiras foi produtiva. Na Ferrari chamaram o Räikkönen para “botar uma pressão” no Alonso e ver se o espanhol justifica seu polpudo salário e tira a Ferrari do jejum de títulos. Pode ser também que o finlandês se dê melhor que o espanhol com o novo regulamento e seja ele o campeão. Enfim, acabou aquela política de ter primeiro e segundo pilotos bem definidos, agora são dois gatos rivais dentro do mesmo saco se pegando – ou ao menos a expectativa é essa... A McLaren trouxe o jovem Kevin Magnussen (filho do Jan Magnussen, que também pilotou para a McLaren) para fazer companhia ao Button, que pelo estilo de pilotagem suave tem uma chance de ouro de disputar o título. O campeão Vettel dividirá a equipe com o jovem Ricciardo, mas devem enfrentar tempos difíceis, já que o motor Renault claramente está atrás dos Mercedes e Ferrari e o carro andou pouco e devagar nos treinos. A irmã menor Toro Rosso manteve o Vergne e promove a estreia do russo Daniil Kvyat (como odiei escrever o nome dele...), e acabou se dando mal, pois trocou os motores Ferrari pelos mesmos Renault da Red Bull. A Lotus terá uma dupla destruidora (no mau sentido): Grosjean e Maldonado. Medo. Force India terá o ótimo Nico Hülkemberg e o Sergio Pérez, a Sauber vem com Adrian Sutil e Esteban Gutiérrez, Williams com Massa e Bottas (e como piloto de testes a linda Susie Wolff, quando solteira Susie Stoddart, filha do chefe de competições da Ford no Mundial de Rali), a Marussia (agora com motor Ferrari) terá Jules Bianchi e Max Chilton, e na Caterham o estreante Marcus Ericsson (primeiro sueco na F-1 em muitos anos) e a volta dele, Kamui Kobayashi, o “Kobamito”, de longe o melhor japonês a passar pela F-1. Não falei da McLaren pois manteve a dupla do ano passado.


Felipe Massa: ele foi para a Williams, que com o regulamento anterior era absolutamente decadente, mas que sofreu uma profunda reestruturação (inclusive trocando de motor, passando dos Renault para os Mercedes) e que foi muito bem nos testes de pré-temporada. A equipe está motivada e, principalmente, o Massa demonstra uma motivação que ele não mostrava desde antes de receber uma mola na cabeça. Vai vencer corridas? Tem potencial para. O motor da Mercedes se demonstrou o mais forte, os carros com motores alemães foram os que percorreram maior quilometragem nos testes, e eles devem dominar pelo menos a primeira metade da temporada. A Red Bull tem grandes recursos técnicos, a Renault tem grande experiência com motores turbo, tudo indica que eles devem se recuperar. A questão é: quanto tempo essa recuperação levará? Isso deve dar um tempero todo especial à temporada. Que, por sinal, já começa nesse final de semana agora. Às 3h da madrugada de sábado teremos o treino classificatório, e no mesmo horário da madrugada de domingo a corrida.


Até a próxima!



Alexandre Bianchini

Um comentário:

Arthur Simone disse...

Grande Ale! Tenho esperanças que a Williams não faça feio, Massa vai ganhar corridas sim, títulos no curto prazo eu duvido, mas vai incomodar bastante...